Viagem

Porto Seguro

É interessante retornar a um local visitado há muitos anos. As mudanças ocorridas em Porto Seguro mostram uma outra cidade. Os locais tradicionais visitados mantêm os monumentos históricos, mas ao seu redor tudo se modificou.

Toda uma estrutura turística tem sido construída. São muitos restaurantes e hoteis ;  nas praias  barracas bem montadas dão suporte às refeições, algumas mais sofisticadas têm espreguiçadeiras e redes para descanso. Inclusive,  observei que  Arraial d’Ajuda  se preparou para temporada dos turistas com hotéis, pousadas, resorts, casas de praias,  parque aguático, gastronomia, arte e  vida noturna.  Certamente, para ser melhor explorada numa outra viagem.

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2015

Centro/Inicio da passarela do alcool

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Centro Histórico

Foi criada uma feira de artesanatos e gastronomia. Aqui se saboreia uma excelente tapioca e acarajé preparados na hora.

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Trancoso

Trancoso: uma aldeia de pescadores que foi transformada em destino de praia mais procurado no Brasil,

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Arraial d’Ajuda

Centro histórico

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PicMonkey CollagePraias de Porto seguro (algumas)

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Pitinga

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Praia de Santo André

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Enfim,  é um passeio no qual a natureza por si própria nos presenteia com sua beleza.

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Norma Emiliano

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Relacionamentos na modernidade

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Nós, terapeutas relacionais, lidamos com vários  fenômenos e situações sociais. Assim,   é  importante  o profissional conhecer  e saber  lidar com os sujeitos aceitando – o integralmente. A ausência do preconceito é fundamental para o processo terapêutico. Não significa que na vida pessoal não se tenha seus próprios valores, mas estes não   podem se constituir em referência para os tratamentos.

Muitas mudanças ocorreram e  as famílias se organizam, hoje, de várias formas.  A família não é mais determinada apenas por laços consanguíneos. Pais e educadores precisam acompanhar e entender  o processo para que possam abordar com as crianças num diálogo franco sobre essas formações familiares dentro da capacidade de compreensão de cada faixa etária.

Além das diversas modalidades de famílias, temos também várias modalidades de relacionamentos que, em algum momento, podem  se converter em questões.  Portanto,  a postura do terapeuta é  de colaboração, uma ação conjunta com seu cliente.

A titulo de informação alguns conceitos:

Poliamor (do grego  πολύpoli, que significa muitos ou vários, e do Latim amor, significando amor) é a prática, o desejo, ou a aceitação de ter mais de um relacionamento íntimo simultaneamente com o conhecimento e consentimento de todos os envolvidos.

É diferente de   pansexualidade – que  é caracterizada pela atração sexual, romântica e/ou emocional independentemente da identidade de gênero do outro. Inclui, portanto, pessoas que não se encaixam na binária de  gênero homem/mulher.

Fonte

Nós, enquanto profissionais da área humana, lidamos com todos os fenômenos e situações sociais. Assim, para o  terapeuta  é importante conhecer  e saber  lidar com os sujeitos aceitando- os  integralmente.

Monogamia

— Prática social regulamentada na qual uma pessoa não pode ter mais de um cônjuge.

Swing

— Casais que praticam a troca sexual com outro casal. É uma relação que prima por manter o casamento, mas que tem abertura exclusivamente sexual. O casal define entre si o que pode ou não ser feito na prática do swing. São experiências pontuais, que não devem se estender para fora daquele espaço. Sair com outros para fins sexuais e não avisar o companheiro é visto como traição.

Relação aberta

— Há algumas aberturas na relação, mas ainda se pretende manter o casal principal como prioridade. Estas aberturas são pontuais e, na maioria das situações, estritamente sexuais. O homem tem o direito de interferir nas demais relações da mulher e vice-versa. Os dois fazem acordos do tipo: “você não pode ficar com amigos meus” ou “você pode fazer determinadas coisas só se me contar tudo”.

Relações livres

— Os relacionamentos são baseados na autonomia do indivíduo. Por este motivo, os parceiros não têm direito de interferir nas demais relações do outro. Fica a critério da pessoa organizar a sua vida com cada um dos seus parceiros, definir qual o grau de afetividade, amor, sexualidade e planejamento a longo prazo que a relação terá, sem a necessidade de que todas as relações sejam semelhantes.

Compersão

— Não está no dicionário Aurélio, mas é linguajar recorrente entre aqueles que abrem o relacionamento. Significa ficar alegre ao ver o seu companheiro feliz com outra pessoa. Trata-se de ausência ou superação do ciúme entre parceiros.

Ménage à trois

— Não é um tipo de relacionamento, mas sim, prática sexual a três, não necessariamente com vínculo afetivo e pode estar presente em diversos tipos de relacionamentos.

Fonte

 

Você o que pensa sobre?

 

Norma Emiliano

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Escritor

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Escrever é um ato de transbordamento de uma alma sensível ao captar seu entorno. Ser escritor vai além, pois requer maestria nas articulações de pensamentos e palavras que nos levam aos  voos  sem limites de tempo e/ou espaço.

 

Minhas homenagens através de Cora Coralina

 

O casamento e a cegonha

Cora Coralina

Os pais da noiva tinham resolvido que o casamento da filha se faria ali mesmo, na chácara, à boa moda antiga, com mesada de doces, churrasco, muita empada, leitoa, frango assado, boas comidas e abundantes bebidas.

Armou-se o altar na sala da frente. Cobriu-se a mesa do civil com um lindo atoalhado de plástico. Vieram os convidados. Veio o vigário, veio o juiz e veio o escrivão. Testemunhas e a roda dos parentes. Fizeram o casamento. A moça sempre fora alta, grandalhona, fornida de carnes e de bons quartos. Naquele vestido branco, rodado, de babados subindo e descendo, de véu e grinalda, inda mais reforçada parecia.

Como a festança era mesmo de arromba, fogos pipocando, música chegando e  muita gente entrando e saindo, ninguém mais reparou nos noivos que depois de posarem para o retrato de praxe, na cabeceira da mesa e de cortarem juntos o bolo artístico, se misturaram com os convidados e cada qual se achou à vontade e sem constrangimento.
O juiz e o vigário deixaram-se ficar numa roda de amigos, conversando com advogados, escrivães, gente do foro.

O baile tinha começado. A moçada saracoteava alegre. Os que não eram de dança, rodeavam a mesa posta, com pratos, copos e garrafas. Espetos de churrasco e bandas de leitão se cruzavam por todos os lados.

Boas comidas, muita bebida e os donos da casa pondo o pessoal à vontade, incansáveis, não cabendo em si de contentes com o casamento daquela primeira filha. Nada alegra tanto o coração da criatura como mesa posta, carne assada, bebidas de graça e falta de cerimônia. Quem contestar esta verdade simples, não merece dois vinténs de crédito.

Bem por isso mesmo diz o caboclo: a alegria vem das tripas — barriga cheia, coração alegre. O que é pura verdade.

A orquestra assoprava valsas e boleros com furor. Os pares girando. Os namorados namorando. Os que não dançavam se encostavam pelas mesas e, quem já estava farto, fazia roda, bebia café, fumava cigarro e contava piadas.

Quando a festança ia mais animada, lá pelas tantas, ouviu-se um corre-corre pelos quartos e corredores.

Logo mais aparecia na sala o dono da casa, ansioso e afobado, se desculpando e pedindo ao juiz e ao vigário fazerem o favor de acabar com a festa porque a noiva estava com dor de parto e a assistente já tinha chegado…

“Isto é que se chama aproveitar o tempo”, comentou um convidado, “numa só festa, casa a filha e chega a cegonha…”


Texto extraído do livro “Estória da Casa Velha da Ponte”, Global Editora — São Paulo, 2001, pág. 53

Norma Emiliano

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Uma Imagem – 140 Caracteres

Dia do projeto proposto por Mari e Silvana

 

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As flores são representações do divino. Receba-as como um gesto de amor

que envolve sentimentos nobres em relação ao outro.

De mim para VOCÊ.

Norma Emiliano

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A esmo

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*

Caminha pela chuva sem qualquer ideia de sua direção. A face está inundada de lágrimas e chuva que se misturam. A rua encontra-se vazia, pois o frio é intenso. Porém, ela não se dá conta da pele gelada.

Vagueou  por um tempo, com suas roupas molhadas e coladas ao corpo. Repentinamente, começa a sentir arrepios e tremores. Para, olha ao redor, tentando identificar onde se encontra. Vê um bar e resolve se aproximar. Poucas pessoas ali se encontram, Entra, senta e pede algo que possa lhe aquecer.

Fica ali sentada um tempo, e se pergunta por quê? Por que novamente está neste estado de tristeza profunda, sentindo-se desamparada e perdida?

No conto, uma situação frequente no sentimento humano e, algumas vezes, sem que se faça uma conexão lógica para tanta dor. Somos marcados por sofrimentos tão contundentes, com frequência  inconscientes, mas que se atualizam por situações vivenciadas, porém irreconhecíveis.

A autoestima e a eficiência (resiliência) são promovidas pelos relacionamentos de apoio,  ou seja, a  presença da ternura, da afeição, de estrutura e limites claros na infância;  relacionamento íntimo e protetor com pelo menos um adulto significativo (Werner 1993).

Norma Emiliano

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Pausa

Obrigada pela sua visita

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Farei uma breve pausa para descanso e lazer.

A casa é sua, fique à vontade,  passeie pelos cômodos ainda não visitados,  leia e comente, se assim achar conveniente.  Os comentários constituem o baú de tesouros do pensandoemfamilia.

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 Norma Emiliano

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Uma Imagem – 140 Caracteres

Sexta  é dia do projeto  coordenado pela  Silvana e Mari

 

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Minha participação

Desde menina a chuva a atrai. Hoje, lembranças surgiram e não resistiu.

Foi ao seu encontro, permitindo que a água tomasse o corpo e a alma.

Norma Emiliano

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Um conto

De Clarice Lispector

O primeiro beijo

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Imagem Net

 

Os dois mais murmuravam que conversavam: havia pouco iniciara-se o namoro e ambos andavam tontos, era o amor. Amor com o que vem junto: ciúme.

– Está bem, acredito que sou a sua primeira namorada, fico feliz com isso. Mas me diga a verdade, só a verdade: você nunca beijou uma mulher antes de me beijar? Ele foi simples:

– Sim, já beijei antes uma mulher.

– Quem era ela? perguntou com dor.

Ele tentou contar toscamente, não sabia como dizer.

O ônibus da excursão subia lentamente a serra. Ele, um dos garotos no meio da garotada em algazarra, deixava a brisa fresca bater-lhe no rosto e entrar-lhe pelos cabelos com dedos longos, finos e sem peso como os de uma mãe. Ficar às vezes quieto, sem quase pensar, e apenas sentir – era tão bom. A concentração no sentir era difícil no meio da balbúrdia dos companheiros.

E mesmo a sede começara: brincar com a turma, falar bem alto, mais alto que o barulho do motor, rir, gritar, pensar, sentir, puxa vida! como deixava a garganta seca.

E nem sombra de água. O jeito era juntar saliva, e foi o que fez. Depois de reunida na boca ardente engulia-a lentamente, outra vez e mais outra. Era morna, porém, a saliva, e não tirava a sede. Uma sede enorme maior do que ele próprio, que lhe tomava agora o corpo todo.

A brisa fina, antes tão boa, agora ao sol do meio dia tornara-se quente e árida e ao penetrar pelo nariz secava ainda mais a pouca saliva que pacientemente juntava.

E se fechasse as narinas e respirasse um pouco menos daquele vento de deserto? Tentou por instantes mas logo sufocava. O jeito era mesmo esperar, esperar. Talvez minutos apenas, enquanto sua sede era de anos.

Não sabia como e por que mas agora se sentia mais perto da água, pressentia-a mais próxima, e seus olhos saltavam para fora da janela procurando a estrada, penetrando entre os arbustos, espreitando, farejando.

O instinto animal dentro dele não errara: na curva inesperada da estrada, entre arbustos estava… o chafariz de onde brotava num filete a água sonhada. O ônibus parou, todos estavam com sede mas ele conseguiu ser o primeiro a chegar ao chafariz de pedra, antes de todos.

De olhos fechados entreabriu os lábios e colou-os ferozmente ao orifício de onde jorrava a água. O primeiro gole fresco desceu, escorrendo pelo peito até a barriga. Era a vida voltando, e com esta encharcou todo o seu interior arenoso até se saciar. Agora podia abrir os olhos.

Abriu-os e viu bem junto de sua cara dois olhos de estátua fitando-o e viu que era a estátua de uma mulher e que era da boca da mulher que saía a água. Lembrou-se de que realmente ao primeiro gole sentira nos lábios um contato gélido, mais frio do que a água.

E soube então que havia colado sua boca na boca da estátua da mulher de pedra. A vida havia jorrado dessa boca, de uma boca para outra.

Intuitivamente, confuso na sua inocência, sentia intrigado: mas não é de uma mulher que sai o líquido vivificador, o líquido germinador da vida… Olhou a estátua nua.

Ele a havia beijado.

Sofreu um tremor que não se via por fora e que se iniciou bem dentro dele e tomou-lhe o corpo todo estourando pelo rosto em brasa viva. Deu um passo para trás ou para frente, nem sabia mais o que fazia. Perturbado, atônito, percebeu que uma parte de seu corpo, sempre antes relaxada, estava agora com uma tensão agressiva, e isso nunca lhe tinha acontecido.

Estava de pé, docemente agressivo, sozinho no meio dos outros, de coração batendo fundo, espaçado, sentindo o mundo se transformar. A vida era inteiramente nova, era outra, descoberta com sobressalto. Perplexo, num equilíbrio frágil.

Até que, vinda da profundeza de seu ser, jorrou de uma fonte oculta nele a verdade. Que logo o encheu de susto e logo também de um orgulho antes jamais sentido: ele…

Ele se tornara homem.

“Felicidade Clandestina” – Ed. Rocco – Rio de Janeiro, 1998

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