Poetando com

Mia Couto

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Sementeira

O poeta
faz agricultura às avessas:
numa única semente
planta a terra inteira.

Com lâmina de enxada
a palavra fere o tempo:
decepa o cordão umbilical
do que pode ser um chão nascente.

No final da lavoura
o poeta não tem conta para fechar:
ele só possui
o que não se pode colher.

Afinal,
não era a palavra que lhe faltava.

Era a vida que ele, nele, desconhecia.

Mia Couto (Poemas escolhidos) Seleção do autor, Companhia das letras, 2016

 

Comments

  • chica
    Responder

    Belíssima escolha e inspiração! ADOREI! BEIJOS, LINDO FDS! CHICA

  • taislc
    Responder

    Mia Couto é ótimo, foste muito feliz em trazê-lo aqui!
    Um ótimo domingo!
    beijo!

  • toninhobira
    Responder

    Mia fantástico numa bela escolha de sua arte.
    Obrigado Norma pela partilha.
    Beijo de feliz semana amiga.

  • Graça Pires
    Responder

    É muito bom ler aqui Mia Couto. Obrigada pela partilha.
    Uma boa semana.
    Um beijo.

Sua visita e comentários são muito significativos. Volte sempre.

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