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Cantigas de ninar

 pai-bebe

 

Por um lado, a infância é um outro mundo, do qual nos produzimos uma imagem mítica. Por outro, não há outro mundo. A interação é o terreno em que a criança se desenvolve.” Kuhlmann Jr. (1998)

 

“Carneirinho, carneirão-neirão-neirão,
Olhai pro céu, olhai pro chão, pro chão:
Manda o Rei, Nosso Senhor, Senhor, Senhor
Para todos se ajoelhar.”

 

 Quem não se recorda de um trecho das músicas infantis que os pais cantavam para embalar os sonhos das crianças?

Em minhas recordações, a figura do meu pai se faz presente. Era ele, e não minha mãe, que cuidava carinhosamente de me acalmar para dormir.

A cadeira de palha trançada e a sonoridade de sua voz compõem o traçado da minha meninice.

Essas canções foram e são muito significativas para mim. Associar a figura paterna a esta doce lembrança constrói minha identidade e afasta o determinismo biológico na constituição de sujeitos femininos e masculinos.   Encontrei na figura masculina paterna o cuidado e carinho, na época mais esperado pelo lado feminino. A idéia da falta de paciência dos homens para mim converteu-se em mito.

Os costumes mudaram e, hoje, não existe tanta rigidez nos papéis e funções entre homens e mulheres e ambos, em muitas situações, dividem-se nas tarefas familiares, contribuindo com o desenvolvimento sadio e pleno das crianças.

Enfim, as cantigas de ninar, são gestos de cuidado e afeto, são elementos de integração e socialização (cultura).

Pense nisto!

 

  Kuhlmann M. Jr. – Infância e educação infantil, uma abordagem histórica, Porto Alegre, 1988.

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Blogagem Coletiva – Vida Simples

 

Esta é minha participação , hoje, na Blogagem Coletiva, Vida Simples da amiga Mila Viegas, do Blog Milla’s Ville .

 

SABOR DO AFETO

 
Quando eu era menina e estava com alguma alteração no meu estado de saúde, minha mãe ia para a cozinha.  Logo depois, de onde eu estivese sentia o aroma do fuba invadir o espaço. Passado alguns minutos, lá vinha ela com um pratinho me oferecendo mingau.

 

                   mingau                                                         

 

Este gesto, o cheiro e o gosto do mingau constituiram em minha mente um ato de AMOR da minha querida mãe.

 

1contos-que-aquecem-o-coracao

 

Simples e divino!  Todas as vezes que me  percebo carente, mesmo após dezenas de anos, vou à cozinha e preparo o mingau de fuba.

Cada colherada tem um significado especial, pois é  tocar a  minha alma com o carinho e dedicação recebidos na infância. Assim sinto- me reconfortada e vitalizada.

O afeto transformado e doado em forma de alimento.

 

Finalizando, deixo a todos que  me visitam,  bem como a todos que participaram desta blogagem o lindo video abaixo como manifestação da minha alegria por estar com vocês.

Norma

 

dracushik — 29 de fevereiro de 2008 — Flower power!

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Blogagem Coletiva- Vida Simples

 

Vida simples no lar

 

Seguindo as  orientações  para participar da   blogagem coletiva Vida Simples, inspirada por  Mila’ s Ville , cujo subtema é Vida Simples no lar, escolhi como foco de olhar a Minha sala, como se dizia “antigamente” sala de refeições. Esta escolha relaciona-se a uma tradição familiar.

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Na minha família de origem, creio de muitas outras pessoas da minha época, a mesa de refeição tinha papel importante nas relações familiares, inclusive com lugares especiais para os responsáveis pela família, denotando uma hierarquia.

No decorrer da minha infância e adolescência, os momentos das refeições, principalmente, aos domingos, tinha um significado de compartilhar os acontecimentos e unir os membros da família. Para mim, principalmente na infância, representava muita alegria, pois tínhamos sempre a presenças de tios e primas,  dando ao dia um clima de festa. Minha avó paterna, que morava conosco, era a mobilizadora destes encontros.

Com a morte da minha avó, as reuniões do almoço de domingo permaneceram, mas só entre nós (pais e filhos).  No transcorrer do tempo, com os casamentos, nascimentos dos filhos/netos, a família tornou a crescer e a tradição se manteve em volta dos meus pais. Hoje, meus pais já são falecidos e tenho meu núcleo familiar e uma filha casada.

Vivemos tempos de grandes mudanças, entre elas o hábito das pessoas realizarem suas refeições quando estão em casa, na maioria das vezes, sentadas em frente à  TV e sem um horário comum a todos os membros.  No entanto, com certo esforço contra o hábito atual, passei as minhas filhas a importância do hábito de fazer refeições em família, pois acreditamos que é uma forma saudável de estreitarmos nossos laços. Portanto, a sala é o CORAÇAO da minha casa, lugar onde os afetos se entrelaçam.

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Neste sentido, li uma reportagem  sobre o benefício desta prática referindo-se a  Pesquisas norte-americanas que apontam que adolescentes, cuja família cultiva o hábito de comer reunida, têm menos problemas com drogas e indisciplina. Portanto, sentar-se à mesa e comer de maneira unida pode mudar as relações dentro de casa. Que tal olharmos a nossa sala  nesta perspectiva??????

Norma Emiliano

 

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Construção do afeto

 family

 

A união bem sucedida exige o sacrifício e a substituição de nossos antigos vínculos com os pais”.  Bert Heelinger 

     

O medo invade o clima familiar. O filho mais velho não consegue dormir sem um dos pais. Divide o quarto com a irmã, mas isto não lhe dá segurança. É visível o sofrimento de todos.

Na perspectiva sistêmica, consideramos o sintoma em um dos membros a forma de expressão da dificuldade da família em evoluir, para atingir novos estágios do ciclo familiar.

A construção do cotidiano do casal e da família está inserida numa cadeia histórica, que envolve muitos personagens incluindo três ou mais gerações.

No contar das histórias, alinhavamos os fatos e encontramos pontos comuns do medo que veio permeando as diversas gerações de ambas as famílias de origem. De um lado, um avô austero e dominador, a quem todos temiam. Do outro, uma avó louca, que a todos atormentava em suas crises.  “As relações com o passado exercem poderosa e duradoura influências  em nossas vidas.” Michael P. Nichols

Hoje, a instabilidade do casal vem à tona através do medo do filho. Durante os primeiros anos eles compartilharam do mesmo do teto dos pais dele (cônjuge masculino). Estes, pais, mantinham uma relação de fachada e acabam separando- se. Em meio a tudo isto, a família (nuclear) passou a se constituir de três membros e aguardava o nascimento do segundo filho.

Foi difícil para todos recomeçar. O filho mais velho muito apegado aos avós sentiu- se abandonado. Por outro lado, com o nascimento da menina, a avó materna precisou se aproximar para ajudar.  Com a ajuda, vieram as interferências sem os devidos limites, e o casal começa a se desestabilizar.

Após alguns anos, de acirrado conflito entre genro e sogra, ela sofre um ataque cardíaco e morre. Neste momento, começam a surgir as discussões entre o casal, as insônias e queixas de medo do filho.

A dificuldade do casal de assumir o novo “status”, de ser menos dependente dos pais diluiu a energia amorosa da família nuclear. Diante da dependência dos pais, o casal não estabeleceu suas fronteiras, e a emoção familiar foi impregnada pelas mágoas, inseguranças e desamor.  Quando se casam, os cônjuges precisam mudar a natureza de seus relacionamentos com os pais e demais parentes como, também, os critérios de lealdade.

A construção de um ambiente saudável e afetivo exige a coragem de encarar o medo de perder os vínculos, o sentimento de culpa, de aceitar o que acontece, e cada um tomar para si a co- responsabilidade das questões. Quando elaboramos nossos medos descobrimos forças internas que nos fortalecem para superação dos obstáculos que a vida nos impõe.

Norma Emiliano

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Minhas Palavras

 palavras

Google Imagem

Aquilo que guia e arrasta o mundo não são as máquinas, mas as idéias”. Vitor Hugo

Um fato é eu sair de mim para você; outro é eu chegar até você com minhas palavras. As palavras! As palavras, os ventos levam e trazem. Elas fluem pelo universo. Representam o meu desejo de expressão.

A voz interior expressa- se através das palavras faladas ou escritas que irão pousar de acordo com as diversas identificações pessoais. Identificações que passam pelas recordações, dores, alegrias e questionamentos. Não importam quais sejam. Posso trazer lembranças, informações, conforto, afeto e questionamentos. Respostas? Não. As respostas estão onde você se encontra.

Pessoas, cotidiano, eventos, relações despertam-me as palavras. No intuito das mensagens, as letras vão se juntando, formando palavras, frases, na direção do conteúdo. Exteriorizar o pensamento, as idéias, os sentimentos faz parte deste momento. A mente povoada de imagens  que vão se  configurando e  entrelaçando. Vidas  que são contadas, homenagens que são realizadas, informações que são repassadas. No entorno o meu afeto. No vai e vem dos pensamentos e palavras, converso comigo e vou até você com minha mensagem. Não ouço o que me diz, sua conversa é silenciosa. Entretanto, as palavras chegam a você e se transformam a partir de você. Assim, a comunicação se faz presente  e a experiência é valiosa.

A primavera finda. Está quente! O tempo faz com que me recorde de momentos passados e pessoas queridas. Viajo! Assim é a nossa memória. Tudo permanece dentro de nós. Imbuída dos sentimentos dessa viagem, surgem-me algumas palavras: amor, união, intimidade, intensidade. Ligadas a elas, duas cenas surgem e remetem-me aos sentimentos. Uma traz a alegria e a outra, a tristeza. Assim é a vida. Mas, nos pensamentos posso optar e escolho as cenas de alegria. E com elas, neste nosso encontro, quero irradiar energias positivas para você. É meu desejo que o espírito de amor e fraternidade, presentes aqui e agora, retidos nos meus pensamentos, impregnem o seu cotidiano e que ao lê-las, você possa carregar em seus pensamentos emoções positivas, de esperança e de fé num mundo onde o império seja do Amor.

Norma Emiliano

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Do sonho à realidade

“O inconsciente, fonte de conhecimento e de energia, cria o sonho. O sonho e o inconsciente transformam a consciência e renovam a vida” Regis S. M. Oliveira

Não sabia se havia sido um sonho ou pesadelo, pois a sensação, ao acordar, foi incômoda.

A presença do pai parecia-lhe de conforto e segurança. Contudo, no desenrolar das imagens não chegavam a nenhum lugar. Estavam perdidos. De repente, viu -se só. Não sabia como chegara àquele lugar e como seu pai desaparecera. Não havia nenhuma referência para que lado se dirigir, ou mesmo para onde ir, não tinha o local de chegada. Não sabia o que fazia ali. Ficou confusa e assustada. Por estar com ele, não se deteve no caminho. Não tinha ninguém e nem como se contactar. Não havia pessoas, telefones ou mesmo endereços. Estranha sensação. O chão sumiu sob seus pés.

Acordou, graças! Acordou! Localizou -se. Realmente estava só. Sentia-se mal. Não havia, ali ou acolá, alguém que se preocupasse com ela. Tudo lhe doía. Estava febril.

Ah! os tempos de meninice, da filhinha querida, já se foram há muito. Aqueles, que se detinham com atenção e, por vezes, de forma exagerada, também já se foram. A presença, em sonho, do seu querido pai trazia-lhe a sensação de ser amada, reconhecida e segura. Mas, por outro lado, veio a solidão, o susto de estar perdida, sem o seu chão.

Pensando nestas imagens e confrontando-as, percebeu que se sentia solitária em suas dores e sem afeto. Mas, reflete! O amor daqueles que se foram permanece e vai estar sempre presente dentro do seu ser.

Pensando, também, nos referenciais nos quais tinha se baseado para direcionar a sua vida, percebe que houvera perdido um pouco o rumo. A preocupação em dar conta do lado provedor afastou-a do seu valor maior, a afetividade. Sufocada pelo peso dos compromissos, aprisionada num papel, descaracterizou-se, e em contrapartida houve afastamento emocional familiar. Nesta corrida, deixara que o seu rumo profissional se confundisse e se dispersasse.

Deste mergulho, trouxe à tona o seu sentido. Retoma o rumo em direção à sensibilidade, ao empenho, à afetividade, que são os guias que lhe confirmam valor.

Norma Emiliano

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