Em qualquer situação da nossa vida nos preparamos para o encontro do eu e você.  O dar e receber encontra- se na sintonia que é percebida através da expressão facial, corporal, comportamento e palavras.  Contudo, disponibilizarmo- nos para outro só  é possível quando estamos em contato conosco.

Quando fiz minha graduação em Serviço Social,  tinha como foco as pessoas e suas questões. Mas só tomei consciência da minha  função de cuidadora quando fiz a formação em Terapia Familiar Sistêmica e inicei os atendimentos com  indivíduos, casais e familias, apesar de, anteriormente,  nas relações de amizades o meu potencial de disponibilidade  ter sido  neste sentido.

Encontrei na poesia abaixo uma forma de falar desta oferta.

 

Permite-me que eu fique
ao teu lado
neste teu momento de  dúvida e dor.

Que eu fique simplesmente,
sem nada dizer,
sem te tocar.

Ofereço meu ombro
para o teu choro,
minha mão para um afago,
um gesto para teu consolo.

Quando não tiveres
quem te ouça,
te empresto os meus ouvidos.
Fala-me de ti
sem reservas, sem medo.
Não serei juiz
dos teus feitos.

Mesmo que
não concorde com nada
do que dizes,
ainda assim, te acolho.

E quando tudo, tudo
parecer perdido
depositarei o meu afeto
em tuas mãos quebradas.

Glac Moura in Mosaico, 2004

Norma