Como estamos na quarentena?

Imagem de Niterói

Vivenciamos o que pensávamos ser impossível: o mundo parar. Em 1977, Raul Seixas lançou a música O dia em que a terra parou ” Essa noite eu tive um sonho de sonhador. Maluco que sou, acordei .

” Foi assim
No dia em que todas as pessoas
Do planeta inteiro
Resolveram que ninguém ia sair de casa
Como que se fosse combinado em todo o planeta
Naquele dia, ninguém saiu de casa, ninguém.”

Desta realidade não podemos acordar. Desde 14 março estou em isolamento social. E você desde quando? Está só ou acompanhado? Fiz este post com objetivo de trocarmos sobre este momento tão peculiar, que assusta e nos isola. Como ponto de partida trago minha experiência e , se considerar possível, fale de si. Se gostarem, vez por outra, podemos retomar e falarmos do que for mais específico para cada um.

Resido sozinha e comecei a me organizar para dar conta de toda rotina do lar, pois liberei a empregada, e cuidar da minha saúde física e mental.

Assim mantive via internet os exercícios com a profissional que há anos me orienta e mantive a participação dos grupos que se transformaram em virtual, um profissional e outro de leitura. Enfim, o meu olhar atento a beleza, apesar do horror que estamos presenciando, fortaleço com fotos da varanda, leituras interessantes, filmes e músicas que aprecio ouvir. Aderi a dança através de vídeo, danças sagradas, para relaxamento. Há momentos de altos e baixos. A poética se inseriu na minha vida e é uma das boas estratégias para tocar a minha alma e espalhar ao vento, ajudando a quem se identificar.

Reorganizar a rotina, inserir horas de lazer, banho de sol e descanso são pontos essenciais. O que considero estafante é higienizar tudo que me chega por entregas à domicílio. Realizar as tarefas domésticas (limpar, lavar, passar e cozinhar me cansam, não as realizava, apenas as administrava. Contudo, com o passar dos dias vou me condicionando. Além disto, estou em fase de edição do meu novo livro.

Não ouço com frequência os noticiários, mas busco me atualizar. As perdas de tantos seres humanos pela covid-19 me compadecem. A mídia traz uma forte carga emocional e tento me preservar. Não há como não temer este inimigo invisível e traiçoeiro. O convívio familiar interrompido causa saudades e às vezes um pouco de tristeza, que tento suprir pelo contato eletrônico.

Interagir nas redes também é sempre parazeroso. Se fico cansada? Há dias que sim, há o estranhamento e estou me adaptando. A esperança de que em algum momento sairemos desta condição, mesmo sem saber como será, me anima.

Em sincronicidade a palavra da brincadeira da amiga Rejane (chica) foi superação e acrescento aqui a minha frase com 7 palavras: Superação é o dizer sim à VIDA.

Vou terminar com um fragmento de um livro que a Marli Soares Borges compartilhou em uma mensagem no face: “Só havia lugar no coração de todos para uma esperança muito velha e muito taciturna, a mesma que impede os homens de se entregarem à morte e que não é mais que simples obstinação de viver.” In “A Peste” de Albert Camus.

E fica aqui meu convite às trocas. Aberta às sugestões

Grata por sua visita.

Imagens NET

Norma Emiliano

Comments

  • chica
    Responder

    Bom te ler e saber como estás enfrentando esse período. Aqui confesso, nem todas as horas do dia são legais.Tenho tido picos…Em geral, cedinho pela manhã sinto tristeza…Depois entro no “tranco” e digo… Tenho tudo aqui a me esperar, pois Kiko está literalmente enclausurados nem à porta chega,rs… Neno está em casa, mas envolvido em seus estudos…Manhã aulas e tarde ,tarefas… Assim, me envolvo com tudo e ouço as atualizações das notícias(aliás, me escabelo!!!) e tento ficar o melhor possível. Sigo com blogs, interações o que muito bem nos faz! E assim seguimos, pelo jeito, será longa a quarentena! bjs, chica

  • chica
    Responder

    AH! Aqui desde dia 16 de março EM CASA e só assim! E pretendo desobedecer ordens do louco por muito tempo!!! bjs

  • Norma Emiliano
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    Bom dia Chica O despertar,as manhãs traz, como relata, a tristeza e acrescento a angústia e somos salvos pelo transcorrer das tarefas que vamos nos envolvendo.Momento difícil que pensamos em nós e em todos que estão sofrendo, Ninguém pode sair ileso das aflições deste mal que nos persegue e nos encurrala. Escrever é uma válvula de escape, interagir nos blogs nos alimenta de humanidade. Desejei fazer este relato para estimular os desabafos entre nós. Vamos nos cuidando e agradecendo a saúde de cada dia.

  • chica
    Responder

    Obrigadão,Norma e realmente isso, essa interação é ótima! Ajuda! bjs

  • roseliadosreisbezerra
    Responder

    Boa tarde de paz na semana pascal, querida amiga Norma!
    Acabei de mapear meus dias, rs… Literalmente escrevi.
    É uma maratona do início ao fim e se perseverarmos , vamos organizar ainda mais prioridades em nosso viver.
    Ruas desertas aos poucos, pois do alto, vejo uns gatos pingados até sem máscara.
    Vamos em frente, com uma gama de opções sadias para nós envolvermos.
    Um ótimo post pois olhando para o outro vamos alargando horizontes no confinamento solidário.
    Tenha dias abençoados!
    Bjm carinhoso e pascal

  • roseliadosreisbezerra
    Responder

    Boa tarde, querida!
    Voltei para ler sua frase…
    Estamos em total sintonia: não matemos a vida que pulsa firme em nós!
    Muito boa frase e eu também digo SIM a Vida.
    Bjm fraterno

  • chica
    Responder

    Acabei de levar teu link .Obrigadão! Linda frase! bjs

  • Anete
    Responder

    A sua frase ficou muito boa, Norma. Dizer sim à vida precisamos, lutar com fé e firmeza!
    Gostei também do seu texto, de saber como tem passado estes duros dias. Aqui, estou a dois, eu e marido, já tenho falado nos blogs. A cada dia vivemos a nova rotina: leitura, atividade física, filmes, momentos na varanda c banho de sol, cliques e interações online/família e igreja. Também contatos com os blogs e cuidados com a casa (incluindo bolos e outros mimos culinários).
    Realmente, há momentos de agonias e ansiedades, mas, devemos cativar o coração e mente em paz e com viva esperança.
    O meu carinho e abraço…

  • Anete
    Responder

    ❤️ Desde o dia 12/Março que estamos vivendo a nova rotina…

  • Celina
    Responder

    Boa tarde, Norma!
    O isolamento em solidão é um desafio, mas você está vencendo.
    Aqui em casa estamos em três, pois moramos com um neto. Ele está aproveitando para estudar para um novo concurso.
    Adotamos a rotina de máscara e troca de roupas se alguém sai. Eu sou a que fico mais em casa.
    Estamos fazendo reflexões, vendo filmes tranquilos e cuidando da rotina doméstica.
    Seu texto está maravilhoso e vamos todos nós continuar superando os problemas e abraçando a vida.
    Celina

  • Diná
    Responder

    Boa noite, Norma!

    Estou confinada desde 16 de março, eu também resido sozinha , sempre pela manhã saio para tomar meu banho de sol, como o espaço é amplo e saio bem cedo, não encontro uma viva alma, nem preciso usar máscara,realizo meus afazeres, leio, escuto minhas músicas e tenho derramado uns taquinhos de versos pela blogosfera
    Café da manha eu que preparo, almoço vem da vizinha em quentinha ,e nas demais horas um papinho aqui e ali com os amigos do Zap.

    Sabe Nprma não me sinto uma prisioneira nessa quarentena, escuto as pessoas reclamando do confinamento,, quantas vezes desejamos uns dias de descanso pra curtir a casa , a família e não era possível, pois agora chegou a vez.

    A noite é a hora das orações , pedir pelos amigos e por todos os cristão desse mundo.

    Gostei do seu relato..

    Votos de bom fim semana com os devidos cuidados.

    Bjsss

  • toninhobira
    Responder

    Interessante Norma esta troca de comportamentos neste isolamento jamais imaginado, ainda que Raul tenha gritado aos nossos ouvidos.
    Viver em isolamento não é coisa para humanos, somos todos amor,
    abraços, beijos e movimentos livres. Ver a rua deserta, saber das mortes, cria um medo ainda não pânico, pois as pessoas ainda desacreditam da fúria do inimigo e ainda há quem a desdenhe. Precisamos sim ter um certo humor, buscar relaxamento, exercícios tudo que nos faça sair do clima por instantes.Ouço musicas o dia todo, assim como faço palavras cruzadas, conserto eletrodomésticos e eletrônicos e assim faço o dia passar mais rápido. Tenho visto filmes seja em dvd como em redes.Mas para manter sobrevivência dos familiares, preciso sair sistematicamente, com os cuidados e orientações e assim uma olhada para o mar e sentir a brisa, tem sido um alivio. E assim vamos reinventando a cada dia uma maneira de não pirar amiga e creio que assim vamos vencer.
    Meu abraço de paz.
    Beijo

  • Ailime
    Responder

    Bom dia Norma,
    Que nos diria a nós que iríamos estar sujeitos a este confinamento.
    Só não deve ser fácil, mas a Norma é uma pessoa tão especial que decerto te suas defesas para a ajudar.
    Em Portugal estamos em estado de emergência, para já até 2 de Maio, foi mais uma vez prolongado.
    Estou em casa com o meu marido desde 13 de Março. Ocupo o tempo entre afazeres domésticos, já habituais, com leitura, passatempos – cruzadusmo, croché, exercício físico e de relaxamento, TV , programas divertidos ou de vida animal… Por vezes um e outro saímos à farmácia, hipermercado, mas sempre com as devidas precauções. Muitas lavagens de mãos e/ou desinfecção. Ah volta e meia faço uma caminhada mais curta. É assim os dias vão passando.
    Gostei imenso da sua frase. Temos mesmo que lutar pela vida.
    Beijinhos e cuidemo-nos.
    Ailime

  • Ailime
    Responder

    E esqueci, vou interagindo com os amigos da net, que me têm feito muita companhia. Obrigada a todos. Bjs Ailime

  • maria claudete ferreira herculano batista
    Responder

    Tudo se resume em viver ! Sua frase foi perfeita , porque o tempo todo estamos diante da necessidade de superação! Beijos

  • sonia tolfo
    Responder

    assim como tu, estou procurando me adaptar à nova realidade,todos nós temos buscado a superação de uma forma ou de outra.
    Abraço!
    Sonia

  • taislc
    Responder

    Oi, Norma, pois é, assim vive o mundo inteiro, debaixo das inseguranças, do medo, as pessoas que abraçávamos na rua e batíamos um papinho, não há mais, todos estão com medo desse contágio que não sabemos o tamanho, se é tanto ou menos, Só sei que certas coisas do nosso comportamento brasileiro-afetivo, irá mudar, ficaremos mais retraídos, sim.
    Tenho ficado em casa, faço as compras para 1 mês, lemos, escrevemos, televisão, rádio, arrumações. Sem estresse, tranquilo, falo com meus filhos pelo whats, também estão meio recolhidos, ninguém quer se arriscar, mas têm alguns me malucos.
    Mas acredito que vá a quarentena mais 1 mês. Afrouxando aos poucos. Um pouco mais de equilíbrio ajudará muito, afinal, estamos vivos!!!
    Beijo!

  • RUDYNALVA CORREIA SOARES
    Responder

    Norma!
    Sua crônia traduz muito do que temos passado, mesmo sem nossa vontade própria, mas para nossa sobrevivência.
    Temos de ter esperança que tudo irá passar, mas não seremos os mesmos, assim espero.
    cheirnhos
    Rudy

Sua visita e comentários são muito significativos. Volte sempre.

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