Construção do afeto

 family

 

A união bem sucedida exige o sacrifício e a substituição de nossos antigos vínculos com os pais”.  Bert Heelinger 

     

O medo invade o clima familiar. O filho mais velho não consegue dormir sem um dos pais. Divide o quarto com a irmã, mas isto não lhe dá segurança. É visível o sofrimento de todos.

Na perspectiva sistêmica, consideramos o sintoma em um dos membros a forma de expressão da dificuldade da família em evoluir, para atingir novos estágios do ciclo familiar.

A construção do cotidiano do casal e da família está inserida numa cadeia histórica, que envolve muitos personagens incluindo três ou mais gerações.

No contar das histórias, alinhavamos os fatos e encontramos pontos comuns do medo que veio permeando as diversas gerações de ambas as famílias de origem. De um lado, um avô austero e dominador, a quem todos temiam. Do outro, uma avó louca, que a todos atormentava em suas crises.  “As relações com o passado exercem poderosa e duradoura influências  em nossas vidas.” Michael P. Nichols

Hoje, a instabilidade do casal vem à tona através do medo do filho. Durante os primeiros anos eles compartilharam do mesmo do teto dos pais dele (cônjuge masculino). Estes, pais, mantinham uma relação de fachada e acabam separando- se. Em meio a tudo isto, a família (nuclear) passou a se constituir de três membros e aguardava o nascimento do segundo filho.

Foi difícil para todos recomeçar. O filho mais velho muito apegado aos avós sentiu- se abandonado. Por outro lado, com o nascimento da menina, a avó materna precisou se aproximar para ajudar.  Com a ajuda, vieram as interferências sem os devidos limites, e o casal começa a se desestabilizar.

Após alguns anos, de acirrado conflito entre genro e sogra, ela sofre um ataque cardíaco e morre. Neste momento, começam a surgir as discussões entre o casal, as insônias e queixas de medo do filho.

A dificuldade do casal de assumir o novo “status”, de ser menos dependente dos pais diluiu a energia amorosa da família nuclear. Diante da dependência dos pais, o casal não estabeleceu suas fronteiras, e a emoção familiar foi impregnada pelas mágoas, inseguranças e desamor.  Quando se casam, os cônjuges precisam mudar a natureza de seus relacionamentos com os pais e demais parentes como, também, os critérios de lealdade.

A construção de um ambiente saudável e afetivo exige a coragem de encarar o medo de perder os vínculos, o sentimento de culpa, de aceitar o que acontece, e cada um tomar para si a co- responsabilidade das questões. Quando elaboramos nossos medos descobrimos forças internas que nos fortalecem para superação dos obstáculos que a vida nos impõe.

Norma Emiliano

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