Carnaval- Um recorte de alegria

Aproximamo- nos de uma data em que a folia embala o cotidiano de um  significativo número de brasileiros. Nesse sentido, considerei propício trazer um texto que aborda essa data  através do tempo e de algumas expressões do núcleo familiar.

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Um recorte de alegria

“Quanto riso, oh quanta alegria, mais de mil palhaços no salão….” essa e muitas outras canções remetem- me aos anos idos. Anos de magia, de muitos confetes e serpentinas. Anualmente, a chegada do carnaval trazia  aos lares, às  ruas  um novo colorido. Ensaios dos blocos, escolha das fantasias, enfeites nos postes antecediam a grande festa. Época de simplicidade, de calor humano entre vizinhos e ida aos clubes em família. Essas são lembranças minhas.

No meio da multidão, as máscaras; personagens ediondos, assustadores corriam de lá para cá, detinham- se juntos as crianças. Isso era amendrontador. Mas passageiro. Muitos faziam questão de mostrar o rosto após o primeiro impacto. Nos blocos, faziam- se alas de moças, de rapazes e crianças. Em sequida, vinham os pais, os responsáveis, que zelavam por sua família e se divertiam. Festa do povo. Muita animação. Três dias de folia.

Os bondes cheios traziam na parte traseira um grupo de instrumentistas.  Com ou sem fantasias as pessoas cantavam e dançavam animadamente ao som de sambas e marchinhas. A festa acontecia  em vários lugares de dia e de noite. Pela noite, os jovens voltavam, muitas vezes, a pé, dos grandes bailes carnavalescos. Muita paquera, lança perfume e alegria.

Um mundo mágico, três dias em que novos personagens tomavam conta do cotidiano: pierrô, arlequim, colombinas, príncipes, morcegos, diabos, bailarinas, homens vestidos de mulheres, mulheres vestidas de homens.

Nas tardes, os desfiles das fantasias infantis. Nas noites, os desfiles dos blocos. Feliz, empertigada na minha colombina, via – me no espelho. Lábios rubros, olhos pintados de azul. Tudo era novidade; meninas até seus quinzes anos não se pintavam. Os cabelos eram carinhosamente enrolados em papelotes por minha avó e ao se soltarem mostravam seus belos cachos. Minhas irmãs  ( mais velhas do que eu)  e suas amigas na sala  contavam as emoções da noite anterior. Meu pai tentava descansar para que à noite pudesse acompanhar “o seu rebanho”. Mas minha mãe ali estava dando conta de aprontar sua menina para o desfile.

Lembranças minhas que trazem uma época de vida em família, do compartilhar da magia do carnaval em que o maior sentido era a diversão. Lembranças das músicas que diariamente enchiam os lares.  Compositores  e artistas detinham- se  na nas belas e frenéticas composições carnavalescas.

Na retomada do tempo, pode-se traçar uma linha e pontuar as transformações. No sentido do carnaval, na entrega à folia, na união dos grupos, na participação comunitária, nos valores da família, no sentido da vida.  “Cidade maravilhosa cheia de encantos mis, cidade maravilhosa coração do meu Brasil”.
 
Norma Emiliano

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Identidade

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O nascimento de um ser não é o suficiente para que esse ocupe um lugar no mundo.

Muitas pessoas têm filhos sem planejamento ou mesmo sem motivos. É a partir  dessa premissa que ocorre o nascimento de Carlota, fruto de um caso efêmero. Filha de mãe solteira, que após um tempo de indecisão, opta pela gestação.

Ao longo dos seus primeiros sete anos vive ao lado da mãe e de um irmão, oriundo de outro relacionamento materno. Algumas vezes, Carlota ouvira a mãe dizer que não havia querido seu nascimento. Acostumou- se  a ganhar coisas usadas e a pouca organização. Aos quatro anos foi apresentada ao pai e passou a ter contatos esparsos com a família paterna (avó e tia); aos sete anos decidiram  que iria morar com o pai. Este era casado há cinco anos e tinha uma filha. Desse modo, foi inserida nesta família, e os sentimentos de rejeição, medo e exclusão irão permear seu cotidiano.

A construção da identidade ocorre através de influências de características adquiridas da personalidade,  da identificação com outras pessoas e de valores sociais. A identidade é uma concepção de si mesmo, composta de valores, crenças e metas com os quais o indivíduo está solidamente comprometido. Desta forma, os  hábitos, valores, limites, crenças vão sendo incorporadas no cotidiano infantil a partir de suas interações, principalmente com os pais e irmãos.

Entre expectativas e frustrações, entre amor e ódio, entre submissão e rebeldias os fios da mentira,  desconfiança e o medo foram sendo tecidos.

No decorrer de seis anos, retornou à casa materna por três vezes. Em todos os  retornos à casa do pai, as roupas esquecidas na casa da mãe eram motivos de conflitos com o pai. Todavia, não tinha nem um armário que fosse só seu. Dividia – o com a irmã. Seu material, roupas eram comprados sem sua opinião. O pai constantemente  lhe batia por pegá- la em mentiras.

As redes formadas pelos laços familiares constroem o pertencimento. Entretanto,  em meio a dois mundos conflituosos, que atitudes tomar? Como se comunicar? Como agradar?

Transitar entre duas residências não é questão. O que pode construir um problema é como cada um dos respectivos pais lidam com as suas diferenças e conflitos. Aquele que tenta afastar o filho do convívio de um dos genitores pode perder a confiança do filho.

Ajudar Carlota a construir sua identidade e auto-estima significa entender seus conflitos de lealdades, seus sentimentos de rejeição e exclusão. Significa ter regras claras de convivência; realizar mudanças concretas no atual espaço (moradia);  fazer sua inserção em projetos cotidianos da família; empatizar e apoiar seus conflito criando um clima de afeto e confiança para que ela possa transitar entre estes dois mundos e se enriquecer com as diferenças e não ser punida. 

 Ambientes e regras internas distintas constroem pessoas mais flexíveis; característica de grande valor nos dias atuais, tendo em vista que  o sujeito pós-moderno encontra- se  diante de uma  variedade de novidades.

Norma Emiliano

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O desafio cotidiano- Atitudes e Sentimentos

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“Hoje, na crise do projeto humano, sentimos a falta clamorosa de cuidado em toda parte”. Boff

Como você enfrenta os diversos desafios que a sociedade contemporânea tem acarretado à qualidade de sua vida? Como você vivencia este enfrentamento?

Para iniciarmos esta reflexão, cabe observar que vivemos num mundo globalizado, no qual estamos conectados concomitantemente a várias pessoas e situações.  Tempo e espaço se confundem.

A revolução nos meios de informação, mídia e tecnologia remete nosso pensar, refletir e agir sobre nossas atitudes e sentimento na construção do bem-estar. 

As interações socais são permeadas pelas relações de produção e de consumo; os padrões de convivência urbana se transformam;  o tempo destinado ao trabalho aumenta; a família pouco se reúne para compartilhar sobre o cotidiano. Há  uma queixa comum da dificuldade nos relacionamentos entre os parceiros e entre pais e filhos. Por outro lado, observa-se que  limites que separam crianças e adultos estão desaparecendo.

Na análise de Jurandir Freire Costa (1994; 1995), no perfil da sociedade brasileira, identificam-se quatro atributos que a compõem: o cinismo, a delinqüência, a violência e o narcisismo. Destaca em sua análise que a transgressão à regra dá uma ilusão, em nossa sociedade, de que podemos ficar impunes. No entanto, “quando o ser humano não tem mais a regra subjetiva que lhe faça ver no outro semelhante, ele não experimenta pelo outro nenhuma preocupação, nenhuma consideração. O outro é um estranho”. (Costa, 1994: p. 12).

Diante do exposto, podemos indagar qual o sentimento tem predominado no seu cotidiano; como este sentimento tem repercutido no seu corpo, nas suas ações e interações?

Será que o medo e o sentimento de impotência têm predominado causando tensões e dores no seu corpo distanciando-o das relações interpessoais? Ou pelo contrário, o otimismo e a garra pela realização dos seus sonhos são predominantes? Ou, ainda, você encontra-se no meio termo, com medo, mas sem desistir da luta por um solo mais fértil?

De acordo com os filósofos gregos, a ética deveria ajudar o homem a se transformar, de modo a obter para si o que o universo nos revela: ordenação, circularidade e beleza.

No filme Encontro de Casais, observa-se diversas facetas do comportamento de indivíduos e casais que os levam à alienação total dos seus reais problemas e sentimentos. Ele traz a mensagem de que a vida perfeita não existe e que os problemas precisam ser percebidos e confrontados.  Indo além, assinalo que é no cotidiano que tecemos os fios de atitudes que podem construir sentimentos mais propícios ao bem-estar pessoal e relacional. Pense sobre isto.

Norma Emiliano

Referências bibliográficas:

Costa, J. F. A ética e o espelho da cultura. Rocco, Rio de Janeiro, 1995.

________ Vida: um princípio básico no bem-comum e na ética do convívio. Revista Proposta. N. 60. P. 10-15. 1994

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Valores nas relações

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Dificuldades fazem parte da vida do ser humano e as relações intra e interpessoais, ao longo do tempo, constituem- se num grande desafio para a humanidade. Contudo, vivemos um momento em que urge indagar sobre as finalidades do agir humano e sobre o próprio sentido da existência individual e coletiva diante de tanta violência, miséria e impunidades.

Constata-se, no cotidiano, que os espaços de sociabilidades anteriores (ruas, praças etc.) são representações de perigo. As habitações se transformaram em apartamentos ou residências fechadas. Pouco se vê ou se fala com vizinhos; utiliza-se cada vez mais o carro, que acaba dissolvendo ou reduzindo uma rede de conhecimentos de portão, de rua, de vizinhança. A  TV ocupa as pessoas em casa, diminui as conversas, inibe as reuniões e outras formas de lazer. O computador aproxima virtualmente as pessoas. Os membros familiares pouco se vêem ou se falam. Assim sendo, surgem novas formas de sociabilidades (surfistas, torcidas de jogos, comunidades virtuais, etc.) fundadas em afinidades ou interesses momentâneos em comum. Hoje as interações ocorrem nos shopping centers, barzinhos da moda e no cyberespaço.  Dificilmente as pessoas se visitam. Para as crianças, no grande centro, a escola ou playground se constituem nas possibilidades de interação.

Nesse contexto, há um cultivo à individualidade; há o excesso de permissividade; há a precariedade nos relacionamentos, baseados em contratos temporários em definição e intenção. Não se prioriza a construção; o ter agrega o valor do ser.  O homem se encontra cada vez mais isolado, pois vem perdendo modos de pertencimento e de sentido de vida. Na busca de conforto e segurança, no desejo de extrair para si o maior prazer de uma vida boa, vive sem construir um projeto de vida. Enclausura-se nos desejos e esquece-se dos sentidos coletivamente construídos, de sentidos mais generosos para si e para os outros.  Neste caminho, o Ser se perde, não encontra caminhos de realização, pois não reconhece os seus próprios desejos.
 
Nesse sentido, como repensar a Ética em sua função de resguardar a vida, em função de ter uma morada, possuir um valor de lugar e um valor de posição? Como conciliar os direitos individuais e as obrigações coletivas? Quem sabe, retomando os filósofos, a ética socrático-platônica que postula a anterioridade do conhecimento das formas – justiça, virtude, coragem, responsabilidade etc. – como a condição de estabelecimento do Bem e, então, definir a forma de atingi-lo.

Norma Emiliano

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Duas histórias, uma mesma dor

Nas expressões o testemunho de cada forma de Ser.

Corpo curvado e olhar tristonho. Nas primeiras palavra as lágrimas afloram, demarcando a difícil convivência com a doença, que se debate ao tratamento. Na pele a marca do transtorno causado pela agressão medicamentosa. A vida lhe agrediu e não se dera conta do tanto que fora.  Os sintomas sinalizaram que a sua fortaleza se despia.

Tem dois filhos independentes, tem sua carreira; não seria um casamento falido que lhe abateria. Pensou ter dado “à volta por cima”. Enganou- se. Distante da família origem, conseguiu trabalhar, criar os filhos e ser esposa, mas a decepção conjugal criou mágoas profundas que ficaram escondidas no fundo da sua alma. Hoje, a doença chega e mostra- lhe que precisa de apoio, que sua luta não pode ser solitária. Atrás das lágrimas a garra pela vida e a dor pela ameaça da morte.

O corpo ereto, a vivacidade da voz e o brilho nos olhos. No contar sobre a  evolução da doença o receio de mencioná-  la, pois é forte a crença de que o seu nome é um ponto de atração. Os cabelos, substituídos pela peruca, denunciam a sua negação. É difícil conviver com a doença e o pior é não ter resposta ao tratamento. Mostrar-se normal é a sua prioridade. Endivida- se pela compra da peruca que se assemelha a sua anterior cabeleira.

Sofreu com o conflito conjugal, sofre com a doença, mas o que importa é como se apresenta. Seu desejo de vida se confunde ao medo de confrontar os seus medos. Nega. Ao negar sua dor para si e ocultá- la dos filhos e demais pessoas, fecha-se. Passou a vida adiando os confrontos e não se deu conta que foi além do que podia resistir. A doença eclode e ela não a dimensiona. Faz tudo disciplinadamente e deixa- se levar. Não percebe que por trás da negação tem o medo da morte e acaba enfraquecendo a sua luta.

Ao longo do seu desenvolvimento o indivíduo constrói seu próprio reduto. As defesas pessoais, na sua maioria inconsciente, criam armaduras que enrijecem a personalidade. Em ambas as histórias, o desconhecimento do padrão de funcionamento pessoal impede que cada uma possa enfrentar o momento com espontaneidade e flexibilidade.

Ambas são perseguidas por sombras do passado que constroem as defesas pessoais. Ambas desejam imensamente driblar a doença que as corrói, mas não deixam a vida fluir.

Conhece a verdade e ela te libertará“. Biblia

Norma Emiliano

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Costurando Retalhos

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No decorrer da vida, muitos momentos ultrapassam as fronteiras do aqui e agora transformando- se em emoções e sentimentos retidos, que nos congelam no tempo. Contudo, outros momentos nos chegam e nos ajudam a desatar os nós e a seguir em frente. Assim costurando estes momentos, forma- se e transforma- se as imagens do Ser.

Os pensamentos voam e trazem à memória a infância colorida e adolescência fantasiosa. A música, a dança, os bailes. Ah! belos recortes. Amor eterno amor; sonhos constantes com o meu amor. Horas e horas a fio, à espreita da sua passagem para uma simples troca de olhar.Tantos dias, semanas e anos, a espera de um grande acontecimento. Porém, tu e eu não se entrelaçam e traçam caminhos diversos. Entretanto, o romance, a idealização, o sonho adolescente se mantiveram.

Novo encontro, nova vida, compromissos, ganhos e perdas. Casamento, filhos, carreira, nascimentos e mortes. Sucessão de eventos, importantes nas etapas do ciclo vital individual e familiar.

Idas e vindas pelas histórias. Entre encontros e desencontros, nascimentos e mortes, perdas e ganhos na roda da vida tudo foi sendo passado a limpo. A criança mimada, a adolescente responsável prematuramente, a mulher sonhadora,  entre a ilusão e a realidade, trazem à fase da maturidade novos matizes.

Após a conquista, o ponto de atração trai e em meio à desorganização, o Ser se perde e se acha e, facetas reprimidas, algumas ainda desconhecidas, despontam.

Amar e encontrar no olhar do outro a mulher inteligente, sedutora e desejada, traz à tona o momento lírico do amor adolescente. Jogos de olhares, de palavras e gestos. Amor vivido na forma de sentimento anteriormente retido. Na expansão e na expressão dos sentimentos a possibilidade de poder partir e recomeçar uma nova história, na qual ambos os amores se entrelaçaram libertando a mulher adolescente.

Muitas são as estradas e em cada uma surge uma encruzilhada. Das escolhas, (inconscientes), “sempre certa do parceiro”, vão aflorando as emoções congeladas que urgem em se derreter. No calor dos novos encontros e momentos algumas emoções vão se desfazendo e inundando  este antigo novo Ser.

Estar no aqui e agora liberta, resulta de poder se abrir para permitir que o auto conhecimento vá além da subjetividade, que as experiências  aconteçam, que o olhar se expanda para além do momento presente, que o passado seja confrontado e os retalhos possam ser costurados.

Norma Emiliano

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Desamparo e amor

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Muito se comenta sobre o  excessivo individualismo reinante em nossos dias. Nas conversas informais confirmam-se as queixas sobre a maneira como as pessoas compartilham os espaços coletivos. Há um descaso pelo outro. É  freqüente  entre pedestres ou motoristas urbanos exemplos gritantes: pedestres andando em dupla ou em trio com carrinhos de crianças ou cachorros fazendo uma muralha nas calçadas, não se incomodando com quem vem a frente ou atrás. Os motoristas fecham cruzamentos, sem se importarem com aqueles que  precisam atravessá-los. Não há o mínimo interesse pelos outros e a solidariedade é substituída pelas competições cada vez mais estimuladas na sociedade.  Há a exigência social do indivíduo responsável (a conquista do emprego ou mesmo de um relacionamento pautada na ação individual), o que deixa as pessoas com seus próprios recursos. Assim, esse modo de “cada um por si” gera em contrapartida sentimento de desamparo.

Por outro lado, o modo individualista de existir sem amarras e à deriva (sem referências) acarreta insegurança ou instabilidade pessoal que somada às constantes frustrações geram dores psíquicas, entre elas o pânico e a depressão.
Na clínica, a angústia revela, algumas vezes, a situação de desamparo pela perda do amor e nesse está incluso o de si próprio e o do outro. Desta forma, abordar sobre o individualismo é caminhar por esferas de sentimentos que permeiam as relações desde a esfera privada à publica e que constroem mal-estar e consequentemente adoecimentos.

As influências são recíprocas (sociedade e indivíduos) e os sintomas nos alertam que o circulo vicioso necessita ser interrompido para darmos chance a novos ares. Nessa retomada urge um olhar cuidadoso sobre o si mesmo numa perspectiva mais humana e menos mercantilizada ( marca de roupa, carro x, etc.).  Assim sendo, quem sabe o amor (rearfirmado e cuidado)   possa ser a mola mestre que nos ajude a trilhar caminhos menos desumanos e que o outro possa ser reconhecido como o si próprio, pois como diz John Powell,  “Na verdade, as coisas que mais me diferenciam e me individualizam em relação aos outros, o que torna a comunicação de minha pessoa um conhecimento único, são meus sentimentos ou emoções».

Norma Emiliano

BAUMAN, Z. (1997). O mal-estar da pós-modernidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998.

JOHN POWELL, S. J. Por que Tenho Medo…  Editora Crescer, B. Horizonte, 1987. Tradução de Clara Feldman de Miranda

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Debate- Desamparo e amor

O texto reflete  sobre desamparo do homem agravado na sociedade atual; discorre sobre a ética e os afetos. Como você percebe e sente este desamparo nas relações?

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Compartilhando palavras: Delicadeza é tudo, numa relação a dois…

Rubens Alves

Tênis e Frescobol
por Rubem Alves

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“Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os relacionamentos são de dois tipos: há os do tipo ‘tênis’ e há os do tipo ‘frescobol’. Os relacionamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa. Explico: para começar, uma afirmação de Nietzche, com a qual concordo inteiramente. Dizia ele: ‘Ao pensar sobre a possibilidade do casamento cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: ‘Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até sua velhice?

Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de ‘conversar.’ Scherazade sabia disso. Sabia que os relacionamentos baseados nos prazeres da cama são sempre decapitados pela manhã, e terminam em separação, pois os prazeres do sexo se esgotam rapidamente.

Há os carinhos que se fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem com as palavras. E contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes, fazer carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo: ‘Eu te amo…’.Barthes advertia: ‘Passada a primeira confissão, ‘eu te amo’ não quer dizer mais nada.’

É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez anatômica, mas em sua nudez poética. Recordo a sabedoria de Adélia Prado: ‘Erótica é a alma’.

O tênis é um jogo feroz.. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola.

Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir sua cortada – palavra muito sugestiva – que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.

O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra, pois o que se deseja é que ninguém erre. O erro de um, no frescobol, é um acidente lamentável que não deveria ter acontecido, pois o gostoso mesmo é jogar pra sempre… E, o que errou pede desculpas, e o que provocou o erro se sente culpado.

Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos… A bola: são nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho prá lá, sonho prá cá…

Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada. Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão… O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde. Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração”.

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A cada novo dia

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Neste amanhecer, ao pensar nos relacionamentos, na razão da minha existência e no objeto da minha prática profissional, atentei-me para as dores e alegrias da vida e me detive na razão de cada novo dia.

Manhã chuvosa, céu refletido nas águas profundas do mar que se mostram escuras; tudo ao redor parece transmitir uma profunda tristeza. No entanto os sons dos pássaros, as cores das flores anunciam que há muito mais na essência da vida.

Quando a dor abate a alma humana, semelhante à imagem do dia chuvoso, parece que nada mais existe a não ser a escuridão. A tristeza e desesperança corroem o ser.

Em seus olhos não há brilho, em seus lábios não há sorriso. Seu coração bate sem a sua escuta, seu sangue corre nas veias, mas é como se a vida se fosse. Inerte, nada vê, nada escuta; nada tem sentido.

Quantas vezes, a vida, com suas surpresas e/ou sua própria natureza provoca o confronto do ser humano com a finitude e a imprecisão. O sucesso, a juventude, a paixão, felicidade, o cargo, etc., tudo é passagem. A construção do caminho a ser percorrido não é uma reta previsível com sinalizações claras e transparentes. A teia que se forma enreda e seduz. Aquilo que hoje é porto seguro em poucos segundos se esvai. São tantas as variáveis pela vida que de tempo em tempo é preciso rever os caminhos.

Os dias são páginas no livro da vida. As páginas desse livro podem conter um continuum de seres, lugares e fatos que se interligam, mas que, em dado segundo, precisem recomeçar nova história. Cada um e todos têm em sua trajetória existencial singular história. História feita de comédias e tragédias, de poemas e contos repletos de cores, sons, cheiros e gestos e sem receituários.

A cada dia há manhã, tarde e noite, e no dia seguinte o ciclo ser reinicia com a ilusão de repetição. Nada se repete, porém a memória retém lembranças de tempos idos e mantém, muitas vezes, o ser aprisionado ao passado. Presente e o passado se fundem e podem reinventar a história com novos matizes.

O despertar na aurora iluminada pelo sol e coberta de flores, numa plena harmonia, reveste o dia de novas cores, anuncia a alma esperanças e confirma magia à existência. O som dos pássaros, as cores das flores, o brilhar da lua e das estrelas anunciam que há muito mais a cada dia.

Norma Emiliano

Completando nossa reflexão trago um fundo musical que nos ajuda a sonhar sempre com UM NOVO DIA

La Vie en Rose

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Gentileza

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Hoje, veio a minha mente a palavra gentileza. Acho que  isto se  deve  a  algumas  situações em que  pude constatar que esta forma de lidar com   as   pessoas   está   se  escasseando.   Portanto,  começo  o  dia repassando  10 dicas para os meus leitores, através de Rosana Braga, Escritora,  Jornalista  e   Consultora  em  Relacionamentos,   que  escreveu  o livro  “O poder da gentileza”,  para facilitar essa prática.

1. Tente se colocar no lugar do outro. Isso o ajuda a entender melhor as pessoas, seu modo de pensar e agir.
2. Aprenda  a  escutar. Ouvir  é  muito  importante  para  solucionar qualquer desavença ou problema.
3. Pratique  a  arte  da paciência. Evite  julgamentos  e  ações precipitadas.
4. Peça desculpas.  Isso  pode  prevenir  a  violência  e  salvar relacionamentos.
5. Pense positivo. Procure  valorizar  o  que a situação e o outro têm de  bom  e  perceba  que  este  hábito pode promover verdadeiros milagres.
6. Respeite  as  pessoas quando elas pensarem  e  agirem  de modo diferente de você. As diferenças são uma verdadeira riqueza para todos.

7. Seja solidário e companheiro. Demonstre interesse pelo outro, por seus sentimentos e por sua realidade de vida
8. Analise a situação. Alcançar soluções pacíficas depende de se descobrir a raiz do problema.
9. Faça justiça. Esforce-se para compreender as diferenças e não para ganhar, como se as eventuais desavenças fossem jogos ou guerras
10. Mude a sua maneira de ver os conflitos. A gentileza nos mostra que o conflito pode ter resultados positivos e ainda tornar a convivência mais
íntima e confiável.

Acrescento ainda, o sorriso, o cumprimento, o agradecimento fazem diferença. Não perca a oportunidade de ser  gentil
Vamos cultivar a gentileza, principalmente em nossa família, pois a gentileza torna o nosso dia mais ameno e o nosso sistema imunológico tende a melhorar na medida em que há uma relação direta entre a saúde e o bem-estar.

Norma

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Desejo de amar

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O amor, há muito cantado em prosa e versos, tem despertado muitas emoções e atitudes ao longo da história da humanidade. É uma palavra universal,  porém é um conceito cultural e subjetivo.

Amar e ser amado poderiam ser simples, entretanto, envolve toda a complexidade do ser humano que é a responsável por tantos desencontros amorosos. É constante a queixa de parceiros que não se sentem amados por mais que o outro procure manifestar o seu amor. Ele não é reconhecido. Lamentável é ouvir alguém dizer que não consegue amar.

Será que você já se perguntou: como me sinto amado e como expresso o meu amor? Estes dados são fundamentais para se crescer no amor.

Cada um de nós aprende amar e dar amor através do processo de aprendizagem que ocorre nas nossas primeiras interações. Assim, trazemos um modelo de amor.  De acordo com Luhman, 1990, “o amor é um código de comportamento, um modelo de conduta que temos diante dos olhos quando aprendemos a amar”.

O amor adulto exige um árduo trabalho; é necessário que as demandas de satisfação individual sejam reconhecidas por cada um de nós e sintonizadas pelos parceiros. Assim, conhecer-se e conhecer ao outro, dar e receber são elementos fundamentais para amar e se sentir amado.  Cabe também ressaltar que na medida em que deixamos de ser meros receptores, tornamo-nos mais livres da dependência do outro.

Desta forma, na relação cada um precisa aprender a ver o outro como ele é, buscando filtrar valores, crenças, medos, expectativas. É um investimento a dois; disposição de se deixar conhecer e aceitação recíproca. Como escreveu Clint Weyand “Meu amor deve estar disposto a permitir que você cresça em direções que eu não percorri. Se não te dou esta liberdade, meu amor é apenas um método disfarçado de controlar você”.

E você já se perguntou: Eu sei amar?

Norma

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Você sabe amar?

amor

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No  cadenciamento das palavras abaixo a dança e o rítmo dos relacionamentos em direção ao amor.  O EU e VOCÊ para   a construção do NÓS em pról do bem maior da humanidade.

Estou aprendendo a aceitar as pessoas,
mesmo quando elas me desapontam.
Quando fogem do ideal que tenho para elas,
quando me ferem com palavras ásperas
ou ações impensadas.
Eu estou aprendendo.

É difícil aceitar as pessoas assim como
elas são, não como eu desejo que elas sejam.
É difícil, muito difícil, mas estou aprendendo.

Estou aprendendo a amar. Estou aprendendo
a escutar, escutar com os olhos e ouvidos,
escutar com a alma e com todos os sentidos..

Escutar o que diz o coração, o que dizem os
ombros caídos, os olhos, as mãos irrequietas.
Escutar a mensagem que se esconde por entre
as palavras corriqueiras, superficiais;
Descobrir a angústia disfarçada, a
insegurança mascarada, a solidão encoberta.
Penetrar o sorriso fingido, a alegria
simulada, a vanglória exagerada.
Descobrir a dor de cada coração.

Aos poucos, estou aprendendo a amar.
Estou aprendendo a perdoar.
Pois o amor perdoa, lança fora as mágoas,
e apaga as cicatrizes que a incompreensão
e a insensibilidade gravaram no coração ferido

O amor não alimenta mágoas com pensamentos dolorosos.
Não cultiva ofensas com lástimas e autocomiseração.
O amor perdoa, esquece,extingue todos os traços
de dor no coração.

Passo a passo, estou aprendendoa perdoar, a amar .

Estou aprendendo a descobrir o valor que se encontra
dentro de cada vida, de todas as vidas.

Valor soterrado pela rejeição,pela falta de
compreensão,carinho e aceitação, pelas
experiências duras vividas ao longo dos anos.

Estou aprendendo a ver nas pessoas a sua alma
e as possibilidades que Deus lhes deu.
Estou aprendendo…
Mas como é lenta a aprendizagem!!!

Como, é difícil amar, amar como Cristo amou!
Todavia, tropeçando, errando, estou aprendendo…
Aprendendo a pôr de lado as minhas próprias dores,
meus interesses, minha ambição, meu orgulho,
quando estes impedem o bem-estar e a felicidade
de alguém.

Autor desconhecido
Veja e ouça a música

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Terapia do amor

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Preservar afetividade e proximidade e, ao mesmo tempo, manter autonomia de escolha.


O indivíduo se constitui através de suas interações primárias.  Partindo  desta premissa, observa-se  que  alguns se paralisam e não encontram soluções para seus problemas. O pensamento de que as soluções são sempre externas faz com que a pessoa coloque no outro e/ou no contexto o motivo de seus problemas. Desta forma, buscam as respostas nos livros de auto-ajuda, religião, etc.

O contato que o ser faz consigo mesmo e com seu amor próprio são fundamentais na trajetória de vida. Reconhecer-se como humano; alcançar e aceitar as limitações possibilitam- no a ser tolerante consigo mesmo e com o outro.

A convivência humana, apesar da sua complexidade, é uma das mais ricas fontes de aprendizado. No isolamento, o referencial unilateral e próprio não favorece confronto das diferenças pessoais. É comum que a  convivência entre iguais (familiares) reforce os valores, a visão de si mesmo e do mundo. Não é simples ampliar visões.

Na atualidade, aumentaram as chances das pessoas entrarem em contato com a diversidade. Contudo, no que diz respeito à percepção do outro, parece  que a gama  de   informações, disponível  através dos  diversos   meios  de comunicação, não tem tanto sucesso. Diferenças de opiniões levam a atritos e a mágoas. A negociação, terminologia tão usual, não consegue alcançar no cotidiano privado o lastro do mundo empresarial.

O ser humano é complexo. Em meio ao passado e ao presente busca seu caminho para felicidade.  A  construção  do conhecimento, através dos tempos, nos mostra os obstáculos e conquistas humanas.  Todavia,  o mundo  moderno trouxe um alto grau de complexidade para a vida das pessoas. As mudanças científicas e tecnológicas trouxeramuma urgência, uma velocidade de tempo, uma indefinição do espaço que têm dificultado ao indivíduo conciliar o racional e o emocional, a vida pública e a privada.

Dentro deste contexto, cada vez mais, o indivíduo sente-se desconectado dos seus sentimentos, sente dificuldade nas escolhas e na convivência que acaba sendo assombrada pela insegurança e desconfiança.  Hoje, o autoconhecimento transforma-se numa ferramenta indispensável para o alcance da qualidade de vida e saúde mental.

“As pessoas fracionam a vida quando rejeitam a si mesmas, negam a  própria história, quando  valorizam  o  modelo social, seja estético, seja comportamental, sem questiona-lo” (Pedro Monteiro). Assim sendo, cabe repensar a história de vida, sair do automático, fazer o balanço dos ganhos e perdas por atitudes repetitivas e permissíveis, respeitar as diferenças, alimentar as relações, enfim, organizar- se, tentando estar atento a si mesmo e a tudo o que faz.

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O que é Terapia de Família?

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No Brasil, ainda há um número significativo de pessoas  que desconhecem esta opção  terapêutica, apesar de já existir desde  os anos  50 nos  Estados Unidos.  Contudo,  tem havido,   nos últimos tempos, um  aumento considerável de divulgações sobre a Terapia de Família, principalmente em função dos problemas atuais que a família vem enfrentando (drogas, separações, violências, etc).  Assim sendo, como  profissional   da área  cabe, neste  espaço  que  enfatizo a família, trazer esclarecimentos.

A terapia de família é uma forma de compreender e tratar dos problemas humanos; é  um  método  de tratamento, do indivíduo, das relações familiares, do grupo familiar como um todo e do vínculo entre seus membros. É uma procura de novas  alternativas colocando  em evidência a  competência da própria família, ativando a  participação dos membros na resolução dos seus problemas.

O que ocorre num indivíduo que  vive numa família não  decorre apenas de suas condições internas, mas também das interações com  o contexto mais amplo no qual está inserido. Ele  recebe o impacto desse ambiente  e  atua sobre ele, influenciando-o. Nesse sentido, o terreno da patologia, como assinala Minuchin(1982), é a família.

O processo terapêutico ocorre num trabalho conjunto (cliente e terapeuta). Tem como foco o processo de autonomia, que  engloba  o  pertencer/separar-se,  o   desenvolvimento  da  consciência  do  padrão  de  funcionamento, de   suas dificuldades, das escolhas e responsabilidade; a mudança das pautas disfuncionais, favorecendo uma variedade maior de estratégias de funcionamento.

Tem como modalidade os atendimentos: Individual; Casal e a Família

Podemos dizer que seus principais benefícios são:

- Enfatizar a importância de se entender o comportamento das pessoas no contexto;
-Possibilitar maior clareza das relações intrafamiliares, favorecendo o auto conhecimento e respeito pelo o outro.
- Possibilitar a percepção de que a maioria das situações é determinada por padrões;
- Permitir aos membros familiares e/ou indivíduos perceberem e entenderem as situações com maior clareza.
- Possibilitar  aperfeiçoar a comunicação e as relações interpessoais;
- Aumentar a capacidade de tomada de decisões;
- Estimular a responsabilidade pessoal.
- Favorecer uma mudança construtiva desenvolvendo uma nova perspectiva e, consequentemente, novas atitudes e melhor  quanlidade  de  vida tendo em   vista que a saúde  engloba também os aspectos sociais,  dentre os quais as relações familiares.

Caso você queira maiores esclarecimento entre em contato.

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Dependência química, o que fazer?

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É comum a preocupação dos pais com a influência do álcool e das drogas sobre o desenvolvimento dos seus filhos. O uso das drogas é uma realidade dura e difícil de ser confrontada. Mas elas estão cada dia mais acessíveis e disponíveis às crianças e adolescentes. Contudo, a disponibilidade não é a maior questão, mas sim o desejo.

Por que  os jovens usam  drogas? Grande  parte  da atração vem naturalmente  das questões  relativas à identidade pessoal, ao social e à amizade. Há a vontade  de  pertencer ao  grupo, de ser  aceito, de fazer  programas  sociais. A aceitação num grupo dá a sensação inicial de intimidade. Por outro lado, sob o efeito das drogas eles se sentem mais espontâneos. Apesar de ser uma forma real de intimidade, os seus meios são artificiais. Entretanto, essa idéia é difícil de ser  compreendida pela  maioria  deles. Além  disso, eles ficam  menos autoconscientes  favorecendo que algumas dificuldades pessoais, familiares e  desafios do  crescimento sejam encobertos. Muitos deles  afirmam  que a droga os ajuda  a  lidar  com  a raiva, o  tédio, a  ansiedade e  as  pressões. O inicio da puberdade e de suas correspondentes mudanças físicas e cognitivas provocam grande instabilidade. Além disso, soma-se a esses fatores a necessidade de distanciarem-se dos pais. Na busca da autonomia pessoal, confrontam-se com os valores paternos.

Em meio a esse contexto, nem todo jovem que faz uso de drogas  e  álcool se torna dependente, mas  esse  uso acaba aumentando os riscos pessoais, como por exemplo, os acidentes automobilísticos. De acordo com alguns estudiosos do assunto, o uso moderado não é bom, mas não é necessariamente um sinal de crise psicológica profunda. Contudo, há pesquisas que mostram que o uso menos casual de drogas e álcool pode estar disfarçando graves problemas.

Quais são os indícios do uso de drogas? Alguns comportamentos são sintomáticos: os olhos avermelhados, dificuldade de lembrar fatos recentes, sonolência, mudanças de atitudes, como irritabilidade, fadiga, deteriorização dos relacionamentos com amigos e familiares.

O papel exercido pelo ambiente e meio familiar é muito significativo, principalmente para os jovens. Assim sendo, é importante começar a refletir sobre os exemplos paternos. È importante uma definição deles próprios em relação ao álcool e drogas de forma coerente. De outra forma, são também medidas preventivas: uma família com laços afetivos profundos; conversar abertamente e sem preconceitos; dar informações sobre os perigos; saber ouvir; reconhecer a realidade do mundo adolescente; conhecer os amigos; estabelecer regras precisas, como por exemplo, horários de retorno, não usar carro quando beber, informar aonde vai, etc. e manter os corretivos, caso as regras sejam quebradas.

Apesar  de muitos  fatores contribuírem para o  desenvolvimento  da dependência química, a  organização  familiar mantém uma posição de relevância em seu desenvolvimento e prognóstico. Neste sentido, quando a situação sai do controle da família, faz-se necessário ajuda profissional.

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Debate – Dependência química.

Qual sua visão sobre o tema tratado no texto Dependência Quimíca, o que fazer? Quais os pontos mais dificiéis a serem considerados?

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Auto Retrato

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No poema abaixo, o  poeta busca mostrar a dificuldade do ato de se descobrir enquanto pessoa e poeta. Criador e criação se misturam.
Portanto, o leitor é peça essencial na compreensão da mensagem e  é na sua interpretação  que  se cria o elo entre mim e  você. Obrigada por sua visita.

No retrato que me faço
- traço a traço -
às vezes me pinto nuvem,
às vezes me pinto árvore…

às vezes me pinto coisas
de que nem há mais lembrança…
ou coisas que não existem
mas que um dia existirão…

e, desta lida, em que busco
- pouco a pouco -
minha eterna semelhança,

no final, que restará?
Um desenho de criança…
Terminado por um louco

Mario Quintana

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Famílias e Políticas Públicas

“A família é um princípio de construção ao mesmo tempo imanente aos indivíduos e transcendente em relação a eles”. Bourdieu, 1996

A família é reconhecida como um dos mais antigos provedores de cuidados (bem-estar) e, assim, tem sido valorizada mundialmente no âmbito da sua importância no contexto da vida social.

Desde o início dos anos 90, surgem pressões dos órgãos internacionais para a “recuperação da família como lugar de   busca   de condições  materiais de vida, de pertencimento  na sociedade e  de  construção  de  identidade, principalmente nas experiências de insegurança, de perda de lugar na sociedade e de ameaça de pauperização trazidas  pelo  desemprego”.  (Wanderley, 1997 apud MIOTO, 2006,).   Por sua vez,   o  Brasil, inseriu-se economicamente numa ordem globalizada.

Nesta perspectiva, o Estado vai combinar os mais diversos fatores, como novas tecnologias, desregulamentação, liberalização dos mercados, privatização de empresas estatais, integração das esferas nacionais, supressão de direitos trabalhistas e previdenciários.  (SOUZA, 1997).  Com o avanço tecnológico houve automatização dos trabalhos  menos  qualificados, a  maioria dos  empregos  da  manufatura passou para o  setor  de serviços  e conseqüentemente o nível e a ocupação de empregos passaram a ser mais vinculado as atividades terciárias.  Disto resultaram  um  crescente  desemprego  e precariedade das relações e condições de trabalho. (Antunes, 1999).  Soma-se a este  quadro a  questão do processo de concentração de renda,  sentido na diminuição do  poder de compra dos trabalhadores pobres em relação  aos que tiveram aumento expressivo de renda real. Tal fato resultou no crescimento da desigualdade de renda.  O quadro é de empobrecimento, cada vez maior, dos trabalhadores e de suas famílias (ALENCAR, 2006). Num sentido paradoxal, as responsabilidades que deveriam ser do Estado passam a ser assumidas pela comunidade e famílias. Assim sendo,  a família tem sido chamada a enfrentar responsabilidades para as quais não tem tido suportes para enfrentá-las.

Os efeitos da  crise  econômica  e das políticas de ajustes econômicos iniciados na década de 90, no Brasil,  não tornaram,  na prática,  possíveis  as reformas  institucionais  mais  amplas  nos  sistemas  de  proteção social. Entretanto, conforme assinala  Alencar, 2006, ocorre a convivência de modalidades de proteção social que combinam  velhos  padrões  e  novos elementos de  gestão pública de programas sociais, sendo priorizados  os programas  focalizados, os  fundos sociais de emergência  e  os  programas  compensatórios  direcionados ao atendimento  dos  grupos  pobres e vulneráveis.

O processo de modernização e os novos padrões familiares trazem novos desafios. O modelo de família assumido como universal (um casal heterossexual, legalmente  casado,  com dois  filhos e vivendo  num mesmo espaço)  orientou  e em  alguns casos ainda orienta  as políticas sociais. Entretanto, a vida familiar  se modificou para todos os segmentos da população brasileira. As  famílias tornam- se  mais heterogêneas  e as  novas formas  levaram a mudanças conceituais e jurídica. Portanto, é imprescindível que ao se considerar a centralidade das famílias como fator de proteção social atente-se para seu caráter participante nos processos das mudanças, bem como às suas transformações internas.

O ano de 1994 foi definido pela ONU como o “Ano Internacional da Família”. Constituiu-se também um marco brasileiro de oficialização da família, como foco do cuidado profissional de Saúde em atenção básica, através do Programa Estratégia de Saúde da Família (PSF). (SERAPIONI, 2007). Entretanto, as diversas análises apontam inúmeras contradições.

No cotidiano profissional, no Serviço Social e prática clínica,  podemos nos deparar com situações que nos levam a refletir sobre as peculiaridades da configuração familiar atual e sobre os recursos fornecidos pelas políticas sociais em prol da proteção social da família. Assim,  através de um estudo de caso, de uma mulher afastada do trabalho por problemas de saúde (sindrome do pânico), observamos que  esta pessoa, aos  63 anos, separada, com renda de CR$ 960,00, é a única fonte de renda estável  em sua família composta de seis membros. Vivem sob o mesmo teto: a pessoa entrevistada, uma filha solteira de 30 anos com sequelas de parto (excepcional);  uma filha casada de 29 anos e o marido,  ambos com nível de escolaridade segundo grau incompleto;  um filho solteiro de 35 anos, nível de escolaridade primário, com um  filho de 4 anos.
O filho encontra- se desempregado; o genro, com serviços de biscates; uma das  filha (excepional) não trabalha e a outra trabalha sem vínculo empregatício.  Residem numa  habitação em precárias condições numa localidade sem saneamento básico e de alta periculosidade.

Podemos observar a partir deste caso vários aspectos: agrupamento de vários nucleos familiares num só, em condições mínimas de sobrevivência; velhice sobregarregada de encargos familiares;  doença crônica sem um suporte  institucional; insegurança  pública; desemprego; precariedade  de  trabalho; quase  total  ausência de benefício previdenciário.

Assim,  podemos ilustrar   e  acrescentar de acordo com Gomes e Pereira (2005)  como  a   crise do   Estado se expressa na vida de grande parte da população que tem sido atingida diretamente pela ineficácia e inexistência de políticas públicas: famílias desassistidas, morando em favelas sem mínimo de condições de vida digna; hospitais sem condições de atendimento, escolas públicas funcionando em condições precárias, crianças e adolescentes nas ruas, velhice desassistidas etc.

A família como um dos atores da proteção social vive, hoje, um grande paradoxo, pois encontra-se num contexto sócio-econômico que  lhe traz  vulnerabilidade  e  ao mesmo tempo lhe transfere encargos.  Parafraseando Vasconcelos, 2000, é necessário retomar a família e a comunidade como ponto de partida de praticas sociais alterativas e não simplesmente alternativas.

ALENCAR. M.T. Transformações econômicas e sociais no Brasil dos anos 1990 e seu impacto no âmbito da família.  In LEAL, Mione (org) Política Social, Família e Juventude- Uma questão de direitos. Cortez Ed. São Paulo, 2006.

GOMES M.A; PEREIRA, M.L. D. Família em situação de vulnerabilidade social: uma questão de políticas públicas. Ciência. saúde coletiva,  Rio de Janeiro,  v. 10, n. 2,  2005.

MIOTO.R. Novas propostas e velhos princípios: a assistência às famílias no ontexto de programas de orientação e apoio sociofamiliar.In LEAL, Mione (org) Política Social, Família e Juventude- Uma questão d direitos Cotez Ed. São Paulo, 2006.

SERAPIONI. M. O papel da família e das redes primárias na reestruturação das políticas sociais Ciência. saúde coletiva. 2007.

SOUZA, Maria Adélia de. Território, globalização e fragmentação. São Paulo: Hucitec, 1997.

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Espelho meu

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Pablo Picasso, Moça Diante do Espelho, c. 1932

Ah, onde está o meu você? Ah.Ah. …onde está você?”Serginho  Moa.

Contos de fadas são metáforas de situações e interações que fazem parte do repertório do cotidiano humano. Em Branca de Neve, a madastra, como a bruxa presa a vaidade, traduz  arquetipicamente  os  perigos da  experiência baseada na busca da beleza eterna . Branca de Neve também paga o preço da sua ingenuidade, todavia renasce de sua morte simbólica nos braços de seu príncipe encantado representando a consagração dos ideais da alma.

Em outro sentido, podemos pensar que todos gostam de aplausos e nesse percurso encontra-se todo um contexto construído de exigências sociais que leva as pessoas a seguirem como autômatas e não escutarem seus sentimentos, desejos e aspirações, enfim a não escutarem a si próprias.

Como me vejo, como sou visto? Na trajetória do ser humano as respostas a essas perguntas constroem a auto estima, que se inicia na infância e se reforça na adolescência. O espelho reflete – se nas ações e  nas  interações. Cada  olhar  é impregnado de valores, crenças, etc. Formam-se diversas lentes, e emoção e visão traçam seus fios.

A compreensão de si mesmo é vital para se poder apreender o outro sem tantos ruídos (emoção), tendo em vista a projeção do seu próprio eu. Neste sentido, Perls nos lembra com suas palavras: “Eu sou eu, você é você. Eu não vim ao mundo para atender às suas necessidades, e nem você às minhas. Se a gente se ENCONTRAR vai ser lindo. Senão, nada se pode fazer”.

Quanto aos elogios, quem não fica feliz ao ser admirado? O enaltecimento remete ao valor, ao respeito e ao amor.  No entanto, o excesso de auto-estima (narcisismo) pode  levar a  autodestruição, pois  nos  aprisiona  ao nosso próprio casulo. Enfim, a forma como cada um se vê, interfere na maneira de viver e conviver. A prática de se perceber e de perceber que afetamos uns aos outros nos ajuda a melhorar cada vez mais.

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Novas Familias- Momento de Transição

fam4Viajo no tempo. Abro o álbum e velhas imagens  trazem-me  a recordação  da minha família  extensa.   Numa fileira hierárquica, homens, mulheres e crianças. Época na qual, no mínimo, três gerações se reuniam para os almoços de domingo. A matriarca, orgulhosa de seus descendentes, recebia a todos com a mesa farta.

A família, “laboratório das relações”, manteve-se numa forma estável durante séculos. As uniões eram “para sempre”. Hoje, já não é surpresa quando os casais se separam.  Porém, o divórcio não é um fim. Ele é um momento de transição. A separação não destrói a família. Ela toma uma nova forma. Uma das novas modalidades  é  a que  denominamos de uniparentais, ou  seja, pai  e  filhos  e/ou  mãe  e  filhos, nas  quais  as  mudanças  nos  limites estabelecem  uma clara separação entre  o  marido  e  a  mulher.  Esta  transição  envolve   um  processo doloroso, que  vai   exigir    trabalho  psicológico    e reorganização.

Encontramos, também, as famílias  recasadas ou  reintegradas onde  cada um  dos parceiros traz, do relacionamento anterior, os seus filhos e posteriormente têm filhos em comum. Nestas, há o cruzamento de histórias, personagens, diferenças na forma de sentir e agir que podem gerar entraves para a reorganização do sistema familiar. O casal vai ter que  aprender  a  lidar  um  com outro  ao  mesmo tempo  em  que estará aprendendo  a lidar com  os  filhos. Assim, é ingenuidade pensar e agir como  se todos  estivessem felizes e  pertencessem a  uma grande  família e tentar  evitar os conflitos. Segundo Michael Nichols, ”A vida familiar depende de uma forte ligação do casal”. Desta forma, a relação do casal é o ponto de partida para a união e afetividade entre os demais membros.

É no campo das relações humanas que o homem enfrenta seus maiores desafios. É “a convivência entre as pessoas que conduz à descoberta e o desenvolvimento da individualidade e é condição de saúde mental”. ( Iara C. Anton, 1991),  e a família é o principal local desta convivência.

A  vida é  movimento  e  a f amília, como  todo  ser vivo, é  dinâmica  necessitando de  tempo  necessário para que os vínculos e a intimidade surjam e desta forma o amor floresça entre os seus membros.

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Terapia Individual Sistêmica

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O indivíduo sente que está mal e não consegue entender nem superar o estado de paralisação em que se encontra. Percebe que precisa de ajuda, há o desejo de conhecer mais profundamente seus conflitos e caminhar em direção à “felicidade”.

Cada pessoa é única no que diz respeito ao seu temperamento, composição genética, percepções e necessidades. Contudo, a formação da identidade se processa através das interações familiares contínuas. Assim, o sentido que cada pessoa  atribui  à  vida, à  família, aos  relacionamentos, às  suas  expectativas, bem  como  à  sua auto-estima  estão relacionados à sua família.  O ser humano nem sempre tem consciência disto.

A Terapia Sistêmica em sua origem dirigia-se exclusivamente ao atendimento de famílias. Ao longo do tempo, com desenvolvimento teórico, técnico e clínico, a abordagem sistêmica foi se reestruturando para atender clinicamente o sistema individual.

No atendimento individual, as  histórias  familiares  fornecem o nexo dos  fenômenos e constituem  os  recursos terapêuticos. “O espelho familiar vai circulando através das diferentes gerações de uma família, constituindo-se em elo entre passado e futuro.” (Gomel).  Desta forma, parte-se de algo que é “interno” para o indivíduo e o relaciona com algo que acontece entre as pessoas. “Forças  transgeracionais  exercem uma influência crítica  sobre  as  relações intimas atuais.” (Framo).  Consideram-se todas as informações levando-se em conta três gerações da família.

O foco da terapia é favorecer o auto conhecimento e possibilitar a descoberta de saídas para o impasse em que o indivíduo se encontra (processo de autonomia e mudanças de pautas disfuncionais).

A reconstrução das histórias, a analise e definição dos padrões relacionais repetitivos, possibilitam uma visão mais ampla  do  problema  podendo  trazer à consciência fatores  que  permitam  a  elaboração  de  conflitos, perdão, resignificação de atitudes, etc.

São fundamentais o desejo de mudança e a disponibilidade  do  indivíduo, assim como, que  o  vínculo  terapêutico favoreça o processo de mudança e ajude-o a se “diferenciar”, ou seja: ter capacidade de manter separados os sistemas emocionais dos intelectuais, usar mais a razão do que os sentimentos.

As intervenções consideram as  relações  entre o indivíduo  e  os outros  e  dele consigo mesmo.  Trabalha-se com a identidade pessoal e a identidade familiar nas vertentes do pertencer e do diferenciar-se, ajudando o indivíduo a sair da massa indiferenciada da família e a poder construir seu caminho, reconhecendo outras possibilidades.

A separação  da  família  de origem  é  um  processo  gradativo  e  que  não  se  esgota.  A Terapia individual sistêmica, agregando ou não, os diversos membros familiares, é indicada quando é o indivíduo busca a terapia com objetivo de desenvolver consciência do seu padrão de funcionamento e deseja adquirir  aprendizagens  que  são necessárias no momento, ou de realizar as mudanças que se fizerem necessárias.

Referência bibliográfica

Framo J.L.(2002). Uma abordagem transgeracional à terapia de casal, à terapia de família famíliar e a terapia individidual. In M. Andolfi (org.)

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A Influência do Serviço Social na Terapia Familiar

Serv. SocialA profissão do assistente social desenvolveu-se no final do século XIX, a  partir  dos  movimentos  de caridade na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos. Naquela época, como agora, os assistentes sociais dedicavam-se a melhorar a condição dos pobres e desprivilegiados da sociedade. Além de atender as necessidades básicas de alimentos, vestuário e  habitação,  os assistentes  sociais também  tentavam aliviar a angústia  emocional  nas  famílias   de seus clientes  e  encaminhá-los  às  entidades  sociais responsáveis pelos extremos de pobreza e privilégios. O visitador solidário era um assistente social que visitava os clientes em suas casas para avaliar suas necessidades e oferecer ajuda. Tirando os profissionais de seus escritórios e os levando até as casas das pessoas carentes, essas visitas serviram para derrubar a artificialidade do modelo médico-paciente que prevaleceu durante tanto tempo.

Os visitadores solidários estavam diretamente envolvidos no tratamento de problemas de casamentos conturbados e dificuldades na educação dos filhos. Os profissionais das casas de assistência social ofereciam serviços sociais, não apenas aos indivíduos, mas também aos grupos familiares. A assistência social familiar foi provavelmente o foco mais importante do treinamento inicial em serviço Social. Na verdade, o primeiro curso ministrado pela primeira escola de Serviço Social dos Estados Unidos intitulava-se “O Tratamento das Famílias Carentes em Suas Próprias Casas” (Siporin, 1980). Os profissionais aprendiam a importância de entrevistar pai e mãe ao mesmo tempo para obter um quadro completo e preciso dos problemas de uma família, isto em uma época em que as mães eram consideradas responsáveis pela vida familiar, e muito antes dos profissionais tradicionais de saúde mental terem começado a experimentar a realização de sessões familiares conjuntas. Estes estudiosos da assistência social familiar da virada do século estavam bastante conscientes de algo que a psiquiatria demorou mais 50 anos para descobrir que as famílias devem ser consideradas como unidades. Assim, por exemplo, Mary Reymond (1917), em seu texto clássico Social Diagnoses, prescreveu o tratamento de “toda a família” e advertiu contra o isolamento dos membros da família de seu contexto natural.

O conceito de Richmond de coesão familiar tinha um toque incrivelmente moderno, antecipando, como realmente o fez, os trabalhos posteriores das teorias do papel, a  pesquisa de  dinâmica de grupo e, é claro, a  terapia  da  família estrutural. Segundo Richmond, o grau de vínculo  emocional  entre os  membros da família  era  um  determinante fundamental da sua capacidade de sobreviver e florescer. Richmond também previu desenvolvimentos com os quais a terapia familiar passou a se preocupar na década de 1980, encarando as famílias como sistemas dentro de sistemas. Como observaram Bardhill e Sauders (1989 no livro Marital conflict and psychoanytic ): Ela (Richmond)  reconheceu que as famílias não são conjuntos isolados (sistemas fechados), mas existem em um contexto social particular, que influencia interativamente e é influenciado por seu funcionamento (isto é, são abertos). Descreveu graficamente esta situação, usando um conjunto de círculos concêntricos para representar vários níveis sistêmicos, desde o individual até o cultural. Sua abordagem à prática foi considerar o efeito potencial de todas as intervenções em todo o nível sistêmico, e compreender e usar  a  interação  recíproca  da hierarquia sistêmica  para  propósitos terapêuticos.  Ela realmente assumiu uma visão sistêmica da angustia humana. (p. 319). Ironicamente, os primeiros assistentes sociais a encararem  a  família  como a  unidade  de  intervenção, recuaram  para  uma visão  mais tradicional  da abordagem indivíduo-como-paciente quando ficaram sob a influência da psiquiatria na década de 1920.

Os assistentes sociais do ramo da saúde mental foram fortemente influenciados pelo modelo psicanalítico prevalecente, que enfatizava os indivíduos, não as famílias. Quando o movimento da terapia familiar foi iniciado, os assistentes sociais estavam entre seus mais numerosos e mais importantes colaboradores. Entre os líderes da terapia familiar que são assistentes sociais estavam: Virginia Satir, Ray Bardhill, Peggy Papp, Lynn Hoffman, Froma Walsh, Insoo  Berg, Jay  Lappin, Richard  Stuart, Harry  Aponte,  Michael White, Doug  Breunlin, Olga  Silverstein, Lois Braverman, Steve de Shazer, Peggy Penn, Betty Carter, Braulio Montalvo e Monica McGoldrick. A propósito, mesmo começar uma lista dessas é difícil, porque, a menos que escrevêssemos páginas e páginas de nomes, seria inevitável a omissão de muitos nomes importantes.

Texto  extraído do Livro: TERAPIA FAMILIAR Conceitos e Métodos – Nichols, M. P. & Schwartz, R. C.  – Artmed – 1998 ( p. 34-35)

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Integrando práticas

O descompasso entre o avanço tecnológico e o desenvolvimento humano cria um grande desafio, pois traz a idéia sistêmico de  que o sucesso do século XXI, isto é, o alcance  da  qualidade de vida, será determinado pela qualidade da capacidade humana. Contudo, as transformações necessárias para a melhora da qualidade de vida, exigem  um  repensar do  próprio  homem   sobre  a   sua insegurança  e  vulnerabilidade  e  uma  responsabilidade  conjunta do  indivíduo e sociedade. Não existe uma fórmula sobre quais caminhos seguir, mas é  a  partir do  cotidiano que  podemos  construir pontes, partindo da premissa de que fazemos parte de elos circulares.

Este texto apresenta um modelo  de  trabalho  que  vem  sendo  executado pelo Serviço Social na área da saúde do trabalhador  que  tem  como  fundamento  teórico a abordagem sistêmica. Portanto, o  objetivo  é   favorecer  o entendimento de que a visão ampliada do indivíduo possibilita ao profissional de Serviço Social, mesmo através de uma intervenção breve, impelir o indivíduo a ser mais consciente de como agir em relação a si próprio, a sua saúde, tornando-se mais responsável, produtivo e motivado no seu cotidiano.

Quem levou o pensamento sistêmico para o mundo das ciências foi o biólogo Ludwig Von Bertalanffy (Nichols, 1998). Segundo ele “o sistema é uma entidade mantida pela interação de suas partes”. A aplicação desta forma de pensar trouxe várias contribuições a maneira de se compreender o mundo e o ser humano, transformando-se hoje como, cita Peter Senge (1998), “ no antídoto para a sensação de impotência que muitas pessoas sentem na era da interdependência”.  Ao ver o todo, aprendemos a fomentar saúde”.   Desta forma,  o indivíduo deixa de ser olhado sob a ótica de um ser isolado do seu contexto natural, a família, e passa a ser entendido como parte de um sistema. Ele é resultado de suas interações, logo tudo que lhe ocorre está interligado.

Esse serviço de atendimento entende, de acordo com Henry Sigerist, que “ a saúde não é simplesmente a ausência de doença, é algo positivo, uma atitude otimista perante a vida, uma boa aceitação da responsabilidade que a vida impõe ao indivíduo”. Assim, tem como objetivo imediato: favorecer aos seus usuários (pessoas afastadas do trabalho por motivo de doença) um melhor entendimento das dificuldades pelas quais possam estar passando e ajudar-lhes a buscar alternativas pessoais para um retorno mais rápido e profícuo ao trabalho, bem como, um melhor estilo de vida pessoal; como objetivo remoto: contribuir, a médio, e longo prazo, com a política de recursos humanos. Para tal utilizamos como instrumentos: entrevistas, abordagens reuniões, visitas, encaminhamentos, documentação; como metodologia: entrevista inicial, Sumário Biopsicosocial, entrevistas de acompanhamento com o trabalhador e/ou familiares, reuniões com Junta Médica e contatos com chefias e setores administrativos.

Em fim, esta prática cotidiana do atendimento à pessoa através do paradigma sistêmico nos permiti constatar a possibilidade de impulsionar uma cadeia de mudanças, pois vamos lançando a semente da coresponsabilidade dos problemas  envolvendo  os trabalhadores,  chefias  e  familiares, tendo  em  vista que  uma  vez assumida  a responsabilidade pessoal pela mudança do seu papel nos padrões de relacionamentos, pode-se romper hábitos antigos e encontrar soluções novas para os problemas. Desta forma, o indivíduo fica mais consciente de como agir em relação a si próprio e à sua saúde. Sai do lugar de vítima, acaba com a própria impotência, passa a agir. Como parte do sistema, a sua própria mudança acarreta mudança no sistema.

Por outro lado, o número de dados levantados nos atendimentos gera uma fonte de pesquisa que possibilita a elaboração de projetos na área da saúde ocupacional e para a melhoria da qualidade de vida.

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Modo diferente de falar de amor

amor-relaçaoFrequentemente sou convidado para falar sobre o amor. Sinto certo constrangimento porque esta palavra – amor – é uma das mais desgastadas de nossa linguagem. E como fenômeno inter-pessoal, um dos mais desmoralizados.  Para não repetir aquilo que todo mundo já sabe e ouve, costumo fazer uma abordagem inspirado num dos maiores biólogos contemporâneos: o chileno Humberto Maturana. Em suas reflexões o  amor é contemplado como um fenômeno cósmico e biológico. Expliquemos o que ele quer dizer: o amor se dá dentro do dinamismo da própria evolução desde as suas manifestações mais primárias, de bilhões e bilhões  de anos atrás, até as mais complexas no nível humano. Vejamos como  o amor entra no universo.

No universo se verificam dois tipos de acoplamentos (encaixes) dos seres com seu meio, um necessário e outro espontâneo. O primeiro, o necessário, faz com que todos os seres estejam  interconectados uns aos outros e acoplados aos respectivos  ecosistemas para assegurar  sua  sobrevivência. Mas há um outro acoplamento que se realiza espontaneamente. Os topquarks, a primeira densificação da energia em matéria, interagem  sem razões de sobrevivência, por puro prazer, no fluir de seu viver. Trata-se de encaixes dinâmicos e recíprocos entre todos os seres, não vivos e vivos. Não há justificativas para isso. Acontecem porque acontecem. É um evento original da existência em sua pura gratuidade. É como a flor que floresce por florescer.

Quando um se relaciona com o outro (digamos dois prótons) e assim se cria um campo de relação, surge o amor como fenômeno cósmico. Ele tende a se expandir e a ganhar formas cada vez mais inter-retro-relacionadas nos seres vivos, especialmente nos humanos. No nosso nível  é mais que simplesmente espontâneo como nos demais seres; é feito projeto da liberdade que acolhe conscientemente o outro e cria o amor como o mais alto valor da vida.

Nessa deriva, surge o amor ampliado que é a socialização. O amor-relação é o fundamento do fenômeno social e não sua consequência. Em outras palavras: é o amor-relação que dá origem à sociedade; esta existe porque existe o amor e não ao contrário, como convencionalmente se acredita. Se falta o amor-relação (o fundamento) se destrói o social.  Sem o amor o social ganha a forma de agregação forçada, de dominação e de violência, todos sendo obrigados a se encaixar. Por isso sempre que se destrói o encaixe e a congruência entre os seres, se destrói o amor-relação e  com isso, a sociabilidade. O amor-relação é sempre uma abertura ao outro e uma con-vivência e co-munhão com o outro.

Não foi a luta pela sobrevivência do mais forte que garantiu a persistência da vida e dos indivíduos até os dias atuais. Mas a cooperação e o amor-relação entre eles. Os ancestrais hominídios passaram a ser humanos na medida em que mais e mais partilhavam entre si  os resultados da coleta e da caça e compartilhavam seus afetos. A própria linguagem que caracteriza o ser humano surgiu  no interior deste dinamismo de amor-relação e de partilha.

A competição, enfatiza Maturana, é anti-social,  hoje e outrora, porque implica a negação do outro, a recusa da partilha e do amor. A sociedade moderna neoliberal e de mercado se assenta sobre a competição. Por isso é excludente, inumana e  faz  tantas vítimas como a atual crise revelou. Ela não traz felicidade porque não se rege pelo amor-relação. A atual crise se originou, em parte, pela excessiva competição e pela falta de cooperação. Vale uma sociedade com mercado mas não só de mercado.

Como se caracteriza o amor humano? Responde Maturana: “o que é especialmente humano no amor não é o amor, mas o que fazemos com o amor enquanto humanos; é a nossa maneira particular de viver juntos como seres sociais  na linguagem; sem amor nós não somos seres sociais”.

Como se depreende, o amor é um fenômeno cósmico e biológico. Ao chegar ao patamar humano ele se revela como um projeto da liberdade, como uma grande força de união, de mutua entrega e de solidariedade. As pessoas se unem e recriam pela linguagem amorosa, o sentimento de benquerença e de pertença a um mesmo destino.

Sem o cuidado essencial, o encaixe do amor-relação não ocorre, não se conserva, não se expande  nem permite a consorciação entre os demais seres. Sem o cuidado não há atmosfera que propicie o florescimento daquilo que verdadeiramente humaniza: o sentimento profundo, a vontade de partilha e a busca  do amor. Estimo que falar assim do amor faz sentido porque nos faz mais humanos.

Leonardo Boff . Graça e experiência humana, Vozes.

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Amor e tempo

Destaco neste sábado dois  temas relevantes : amor e tempo.

Imagens, texto e fundo musical se associam, transmitindo de forma poética as idéias dos  autores.

Para você leitor um ótimo final de semana.

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Essência da vida

essencia da vidaA autora do pôster é Marga Cuerva, do Colégio marista de Igualada (Barcelona). Google Imagens

A rede de relacionamentos precisa ser regada e provida dos nutrientes. É do encontro das almas que nascem os melhores frutos da vida.

Na atualidade, é comum nos espaços domésticos e empresariais a preocupação com fatores que possam influenciar favoravelmente o ambiente. Para tal, encontram-se respostas em linhas de estudos como a cromoterapia e o Feng-Shui (filosofia chinesa). Acredita- se que luzes ou mesmo o uso de determinadas cores podem afetar a disposição e os sentimentos. Por outro lado, outros estudos apontam para as energias geradas pela mente e as emoções capazes de produzir efeitos tanto bons quanto negativos.

Os sentidos canalizam estímulos que frequentemente ficam inconscientes afetando o indivíduo de forma sutil; a médio e longo prazo, esses estímulos podem trazer conseqüências à vida das pessoas e às organizações, em geral. Portanto, estudos evidenciam as influências recíprocas entre o ambiente e os indivíduos.

O nível de bem-estar das pessoas e a satisfação pessoal são ingredientes fundamentais tanto à qualidade de vida quanto aos resultados empresariais. Logo, as interações  constituem- se no fio condutor destes processos.

Algumas famílias e organizações desviam suas crises para reformas ambientais. Entre cimentos e tintas ocupam suas horas e pensamentos criando uma falsa idéia de projeto comum. As pessoas envolvem-se exteriormente e as emoções e problemas ficam congelados nos impasses. Outras almejam mudanças, mas não se percebem como parte essencial deste projeto e esperam por “milagres”. De acordo com James Redfield, “os sinais da vida devem ser respeitados”.

No jogo relacional estão as peças fundamentais para o desenvolvimento pessoal e grupal, seja ele familiar ou empresarial. Parafraseando Roberto Santos, “a “prata da casa” só se mantém na mesa da casa se estiver sendo constantemente polida e adequada a sua finalidade”. O que significa que todo processo precisa ser constantemente avaliado para que se possa adequar às necessidades oriundas de cada etapa.

Sintomas expressam a paralisação; seja no ciclo de vida individual, familiar ou organizacional. Podem aparecer nos indivíduos através das doenças, como obesidade, diabetes, infarto, e através do consumo de substâncias como álcool, drogas e tranqüilizantes, etc. Nas empresas podem surgir em forma de fraudes, negligências, pressão dos clientes, baixa motivação interna, etc.

O papel das lideranças (pais, coordenadores, diretores, gerentes, etc.) é fundamental para a estruturação do clima emocional ambiental. Seu autoconhecimento, controle emocional, percepção, trato, afetividade, respeito às diferenças pessoais, etc. vão favorecer o alcance de objetivos produtivos.  Assim, nas palavras de Maturana “a história dos seres vivos é uma experiência (…) implica em participar com os outros de um projeto comum, o que só é possível se, na convivência com o outro(…) incorporar o amar e o  respeitar.”

Norma

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Acorda, gente.

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“Se alguém tem um conflito profundo, o importante é tentar participar dos dois polos do conflito, e assim lentamente poderá vir à tona um novo símbolo que os reunirá, ou estará acima ou abaixo dos dois polos.” . Jung

O sentido da vida é a própria vida. Contudo, o ser humano em sua trajetória pessoal e coletiva dá sentido a sua existência. Através do cotidiano constroem- se pontes que dão acesso às diversas áreas do conhecimento. Algumas pessoas constroem seu saber através das experiências vivenciadas, o que comumente chama- se “escola da vida”. Assim sendo, nada em relação ao acúmulo do conhecimento sobre a humanidade deve ser desprezado.

O desenvolvimento científico e tecnológico avança, descortinando antigos mistérios. Por outro lado, as relações humanas, o comportamento dos indivíduos na sociedade atual assustam, dando um caráter de insegurança a esta sociedade. A sobrevivência da espécie humana, da forma como a conhecemos, é questionada.

As transformações climáticas, a ecoesfera, as violências do indivíduo dão mostras do caminhar da humanidade. Indicam os valores, o fio condutor desta trajetória. Vive- se uma dramática deterioração das condições gerais de vida. Retomar o tempo, do bonde à  tranqüilidade das calçadas com crianças brincando, com homens e mulheres sentados em roda a conversar. Rever o armazém, o boteco, as lojinhas de tecido, tudo reflete um tempo. Tempo costurado na tranqüilidade de poder esperar.

No supersônico, mais um recorte. Pessoas apressadas, muitas falas, muitas ofertas, muitas demandas agonizantes da fome. No vende e compra, os ditames destas últimas décadas que globalizam e isolam. As transformações marcam as vidas, fragmentam os indivíduos e o mundo urge de humanidade.

A percepção da desenfreada destruição não tem detido o lado ambicioso e egocêntrico do ser humano que vive em paradoxo. O ter e o ser não mais se afinam. O desejo do desejo não tem chegada. Nesta busca inflada pela mídia,a vida escorrega por entre dedos.” Vão se os dedos e ficam- se os anéis”. As vidas se perdem no vácuo da existência. Muitos lamentam as perdas, mas o tempo anuvia as dores. Entretanto, cada vez mais, o cotidiano grita para o despertar da consciência do excesso, que pode levar à destruição de muitas espécies entre elas, a do homem.

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A velhice e a perda da identidade

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Envelhecer bem é aceitar a velhice como um bem. Para atingir a sabedoria e a serenidade e para inventar uma nova maneira de viver, é preciso ter sido capaz de adaptar-se ao longo da vida. Na medida em que se soube viver, também se deve saber e ser capaz de envelhecer” Duarte, 2000.

Freqüentemente nos defrontamos com a necessidade de responder à pergunta “quem sou” que a identidade nos remete.

O tema identidade sempre foi explorado nas artes em geral (música, literatura, etc.) e diferentes campos do conhecimento (sociologia, filosofia, psicologia, etc.) tentam explicar como nos tornamos humanos a partir das compreensões diversas sobre a natureza humana. Contudo, é a vida social que nos proporciona as trocas afetivas que desde o começo da nossa vida, vão construindo nossa identidade através de estruturas culturais, como por exemplo, a família, e dos mecanismos que a sociedade cria para dar códigos que regulem a vida dos seus membros, como por exemplo, a linguagem.

Em todas as etapas da vida o ser humano incorpora aspectos externos e internos. Os externos compõem-se da participação na cultura: papéis familiares e sociais, emprego, a maneira de se apresentar ao mundo e a participação nele. Os internos referem-se aos significados que essa participação possui para cada um. Neste sentido, a forma como cada um vai vivenciar o envelhecimento está diretamente ligada à influência cultural e como ao longo da sua vida enfrentou os obstáculos.

Vivemos num momento histórico em que o envelhecimento populacional é a nossa realidade e paradoxalmente impera a cultura da juventude. Isto significa que a identidade do ser humano pode vir a tornar-se vulnerável à medida que avance cronologicamente no tempo. Entretanto, o homem é ator e autor da sua própria história.  A compreensão do envelhecimento “como um processo cujo início se dá no momento do nascimento” (Sathler/PY) favorece para que possamos estar interferindo através da conscientização de que os estereótipos em relação à velhice (apatia, tristeza, implicância, etc.) comprometem a qualidade de vida e que também os idosos compartilhem da responsabilidade de uma velhice aberta para usufruir a vida, uma vez que as alegrias da autodescoberta e a capacidade de amar são contínuas.

Segundo  Gail (in Passagens, 1990), “a principal tarefa da idade madura consiste em renunciar a todas as nossas proteções imaginárias e ficarmos de pé, nus no mundo, como o ensaio para assumirmos plena autoridade sobre nós próprios”.

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Feferência bibligráfica:

SATHLER, Julieta & PY, Ligia. Pensando perdas e aquisições no processo de envelhecer. In Caminhos do envelhecer. Rio de Janeiro, Ed. Revinter, 1994. pp.15-17

SHEEHY,Gail. Passagens. Ed.Francisco Alves, 1990.

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A coroa do advento

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“Você não veio ao mundo para ser “esmagado” por imposições, mas para cumprir o propósito do seu espírito”. Silvia Schmidt

As lojas se revestem de verde e vermelho, o que em nossa cultura pode aludir respectivamente à esperança, à vida nova e à paixão, à conquista. O advento se aproxima. Na tradição cristã, o advento é um tempo de reflexão e preparação espiritual; é um tempo apropriado para fomentar a construção da esperança. Para o mundo do mercado é momento das vendas. Entre o espírito da fraternidade e o mundo da exclusão social, (miséria, desemprego, discriminações) a humanidade caminha.

Duas forças regem o caminho da humanidade: a força material, econômica impulsionada pelo trabalho e expressa no consumo e a força espiritual, impulsionada pelo amor e expressa na solidariedade.  Entretanto, a exigência da felicidade construída pelo padrão do capitalismo traz um peso e uma contradição. O ser humano tem necessidades primárias (alimentação, teto, vestimenta, etc.) que precisam ser atendidas diariamente, mas muitas pessoas não as conseguem. Por outro lado, vive-se um cotidiano marcado pelo consumismo, violência, desigualdades e perdas.

O que é felicidade? A felicidade humana se constrói em atos de amor a si próprio e aos outros. Nos livros sagrados encerra- se esta sabedoria “veja- se no próximo”. De acordo com Bowen (1978) a natureza humana contém dois conjuntos de forças opostas: as que unem as personalidades e as que lutam para se libertar rumo à individualidade. É nesse equilíbrio que caminham a solidariedade e o individualismo.

A atualidade traz o forte cunho do individualismo que se bem aplicado pode trazer bons resultados pessoais e sociais. Para alcançá-lo torna-se necessário buscar a si próprio no sentido da responsabilidade pessoal e coletiva, ao autoconhecimento e ao desenvolvimento da auto-estima. Por outro lado, na medida em que se desenvolve a auto-estima com olhar crítico e generoso sobre si mesmo, possibilita- se que não haja tanta contaminação pelo modismo maligno que fixa conceitos de beleza, status e padrões de felicidade.

Formamos uma rede, assim para que o bem-estar seja profícuo é necessário que haja uma outra forma de convivência social. De acordo com o primeiro artigo da Declaração Universal de Direitos Humanos “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade”.  Contudo, nem sempre o que está escrito é a realidade. Esta seria uma forma ideal de convivência .

Neste sentido, na medida em que possamos ampliar a autopercepção, a percepção da riqueza das relações sociais como fonte de aprendizado e  possamos ter como objetivo pessoal e coletivo a solidariedade, estaremos trilhando caminhos de esperança de tempos melhores. Que o  ritual Natalino contamine a essência e que numa corrente de amor  impulsione a conquista de  um mundo onde sejam  possíveis a dignidade, a justiça, a paz .

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Conexões e sucesso

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Vivemos imersos num universo de emoções geradas nas relações inter-pessoais. A vida transcorre em nossas relações, mesmo que sejam imaginárias.

A imagem de si próprio e do mundo está vinculada aos toques, sons, gestos, percepções que envolvem o ser humano desde o seu nascimento. O  desenvolvimento físico, emocional e social ocorre, de forma marcante, através das interações primárias com os nossos pais.

O ser humano em sua essência necessita de acolhimento, pertencimento e validação. Assim, sua auto-estima é definida principalmente a partir da sua matriz familiar. Por sua vez a auto-estima define a possibilidade de sucesso nas diferentes áreas da vida. Portanto, os seus referencias parentais, a forma como é tratado e como a vivencia são vitais em sua vida.

Nas passagens das diversas etapas da vida humana, as interações familiares paternas passadas e presentes marcam com suas cores. O sentimento de pertencimento é uma das bases da segurança pessoal. Pertencer é conjugar os valores, crenças, expectativas, comportamento, etc., familiar. No desenrolar da vida, nos diversos encontros, os sentimentos de exclusão e inclusão estão ligados à forma como o indivíduo se sente acolhido e pertencente ao seu núcleo familiar. Somam- se a isto, o olhar dos pais, seus conceitos pessoais sobre os filhos, fatores que determinam o  amor próprio, a  auto-estima.

No momento das escolhas, que vão desde a esfera profissional até a relação amorosa, os modelos paternos e suas expectativas se fazem presentes trazendo à tona a capacidade do jovem para lidar com os sentimentos em relação aos seus referenciais. Somos o que pensamos que somos.

Ao longo das últimas décadas, as mudanças científicas e tecnológicas vêm interferindo na configuração familiar e na proximidade cotidiana entre os diversos membros que a constituem. Surgem maior complexidade neste contexto e maior desafio na construção e manutenção de um relacionamento saudável entre os diversos membros.

A família tradicional (nuclear) composta de pais e filhos e em constante vinculação com as famílias de origens (avós, tios, etc.) é cada dia mais rara. Hoje, o casal que inaugura uma família, através do nascimento dos filhos, permanece junto por pouco o tempo. Os filhos passam a se dividir entre as duas famílias uni parentais (mãe-filhos, pai-filhos).  Em outros casos forma-se a família recasada, quando o ex-marido e/ou a ex-esposa unem-se a outro parceiro.  Nesse sentido, as diferenças pessoais entre aquele ex-casal dificilmente podem ser negociadas e os filhos podem ter conflitos pessoais em função das suas lealdades parentais e maiores dificuldades em seus direcionamentos pessoais. Além disso, observa-se a partir das novas composições familiares que as funções paternas e maternas acabam sendo exercidas pelos membros que protegem, cuidam e colocam limites às crianças, independente de serem ou não seus pais biológicos.

Somos resultados de nossas experiências, dos registros inconscientes, do que pensamos que somos e das atitudes que tomamos. Desta forma, é importante que se perceba a interdependência do ser humano, a marca eterna das relações familiares e a relevância do processo do encontro de si mesmo (individualização), pois é através da consciência de fatores que permita a elaboração de conflitos, perdão e resignificação de atitudes, que surgem a possibilidade de reconstrução das histórias e uma estrada pautada por mais sucessos.

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Canção Silênciosa

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Existe uma canção a ser cantada em nossa cultura: a canção dos ritmos dos relacionamentos, das pessoas enriquecendo-se e expandindo-se mutuamente.

Nós nascemos com a capacidade para a colaboração, acomodação e mutualidade. Todos os recém – nascidos vêm equipados com uma receptividade bem sintonizada com o som e voz da mãe e o ritmo de seus movimentos. A mãe e a criança se definem mutuamente em milhões de pequenos atos com a precisão de uma reação química. Esta é a silenciosa canção da vida.

Mas este processo precisa ser destacado na nossa cultura, porque em geral o que percebemos são as discordâncias, as diferenças. Nós nos detemos nas desigualdades e não prestamos atenção aos padrões que tornam possível a vida familiar, às harmonias que não valorizamos.

A nossa sociedade é uma sociedade que celebra a singularidade do individual e a busca do self autônomo.

A marca registrada da terapia familiar é tratar ao mesmo tempo da individualidade e das conexões. Quando os membros da família param de dar ênfase ao comportamento frustrante dos outros e começam a ver a si mesmos como interligados, eles descobrem novas opções de relacionamento.

O terapeuta familiar pode navegar entre o reino da individualidade e das conexões, da unidade familiar. Os membros da família com sua longa história em comum, reconhecem que vivendo juntos eles ao mesmo tempo limitam e enriquecem um ao outro. A vida na família realmente limita nossa liberdade, mas também oferece um inesgotável potencial de felicidade e realização pessoal.

Isso implica em aceitar as possibilidades e limitações em si mesmo e nos outros. Tolerar incertezas e diferenças. Esperança de novas maneiras de viver junto. Esta é a canção que nossa sociedade precisa ouvir : a canção do eu-e-você, a canção da pessoa no contexto, responsável perante os outros e pelos outros.

Para ouvi-la precisamos ter a coragem de renunciar à ilusão do self (eu) autônomo e aceitar as limitações do pertencer.

MINUCHIN, Salvador, NICHOLS, Michael. A cura da família – história de esperança e renovação contada pela terapia familiar. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993. p.268.

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Será que vou rezar?

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Finalizando a semana,  trago  para você  uma reflexão sobre a homenagem e celebração nas palavras deste excelente escritor.

Bom final de semana

“Será que vou rezar? É. Cada um celebra o que escolhe. Acho que farei uma sopa de fubá que tomarei com pimenta e torradas.

SOU UM ADMIRADOR de Gandhi. Cheguei mesmo a escrever um livro sobre ele. Estou planejando convocar os amigos para uma homenagem póstuma a esse grande líder pacifista e vegetariano. Pensei que uma boa maneira de homenageá-lo seria um evento numa churrascaria, todo mundo gosta de churrasco, um delicado rodízio com carnes variadas, picanhas, filés, costelas, cupins, fraldinhas, lingüiças, salsichas, paios, galetos e muito chope. O grande líder merece ser lembrado e festejado com muita comilança e barriga cheia!

Eu não fiquei doido. O que fiz foi usar de um artifício lógico chamado “reductio ad absurdum” que consiste no seguinte: para provar a verdade de uma proposição, eu mostro os absurdos que se seguiriam se o seu contrário, e não ela, fosse verdadeiro.

Eu demonstrei o absurdo de se celebrar um líder vegetariano de hábitos frugais com um churrasco.

Uma homenagem tem de estar em harmonia com a pessoa homenageada para torná-la presente entre aqueles que a celebram. Uma refeição, sim. Mas pouca comida. Comer pouco é uma forma de demonstrar nosso respeito pela natureza. Alface, cenoura, azeitonas, pães e água.

Escrevo com antecedência, hoje, 27 de novembro, um mês antes, para que vocês celebrem direito. A celebração há de trazer de novo à memória o evento celebrado. É uma cena: numa estrebaria uma criancinha acaba de nascer. Sua mãe a colocou numa manjedoura, cocho onde se põe comida para os animais. As vacas mastigam sem parar, ruminando. Ouve-se um galo que canta e os violinos dos grilos, música suave… No meio dos animais tudo é tranqüilo. Os campos estão cobertos de vaga-lumes que piscam chamados de amor. E no céu brilha uma estrela diferente. Que estará ela anunciando com suas cores? O nascimento de um Deus?

É. O nascimento de um Deus. Deus é uma criança. O nascimento do Deus criança só pode ser celebrado com coisas mansas. Mansas e pobres. Os pobres, no seu despojamento, devem poder celebrar. Não é preciso muito. Um poema que se lê. Alberto Caeiro escreveu um poema que faria José e Maria, os pais do menininho, rir de felicidade: “Num meio-dia de fim de primavera, tive um sonho como uma fotografia: “Vi Jesus Cristo descer a terra. Veio pela encosta do monte tornado outra vez menino. Tinha fugido do céu…’” Longo, merece ser lido inteiro, bem devagar…

Uma canção que se canta. Das antigas. Tem de ser das antigas. Para convocar a saudade. É a saudade que traz para dentro da sala a cena que aconteceu longe. Sem saudade o milagre não acontece.

Algo para se comer. O que é que José e Maria teriam comido naquela noite? Um pedaço de queijo, nozes, vinho, pão velho, uma caneca de leite tirado na hora. E deram graças a Deus. E é preciso que se fale em voz baixa. Para não acordar a criança. Naquela mesma noite, havia uma outra celebração no palácio de Herodes, o cruel. Ele tinha medo das crianças e mataria todas se assim o desejasse. A mesa do banquete estava posta: leitões assados, lingüiças, bolos e muito vinho… Os músicos tocavam, as dançarinas rodopiavam. Grande era a orgia.

É. Cada um celebra o que escolhe. Acho que vou fazer uma sopa de fubá que tomarei com pimenta e torradas. E lerei poemas e ouvirei música. E farei silêncio quando chegar a meia-noite e, quem sabe, rezarei?”

Rubem Alves – Folha de São Paulo, 27/11/2007

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Dança relacional

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A chegada do primeiro filho traz para o casal mudanças significativas, não só na rotina cotidiana, mas de papéis, que vão fazer ressurgir emoções, muitas delas inconscientes. Nesta etapa, quando o casal passa a desempenhar a função paterna, os modelos familiares vêm à tona e, algumas vezes, confundem trazendo sentimentos incompreensíveis como por exemplo: sentimento de culpa, na maioria das vezes, na mulher e de rejeição, no homem.

Vivemos um momento de profundas transformações sociais, no qual a mulher vem ocupando novos espaços e alcançando, no plano sexual, uma maior liberdade. Contudo, ainda, enfrentamos nos consultórios os dilemas conjugais, nos quais no cerne do distanciamento e conflito conjugal detecta-se a dificuldade de reorganização do casal para lidar com esta etapa de vida da família ( nascimento dos filhos).

O nascimento de um filho requer mudanças na organização familiar para as quais um ou ambos os cônjuges podem estar despreparados. As exigências de um bebê requer funções diferenciadas dos cônjuges e o tempo que o casal passa junto se restringe. Nesse processo, na maioria das vezes, perdem de vista o relacionamento íntimo e só compartilham a função paterna.

O filho precisa ser acolhido, sentir-se pertencente, ser protegido mas, também, ser encorajado a se desenvolver e isto está diretamente ligado à forma como o casal administra sua relação, seu vínculo amoroso e sexual. Assim sendo, é inevitável o conflito se os pais não conseguem desfrutar da companhia um do outro sem os filhos.
Normalmente, encontramos alianças entre pais e filhos, por exemplo: mãe aliançada a filha e/ou pai aliançado ao filho, que podem vir a se transformar em um verdadeiro campo de batalha, no qual temos como produto final prejuízo para todos os envolvidos.

Neste sentido, tanto a relação conjugal como a entre pais e filhos dependem de como foram vivenciadas, interpretadas e elaborados os conflitos por cada um dos membros. As histórias familiares, os modelos dos subsistemas (conjugal, paterno, fraterno) influenciam no modo como os parceiros adaptam- se às novas situações. Portanto, de acordo com Bowen “o maior laboratório é a casa dos pais”. Uma visão objetiva das forças que nos moldam ajuda a nos libertarmos de expressá-las inconscientemente.
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Briga de casais

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O casamento é aquele ambiente idealizado em nossa infância onde somos amados sem reservas e tudo funciona por conta própria, e, se não funcionar, é culpa do outro”.  Kitty LaPerrière

Constatamos nos atendimentos a casais o desalento dos parceiros por não conseguirem mais se entender. Falam dos conflitos contínuos, da indecisão de se manterem juntos e da impossibilidade da comunicação. Sentem-se perdidos, sofrem, e cada um está convencido de que o outro é a causa do problema.

O início dos relacionamentos é envolvido pelas idealizações de cada um dos membros do casal. Passada a fase do encantamento, surgem as diferenças, que são sentidas como uma traição às expectativas depositadas  na relação através das idealizações. Assim, surgem os primeiros conflitos. Um culpa o outro por sua infelicidade. Surgem as mágoas e a comunicação começa a ser interrompida.

Se pensarmos que o casal é composto de três partes: dois indivíduos e uma relação, cada uma das partes necessita ser observada. No contexto do casal, inconscientemente, cada um ajuda o outro em suas atitudes. As influências são recíprocas.

Ao resolver viver junto, o casal se compromete numa história comum que implica  na tomada de decisões conjuntas, formando-se  uma rede de interdependências complexas. Criar uma história comum significa lidar com diferenças. Cada um tem suas próprias experiências que moldaram seu modo de ser, pensar e agir. Além do que, de acordo com Framo “ os conflitos interiorizados, originados das relações familiares, do passado, são revividos no presente através das relações conjugais.”

A relação de casal é um processo de construção contínua, isto significa mudanças nas atitudes e nas regras para se adequar às diversas necessidades de cada etapa.  Estas, algumas vezes, são difíceis de serem apreendidas e realizadas.  Nos momentos de transição, quando se instala a paralisação, acaba sendo detonada uma crise.

Normalmente, não se recorre à terapia até que os problemas cheguem ao clímax. Entretanto, a crise se percebida e avaliada no momento oportuno, pode possibilitar uma nova vitalidade e a redefinição do contrato do casal.

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Entre eles

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Ao se constituir a parceria conjugal, cada um traz seu modo de ser e ver o mundo, que se traduz nas atitudes e decisões cotidianas. O nascimento dos filhos inaugura a família nuclear.  Os filhos sofrem as influências dos valores dos pais tendo como norteador os seus comportamentos. Quando há muitas diferenças e poucas negociações, instala-se uma guerra de poder, na qual os filhos se confundem.

No momento em que surge a necessidade de separação do casal, a família se transforma em duas, as quais se denominam de uniparentais ou monoparentais, ou seja: mãe e filhos e, pai e filhos.

Normalmente, encontramos jovens que têm dificuldade de afirmarem sua identidade, sofrendo por não poderem atender às expectativas paternas e não ter clareza dos seus desejos. Os filhos gostam dos seus pais e por mais aliança que tenham com um deles sentem-se presos ao sentimento de lealdade que se estabelece ao longo do desenvolvimento do ciclo familiar. Isto pode se agravar quando após a separação os pais mantêm rivalidades.

Na separação, a reorganização das relações é fator decisivo para o equilíbrio emocional de todos os membros, principalmente dos filhos. O estabelecimento das fronteiras, estar separado como homem e mulher e estar cooperando como pais, é crucial para que os filhos possam seguir em frente sem ter que estar entre os pais. É necessário abandonar a antiga estrutura e estabelecer outra mais funcional. Isto implica em superar os ressentimentos e, muitas vezes, abandonar a esperança de reunificar.

Ter duas casas pode ser uma coisa positiva para os filhos, na medida em que o pai e a mãe possam desenvolver relacionamentos independentes e definir regras e papéis claros e nítidos, sem disputas e atritos. Desta forma, facilitando aos filhos poderem ir e vir sem grandes problemas.

Os filhos anseiam por uma relação natural com o pai e a mãe e nada é mais pernicioso do que as críticas da outra parte. O filho em contato com cada um, sem a intervenção do outro, conseguirá construir a sua relação com cada um dos pais de forma saudável e ter equilíbrio para escolhas e decisões de caminhos.

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Por quê Terapia de Família?

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Quantas vezes ouvimos pessoas desesperançadas e infelizes por se depararem freqüentemente com situações repetitivas em suas vidas e, com certa constância, culpando a terceiros pelo que lhes acontece. Quando o ser humano se indaga quais são as suas atitudes que podem estar favorecendo a uma seqüência de acontecimentos desagradáveis?

O homem ao nascer entra numa história construída por seus antepassados e recebe uma bagagem composta de valores, expectativas, comportamentos, etc. Assim, no decorrer do seu desenvolvimento no contexto familiar aprende a se relacionar através das interações constantes com os diversos membros. Este aprendizado se converte em marcas que se levam para todas as diversas áreas: amizade, profissional, amor, etc.

Essas marcas trazidas da família não são percebidas e as pessoas vão lidando em seus diversos relacionamentos repetindo os padrões relacionais originais, atraindo para si sempre os mesmos resultados, muitos deles insatisfatórios. Por outro lado, os passos normais da vida na família (infância, adolescência, etc.) somados às dificuldades ocasionais como: desemprego, acidentes, morte, etc podem ocasionar o surgimento de problemas, na medida em que vão exigir mudanças nas relações e nos hábitos.

Quando surge uma crise a família paralisa e o sintoma em um dos membros (distúrbio de aprendizagem, distúrbio alimentar, depressão, agressividade, etc.) pode denunciar a disfunção familiar. Este é um momento que significa risco, mas ao mesmo tempo a possibilidade de crescimento e mudanças. Neste sentido a Terapia de Família, através da intervenção junto ao indivíduo, casal e/ou família analisa os padrões de interações familiares, identifica o problema, como ele está sendo mantido e como poderá ser alterado, possibilitando que cada pessoa se torne mais centrada e menos repetidora dos seus padrões relacionais.

Norma

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Qual o seu desejo?

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“Você nunca recebe um desejo sem também receber a capacidade de torná-lo realidade.”
Richard Bach

Nenhuma pessoa racionalmente busca para si a infelicidade. Mas, é comum não se ter certeza do que se quer em um relacionamento. Assim, sentimentos de insatisfação surgem e se mantêm. Quantas pessoas não permanecem anos amarguradas porque não encontram uma parceria e outras por não conseguirem desatar um relacionamento destrutivo?

Em algum momento você já se perguntou o que deseja da vida e dos seus relacionamentos? A crença de que as “coisas do coração” precisam ser espontâneas leva as pessoas a relutarem na reflexão sobre os relacionamentos. Contudo, ninguém age sem objetivos. Portanto, ter clareza sobre seus objetivos aumenta a chance de sucesso.  Definir o que se quer e a expectativa possibilitam traçar caminho e a não “permanecer” onde você não deseja

Na maioria das vezes, as pessoas detêm-se “no outro” para encontrar respostas para as suas questões, quando as respostas estão consigo mesmo. Responder o que você quer mudar, entrar em contato com as dificuldades pessoais, detectar as atitudes que precisa ter para conseguir o que almeja, leva à transformação.

As crenças pessoais determinam caminhos, os pensamentos positivos favorecem que se atinjam os objetivos. Entretanto, nada é definitivo e, assim, a construção é diária. Há sinais ao longo do caminho que denunciam se a direção está correta.  É comum que não se faça conexão dos eventos cotidianos, dos sentimentos aos sintomas físicos, mas eles são um bom referencial para que se indague se algo não vai bem em sua vida. Desta forma, o investimento na atenção e tempo são fatores preponderantes nessa construção.

Como começar este processo?  Na atenção diária aos seus sentimentos e ações. Na atenção aos seus desejos, às suas necessidades. Enfim, ter consciência de si próprio, dos seus limites pessoais, pois se você não se autoconhece dificilmente perceberá o outro.  Acontece com frequência que se veja o outro como extensão de si próprio e desta forma surgem muitas frustrações e conseqüentemente as mágoas.

Um bom relacionamento é aquele em que as pessoas são próximas o suficiente para dar espaço ao outro de ser o quem ele é, sem as cobranças de suas expectativas pessoais. No momento em que você consegue equilibrar seus desejos e necessidades, poderá compartilhar dos desejos e necessidades com o outro.

Norma Emiliano

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Perigo à vista

Tendências são construídas. Não são obra do acaso. Elas são fundamentadas em fatos do presente. Fatos são gerados por países, empresas, pessoas – através de ações de estadistas, executivos, cientistas, empreendedores.”  Oscar Motomura (1990)

A natureza é perfeita. Todos os seus elementos funcionam de maneira sincronizada. Isto não é novidade, mas esta plenitude não vem tendo a devida atenção do ser humano.

O homem, ao longo dos séculos, tem evoluído em seu saber científico e tecnológico proporcionando poderosos benefícios à humanidade.  Entretanto, a tecnologia penetra na vida das pessoas de modo tão veloz, que não lhes permite medir seu impacto em seus relacionamentos. Por outro lado, constata- se que ela vem trazendo situações alarmantes ao ecossistema, como por exemplo o desequilíbrio no aquecimento da terra, tendo em vista  grandes emissões de poluentes para a atmosfera.

A tendência de “se correr atrás do ter em detrimento do ser” tem sido predominante e o sentido da vida mensurado pelo prazer de ter. O homem, apesar de ser pensante, deixa – se conduzir. Momentos de lazer, de privacidade são interrompidos pelas chamadas telefônicas dos celulares em nome “dos grandes negócios.”

Vivemos um paradoxo. Hoje, há um grande descuido. Não há por parte do homem o cuidado de si mesmo, da vida das crianças, da vida dos idosos, dos ecossistemas, da saúde coletiva. A aldeia global, a interatividade, a proximidade dos povos, a informação intensa e veloz em vez de trazerem a plenitude ocasionam o vazio pessoal e o aumento das desigualdades sociais.

Nesse caminhar do usufruto do prazer de ter e da prática do descuido, deparamo-nos com os sentimentos de depressão, angústia e solidão que levam os indivíduos a recorrem às terapias por não conseguirem se relacionar ou por sentirem insatisfação constante. Mas, se pensarmos na teia da vida, na teia relacional, o mistério se desfaz. Por quê? Porque boas interações só ocorrem na medida em que se tem prazer de se estar consigo mesmo. Sentimento de satisfação ocorre se soubermos realmente o que desejamos. Porém, como ter prazer de estar com alguém que não conhecemos, como sentir satisfação com alguém que vive fora de si, que não é intimo de si mesmo e que só sente a “felicidade” no ato de ter?  Além disto, há pessoas que crêem que os outros são a sua própria extensão, que pensam, vêem e sentem como elas próprias. Constantemente, frustram- se e sentem- se desrespeitadas, pois não percebem as diferenças pessoais.

O indivíduo atribui significados ao seu ambiente social e esses agem como guia de conduta. O homem está em constante transformação, construindo-se a si mesmo. As relações sociais, da infância até a velhice, desempenham um papel essencial nessa construção. Assim, na medida em que cada um dos indivíduos tomar para si a responsabilidade pelo bem-estar, desenvolver o interesse pelo conhecimento pessoal, tiver mudanças de atitudes em relação ao próximo e em relação a si mesmo, bem como desenvolver uma “ética do gênero humano” poderemos ter um melhor prognóstico “de que sairemos do caos e começaremos, talvez, a  civilizar a terra.”  Edgar Morin.

Norma Emiliano

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Expressão da vida

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Claudia Olivos, pintora chilena

 

“Deus criou o homem e enquanto este encontrava-se em sono profundo teria tomado uma costela e criado Eva”. Gênesis 2:18, 20-24

 

Ao perguntar-lhe em que posso ajudá-la posso perceber seu constrangimento. Olhos baixos, braços abandonados ao longo do tronco. Seu rosto pálido é emoldurado pela cabeleira vasta e escura.  Levanta lentamente os olhos e fala, quase em sussurro, que esta muito mal. Soube há poucos dias que está com uma doença crônica e sente a sua vida desmoronando.

No cotidiano profissional encontro o objeto de trabalho no ser humano. No cotidiano relacional de cada indivíduo, os personagens constroem histórias que expressam a vida humana.  De pessoa à pessoa uma questão, várias emoções e vários cenários. De peça em peça monto o quebra-cabeça que desvela a humanidade.

A evolução humana se deu com a tentativa do Homem compreender e manipular o mundo à sua volta. A cada problema colocado pela natureza, ele respondeu com inteligência e criatividade. Isto o possibilitou de desenvolver a tecnologia e a ciência.

O homem é um ser eminentemente social. É um ser histórico e racional.  Faz conexão de idéias, faz ligação dos pensamentos e conclui através destas conexões. Mas, esta racionalidade muitas vezes não lhe traz o melhor. Segundo Freud, “os seres humanos são criaturas boas e gentis, mas que também são maus e agressivos dependendo da vantagem ou do prazer que cada uma dessas duas características lhes confere. São dotados de pulsões, estímulos naturais da psique, que desencadeiam a resposta que dão ao mundo, procurando alívio para as pressões a que estão sujeito em seu cotidiano”.

É o homem quem faz a sua história e utiliza- se da história do passado.  No cotidiano profissional, no contato com o sofrimento, angústias, conflitos, insatisfações, etc. percorre-se a linha da vida de cada pessoa. Neste traçado, fatos significativos trançam a trama que por muitas vezes paralisam o desenrolar natural das histórias do indivíduo. O ser pensante perde-se em suas emoções quando estas o remetem ao passado.  Passado, presente e futuro se entrelaçam na construção da sua história que se define com o que cada um faz em função dos seus sentimentos. No embate das duas forças, emoção e razão, o indivíduo traça seu caminho.

Ampliar a visão sobre o indivíduo e suas questões nos remete as suas interações primárias, a forma como ele lida consigo e com os outros além dos seus familiares. No entrelaço das relações contextualizamos a questão, penetramos no universo pessoal e encontramos recursos que possam favorecer reconstrução da história.

A vida apresentada através da palavra, a vida percebida nas interações familiares, traz a riqueza contida na evolução da espécie, traz a imperfeição humana e a necessidade de um olhar que privilegie a interdependência de todos os elementos que a compõem. Um processo terapêutico que enfatize a saúde ao invés de reforçar a doença.

Em cada indivíduo uma história, em cada indivíduo a humanidade, em cada indivíduo as conquistas e fracassos, as alegrias e dores, enfim todas as etapas da vida que seguem em sua evolução.

Norma Emiliano

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Ano Novo, Novos Sonhos

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Dentro de cada um de nós há um outro que não conhecemos. Ele fala conosco por meio dos sonhos.” Carl Jung

“Em algum momento, não me lembro quando, dei-me conta da minha existência. Existia, mas ainda não compreendia muitas situações vivenciadas no cotidiano. Assim, sentia um grande medo do desconhecido. Através dos olhos tudo me chegava. Certa vez me disseram que a visão era o meu maior sentido. Realmente, vejo a vida e sigo em frente através desta guia mestre. Olho a vida de frente, sinto o temor das incertas, porém atravesso o medo.

Durante anos sonhava de olhos abertos. Imaginava cenas repletas de enlevo construídas passo a passo. Escolhia preciosas cenas que coloriam meus dias de adolescente romântica. Em algum momento, não sei exatamente quando, os sonhos construídos se foram e as minhas noites passaram a ser repletas de cenas em preto e branco que me lançavam num abismo. No susto acordava. Anos e anos muitos destes sonhos se repetiram. No entanto, varo caminhos e percorro a estrada íngreme. O tempo pressiona, a respiração encurta, o peito se contrai e a mente se conturba. Há uma oscilação entre a escuridão e a luz. Normalmente, teimo, sigo em frente e o rastro de luz me puxa para si”.

Nessa narrativa, vida e sonho se confundem. O dia desperta radiante; a noite adormece morna e as luzes se apagam. Apesar da noite, a mente não se cala e a vida está em constante movimento. A busca do equilíbrio leva ao sonho, pois como diz o poeta “(…) e a vida o que é? (…) ela é a batida de um coração; é uma doce ilusão”.

Um ano termina e um novo se inicia. Expectativas, conquistas e frustrações são inevitáveis na vida.  Neste sentido, concordo com Fernando Pessoa “ o homem é do tamanho do seu sonho” e considero  de bom tom começar o próximo ano com novos sonhos, pois  parafraseando Antonio Gedeão, sempre que um homem sonha o mundo pula e avança nas mãos duma criança.

Norma Emiliano

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Rituais

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Os deuses estavam em toda parte e imiscuíam-se em todas as atividades da vida diária. O fogo que preparava os alimentos dos fiéis e os aquecia, a água que saciava sua sede e lhes proporcionava asseio, até o ar que respiravam e o dia que os iluminava eram objeto de suas homenagens.” (Jung).

O findar e o começar de um novo ano para muitos significa renovar as esperanças da realização de projetos, para outros significa tristeza, solidão e desesperanças e para outros essa demarcação não é substancialmente significativa. A razão dessas diferentes percepções relaciona – se às experiências pessoais.  Vivemos dentro do tempo e num contexto sócio cultural que produzem conseqüências subjetivas.
 
A partir do nosso nascimento nos inserimos num universo de rituais. Assim, o retornar a memória de tempos relatados ou vividos mostra- me que na trajetória da minha família os rituais de passagem tiveram grande significação no encontro das gerações. Com a morte de meus ancestrais e o transcorrer do tempo surgiram novas práticas, porém os ritos permanecem em seu caráter simbólico. No entender de Van Gennep. (1989, p. 157) “para os grupos, assim como para os indivíduos, viver é continuamente desagregar- se e reconstituir-se, mudar de estado e de forma, morrer e renascer” (Van Gennep, p. 157).
Os dias e noites mesmo que aparentemente iguais trazem em si o renascimento e a morte.  A vida precisa dos ciclos e das alternâncias. No dia-a-dia, esses ciclos se expressam em nossas ações. Realizamos cotidianamente vários ritos, os de despedida dos membros familiares, quando saem para suas atividades, e até mesmo os de cuidados pessoais. Contudo, esses acabam perdendo seu sentido “sagrado”, transformando- se em atos mecânicos.

Os ritos de passagem marcam momentos importantes e organizam convencionalmente certos aspectos da vida social, favorecendo certa segurança através do sentimento de coesão.

Na virada do ano, as pessoas recorrem a pequenos rituais, que variam conforme as culturas, mas todos  têm a finalidade de renovar as esperanças de tempos melhores.

No Brasil, a queima dos fogos dá boas vindas ao novo ano; algumas pessoas banham-se no mar ou nos rios para acolher os novos tempos, outras brindam com champagne.
Na contagem regressiva os astros podem nos proporcionar muitos bons prognósticos. Podemos, também, fazer nossa lista de intenções, porém não basta a esperança renovada sem uma atitude proativa, pois como nos assinala Augusto Cury “não adianta sonhar e não lutar para tornar os sonhos realidade, porque sem luta não há vitória”.

Os rituais representam o elo entre o inconsciente e o consciente que aponta um caminho e, assim, uma possibilidade de recriação.

Referência bibliográfica
Arnold VAN GENNEP, Os ritos de passagem. Petrópolis: Vozes, 1978.

Norma Emiliano

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Encontro Terapêutico

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“… Solta minhas mãos e segue. ( )… Por longe que te vás, sempre estarás comigo”. 
Cora Torres Maia

Eu e você, o nós; o nosso encontro. Momento impar de disponibilidade; de sair de mim e estar com você. Na sua fala, na minha escuta, na empatia, no nosso diálogo estão os nossos caminhos. Entre suas e minhas histórias enveredamos por estradas. Encontramos lugares desconfortáveis, tristes e solitários. Lugares que trazem muitas recordações e saudades; lugares marcados por lágrimas e mágoas. Lugares que são seus que, às vezes, confundem-se com os meus. Nos fios traçados, os diversos personagens entram e saem de cena, mas você e eu estamos aqui. Com você vem toda a bagagem genética e emocional construída ao longo das diversas gerações que lhe  antecederam; o seu Ser, a sua dor, a sua história. Comigo, o meu ser (pessoal e profissional), a minha história; a paixão por estar aqui. No passo a passo, no seu passo, vamos entrelaçando os fatos, os sentimentos, os comportamentos e montamos o quebra cabeça. No traçado da linha da vida, dados significativos que estruturam a sua identidade e direcionam seu destino. No passo a passo, no seu passo, vamos entrelaçando e separando os personagens, os sentimentos, os comportamentos e os acontecimentos. Entre suas idas e vindas, progressos e retrocessos vão se intercalando.

Neste percurso quantas descobertas! Novos olhares; novos sentimentos.  Separamos e juntamos, juntamos e separamos muitas dores. Abrimos feridas, mas no passo a passo, muitas curamos. Algumas, mesmo tratadas, deixam marcas profundas. Essas servirão de sinais de alerta no seu ponto de equilíbrio.

Ao termino desse caminho que construímos, desse nosso encontro, fica a riqueza de cada Ser, a nossa troca, o nosso crescimento, a reconstrução da sua vida e o reflorescer da minha prática.
Seguiremos vivos em nossas memórias.

Norma Emiliano

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Pensando em famílias

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Passagem de Ano, comemorações de um lado, tragédias de outro. Exaltação à vida e  desalento pela morte e destruição. A dor da perda vem sendo anunciada incessantemente pela mídia. Entramos num clima de tristeza  e solidariedade.  Cada corpo encontrado em Angra dos Reis nos alerta da gravidade do momento que estamos vivendo.

Tantas famílias têm tido seus lares destruidos por perdas materiais e  seus corações partidos pela morte de entes queridos. As chuvas torrenciais carregam em suas águas moradias, sonhos e vidas. Somos parte  deste universo e precisamos somar  esforços para  não sermos banidos. Não  podemos continuar apenas apagando incêndios. Não há desenvolvimento de um país sem que se privilegie a todos sem distinção.

Deixo aqui para reflexão: como repensar a Ética em sua função de resguardar a vida, em função de ter uma morada, possuir um valor de lugar e um valor de posição? Como conciliar os direitos individuais e as obrigações coletivas?

Norma

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Sobre carnaval

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Segundo conta a história, em Roma, em louvor ao deus Saturno, comemoravam-se as Saturnais. A importância desses festejos eram de tal porte que tribunais e escolas fechavam as portas durante o evento, escravos eram alforriados, as pessoas saíam às ruas para dançar.

Na abertura dessas festas, carros em forma de navios saíam na “avenida”, com homens e mulheres nus. Estes eram chamados os carrum navalis. Dizem  que daí saiu a expressão carnevale.
 
O costume de se brincar no período do carnaval foi introduzido no Brasil pelos portugueses, provavelmente no século XVI, com o nome de Entrudo.  Essa palavra  vem do latim introitus  que designa as solenidades litúrgicas da Quaresma.

As pessoas jogavam uma nas outras, água, ovos, farinha, fuligem, cal, pó-de-sapato, alvaiade e vermelhão, que empapavam o transeunte . Esse acontecia num período anterior a quaresma e portanto tinha um significado ligado à liberdade.

No Brasil, o entrudo chegou por volta do século XVII sob a influencia das festas carnavalescas que aconteciam na Europa. Em países como Itália e França, o carnaval ocorria em formas de desfiles urbanos, onde os carnavalescos usavam máscaras e fantasias. Personagens como a colombina, o pierrô e o Rei Momo, de origem européia, também foram incorporados ao carnaval brasileiro.

No Brasil, no final do século XIX, surgem os primeiros blocos carnavalescos, cordões e os famosos “corsos”.  As pessoas se fantasiavam, decoravam seus carros e, em grupos, desfilavam pelas ruas das cidades. Está ai a origem dos carros alegóricos, típicos das escolas de samba atuais.

No século XX, o carnaval cresce e torna-se cada vez mais uma festa popular. Esse crescimento ocorreu devido às marchinhas carnavalescas.

A primeira escola de samba surgiu no Rio de Janeiro e chamava-se Deixa Falar que anos mais tarde transformou-se na escola de samba Estácio de Sá.  A partir dai o carnaval de rua começa a ganhar um novo formato. Começam a surgir novas escolas de samba no Rio de Janeiro e em São Paulo. Organizadas em Ligas de Escolas de Samba, começam os primeiros campeonatosde beleza e animação.

De acordo com, Cavalcanti (1983) no Brasil no carnaval, as posições sociais são invertidas dando a essa festa nacional uma grande importância por sua popularidade unindo uma grande parcela da nação em uma mesma “corrente” de confraternização.

 

Fontes

http://artes.com/carnaval/historia.html
http://www.karnaval.com.br/c_origem_e_historia/index.html
Cavalcanti.L.M D. O carnaval na poética de Manuel Bandeira. Darandina Revista Eletrônica.Programa de Pós-Graduação em Letras / UFJF – volume 2 – número 1. 1983

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Bom final de semana

No calor desses nossos dias, ofereço a você o frescor em  forma de imagem e de poema.

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4º Motivo Da Rosa (Cecília Meireles)

Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.
Rosas verá, só de cinzas franzidas,
mortas, intactas pelo teu jardim.
Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.
E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim

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Saúde Mental- Rubem Alves

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Fui convidado a fazer uma preleção sobre saúde mental. Os que me convidaram supuseram que eu, na qualidade de psicanalista, deveria ser um especialista no assunto. E eu também pensei. Tanto que aceitei.

 Mas foi só parar para pensar para me arrepender. Percebi que nada sabia. Eu me explico. Comecei o meu pensamento fazendo uma lista das pessoas que, do meu ponto de vista, tiveram uma vida mental rica e excitante, pessoas cujos livros e obras são alimento para a minha alma. Nietzsche, Fernando Pessoa, Van Gogh, Wittgenstein, Cecília Meireles, Maiakovski. E logo me assustei. Nietzsche ficou louco. Fernando Pessoa era dado à bebida. Van Gogh matou-se.Wittgenstein alegrou-se ao saber que iria morrer em breve: não suportava mais viver com tanta angústia. Cecília Meireles sofria de uma suave depressão crônica. Maiakoviski suicidou-se.

Essas eram pessoas lúcidas e profundas que continuarão a ser pão para os vivos muito depois de nós termos sido completamente esquecidos.Mas será que tinham saúde mental? Saúde mental, essa condição em que as idéias comportam-se bem, sempre iguais, previsíveis, sem surpresas, obedientes ao comando do dever, todas as coisas nos seus lugares, como soldados em ordem unida, jamais permitindo que o corpo falte ao trabalho, ou que faça algo inesperado; nem é preciso dar uma volta ao mundo num barco a vela, basta fazer o que fez a Shirley Valentine (se ainda não viu, veja o filme) ou ter um amor proibido ou, mais perigoso que tudo isso, a coragem de pensar o que nunca pensou.

Pensar é uma coisa muito perigosa… Não, saúde mental elas não tinham… Eram lúcidas demais para isso.Elas sabiam que o mundo é controlado pelos loucos e idosos de gravata.Sendo donos do poder, os loucos passam a ser os protótipos da saúde mental.Claro que nenhum dos nomes que citei sobreviveria aos testes psicológicos a que teria de se submeter se fosse pedir emprego numa empresa. Por outro lado, nunca ouvir falar de político que tivesse depressão. Andam sempre fortes em passarelas pelas ruas da cidade, distribuindo sorrisos e certezas.

Sinto que meus pensamentos podem parecer pensamentos de louco e por isso apresso-me aos devidos esclarecimentos.Nós somos muito parecidos com computadores. O funcionamento dos computadores, como todo mundo sabe, requer a interação de duas partes. Uma delas chama-se hardware, literalmente “equipamento duro”, e a outra denomina-se software, “equipamento macio”. Hardware é constituído por todas as coisas sólidas com que o aparelho é feito. O software é constituído por entidades “espirituais” – símbolos que formam os programas e são gravados nos disquetes. Nós também temos um hardware e um software.

O hardware são os nervos do cérebro, os neurônios, tudo aquilo que compõe o sistema nervoso. O software é constituído por uma série de programas que ficam gravados na memória. Do mesmo jeito como nos computadores, o que fica na memória são símbolos, entidades levíssimas, dir-se-ia mesmo “espirituais”, sendo que o programa mais importante é a linguagem.

Um computador pode enlouquecer por defeitos no hardware ou por defeitos no software.Nós também. Quando o nosso hardware fica louco há que se chamar psiquiatras e neurologistas, que virão com suas poções químicas e bisturis consertar o que se estragou. Quando o problema está no software, entretanto, poções e bisturis não funcionam.

Não se conserta um programa com chave de fenda.Porque o software é feito de símbolos e, somente símbolos, podem entrar dentro dele.Ouvimos uma música e choramos. Lemos os poemas eróticos de Drummond e o corpo fica excitado. Imagine um aparelho de som. Imagine que o toca-discos e os acessórios, o hardware, tenham a capacidade de ouvir a música que ele toca e se comover. Imagine mais, que a beleza é tão grande que o hardware não a comporta e se arrebenta de emoção!

Pois foi isso que aconteceu com aquelas pessoas que citei no princípio:
A música que saia de seu software era tão bonita que seu hardware não suportou… Dados esses pressupostos teóricos, estamos agora em condições de oferecer uma receita que garantirá, àqueles que a seguirem à risca, “saúde mental” até o fim dos seus dias.

Opte por um software modesto. Evite as coisas belas e comoventes.

A beleza é perigosa para o hardware. Cuidado com a música… Brahms, Mahler, Wagner, Bach são especialmente contra-indicados. Quanto às leituras, evite aquelas que fazem pensar. Tranquilize-se há uma vasta literatura especializada em impedir o pensamento. Se há livros do doutor Lair Ribeiro, por que se arriscar a ler Saramago?

Os jornais têm o mesmo efeito. Devem ser lidos diariamente. Como eles publicam diariamente sempre a mesma coisa com nomes e caras diferentes, fica garantido que o nosso software pensará sempre coisas iguais. E, aos domingos, não se esqueça do Silvio Santos e do Gugu Liberato.

Seguindo essa receita você terá uma vida tranqüila, embora banal.

Mas como você cultivou a insensibilidade, você não perceberá o quão banal ela é. E, em vez de ter o fim que tiveram as pessoas que mencionei, você se aposentará para, então, realizar os seus sonhos. Infelizmente, entretanto, quando chegar tal momento, você já terá se esquecido de como eles eram…

 

Rubem Alves, “Sobre o tempo e a eternidade”. Campinas: Speculum/Papirus. 164p.

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Compartilhando belezas

 

“Compreendi que a vida não é uma sonata que, para realizar sua beleza, tem que ser tocada até o fim. Dei-me conta, ao contrário, de que a vida é um álbum de minissonatas. Cada momento de beleza vivido e amado, por efêmero que seja, é uma experiência completa que está destinada à eternidade.
Um único momento de beleza e de amor justifica a vida inteira.”
 
Rubem Alves
Concerto para corpo e alma.

 

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Foto de Tião/ 2010

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Ambição e Ética- Stephen Kanitz

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As pessoas costumam ter como ambição ganhar muito dinheiro, casar com uma moça ou um moço bonito ou viajar pelo mundo afora.

A mais pobre das ambições é querer ganhar muito dinheiro, porque dinheiro por si só não é objetivo: é um meio para alcançar sua verdadeira ambição, como, por exemplo, viajar pelo mundo.

Já a ética são os limites que você se impõe na busca de sua ambição.

É tudo que você não quer fazer na luta para conseguir realizar seus objetivos. Como não roubar, não mentir ou pisar nos outros para atingir sua ambição, ou seja, é o conjunto de princípios morais que se devem observar no exercício de uma profissão.

A maioria dos pais se preocupa bastante quando os filhos não mostram ambição, mas nem todos se preocupam quando os filhos quebram a ética.

Se o filho colou na prova, não importa, desde que tenha passado de ano, o objetivo maior.

Algumas escolas estão ensinando a nossos filhos que ética é ajudar os outros. Isso, porém, não é ética, é ambição.

Ajudar os outros deveria ser um objetivo de vida, a ambição de todos, ou pelo menos da maioria. Aprendemos a não falar em sala de aula, a não perturbar a classe, mas pouco sobre ética.

O problema do mundo é que normalmente decidimos nossa ambição antes de nossa ética, quando o certo seria o contrário.

E por quê? Por que dependendo da ambição, torna-se difícil impor uma ética que frustrará nossos objetivos.

Quando percebemos que não conseguiremos alcançar nossos objetivos, a tendência é reduzir o rigor ético, e não reduzir a ambição.

O mundo conheceu a história de uma estagiária na casa branca, que colocou a ambição na frente da ética e tirou o partido democrata do poder, numa eleição praticamente ganha, devido ao enorme sucesso da economia na sua gestão.

Não há nada de errado em ser ambicioso, desde que se defina cedo o comportamento ético.

Quando a ambição passa por cima da ética como um rolo compressor, o resultado é o que podemos acompanhar nos noticiários que ocupam as manchetes em nosso país.

Assim, para mudar definitivamente essa situação, é preciso estabelecer um limite para nossa ambição não nos permitindo, em hipótese alguma, violar a ética para satisfação pessoal, em detrimento do coletivo.

Conforme ensinou Jesus, “seja o seu falar: sim, sim, não, não”. Seja em que situação for.

E se estiver difícil definir se estamos agindo com ética ou não, basta imaginar como julgaríamos esse ato, se praticado por outra pessoa.

Se o condenamos é porque não é ético. Se o aprovamos e julgamos justo, então podemos seguir em frente.

Defina sua ética quanto antes possível. A ambição não pode antecedê-la, é ela que tem de preceder à sua ambição.
Stephen Kanitz é administrador

Fonte www.kanitz.com.br- Publicado na Revista Veja, edição 1684, ano 34  nº 3, de 24 de janeiro de 2001

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Minhas Palavras

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Aquilo que guia e arrasta o mundo não são as máquinas, mas as idéias”. Vitor Hugo

Um fato é eu sair de mim para você; outro é eu chegar até você com minhas palavras. As palavras! As palavras, os ventos levam e trazem. Elas fluem pelo universo. Representam o meu desejo de expressão.

A voz interior expressa- se através das palavras faladas ou escritas que irão pousar de acordo com as diversas identificações pessoais. Identificações que passam pelas recordações, dores, alegrias e questionamentos. Não importam quais sejam. Posso trazer lembranças, informações, conforto, afeto e questionamentos. Respostas? Não. As respostas estão onde você se encontra.

Pessoas, cotidiano, eventos, relações despertam-me as palavras. No intuito das mensagens, as letras vão se juntando, formando palavras, frases, na direção do conteúdo. Exteriorizar o pensamento, as idéias, os sentimentos faz parte deste momento. A mente povoada de imagens  que vão se  configurando e  entrelaçando. Vidas  que são contadas, homenagens que são realizadas, informações que são repassadas. No entorno o meu afeto. No vai e vem dos pensamentos e palavras, converso comigo e vou até você com minha mensagem. Não ouço o que me diz, sua conversa é silenciosa. Entretanto, as palavras chegam a você e se transformam a partir de você. Assim, a comunicação se faz presente  e a experiência é valiosa.

A primavera finda. Está quente! O tempo faz com que me recorde de momentos passados e pessoas queridas. Viajo! Assim é a nossa memória. Tudo permanece dentro de nós. Imbuída dos sentimentos dessa viagem, surgem-me algumas palavras: amor, união, intimidade, intensidade. Ligadas a elas, duas cenas surgem e remetem-me aos sentimentos. Uma traz a alegria e a outra, a tristeza. Assim é a vida. Mas, nos pensamentos posso optar e escolho as cenas de alegria. E com elas, neste nosso encontro, quero irradiar energias positivas para você. É meu desejo que o espírito de amor e fraternidade, presentes aqui e agora, retidos nos meus pensamentos, impregnem o seu cotidiano e que ao lê-las, você possa carregar em seus pensamentos emoções positivas, de esperança e de fé num mundo onde o império seja do Amor.

Norma Emiliano

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