Comumente, quando as pessoas se tornam pais/mães sentem uma imensa alegria e responsabilidade. Pôr filhos no mundo é uma dádiva que faz com que eternamente tenhamos preocupações. É um amor incondicional que precisa cuidado para não se transformar em prisão deles e de nós mesmos.

Atravessamos várias etapas do ciclo de vida familiar e em cada uma delas são necessárias mudanças na nossa forma de lidar com os nossos filhos.

Quando eles nascem precisam de todos os cuidados para sobreviverem, mas precisam assumir pouco a pouco seus próprios cuidados e responsabilidades.

Se conseguirmos estabelecer o limite entre eu e você, estaremos ajudando-os a construir sua própria identidade e a reconhecer os   limites e ter respeito por si e pelo outro.  Podemos ser solo para crescerem  e ter orgulho quando criam suas asas e voam para formar seu próprio ninho.

Em Saramago encontrei  uma crônica  que descreve muito bem todo este processo e o sentimento que ele nos provoca.

“Devemos criar os filhos para o mundo. Torná-los autônomos, libertos, até  de nossas ordens. A partir de certa idade, só valem conselhos.

Especialistas ensinaram-nos a acreditar que só esta postura torna adulto aquele bebê que um dia levamos na barriga. E a maioria de nós pais acredita e tenta fazer isso. O que não nos impede de sofrer quando fazem escolhas diferentes daquelas que gostaríamos ou quando eles próprios sofrem pelas escolhas que recomendamos.

Então, filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem.

Isto mesmo! Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado.

Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo! Então, de quem são nossos filhos? Eu acredito que são de Deus, mas com respeito aos ateus digamos que são deles próprios, donos de suas vidas, porém, um tempo precisaram ser dependentes dos pais para crescerem, biológica, sociológica, psicológica e emocionalmente.

E o meu sentimento, a minha dedicação, o meu investimento? Não deveriam retornar em sorrisos, orgulho, netos e amparo na velhice? Pensar assim é entender os filhos como nossos e eles, não se esqueçam, são do mundo!

Volto para casa ao fim do plantão, início de férias, mais tempo para os fllhos, olho meus pequenos pimpolhos e penso como seria bom se não fossem apenas empréstimo! Mas é. Eles são do mundo. O problema é que meu coração já é deles.

Santo anjo do Senhor…

É a mais concreta realidade. Só resta a nós, mães e pais, rezar e aproveitar todos os momentos possíveis ao lado das nossas ‘crias’, que mesmo sendo ‘emprestadas’ são a maior parte de nós !!! “

José Saramago

Há um comentário que nega a autoria deste texto, fica assim aqui o registro.

Norma