Esta é a minha participaçao na Blogagem Coletiva Amor Aos Pedaços sob a coordenação das amigas Luma ROSA; ROSÉLIA; RUTE

No momento do enamoramento o casal é envolvido pela idealização. Não se vê a pessoa como ela é. Encontra-se “o (a) príncipe (cesa) encantado (a)”. O mundo inconsciente une presente e passado.
Ao pensar no tema da primeira fase desta blogagem coletiva – Encantamento- o meu desejo foi não falar especificamente desta fase no relacionamento, mas do desperta desta grande EMOÇÃO com o Primeiro Amor, pois nada se repete, no entanto fica no nosso modo fundamental de ser e pelos pensamentos se transcendem.
“Sempre cara me foi esta colina
Erma, e esta sebe, que de tanta parte
Do último horizonte, o olhar exclui.
Mas sentado a mirar, intermináveis
Espaços além dela, e sobre-humanos
Silêncios, e uma calma profundíssima
Eu crio em pensamentos, onde por pouco
Não treme o coração. E como o vento
Ouço fremir entre essas folhas, eu
O infinito silêncio àquela voz
Vou comparando, e vêm-me a eternidade
E as mortas estações, e esta, presente
E viva, e o seu ruído. Em meio a essa
Imensidão meu pensamento imerge
E é doce o naufragar-me nesse mar”.
Giacomo Leopardi, tradução de Vinicius de Moraes em Para Viver um grande amor.
Assim, num mergulho profundo no tempo O Primeiro Amor com todos os traços do encantar-se com o AMOR.
Reedição (08/09/2006)
No manuseio do álbum encontro fotos de um tempo longínquo e mágico. Lembranças de momentos únicos, momentos inesquecíveis de intensa sensibilidade e emoção. Rosto perdido no tempo, retido por muito nos sonhos. Lembranças inesquecíveis! Recordação do primeiro amor.
No umbral da janela, o encontro rápido e intenso. Um beijo fugaz que incendeia o corpo e ilumina a alma. Seres que despontam para a emoção do amor. Duas almas e dois corpos que anseiam se aproximar.
Vê-lo passar diariamente era ter o dia pleno. Moreno, olhos grandes e negros, sorriso largo. Vibrava ao vê-lo de longe. Passava para lá, passava para cá. Corria atrás da pipa e da bola e eu a espreitá-lo. Seu olhar vez por outra procurava os meus. O coração batia forte e a alegria batia no peito. Tudo era motivo para poder vê – lo, da simples caminhada ao dia das enchentes. Recordo das chuvas torrenciais e das águas que tomavam conta da rua. Da janela eu ficava a espiar e a esperar. Ao cessar as chuvas, a certeza da sua vinda. Meu coração descompassava e a alegria percorria todo o meu corpo. Você estava ali e olhava para minha janela.
De brincadeira em brincadeira (pêra-uva ou maçã, pique – esconde, etc.), de conversas pelos portões da vizinhança, pouco a pouco nos chegamos. Olhos nos olhos, mãos nas mãos, beijos rápidos. À noite, numa fugida do meu pai, com a proteção da amiga, corria ao seu encontro. Vez por outra, aos domingos, o escurinho do cinema. Filme, qual filme não importava. Eu chegava e sentada o aguardava e passávamos as horas de rostinhos colados e beijinhos para lá de gostosos.
Nos bailinhos das festinhas dos amigos, dançávamos ao som dos boleros. Ah! La Barca. O rosto afogueado e mente repleta de sonhos. Tudo e nada eram grandes motivos para um roçar de lábios e olhares embevecidos.
Vida vivida a cada dia envolvida de amor e fantasias. Belo romance permeado de cores e sons da juventude. O tempo passou, os rostos desapareceram, os sonhos se transformaram. Ficaram as fotos e as recordações do meu primeiro amor.
Norma Emiliano
Parabéns às amigas ( Luma, Rute e Rosélia) que tão efusivamente divulgaram esta blogagem e nos possibilitaram retomar o Encantamento da vida através do AMOR e a ampliar a interação na blogosfera.
Tags: amor, Blogagem coletiva, vida