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Tourada

 

Iniciando a semana ,  compartilho a analogia das tourada  com  as relações humanas  feita pela escritora Clara Feldeman, em seu livro Encontro. Ela assinala  que na tourada entre as pessoa , uma delas tem o estranho prazer de cravar bandarilhas no peito da outra. Suas hastes pontiagudas aparecem na forma (sutil ou escancarada) de críticas, ofensas agressões verbais (às vezes físicas), sarcasmo, ironias; desrespeitos, competições, deslealdades. (…) mensagens  verbais e não verbais)  que perfuram, abrem feridas(…) entre uma estocada e outra, uma carícia (…) como barata que morde e sopra. (…) há também a inversão dos papéis: em que o toureiro se transforma em touro e vice-versa, numa alternância doentia sem fim.

A responsabilidade de escolha é de cada um dos envolvidos.  ”Não estamos na arena, famintos e ofuscados pela luz do sol (…) Não existe, para nós, a inevitabilidade da morte o touro, (…)  temos a força e a sabedoria para escolhermos o melhor: arrancar as bandarilhas, para , enfim viver.

Pense nisto…

 

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Decisões

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A vida é uma eterna surpresa.

 

Em nosso cotidiano, temos várias tarefas a serem desempenhadas; algumas dessas são rotineiras, mas sem percebermos, estamos continuamente fazendo escolhas e, portanto, tomando decisões. No entanto, há momentos que essas nos parecem difíceis e angustiantes, provavelmente, porque ameaçam a trajetória já estabelecida.

Cada indivíduo vive o seu próprio mundo, que é reflexo do seu ambiente físico, social e da sua própria natureza biológica. Suas necessidades e desejos aparecem através de mudanças no ambiente físico, social e biológico. Contudo, a percepção individual da situação, a intenção e o significado são  fatores importantes para as mudanças.

Todas as escolhas geram conseqüências e em todas, temos ganhos e perdas. Reporto-me, neste sentido, a uma pessoa que aos 55 anos considerava que o tempo que lhe restava na vida deveria ser para poder usufruí – lo de forma mais livre, sem compromisso com os horários que o trabalho lhe impunha. Já poderia, pelo tempo de serviço, aposentar-se, mas não tinha certeza dos benefícios reais que esta poderia lhe proporcionar. Mantinha-se ocupada, útil e interagindo. Na manutenção da segurança do conhecido, uma mistura de medo pelo incerto e desejo de liberdade lhe tirava a tranqüilidade.

O conceito do vocábulo decisão é constituído por de (que vem do  latim caedere e significa parar, extrair, interromper) que se antepõe à palavra caedere (que significa cindir, cortar). Sendo assim, literalmente significa “parar de cortar” ou “deixar fluir” (Gomes L.; Gomes C.; Almeida, 2006).

O  desejo de controle, muito comum no ser humano, aje como freio que impede por vezes o deixar a vida fluir. Nas diversas etapas da vida humana,  os ciclos se sucedem. Algumas vezes, sem percerbermos, tentamos nos aprisionar à determinada fase ou situação  por apego ou medo do novo.

As possibilidades de escolhas existem, mas precisamos também perceber que entre o ato da decisão e a realização, há uma defasagem que depende de vários fatores e que nosso controle tem um raio de alcance.  Desta forma, precisamos tolerar certo grau de surpresas, de perdas, frustrações e permitir sermos simplesmente viajantes, pois como já nos dizia J. A Wanderley: A vida é a arte das escolhas, dos sonhos, dos desafios e da ação.

Apesar dos medos, das dúvidas e do novo, estamos sempre fazendo escolhas, mesmo quando permanecemos no conhecido. Nossas bagagens pessoais existem, porém podemos  reorganizá-las para novas aventuras. Criar asas para novos vôos.

Norma

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“Ou Isto Ou Aquilo”

 Ou-Isto-ou-aquilo 

 

Ou se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol e não se tem chuva!
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo nos dois lugares!
Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo…
e vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.
Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

Cecilia Meireles

 

Indecisões quem não as tem??????  O que não é saudável é que  se transformem em  estagnação.

 

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Trágico cômico

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A vida é a arte do encontro,  embora haja tantos desencontros pela  vida”.  Vinicius de Moraes

 

 

É comum em conversas informais, principalmente entre as mulheres, falar-se sobre situações afetas ao cotidiano de casal. Nessas conversas, as diferenças de pensamentos e atitudes trazem à tona um tema que vem sendo estudado, escrito, mostrado, por várias áreas da ciência e da arte: as diferenças de gênero.

O ser humano é dependente, não sobrevive ao isolamento.  No entanto conviver é o seu maior desafio.

Paradoxalmente, nos relacionamentos íntimos, principalmente de casal, alcançamos o céu e o inferno. Isso não diz respeito apenas às diferenças entre os sexos, mas, também, ao fato de que as parcerias favorecem que os conflitos emocionais não resolvidos com nossas relações primárias ressurjam com toda a intensidade. 

“Dormimos com o nosso maior inimigo”,  já assinalava Whitaker, pois o inconsciente nos aproxima, nos motiva nas escolhas.

Muitas peças teatrais, muitos filmes, algumas charges são produzidas sobre o enfoque trágico cômico que reproduzem algumas das incoerências humanas e freqüentemente da relação de casal. A estrutura biológica demarca as diferenças dos sexos, mas ao longo da história da humanidade, a cultura colaborou para que a visão de mundo entre mulheres e homens se distanciasse, criando mesmo, em certos momentos, rivalidades.

De acordo com John Gray, autor de Homens são de Marte, Mulheres são de Vênus , ambos desejam ser amados, mas o homem necessita ser aceito, ser apreciado e gozar de confiança; a mulher: ser cuidada, ser compreendida e ser respeitada.

Por outro lado, a comunicação, principal meio para nos sintonizarmos com o outro, é atravessada pela forma do pensar, sentir e expressar tão diferentes entre homens e mulheres, transformando-os em ilhas cujas pontes para se firmarem necessitam de “muita engenharia”.

Apesar do sentido da vida ser subjetivo, o encontro está inserido no cerne da humanidade.  É a partir da união (macho/fêmea) que se dá a sobrevivência da espécie.  Na atualidade, o encontro torna-se, cada vez mais, descartável, e o índice de pessoas, que vivem só, aumenta. Mas, ainda observamos, que as mulheres anseiam pela relação estável e constituição de uma família. Contudo, a intolerância, o individualismo vêm crescendo.

No cenário da vida, temos muitos encontros e desencontros. Representamos vários papéis, mas somos os autores da nossa própria história.  Podemos ter relações construtivas buscando o autoconhecimento e desenvolvendo as habilidades interpessoais.

Norma Emiliano

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Conexões e sucesso

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Imagem Google

Vivemos imersos num universo de emoções geradas nas relações inter-pessoais. A vida transcorre em nossas relações, mesmo que sejam imaginárias.

A imagem de si próprio e do mundo está vinculada aos toques, sons, gestos, percepções que envolvem o ser humano desde o seu nascimento. O  desenvolvimento físico, emocional e social ocorre, de forma marcante, através das interações primárias com os nossos pais.

O ser humano em sua essência necessita de acolhimento, pertencimento e validação. Assim, sua auto-estima é definida principalmente a partir da sua matriz familiar. Por sua vez a auto-estima define a possibilidade de sucesso nas diferentes áreas da vida. Portanto, os seus referencias parentais, a forma como é tratado e como a vivencia são vitais em sua vida.

Nas passagens das diversas etapas da vida humana, as interações familiares paternas passadas e presentes marcam com suas cores. O sentimento de pertencimento é uma das bases da segurança pessoal. Pertencer é conjugar os valores, crenças, expectativas, comportamento, etc., familiar. No desenrolar da vida, nos diversos encontros, os sentimentos de exclusão e inclusão estão ligados à forma como o indivíduo se sente acolhido e pertencente ao seu núcleo familiar. Somam- se a isto, o olhar dos pais, seus conceitos pessoais sobre os filhos, fatores que determinam o  amor próprio, a  auto-estima.

No momento das escolhas, que vão desde a esfera profissional até a relação amorosa, os modelos paternos e suas expectativas se fazem presentes trazendo à tona a capacidade do jovem para lidar com os sentimentos em relação aos seus referenciais. Somos o que pensamos que somos.

Ao longo das últimas décadas, as mudanças científicas e tecnológicas vêm interferindo na configuração familiar e na proximidade cotidiana entre os diversos membros que a constituem. Surgem maior complexidade neste contexto e maior desafio na construção e manutenção de um relacionamento saudável entre os diversos membros.

A família tradicional (nuclear) composta de pais e filhos e em constante vinculação com as famílias de origens (avós, tios, etc.) é cada dia mais rara. Hoje, o casal que inaugura uma família, através do nascimento dos filhos, permanece junto por pouco o tempo. Os filhos passam a se dividir entre as duas famílias uni parentais (mãe-filhos, pai-filhos).  Em outros casos forma-se a família recasada, quando o ex-marido e/ou a ex-esposa unem-se a outro parceiro.  Nesse sentido, as diferenças pessoais entre aquele ex-casal dificilmente podem ser negociadas e os filhos podem ter conflitos pessoais em função das suas lealdades parentais e maiores dificuldades em seus direcionamentos pessoais. Além disso, observa-se a partir das novas composições familiares que as funções paternas e maternas acabam sendo exercidas pelos membros que protegem, cuidam e colocam limites às crianças, independente de serem ou não seus pais biológicos.

Somos resultados de nossas experiências, dos registros inconscientes, do que pensamos que somos e das atitudes que tomamos. Desta forma, é importante que se perceba a interdependência do ser humano, a marca eterna das relações familiares e a relevância do processo do encontro de si mesmo (individualização), pois é através da consciência de fatores que permita a elaboração de conflitos, perdão e resignificação de atitudes, que surgem a possibilidade de reconstrução das histórias e uma estrada pautada por mais sucessos.

Norma

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