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Esperança

Estamos num momento em que a esperança paira no ar com o advento do Natal. Motivada por este fato, reedito um conto que expressa significativamente o quanto este sentir tem magia e promove transformações.Este conto tem como título Renascimento, mas hoje vou preferir denominá-lo de Esperança.


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Corydalls triternat (flor da esperança)

Seu nascimento veio marcado por uma anomalia. Passou meses e meses com as pernas imobilizadas por gesso. Seu desenvolvimento truncado e cerceado por suas limitações físicas.  Passaram- se os anos e uma profunda tristeza foi tomando conta de seus dias. Não houve infância e a adolescência foi com poucos sonhos e amores.  Certo dia, quis ter algo só seu e foi em busca de um animalzinho de estimação. E  lá estava ele, olhando-a e remexendo o rabinho e ela exclamou: é este!

Por alguns anos seu fiel cãozinho lhe saudava ao amanhecer e se aconchegava aos seus pés ao dormir. Uma sensação de bem estar lhe acompanhava. Contudo, nada dura para sempre, ele se foi. Adoeceu e não resistiu. Ela se manteve em sua estrada, amargando a solidão, sem conseguir se afogar em prantos. Seu organismo sucumbiu e rapidamente aos 37 anos entrou num processo de envelhecimento precoce.

Em meio a tudo isto, a música, seu violoncelo, que não fora sua escolha, mas sim do pai, expressava-se lindamente, integrando-se aos demais instrumentos da orquestra da qual fazia parte, e transmitindo ao público a beleza do seu ser. Porém ela não se apercebia e só tristeza sentia.

Certo dia,  não pode mais tocar, pois seu ombro direito se enrijecera não dando mais comando ao braço. Neste momento, surge em meio a sua dor uma voz que lhe sussurra: desenterre seu tesouro. Cave, cave um pouquinho a cada dia. Traga o cuidado, o prazer por você mesma, pois eles estão aí esperando ansiosos o seu renascer. Surpresa gostou e aceitou o que ouviu. Quando a luz do sol irradiou, mostrando o seu apogeu, o seu sorriso brotou celebrando a vida.

A infância e adolescência se foram, não tinham volta, mas a vida se mantinha e com ela o surgir de cada dia trazendo-lhe esperanças renovadas.

Norma Emiliano

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“A vitória da vida”

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Páscoa 2010:  A Vitória da Vida

 

Texto extraído do site Buscando Novas Águas
http://www.buscandonovasaguas.com/

 

“ A Igreja celebra hoje com alegria a Vitória da Vida sobre a morte, com a RESSUREIÇÃO de Cristo.

 As Leituras bíblicas aprofundam o sentido desse acontecimento:

 Na 1ª leitura, temos o testemunho e a catequese de Pedro em Cesaréia, na casa do centurião romano Cornélio. (At 10,34.37-43)
 
Ele expõe o essencial da fé (”Kerigma”) e batiza Cornélio e toda a sua família. O episódio é importante porque é o primeiro pagão a ser admitido ao cristianismo por um dos Doze. KERIGMA é um resumo da Mensagem cristã, que leva à aceitação de Cristo e da sua mensagem, através do Batismo:

 * Pedro começa evocando os momentos principais da vida de Jesus.

Por anunciar Jesus como “o ungido”, que tem o poder de Deus;

* depois, descreve a atividade de Jesus,    que “passou fazendo o bem e curando todos os oprimidos”;

* em seguida, dá testemunho da morte de Jesus na cruz e da sua Ressurreição;

* finalmente, Pedro tira as conclusões de tudo isto:    “quem acredita nele, recebe, pelo seu nome, a remissão dos pecados”.

* Os discípulos são chamados a ser TESTEMUNHAS da Ressurreição,     da Vitória da vida sobre a morte….

 Na 2ª Leitura, temos o testemunho de São Paulo.

O Batismo nos introduz na comunhão com Cristo Ressuscitado.

 * Nossa vida deve ser uma caminhada coerente com essa vida nova: “Se ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas do alto…” (Cl 3,1-4)

 No Evangelho, seguidores de Cristo procuram o Ressuscitado e são convidados a manifestar a sua fé nele. (Jo 20,1-9)

 - Maria Madalena, no “primeiro dia da semana” (ou de um novo tempo), ainda “no escuro” procura no túmulo o Cristo morto.
Diante do túmulo vazio, pensa que haviam roubado o corpo do Senhor.Mas quando ela o encontra, a fé desponta em seu coração.

 * Ela representa a nova comunidade, que inicialmente acredita que a morte triunfou e vai procurar Jesus morto no sepulcro. Diante do sepulcro vazio,  percebe que a morte não venceu e que Jesus continua vivo

 - Pedro, para quem a morte significava fracasso, recusava aceitar que a vida nova passasse pela humilhação da cruz.
Para ele a Ressurreição de Jesus era uma hipótese absurda e sem sentido.
Com surpresa, ele viu o túmulo vazio e os panos dobrados… Mas continuou “no escuro”: “Viu e não creu”.

* Ele representa o discípulo que tem dificuldade em aceitar  que a vida nova passe pela humilhação da cruz.

 - “O Discípulo que Jesus amava” (João), diante do sepulcro vazio, Compreende os sinais e percebe que a morte  não pôs fim à vida. Descobre que Jesus está vivo. Por isso, ele “viu e acreditou”. É a primeira profissão de fé na Ressurreição.

* Ele representa o “discípulo ideal”, que está em sintonia total com Jesus.    É o paradigma do homem novo recriado por Jesus.

   O “Amor” conduz o discípulo pelo itinerário da fé…
* Por que não tem nome? Para que cada um de nós possa incluir o eu nome e compreender o que deve fazer
 para ser como Jesus quer.

- E nós conseguimos ver apenas os sinais de morte como Pedro, ou sabemos descobrir os sinais da Ressurreição?

 - As Mulheres: abandonam depressa o lugar da morte e correm para anunciar aos irmãos que Cristo está vivo.

* Representam os que acreditam na vitória da vida e testemunham aos seus irmãos essa fé.

- Os Guardas: deixam-se corromper pelo dinheiro. Simbolizam os que, por amor aos bens desse mundo,
preferem mais a mentira do que a Verdade, mais a morte do que a Vida.

+ PÁSCOA:

- É o maior acontecimento celebrado pela Igreja, na Liturgia.
- Mas a Páscoa não é apenas um FATO PASSADO…
Cada festa Pascal é um novo apelo de Deus, que nos convida a morrermos com Cristo,
a nos separarmos do homem velho do pecado, a fim de nos revestirmos do homem novo e
ressurgir para uma vida nova na graça e na santidade.

- A Páscoa não é apenas UM DIA DO ANO…
É um processo permanente que deve acontecer dentro de nós.
Todos os dias o cristão celebra a Páscoa, quando combate o homem velho
do pecado, para se revestir do homem novo, em Cristo.

 TODO DOMINGO, revivendo os mistérios pascais na Eucaristia, deve ser um momento forte dessa Páscoa, que parece não ter fim…
Prezado irmão, desejo-lhe uma FELIZ PÁSCOA… não é a de um Cristo morto, perdido no passado, mas sim de um Cristo vivo, glorioso, atual, que faz vibrar o seu coração e dar um sentido novo ao seu viver…

Que assim seja!…   ”          

Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa -04.04.2010

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Rituais

 

Os deuses estavam em toda parte e imiscuíam-se em todas as atividades da vida diária. O fogo que preparava os alimentos dos fiéis e os aquecia, a água que saciava sua sede e lhes proporcionava asseio, até o ar que respiravam e o dia que os iluminava eram objeto de suas homenagens.” (Jung).

O findar e o começar de um novo ano para muitos significa renovar as esperanças da realização de projetos, para outros significa tristeza, solidão e desesperanças e para outros essa demarcação não é substancialmente significativa. A razão dessas diferentes percepções relaciona – se às experiências pessoais.  Vivemos dentro do tempo e num contexto sócio cultural que produzem conseqüências subjetivas.
 
A partir do nosso nascimento nos inserimos num universo de rituais. Assim, o retornar a memória de tempos relatados ou vividos mostra- me que na trajetória da minha família os rituais de passagem tiveram grande significação no encontro das gerações. Com a morte de meus ancestrais e o transcorrer do tempo surgiram novas práticas, porém os ritos permanecem em seu caráter simbólico. No entender de Van Gennep. (1989, p. 157) “para os grupos, assim como para os indivíduos, viver é continuamente desagregar- se e reconstituir-se, mudar de estado e de forma, morrer e renascer” (Van Gennep, p. 157).
Os dias e noites mesmo que aparentemente iguais trazem em si o renascimento e a morte.  A vida precisa dos ciclos e das alternâncias. No dia-a-dia, esses ciclos se expressam em nossas ações. Realizamos cotidianamente vários ritos, os de despedida dos membros familiares, quando saem para suas atividades, e até mesmo os de cuidados pessoais. Contudo, esses acabam perdendo seu sentido “sagrado”, transformando- se em atos mecânicos.

Os ritos de passagem marcam momentos importantes e organizam convencionalmente certos aspectos da vida social, favorecendo certa segurança através do sentimento de coesão.

Na virada do ano, as pessoas recorrem a pequenos rituais, que variam conforme as culturas, mas todos  têm a finalidade de renovar as esperanças de tempos melhores.

No Brasil, a queima dos fogos dá boas vindas ao novo ano; algumas pessoas banham-se no mar ou nos rios para acolher os novos tempos, outras brindam com champagne.
Na contagem regressiva os astros podem nos proporcionar muitos bons prognósticos. Podemos, também, fazer nossa lista de intenções, porém não basta a esperança renovada sem uma atitude proativa, pois como nos assinala Augusto Cury “não adianta sonhar e não lutar para tornar os sonhos realidade, porque sem luta não há vitória”.

Os rituais representam o elo entre o inconsciente e o consciente que aponta um caminho e, assim, uma possibilidade de recriação.

Referência bibliográfica
Arnold VAN GENNEP, Os ritos de passagem. Petrópolis: Vozes, 1978.

Norma Emiliano

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