“Duas solidões que se dão a mão”.

Republicação. Escrito em 2015, mas um tema sempre atual

Falar sobre amor é uma prática  antiga, na Grécia  “a divina mania” era descrita como um estado de alienação  parcial e de  várias reações psicológicas.

Durante séculos alimentou-se a  fantasia  de que duas pessoas quando amam são uma, sendo denominado de amor romântico.

Contudo, com  Rilke podemos caminhar numa outra direção, amor como um convite ao amadurecimento.

Fragmentos de Cartas a um jovem poeta– Rainer Maria Rilke- Carta nº 7  Fonte

 

“Um amor consiste na mútua proteção, limitação e saudação de duas solidões.”

(…) “O amor de duas criaturas humanas talvez seja a tarefa mais difícil que nos foi imposta, a maior e última prova, a obra para a qual todas as outras são apenas uma preparação. Por isso, pessoas jovens que ainda são estreantes em tudo, não sabem amar: tem que aprendê-lo.

Com todo o seu ser, com todas as suas forças concentradas em seu coração solitário, medroso e palpitante, devem aprender a amar. Mas a aprendizagem é sempre uma longa clausura. Assim, para quem ama, o amor, por muito tempo e pela vida afora, é solidão, isolamento cada vez mais intenso e profundo. O amor, antes de tudo, não é o que se chama entregar-se, confundir-se, unir-se a outra pessoa. Que sentido teria, com efeito, a união com algo não esclarecido, inacabado, dependente? O amor é uma ocasião sublime para o indivíduo amadurecer, tornar-se algo em si mesmo, tornar-se um mundo para si, por causa de um outro ser; é uma grande e ilimitada exigência que se lhe faz, uma escolha e um chamado para longe. Do amor que lhes é dado, os jovens deveriam servir-se unicamente como de um convite para trabalhar em si mesmos ( “escutar e martelar dia e noite” ). A fusão com outro, a entrega de si, toda a espécie de comunhão não são para eles ( que deverão durante muito tempo ainda juntar muito, entesourar ); são algo de acabado para o qual, talvez, mal chegue atualmente a vida humana.(…)”

Norma Emiliano

Comments

  • chica
    Responder

    O amor, como em tudo, requer um aprendizado…

    O amor é caminhar juntos, mas cada um com sua vida, ideias, planos que ,ao final, quase sempre coincidem, pois depois de tantos anos, as coisas parecem se fundir. beijos,lindo dia! chica

  • Roselia Bezerra
    Responder

    Olá, querida Norma
    O amor nos alcança e nunca morre dentro do nosso coração mesmo que queiram matá-lo, graças a Deus!!!
    Bjm fraternal

  • marilene
    Responder

    Norma, muitas vezes o amor é confundido com o prazer que alguém pode nos proporcionar. E não me refiro ao lado físico. Duas pessoas nunca serão uma e o verdadeiro amor respeita e admira as diferenças, para uma convivência harmoniosa que há de ser trabalhada todos os dias. Bjs.

  • Toninho
    Responder

    Que bonito post, não poderia deixar de ler e reler.
    Uma partilha perfeita e falar de amor estará sempre em moda e provocante,haja visto o numero de definições para este sentimento. O que é este amor? Por certo todos nós já o questionamos e quando se volta para o jovem torna-se mais complexo desvendar o que este estará tramando. Esta entrega ao “inacabado” é mesmo um situação, que merece carinhosa analise/reflexão. Se o amor busca junção certo seria que as partes fossem semelhantes sem nenhum perigo de rejeição, mas quem defenda que o amor supera estas diferenças e se moldam para uma relação e se assim conseguem o amor realmente poderá se manifestar e durar.
    Mas quão difícil é o desejo de amar e ser livre, que muitas vezes se busca sem sucessos. Gostei desta definição de solidões que unem.
    Belíssima postagem.
    Abraços com carinho.
    Beijo

  • chica
    Responder

    Muito bom e valeu a nova publicação dele! beijos, feliz Agosto! chica

  • toninhobira
    Responder

    Muito bom Norma remexer no baú das publicações e trazer temas, que realmente nos levam a profunda reflexões. Amar será sempre uma pedra no sapato. Como unir-se a outro ser tão diferente, tão sonhador de coisas que se quer encosta nos nossos sonhos?
    No mundo em que a solidão se enraíza nos seres falar desta junção pura e nua é entrar num labirinto um tanto quanto perigoso e complexo.
    Uma feliz semana de um agosto maravilhoso.
    Beijo amiga.

  • Lar & Linho
    Responder

    Boa noite, Norma!

    Cada teoria sobre o amor torna-se maravilhosa semelhante ao próprio amor. Todavia, sair da teoria para entrar no terreno da prática, na maioria das vezes é difícil. E pode se tornar um beco sem saída.

    Beijo!

    Renata

  • Ailime
    Responder

    Bom dia Norma,
    Concordo que o amor é uma descoberta de nós próprios e do outro, um amadurecimento que vai crescendo com o tempo, tempo este valioso pelas descobertas e potencialidades que em nós existem e que nem imaginávamos.
    Mas amar não é se sujeitar ao outro, mas saber respeitar os espaços e liberdade de cada um.
    Beijinhos e um ótimo dia e semana.
    Ailime

  • Ana Freire
    Responder

    Adorei o texto! Só o amor consegue fazer-nos abstrair do nosso mundo, para descobrirmos o mundo de outros… e de alguma forma nos estruturarmos num ponto intermédio, mas sempre de forma enriquecedora, mais fortes e cúmplices!
    Belíssima partilha, como sempre, Norma!
    Um beijinho! Votos de uma excelente semana e um feliz Agosto!
    Tudo de bom!
    Ana

  • Marilene
    Responder

    Norma, ese é um tema que pode se expandir em várias direções. Dois nunca serão um, mas partes independentes e que merecem respeito. Creio que a amizade é o alicerce do amor.

  • Sulane Macedo
    Responder

    Oi Norma! Acho que o amor romântico é quase irreal, será que existe mesmo? Aquela estória das duas metades da laranja que se unem e formam um só ser… Não,acho que não. Será que conseguimos alcançar um estado tão profundo assim? Acho que é mais real, duas pessoas imperfeitas, que não vão se anular em prol deste relacionamento, tentem seguir juntos, se ajudando, se apoiando, crescendo juntos, é nisso que acredito. Beijos!

  • Maria
    Responder

    Excelente reflexão.
    O amor verdadeiro vai crescendo e solidificando-se ao longo do tempo. É o saber que não caminhamos sozinhos, que ao nosso lado uma alma gêmea nos dá a mão, nos ajuda quando é preciso, que ri e chora conosco, numa partilha sincera vinda do coração.
    Beijinhos e suaves brisas plenas de paz e harmonia.

  • ALLAN
    Responder

    Muito Bom

  • Jaime Portela
    Responder

    O amor é fogo que arde sem se ver, como disse Camões.
    Excelente texto, gostei de ler.
    Continuação de boa semana, querida amiga.
    Um beijo.

  • olinda melo
    Responder

    Olá, Norma

    O Amor. Tema que merece sempre a nossa atenção.
    Aqui numa outra abordagem que não a do amor romântico,
    mas um amor consciente que requer aprendizagem, com
    respeito pelo outro e pelas sua diferenças.

    Beijinhos
    Olinda

Grata por sua visita sempre bem-vinda.

%d blogueiros gostam disto: