Você pergunta – 20

Eu respondo

Este post faz parte de um projeto, assim sendo dirijo-me a pessoa responsável pela pergunta, mas de forma a trazer reflexão para outras pessoas que se interessarem em ler.

Tenho um sobrinho que é filho de pais separados, minha irma continuou a morar com meus pais, e ele foi criado com a nossa familia.. seus avós, eu como tia e a mãe dele…ha 12 anos pai faleceu.. ficando minha irma, minha mãe e eu cuidando dele… tenho um marido exemplar que esta em nossas vidas desde que minha irmã estava gravida, cuidei para que fosse um exemplo a ser seguido. Hoje,  meu sobrinho tem 22 anos, e nossa maior preocupacão vem sendo que ele perdeu os valores… tipo tem uma namorada mas fica com outras tantas, é extremamente possessivo, chega ate o ponto de querer que a namorada não obedeça os pais e acredita que ela não tem que ser obediente a eles, sendo que para nos ele é obediente.. em nossa frente ele parece uma pessoa, mas qdo não esta perto é um comportamento que nos preocupa… ele não tem limites… o que fazer nesse caso?


Pela sua visão  e pelo que relata, seu sobrinho se comporta de formas opostas de acordo com o lugar em que se encontra.Analisando o contexto, criação por três mulheres,  possivelmente numa mesma hierarquia de poder, pode-se levantar algumas hipóteses.

Há um autor, Minuchin, que através de sua teoria sobre a estrutura familiar, assinala, de forma muito própria, o fato de que na família cada um deve ocupar o seu lugar, ou seja, mãe ser mãe, avó ser avó, filho ser filho,  pois cada um destes lugares corresponde  um tipo  de função. No momento em que a avó funciona como mãe, a mãe passa a ser irmã, nivela-se ao filho. Assim sendo,  a questão dos limites e mesmo de valores podem ter sido apreendidos de forma confusa.

As interações familiares formam a identidade e influenciam na visão de mundo. Provavelmente, vocês fizeram e deram o melhor, mas o que será que ficou para ele?  Quais valores seguir,  ser fiel a quem? Mensagens contraditórias podem ter sido passadas.

Em relação a ser possessivo, parece-me que ele não teve outros irmãos ou primos convivendo juntos, o que daria aprendizado no compartilhar.  Será que foi o reizinho da família?

A relação dele com a namorada deve ser construida por eles,  sem que vocês intervenham.

Neste sentido, para ocorrer mudanças, seria necessário um trabalho em família, ou seja , rever  papéis, padrões relacionais, resignificar valores, entre outros.

Norma


Comments

  • Toninho
    Responder

    Um caso complicado Norma, mas penso que estas teorias do Minuchin, relamente tem algo a ver com a referencia, que sempre ouvimos dizer, da figura paterna. E isto nos leva a refletir sobre as novas mdalidades de casais. Como serão estes filhos criados por pessoas de mesma sexualidade.
    Um belo exemplo para uma trabalho Norma.
    Meu abraço.
    Beijo.

  • Lizete
    Responder

    Acho este espaço muito especial, onde pessoas pedem ajuda e voce ouve-as e as orienta. Parabéns, Norma pelo lindo trabalho!
    Questões familiares são mesmo complicadas e é onde todos nós mais aprendemos. Muitas vezes nossos filhos são mais nossos orientadores e mestres do que o contrário. Fico na torcida para que tudo se resolva bem para essa família, deixando uma dica para que procurem ler mais e se informar para poderem ter uma base melhor de como lidar com o caso.

    Quero sempre estar por aqui, Norma, sabe que aprecio muito seus posts, mas a correria do trabalho às vezes me impede. Agora melhorou um pouco e cá estou. Beijos enormes e com carinho!

  • Élys
    Responder

    Creio , também que devido as circunstâncias houve superproteção…É difícil, mas penso que se deve usar o máximo de diálogo com o rapaz em todas as oportunidades que estiver acessível.
    Beijos,
    Élys.

  • Socorro Melo
    Responder

    Norma,

    É uma situação bem complicada, né? querendo ou não, num caso desses, a família sempre superprotege, na melhor das intenções. Às vezes até sufoca, no intuíto de dar a melhor educação, e não deixa margem para o aprendizado. Com certeza, na cabeça do jovem, a uma série de contradições, que só mesmo o tempo e a vida, irão ensinar. Desejo boa sorte à família.

    Beijos
    Socorro Melo

Sua visita e comentários são muito significativos. Volte sempre.

%d blogueiros gostam disto: