Posts Tagged dor

Múltiplas Faces

 

sofrimento                                                                                 

Google Imagem

 

“Arranco meus olhos só pra não enxergar.
Todas as torturas que estão pra começar”  
                  Ratos do Porão

 

A vida apresenta-se de tantas formas e traz, por vezes, um sentido tão cruel e tamanha dor que acarreta para alguns incompreensão e descrença de um SER maior que protege e acolhe. Por mais que se empatize com o outro, a própria dor é sempre a maior e ela traduz a expressão da subjetividade (mundo interno). Diante do sofrimento sucumbimos ou o superamos.

No rosto, no olhar, na postura o sofrimento se revela. As palavras são uma mera confirmação da dor na alma. Sucessivas situações provocaram lhe sentimento de impotência diante da contingência da vida. A mãe e pai tornaram – se portadores de câncer, ela própria recuperando – se, também, desse mal.  No decorrer de um ano, o pai veio a falecer e a mãe sofre uma recaída.

Nela as seqüelas das perdas, o desgaste das doenças e o imperioso dever de ter de cuidar da mãe e proteger o cotidiano dos seus próprios filhos.

Não tem uma rede de apoio familiar ou de amizades que possa aliviá – la do desgaste físico e emocional. Sua atual muleta é literalmente a muleta que carrega para não cair devido às crises de dores da coluna que afetam a sua perna direita. Não compreende tanto sofrimento! Sente-se descrente.

É  difícil aceitar a dor e o sofrimento inerente à vida. Todos almejam a felicidade. No entanto, há quem diga que a dor é extremamente benéfica quando encarada como um todo, pois a vida sem incômodos, paixões e sofrimentos levaria ao estado de imobilidade.  Para o psiquiatra Alexandre Lowen, “podemos aceitar a dor desde que não estejamos presos a ela. Podemos aceitar a perda, se soubermos que não estamos condenados a um luto contínuo. Podemos aceitar a noite porque sabemos que o dia nascerá…” Neste sentido, Naomi Remen, em seu livro As bênçãos de meu avô, refere-se à dor partindo da seguinte premissa: “a dor que não é sofrida transforma-se numa barreira entre nós e a vida. Quando não sofremos a dor, uma parte nossa fica presa ao passado”.

Esses autores trazem a aceitação da dor como uma possibilidade de evolução, de transformação. Portanto, “integrar o sofrimento à vida pode ajudar a se ter mais força para o combate”, já afirmava a filósofa francesa Chantal Thomas. No entanto, para tal, o amor próprio precisa romper esferas da intimidade (culpa, rejeição, vergonha, etc.) que muitas vezes são desconhecidas; vencer as armadilhas da vida com paciência e persistência; sempre recomeçar.

Bibliografia
Lowen Alexander. A Alegria a entrega ao corpo e à vida. Ed. Summus, 1997
Remen. N. Rachel. As Benções do meu avô. Ed Sextante. 2001

Tags: , ,

De olhos vendados

olhos-vendados

 

Aprender a viver com o que dói, deixar-se ir e desprender-se é um trabalho pessoal.

Nasceu com uma inteligência privilegiada. Construiu sua estrada baseando-se na capacidade de racionalizar tudo a sua volta.  Nas explicações lógicas do viver, criou sua defesa pessoal às dores de feridas que permanecem guardadas.

De tempo em tempo, uma profunda angústia tira-lhe o sossego. Por mais que pense, não consegue conectar um real motivo para tal. Na morte da sua mãe, sua primeira grande angústia, soube reconhecer as causas, bem como, na dissolução do casamento. Fatos bem palpáveis. Mas, no seu cotidiano, não consegue perceber que passa os dias, muito mais reagindo que agindo. Suas feridas são constantemente “cutucadas” e passa a ter posturas e respostas agressivas que não lhe são visíveis.

“Cercas de arames farpados” constroem-se.  O contato íntimo com a dor não se faz possível. Quem desafia a sua dor é rispidamente afastado. Nesse círculo vicioso,  perde o contato consigo  e fica vulnerável.

Os momentos da infância, as interações construídas nessa etapa, a posição que a família nos impõe e a forma como a aceitamos, fazem parte da trama que direciona grande parte da nossa história.

Ser forte, ser modelo, não poder expressar a dor, quando o indivíduo está em formação, constantemente, criam uma couraça que transmite ao corpo uma postura rígida e deixa o emocional frágil e vulnerável. Cada pessoa cria a sua própria defesa, que acaba se constituindo em vendas para os olhos da alma e forma, o que podemos denominar, o “emburrecimento emocional”.

 Todo ser humano tem necessidade de amor e segurança. Aquilo que ele vivenciar em suas primeiras interações familiares, seja qual for à realidade (violência, conflito, alegria), na  sua visão infantil, é a única descrição de amor e segurança que terá ao longo da sua vida.

Quando o indivíduo apenas reage às situações que surgem, fica sem escolhas, não é verdadeiro consigo próprio e sua busca pela felicidade limitada. É importante que possamos conhecer e reconhecer o que nos condiciona, o que  nos leva a executar ordens enquanto racionalizamos sobre por que as estamos fazendo.

“Quando mergulhamos fundo nos nossos sentimentos, obtemos informações novas que nos levam a um passo adiante de nos livrarmos de nossos demônios pessoais”. Jordan.

Norma Emiliano

Tags: , , , ,

Get Adobe Flash playerPlugin by wpburn.com wordpress themes