Avós e Netos

 

 

(…) um belo dia, sem que lhe fosse imposta nenhuma das agonias da gestação ou do parto, o doutor lhe põe nos braços um menino. Completamente grátis – nisso é que está a maravilha. Rachel de Queiroz

 As noções de avó e de avô datam do século XVIII e os laços entre avós e netos surgem nos anos de 1930, em decorrência da necessidade dos primeiros passarem a auxiliar seus filhos na socialização das crianças.

 A  avosidade é um fenômeno singular e pessoal. Há muitas idealizações sobre  ser avó e este processo pode não ser tão natural e não está isento de conflitos e angústias.

 A chegada do neto pode suscitar novas responsabilidades e gerar sentimentos de distanciamento. Por outro lado, pode ser para alguns a renovação do sentimento da paternidade o que pode levar a competição pela educação dos netos. Na realidade, tudo vai depender das circunstâncias.

 A relação entre os entre avós e netos é construída pouco a pouco e o amor não é igualmente distribuído. Vários fatores contribuem para as predileções, por exemplo, proximidade geográfica, temperamento, traços de semelhanças, relação dos filhos com os pais, entre outros. Isso não é assumido, todos os avós afirmam a imparcialidade dos sentimentos com seus netos, mas é fácil a percepção das preferências quando se referem às relações que têm com eles.

 Minha avó paterna teve sete netos, dedicava carinho a todos. Porém, meus pais residiram com ela até a sua morte e eu era sua companheira constante em passeios, viagens e até mesmo em visitas familiares. Nossa escolha foi bilateral, pois com a minha avó materna tive pouca identificação.

 Quando chega a adolescência, muitos avós se ressentem com o distanciamento dos netos envolvidos com suas próprias vidas e custam a entender que as relações mudam de natureza.

 Quando há o sentimento forte de afeição este vínculo de amor permanece entre essas duas gerações.

 Pesquisas revelam a existência de fortes laços entre as diferentes gerações, bem como têm demonstrado a importância mútua do contato dos avós e dos netos pela  troca de afeto e conhecimentos e da abertura para o diálogo entre as gerações.

 “ A afetividade é o sustentáculo da relação e da troca entre a geração mais velha e a geração nova, facilitando o estabelecimento de interações profundas e verdadeiras” S. Cristiane./D.Johannes

Norma Emiliano

 

Comments

  • C.
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    “Quando chega a adolescência, muitos avós se ressentem com o distanciamento dos netos envolvidos com suas próprias vidas e custam a entender que as relações mudam de natureza.”

    creio que isso aconteça com a relação entre pais e filhos também, pelo menos é o que tenho visto. E é mais ou menos a “lei da vida”, nao adianta nem espernear.

    Nao cheguei a ter avós, mas deve ser uma gostosura, tanto ser a avó como o neto.

  • C.
    Responder

    Ah, e tem uma frase bem legal sobre netos que acho bonitinha, “netos sao filhos com acucar”, juntando com essa de Rachel de Queiroz pressupõe-se que ser avó é um pudim de leite com bônus e passe livre pra ser feliz 😉

  • Roselia
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    Olá, querida
    Eu estou a saborear enquanto são pequeninos… depois… só o tempo dirá co mo será…
    Bjs de paz e excelente nova semana.

  • Denise
    Responder

    Ah, Norma, esse assunto me fascina…rs
    Olha, a literatura desafia a realidade, muitas vezes, e dados estatísticos perdem feio para as emoções.
    Claro que o indício de preferências – como vc tão bem enumerou – existe, assim como a negação das mesmas. Eu vivo a realidade da distância geográfica de meu primogênito, pai de meu primeiro neto, então só saberei, na prática, como será a convivência com os filhos de minha caçula, que mora na mesma cidade. No entanto, estou inclinada a negar….rs…desde agora, que vá existir mais amor aos netos que morem próximos, pq se for assim, não sei como aguentar esse sentimento no peito…
    Meu neto é a reprodução (reedição?…rs) de meu filho, a cópia, até no jeitinho de andar. Seus primeiros dias de vida, o primeiro banho, tudo, foi comigo atendendo…essa maravilhosa experiência gerou laços entre nós dois que considero únicos. E são.

    Se cada neto que chegar trouxer o que ele trouxe, e trará, a vida terá o gosto do amor, todos os dias…no final, acho que o importa mesmo é o que vejo acontecer entre meus filhos e meus pais (são os netos mais velhos, já adultos), nunca deixaram o aconchego, o carinho, a presença, o respeito e o adorar estar junto. Na vivência, embora mais incomum, já sabemos que é possível…eu conto com isso, pq já decidi: sou/serei a melhor avó que eles poderiam ter…rsrs

    Nossa, abusei, desculpe…mas o assunto me toma por inteiro…rs
    Bjos Norma!

  • lucia soares
    Responder

    Norma, falar de avós e netos é comigo mesma. Sou uma avó amorosa ao extremo, mas “brava” também. Meus 3 netos moram com os pais em Londrina, no Paraná e perto de mim mora a neta, de 2 anos. Com esta minha vivência é diária, visto que fica por minha conta. Não sei lhe dizer, do fundo do meu coração, se tenho preferências. Não encontro mesmo uma resposta.
    Inverteram-se os papéis e hoje muita avó é que está educando neto, porque as mães e pais saem pra trabalhar e o pouco tempo que ficam com os filhos ainda é dividido, pois, afinal, precisam de descanso, (os pais) e delegam ainda os fins de semana com avós ou com babás “folguistas”. Quem não tem ou não pode, deixa a criança “ao deus-dará” mesmo!
    Beijo e boa semana.

  • Maria Emilia Xavier
    Responder

    Ainda não sou avó, mas sou “Tivó” de seis maravilhas, em véspera de sete, agora em Agosto. É totalmente diferente, eu sei disso, pois ainda trabalho e tenho a mesma vida corrida de meus sobrinhos. Mas tenho dois filhos: uma menina que nasceu do meu coração e um menino que nasceu da minha barriga e gostaria de deixar uma questão que meu Pai – ficou tão atrapalhado depois que falou em um almoço de Domingo, com todos presentes – levantou, ele foi claro e objetivo: ” …eu não sabia como era bom ter neto de filha..”nessa época e até os dois( Mamãe e Papai) irem embora, eles é que ficavam com meus dois filhotes.
    Deixo aí para vocês, Avós avaliarem a opinião do meu Pai, que minha Mãe ria e balançava a cabeça, mas não dizia que não.

  • Valéria
    Responder

    Oi Norma!
    Só sei que ser avó é tudo de bom!
    Vou ganhar meu terceiro neto e sou muito dividida, por enquanto é um casal, tudo diferente o que torna as afeições muito especiais. Como me desmancho em mimos, tudo é vovó…rssss Que delícia!

    Beijão e uma linda semana!

  • Manu
    Responder

    Olá Norma,
    Ainda não tive esse prazer de ser avó e perdi meus avós muito cedo, apenas conheci meu avô materno.
    Pelos meus filhos, vi que ter avós é de facto «bom demais», sempre disponíveis para tudo!
    Estou à espera que chegue a minha vez! rsssss
    Beijos,
    Manu

  • chica
    Responder

    Essa relação é muito linda mesmo.Adoro meus netinhoe eles estão sempre me dando carinho e essa troca é demais. Jbijos,linda semana,chica

  • Toninho
    Responder

    A primeira vez que leio algo sobre a avosidade e bem esclarecido sobre as possiveis transformações que possam acontecer nesta relação.Eu tive uma bela convivencia com minha avó do lado paterno,que me chamava de “Fiotinho” e assim foi até sua morte quand eu ainda era um adolescente.
    Uma boa semana Norma.
    Meu terno abraço de paz e luz.

  • Yasmine Lemos
    Responder

    Nossa..avó,vovó,vozinha.Sopa quentinha,cheiro na cabeça,histórias na hora de dormir.Muita saudade
    bjs

  • ROSANGELA ORTIZ
    Responder

    Ser avó, e ter a certeza que Deus está nos dando nova oportunidade de ser feliz.
    Ouvir o som de uma gargalhada ou a melodia de um choro é privilégio que Deus permite apenas aos avós.
    Não consigo imaginar minha vida, sem o Pedro Henrique e o João Guilherme, e aos próximos que ainda virão,pois enquanto moça, fui esperta e coloquei no mundo, logo cinco filhos , para que mais tarde pudesse colher o resultado de muitas noites sem dormir e muitas horas passadas com a barriga encostada no fogão.
    Que DEUS seja louvado por tudo isso e continue abençoando minha família…

  • Patricia
    Responder

    Esse é um assunto que me entristece… Eu tive a sorte de ter avós maravilhosos! Perdi meus pais antes de me casar e agora tenho um filho que não tem avós.
    Infelizmente, os pais do meu marido não se afeiçoaram ao meu filho, não fazem questão de conviver, nem ligam para saber se ele está bem. E é mais triste ao perceber que para os outros netos, são ótimos avós… carinhosos, presentes, participantes.
    É impossível não pensar nisso com tristeza, pois que teve avós como os meus, sabe o quanto ele está perdendo… nada como um colinho de vó!

  • Juarez Barra de Faria
    Responder

    Este assunto me entristece muito ten ho um Casal de netos, filhos do Meu filho mais velo ela tem 17 anos e o garoto 11 anos, eles nem ligam para min, nem me visitam, só me procuram quando precisando de alguma coisa, ou quando vão fazer aniversário, eles tem telefone em casa, celular e internet(face) não tem coragem de me mandar uma msg ou curir uma msg enviada por mim,o meu filho foi bem criado, meus pais davam carinhoe ficavam felizes quando eu chegava com a minha familia para visita-los, não sei como proceder para reverter esta situação me ajude por favor.

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