Sexualidade e família

 

 

“… vosso corpo é a harpa de vossa alma e a vós pertence extrair dela doce música ou sons confusos.” Kalil Gibran

A sexualidade consiste numa construção social, histórica  e culturalmente localizada, que transcende a genitalidade. Os tempos mudaram, a liberdade sexual cresce, mas o assunto sobre a sexualidade  ainda é tabu para muitas famílias. Por quê?

Este assunto não é isento de valores e uma grande parte dos pais encontra-se com muitas dúvidas de como agir em relação à sexualidade dos filhos;  alguns vêm de uma geração repressiva e outros sentem-se confusos pelas mudanças.  Os valores eram absolutos; não havia muita dificuldade sobre o certo e o errado, o que devia ser permitido ou negado. As rápidas mudanças nos valores sexuais trazem medo, inseguranças e angustia aos pais.

Freqüentemente, os pais sentem-se desconfortáveis e encabulados com as demandas de seus filhos nesta área, mas a educação sexual faz parte da educação pura e simples e, deste modo, tem a finalidade de permitir ao indivíduo seu pleno desenvolvimento na promoção dos valores. Os pais são modelos dos filhos. Eles ensinam muito mais através de suas ações do que pela linguagem verbal. Assim, o lidar com seus próprios questionamentos em relação à sexualidade, o expressar através de gestos, de afeto e da aceitação mútua, o criar um ambiente de confiança, respeito e abertura formam campo fértil para os pais lidarem com a sexualidade de seus filhos.

 A experiência com a liberdade começa quando os pais encaminham os filhos à auto-responsabilidade, e isto se faz cedo, o que significa a criança aprender a comportar-se por si e a fazer o certo por si.

É comum o questionamento dos pais sobre a prática do sexo entre os adolescentes no espaço familiar. Alguns, na indecisão, passam por cima de seus valores pessoais favorecendo aos filhos. Entretanto, considerar isso faz parte da aprendizagem do respeito a si próprio e do respeito pelo outro, o que perpassa todo comportamento humano e, portanto, também em relação à prática sexual.

Por outro lado, o assunto também exige comunicação entre os pais e os filhos. As conversas precisam acontecer. Os filhos precisam de uma opinião clara dos pais no sentido de guiá-los em seu processo interno para decidirem. É importante os pais expressarem seus limites, valores e as preocupações, pois mesmo que não aprovem as relações sexuais de seus jovens filhos, estarão demonstrando que se preocupam com o seu bem-estar.

Na atualidade, o sexo adolescente é problemático, tendo em vista que seu  corpo está capaz, os apelos sexuais são muitos bem como as facilidades. Entretanto, poucos estão preparados para as conseqüências dos seus atos. Além disto, temos um agravante que são os meios de comunicação, que banalizam situações, passando uma simplificação que não corresponde à complexidade do ser humano. A sexualidade humana não se limita à reprodução da espécie e a diversidade de formas na expressão da sexualidade leva ao questionamento de modelos fixos do que é ser masculino e do que é ser feminino, dando espaço para o reconhecimento de masculinidades e de feminilidades.

Hoje, há um grande incentivo à educação sexual nas escolas, seja pública ou privada, tendo em vista a Aids. Todavia, os pais têm papéis preponderantes com suas atitudes. Só as informações sobre os aspectos da anatomia e fisiológica da sexualidade e reprodução não é o suficiente, É necessário também conversas sobre os mecanismos emocionais que envolvem a pratica sexual.  Portanto, para se devolver nos filhos uma atitude positiva sobre o sexo, esse deve ser tratado na família de forma digna e sem preconceitos. Enfim, de forma sadia.

Norma Emiliano

Comments

  • Giovanna
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    Norma, essas dúvidas realmente estão em nossas cabeças diante desse assunto. Eu prefiro sempre a verdade e a honestidade. Sempre conversei essas coisas com meus filhos, sem nenhuma vergonha. Meu marido, ao contrário, tem enorme dificuldade quanto a isso. Adorei a abordagem. Bjs

  • Tati
    Responder

    Norma, como sempre, perfeita! É importante que sexo seja visto como natural, eliminar aquele status de sujo e proibido, mas este aspecto da responsabilidade é fundamental. Quando o assunto começar a surgir espero estar preparada. Sinto que há muita informação indireta e truncada que não temos como filtrar (músicas, por exemplo). Esta parte é a mais difícil, não é?
    Beijos.

  • Norma Emiliano
    Responder

    Tati

    A sociedade difundi valores e informações através dos diversos meios de comunicação e por isto a base encontrada no contexto familiar é tão importante, para o jovem poder dialogar, tirar dúvidas e tomar decisões.
    bjs

  • chica
    Responder

    Perfeito teu texto,Norma.Ainda que nas escolas haja a colocação, abordamento desse tema, primeiro deve vir de casa ,para que as noções passadas estejam o mis próximas da realidade possível.

    Vemos de tudo por aí e isso, mostra que falta muito ainda…beijos,lindo dia!chica

  • Toninhobira
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    Bela reflexão com orientação para este tema tão urgente nos lares,principalmente naqueles onde a instrução é falha em todos os sentidos. Os meios de comunicação têm suas falhas ao pensar que são todos iguais e assim a maneira como cada parcela da siciedade assimila é o grande calcanhar de Aquiles para este tema. Muito bom Norma, há que se ter esta interação,familia/escola/governo/sociedade. Mas temo que o assunto não seja levado tão a sério como deveria e assim este numero horrivel de abortos e criança jogadas nas latas de lixo.Meu abraço. Eu sonho com um país à luz de Elsimar Coutinho, como sonhei com Paulo Freire.Mas parece que o sonho é probido.

  • josé cláudio – Cacá
    Responder

    Norma, você é uma jóia preciosas por aqui. Esta reflexão é muito das boas. A minha geração considera a sexualidade algo vergonhoso devido, creio, a excessiva repressão a que foi submetida. Outro dia eu conversava entre irmãos e a discussão era sobre o fato de os genros/noras dormirem em nossas casas com nossos filhos e filhas antes de se casarem. A maioria disse que permite por causa da violência urbana (acham que é mais seguro assim do que deixarem-nos se aventurar na noite) Um de meus irmãos disse que a filha dele poderia ter relações com o namorado mas não em sua casa. Enfim acho que estava todo mundo errado. Os primeiros, arranjando uma bela desculpa para não precisarem discutir abertamente o assunto com os filhos e o segundo, radicalizando uma postura conservadora, sem também deixar margem para a filha discutir. rsrs. Reconheço que é difícil lidar com esse (ainda) tabu, mas pouco a pouco temos que ir rompendo essas amarras traumatizantes e bloqueadoras da felicidade dos futuros homens e mulheres. Adorei a sua abrodagem. Meu abraço. paz e bem.

  • manuel marques
    Responder

    Desculpe a minha ausência,estou voltando aos poucos!

  • Denise
    Responder

    Esta é outra preciosa contribuição tua, Norma.
    Por esta razão fiz esta indicação a você.

    Um grande abraço.

  • Manuela Freitas
    Responder

    OLá Norma,
    Considero este post muito pertinente e é absurdo como ainda é encarado a questão do sexo, como um assunto tabu pelos pais, quando proliferam deformações sobre o mesmo tão acessíveis ao conhecimento dos jovens! Na minha opinião urge cada vez mais falar deste assunto de forma real e natural.
    Beijos,
    Manu

  • Beth Q.
    Responder

    Isso mesmo, de forma sadia antes de tudo para que não cresçam visualizando o sexo e as relações de maneira chula e degradante.
    bjs cariocas

  • Jussara
    Responder

    Norma,
    muito boa sua reflexão e que assunto pertinente! Estou passando o texto para minha filha, mãe de minha neta.
    abs
    Jussara

  • Socorro Melo
    Responder

    Olá, Norma!

    Bem pertinente esta abordagem. E como é difícil, na condição de pais, transmitirmos essa educação. Eu, por exemplo, tenho bastante dificuldade. Procuro alertar, mostrar que existem consequencias advindas, mas, não sei se isto é suficiente. Espero que seja, kkk

    Um abraço
    Socorro Melo

  • Astrid Annabelle
    Responder

    Norma querida!
    Este assunto deveria ser tratado com muita naturalidade. Creio porém que os pais não tenham essa estrutura…então vira uma bola de neve, cada um se esquivando como pode…

    Na realidade li o post atual e quis deixar meu parecer…excelente relato de sua amiga sobre a perda do pai.
    Nos faz pensar…

    Beijão
    Astrid Annabelle

  • C.
    Responder

    E como cobrar dos pais uma naturalidade no assunto, sendo que eles próprios tiveram uma repreensão sexual ? Deve ser muito difícil essa questão, aliás, como todas inerentes à educação!

    Beijos!

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