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O amor acaba

só contigo

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(…) às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba.”

Paulo Mendes Campo- Crônicas Líricas Existenciais.

Bom final de semana

Norma

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Confiança

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O término do ano se aproxima  e começamos a nos planejar para  conquista de metas ainda não alcançadas e novas.  No ar circula a esperança renovada com o Natal.

Neste sentido, compartilho  um poema que encontrei e considerei próprio para este momento.

“Não lamente aquilo que passou
Nem chore o que o tempo desfez.
Repare que o vento que foi nunca voltou,
Mas um novo vento sempre sopra outra vez…
Não fique triste se ainda não conseguiu
Ser grande como tanta gente no mundo,
Pois a estrela tão pequenina que você nem viu
Também ajuda a iluminar o céu profundo…

Não lamente
Não pense que as coisas são impossíveis,
E nunca desista de todo dia sempre lutar
Pois quando o outono derruba uma flor,
A primavera coloca outra no lugar…
Não acredite que a vida é só amargura
E que as coisas nunca vão mudar.
Repare que depois de uma noite escura,
O sol volta de novo a brilhar…”

Autoria desconhecida, se souber, agradeço  se me  comunicar.


Norma

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Diálogo

Recebi por e-mail um conto sobre a incompletude humana,  a sua interdependência e  a construção do amor . O contexto é o céu e os personagens,  um anjo e Deus.

Asa Humana

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Certo dia, um anjo ajoelhou-se aos pés de Deus e falou:

“Senhor… visitei sua criação como pediu. Fui a todos os cantos; estive no sul, no norte, leste e oeste. Vi e fiz parte de todas as coisas. Observei cada uma de suas criaturas humanas. E por ter visto, vim até o Senhor… para tentar entender. Porque?
Por que cada uma das pessoas sobre a terra tem apenas uma asa? Nós anjos temos duas…podemos ir até o amor que o Senhor representa, sempre que desejarmos. Podemos voar para a liberdade sempre que quisermos. Mas os humanos…com sua única asa, não podem voar!” E Deus respondeu:

- “Eles podem voar sim, meu anjo. Dei aos humanos…apenas uma asa para que eles pudessem voar mais e melhor que Eu ou vocês, meus arcanjos…Para voar, meu amigo…você precisa de suas duas asas…Embora livre, sempre estará sozinho. Talvez da mesma maneira que Eu… Mas os humanos…com sua única asa precisarão sempre dar as mãos para alguém, a fim de terem suas duas asas. Cada um tem, na verdade, um par de asas.  Uma outra asa, em algum lugar do mundo, que completa o par.Assim, eles aprenderão a respeitarem-se… pois ao quebrar a única asa de outra pessoa, podem estar acabando com suas próprias chances de voar. Assim, meu anjo, aprenderão a amar verdadeiramente outra pessoa. Aprenderão que somente permitindo-se amar, eles poderão voar. Tocando a mão de outra pessoa, em um abraço amigo e afetuoso, eles poderão encontrar a asa que lhes falta… e poderão finalmente voar. Somente através do amor irão chegar até onde estou. Assim como você, meu anjo. E nunca, nunca mais…
estarão sozinhos quando forem voar.”

Autor desconhecido. Se souber por favor, avise-me para dar os créditos.

Norma

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Universo

Abelha em  flor

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Se não podemos compreender o mínimo de uma flor ou de um inseto, como poderemos compreender o máximo do Universo! ”
( Marquês de Maricá )

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Harmonia

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A harmonia entre as pessoas vincula-se, principalmente, à percepção  e  ao respeito a  alteridade.
Norma


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Em reflexão natalina

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Soneto de Natal


Um homem, – era aquela noite amiga,
Noite cristã, berço do Nazareno, -
Ao relembrar os dias de pequeno,
E a viva dança, e a lépida cantiga,

Quis transportar ao verso doce e ameno
As sensações da sua idade antiga,
Naquela mesma velha noite amiga,
Noite cristã, berço do Nazareno.

Escolheu o soneto… A folha branca
Pede-lhe a inspiração; mas, frouxa e manca,
A pena não acode ao gesto seu.

E, em vão lutando contra o metro adverso,
Só lhe saiu este pequeno verso:
“Mudaria o Natal ou mudei eu?”

Machado de Assis

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Cada dia… Rosélia

Chegue !

Começamos hoje  lendo histórias que a vida nos conta através dos amigos que aceitaram meu convite para participar desta roda.  Sugeri a imagem abaixo como inspiração.

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Organizamos nossas vivências e memórias sob forma de narrativas, assim todos temos histórias a serem contadas. Elas constituem  representações de uma epoca e  nos dão oportunidade de rever e  refazer nossos próprios percursos.

Rosélia. do blog Espiritual Idade,  inicia esta série,   a cada dia uma história. Vamos ao que nos conta.

ANTÔNIA MARIA… a escuto e sinto a sua dor…

Bem, Antônia não poderia persistir numa existência na qual estava sendo levada a viver. Não queria ser peso à família. Alterou seu regime de vida para melhor.

Olhando nos olhos dos seus filhos e, especialmente, nos da sua filha, sentiu compreendê-la. Essa filha fora a subsistência dela durante dezoito anos. Sentiu bastante quando ela se casou. A falta dos seus cuidados, a filha sempre a colocava para cima, a chamava de MAMÃE QUERIDA. Mas, Antônia sabia bem que não podia ser dependente dos seus mimos porém  também necessitava de “descanso”. Em muitos pontos da sua vida difícil.

Os abraços que recebera na Rodoviária de onde saíra para não mais voltar (pensava ela) eram de embargar o coração de qualquer céptico.

Antônia percebeu como seria difícil “voltar a andar” sem os filhos que cresceram. Seus preciosos tesouros eram TUDO para ela.
Havia solidariedade e compreensão da parte deles naquela hora tão difícil! Ela reuniu todas as força para não se revoltar, sendo quase impossível que isso não acontecesse,  o   infortúnio a havia atingido. Lhe diziam uns que esse sofrimento era só dela como que zombando da sua dor da partida de um modo de vida ao outro por ela esperado também, mas que não fora o que ELE desejava à Antônia. Não naquela hora de dor (portanto ela não estava indiferente no coração: livre).

Amigos e parentes consolavam em vão aquela pobre mulher saudosa. E, desesperada de amor aos extremos, no coração e  na alma alma, parte…
Reconhecia a dedicação dos amigos e lhes era agradecida mas não podia expressar nada quase em meio a enorme dor de “luto”.
Ela compreendeu que na vida só há uma clareza: O DA COMPREENSÃO HUMANA.

Fez UMA LONGA VIAGEM COM MUITAS LÁGRIMAS A ROLAREM NA SUA FACE SOFRIDA… IMAGINAVA AS NOITES LONGAS E SOLITÁRIAS QUE IRIA VIVER.

A uma pessoa que se considera “normal” isso poderá parecer ridículo. Ela começou a registrar o que estava lhe ocorrendo como que para não esquecer.
Lançou-se a um novo aprendizado: trabalhava e aprendeu muitas coisas por lá, muito longe. O filho caçula foi logo se adiantando de que seu lugar de mãe estava garantido se não gostasse do novo espaço onde estava vivendo. A frase que ela ressalta é: SE NÃO ESTIVER FELIZ, VOLTE!!! Aquilo sossegou-a bastante mas precisava colocar em ordem seus assuntos e emoções.

Iniciou um treinamento mental, no sentido de bloquear qualquer sentimento de auto piedade. Teve muita angústia expressada até com dor física no peito. Em alternadas lutas interiores de sossego e tensão foi relaxando e tranquilizando seu espírito.
Se sentia vedada a tudo.

Procurou disfarçar o que lhe ia na alma: isolamento, lutas… Procurou dar distância à emancipação, à inatividade.  Isso a fazia sofrer muito. Sabia que tinha necessidade de alguém, de uma pessoa em concreto. Sua vida havia mudado violentamente mas achava que, quanto mais cedo se adaptasse à nova vida, seria bem melhor.

Dizia para si mesma: “JÁ CAÍ MUITAS VEZES. É SÓ MAIS UMA”. Sabia que estava com pena de si mesma e ficava transtornada e profundamente deprimida.

Já na despedida, a filha nem conseguiu olhar no seu rosto, de tanta dor para ambas. Teve no dia para ela mais fatal: EMANCIPAÇÃO DE APOIO. Estava realmente só e num país distante. Buscava a liberdade interior. Mas estava crendo condenada à gaiola da vida.

Eis uma história incompleta… certamente muito mudou na vida de Antônia desde a escrita desta parte real da sua vida… mas deixo espaço parra que os leitores da querida amiga Norma complemente de acordo com as suas perspectivas… (podendo ou não coincidir com o desfecho lindo que teve essa história… de  uma alma que ama amorosa e piedosamente)…

Deixo-vos, com muito carinho, um pensamento fraterno que descreve bem esse coração de Antônia:

“PIEDADE é a minha esperança e a integridade de vida é a minha segurança”…

Beijo de paz a todos os amigos queridos…
Rosélia


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Gesto da terra

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UM PÉ DE MILHO

“Os americanos, através do radar, entraram em contato com a Lua, o que não deixa de ser emocionante. Mas o fato mais importante da semana aconteceu com o meu pé de milho.

Aconteceu que, no meu quintal, em um monte de terra trazida pelo jardineiro, nasceu alguma coisa que podia ser um pé de capim – mas descobri que era um pé de milho. Transplantei-o para o exíguo canteiro da casa. Secaram as pequenas folhas; pensei que fosse morrer. Mas ele reagiu. Quando estava do tamanho de um palmo, veio um amigo e declarou desdenhosamente que aquilo era capim. Quando estava com dois palmos, veio um outro amigo e afirmou que era cana.

Sou um ignorante, um pobre homem da cidade. Mas eu tinha razão. Ele cresceu, está com dois metros, lança suas folhas além do muro e é um esplêndido pé de milho. Já viu o leitor um pé de milho? Eu nunca tinha visto. Tinha visto centenas de milharais – mas é diferente.

Um pé de milho sozinho, em um canteiro espremido, junto do portão, numa esquina de rua – não é um número numa lavoura, é um ser vivo e independente. Suas raízes roxas se agarram no chão e suas folhas longas e verdes nunca estão imóveis. Detesto comparações surrealistas – mas na lógica de seu crescimento, tal como vi numa noite de luar, o pé de milho parecia um cavalo empinado, de crinas ao vento e em outra madrugada, parecia um galo cantando.

Anteontem aconteceu o que era inevitável, mas que nos encantou como se fosse inesperado: meu pé de milho pendoou. Há muitas flores lindas no mundo, e a flor de milho não será a mais linda. Mas aquele pendão firme, vertical, beijado pelo vento do mar, veio enriquecer nosso canteirinho vulgar com uma força e uma alegria que me fazem bem. É alguma coisa que se afirma com ímpeto e certeza. Meu pé de milho é um belo gesto da terra. Eu não sou mais um medíocre homem que vive atrás de uma chata máquina de escrever: sou um rico lavrador da rua Júlio de Castilhos.”

Rubem Braga

Um pé de milho. Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Editora, 1948.

Essa crônica lhe remete à alguma reflexão?

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