Dançar

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Dançar é ser quem realmente somos e viver de acordo com os desejos da nossa alma”.

Oriah Moutain Dreamer.

Se não estivéssemos tão empenhado

Em manter nossa vida em movimento,

E pelo menos uma vez

Pudéssemos não fazer nada,

Talvez um enorme silencio

Pudesse interromper a tristeza

De nunca entender a nós mesmos

E de nos ameaçarmos com a morte.”

Pablo Neruda

A dança para mim sempre teve o seu lugar. Na infância, estar nas cirandas e nas festas folclóricas era uma alegria. Posteriormente, quando estava em família, nas festas, a dança se fazia presente e todas as gerações a compartilhavam. Na puberdade e adolescência, ocorria os diversos bailinhos de finais de semana. Enfim,  dançar sempre foi sinonimo de congregar e partilhar.

Na vida adulta, retornei à dança de salão e, atualmente, estou praticando a dança circular. Contudo, ao me inserir no contexto de Terapia de Família (1992), sua prática se amplia, principalmente, quando entrei em contacto com o livro Dançando com a família de Whitaker & Bumberry (1990).

A terapia de família é um jogo interativo, no qual o “terapeuta precisa estabelecer os parâmetros do seu envolvimento e clarear sua condições para o relacionamento,” W & B . É um aprendizado de como dançar (terapeuta e família), ou seja, cria-se um ambiente interacional, a ponto de “libertar as pessoas no sentido de que possam assumir suas vidas, de realmente experenciar a vida, não apenas pensar sobre ela.” Desenvolve-se a capacidade de realmente estar uns com os outros, de olhar a vida e responder de uma forma cuidadosa e pessoal. (…) A família toca o terapeuta e o carrega dentro de si (…) uma experiência humana tocante. (p.15, 158).

Na leitura do livro A Dança, de Oriah Moutain Dreamer,  há um convite  e um ressignificado para  dançar, ou seja: autenticidade:   “ser quem realmente somos e viver de acordo com os desejos da nossa alma”.  Esta autora parte do princípio que se acreditarmos que somos por natureza profundamente defeituoso- egoístas, críticos intolerantes, entre outros,  o esforço que fazemos para viver plenamente se transforma no esforço de controlar, punir, etc e com isto para nos tornarmos a pessoa que queremos só através da pressão ou pelo sofrimento. Para ela, diante deste método não se aprende realmente a amar plenamente ou livremente receber o amor, vivemos apenas para sobreviver. (p. 93)

No poema Ela sentiu amor, de Hafiz, séc XIV, há a exemplificação “de uma forma de aprendizado que se baseia na ideia de que crescer significa revelar a beleza inata que encerramos dentro de nós.”

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Ela sentiu o amor

*

“Como foi que

A rosa

Um dia abriu o coração

*

E deu ao mundo

Toda sua

Beleza?

 *

Ela sentiu

o estímulo da luz

Contra o seu

Ser

 *

Caso contrário,

Todos  permanecemos

Por demais

*

Assustados.”

Buscar estímulo de luz, interno e externo,  na vida e se permitir abrir para tudo, cada vez mais, para o melhor de si mesmo.”Dançar é se mover com graça;” é estar disposto a viver plenamente, considerando-se digno pela sua própria natureza.”p. 99

Na dança circular experenciamos o estar presente, a entrega, a gratidão, a integração, a diversidade. Estar em círculo, conforme Cristiana Seixas (coordenadora do programa), são muitas as dimensões alcançadas:” uma roda de cura, de resgate de valores essenciais, sensíveis, de acolhimento do erro, da diversidade cultural, da igualdade entre os membros do grupo, da integração, do alimento para os múltiplos corpos, de conexão, de meditação, de reciclagem de energia vital, da alegria de viver o momento presente de mãos dadas no círculo da vida. “

Meu convite fica aqui. Encontre sua própria dança. Vamos dançar?

Norma Emiliano

Grata por sua visita

 

 

 

 

 

 

 

Comments

  • roseliabezerra
    Responder

    Bom dia, querida amiga Norma!
    Estou emocionadíssima, querida!
    Por algumas coisas que li aqui… até as lágrimas de comoção cheguei.
    Primeiramente, o cartaz final é uma verdade incontestável… tenho um verdadeiro ‘pavor’ de quem vem com autoritarismo pretendendo ‘ensinar’ algo que revela, por maneira dura de contestar, o que não tem em si, com a tal falta de Amor a que se refere você, com sabedoria…
    Gosto muito de aprender, mas com Amor sempre… A vida já é por demais cruel com alguns para termos que lidar com grosserias seja de que tipo for.
    Sua postagem está toda delicada e me remete à ternura do dançar do qual gosto muito e inebria todo meu ser.. Sempe gostei de dançar (na vida, não necessariamente num baile que não o fiz quase nem quando jovem)… O corpo se solta, libera nosso eu real e nos faz vivermos em leveza de alma que muito nos convém.
    Aceito seu convite agradável e me lembrei, inclusive, de uma dinâmica que fiz no Eneagrama onde todos fomos convidados a formar uma grande roda e a bailarmos, de mãos dadas ,ao som de uma bela melodia para que uns contagiassem os outros com Amor… foi lindo demais! Entreguei-me de corpo e alma e fui muito feliz naqule momento… ainda faz, hoje em dia, eco em mim…
    Você nos lança propostas interessantíssimas que são frutos de sua capacidade na área que tanto amo…
    Como é bom passar por aqui, fico agraciada e saio plena de paz… Convicta que a vida merece calma, paz e serenidade como saborear, sem pressa, tudo que é bom e belo aos olhos e ao coração.
    Saio reforçada no minha meta de vida atual, amiga. Obrigada por nos ensinar coisas sublimes e vitais, com delicadeza de alma.
    Deus a abençoe muito!
    Bjm fraterno e carinhoso de paz e bem

  • Ailime
    Responder

    Bom dia Norma,
    Um excelente artigo!
    A dança para mim sempre foi muito difícil, não tenho o menor jeito, mas pelo contrário admiro e adoro ver toda a arte relacionada com a dança.
    Isto pode significar algumas das minhas limitações. Talvez o amor não estivesse presente na minha vida na primeira infância e adolescência.
    As terapias só podem ajudar. Adorei os poemas que ajudam a entender este belo tema.
    Um beijinho e bom fim de semana.
    Ailime

  • Majo Dutra
    Responder

    Não fui criada com dança, além das cirandas infantis, só a tive o ”reveillon”, carnaval e pouco mais, acompanhada pelos pais num clube…
    É muito interessante comparar e pensar: e se a minha vida tivesse sido assim?
    Aprendi… Também gostava de praticar uma dança circular…
    É pena estarmos tão longe…
    Ótimo domingo, Norma.
    Abraço
    ~~~

  • chica
    Responder

    Mesmo atrasadinha, cheguei ,li, adorei teu texto.. Não sou ,nem nunca fui de danças, mas sei que faz bem.E essa circular só se ouve belas palavras sobre… bjs praianos,chica

  • Maria Luiza Saes de Rezende
    Responder

    Nietzeche disse que ” Aqueles que foram vistos dançando, foram julgados insanos por aqueles que não podiam ouvir música” Ora eu sempre ouvi música e sempre dancei sozinha na sala, com tanto vigor ao som de Carmem, que valia como uma terapia e era tão bom sair de mim e alcançar novos voos! Agora já não danço, mas amo a bela arte. Amei o texto! Beijos!

  • toninhobira
    Responder

    Bom dia querida amiga.
    Um texto lindo Norma com suas belas referências.
    A dança e o homem em suas manifestações que expressam este desejo de se mostrar de integrar seja nao sociedade ou na família.Belo poema desta iluminação a que nos expomos e moldamos pela vida. A imagem expressa um pensamento bem mais profundo sobre a importância e responsabilidade da família na educação das crianças, que será reflexo por toda sua vida. Esta imagem me leva ao pensamento de Mandela sobre a tolerância e o preconceito. Um texto vasto Norma com sua experiencia profissional sempre nos oferecendo uma reflexão.
    Lembrei dos bailinhos na década 60 e 70 em minha casa eram certeiros aos sábados e eu mesmo participando nunca fui um bom dançarino, mas creio que na vida tenho aprendido a dançar com cada música, que se apresenta e assim vamos pelo menos batendo os pés numa sintonia com esta.
    Uma semana maravilhosa para você.
    Beijo amiga.

  • Graça Pires
    Responder

    Um excelente texto! Dançar faz bem à alma e nem é preciso ser bailarino para o fazer…
    Uma boa semana.
    Um beijo.

Sua visita e comentários são muito significativos. Volte sempre.

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