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O amor acaba

só contigo

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(…) às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba.”

Paulo Mendes Campo- Crônicas Líricas Existenciais.

Bom final de semana

Norma

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Efêmero

Encontro inesperado do diverso e a restante vida nanquim e aquarela sobre papel  29-3 -44-5 cm_924Imagem google

Viver é ser outro. Nem sentir é possível se hoje se sente como ontem se sentiu: sentir hoje o mesmo que ontem não é sentir – é lembrar hoje o que se sentiu ontem, ser hoje o cadáver vivo do que ontem foi a vida perdida.

Fernando pessoa

Tenha um ótimo dia de muitas descobertas sobre o viver….

Norma

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Um sopro

Tenho o hábito de selecionar textos, poemas, frases que me tocam.  Quando surge a oportunidade lanço  mão deles para transmitir meus pensamentos e sentimentos.

O texto abaixo condiz  com meus pensamentos sobre vários conceitos, entre eles da beleza e o crescimento pessoal. No entanto, a tragédia no Rio de Janeiro com a queda de três prédios trouxe-me a emergência de focar na efemeridade da vida,  daí o título deste post: UM SOPRO.

Por intervenção, certamente divina,  não perdi nesta tragédia um ente muito amado.

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A vida é um instante, um sopro”.

A beleza invisível

“As viagens sucedem-se e acumulam-se como as gerações;
Entre o neto que foste e o avô que serás, que pai terás sido?”
A única coisa que nós temos de fato é a vida. E com ela podemos fazer tudo, ou nada.
Pais, filhos e netos.
Buscar uma experiência de significação, trilhar a senda do auto-aperfeiçoamento.
A vida é um instante, um sopro.
Quantas gerações já vieram e se foram, quantas ainda virão e igualmente passarão…
Há quem sustente que é o amor das mães que mantém o mundo em seu eixo.
Memórias poéticas e afetivas.
Os pequenos gestos e instantes que se vestem de beleza e ternura o tempo.
O ato de observar é a única chave que abre a porta dos mistérios.
A paisagem de fora, a vemos com os olhos de dentro.
A paisagem é um estado de alma.
Na realidade, o que vemos está em nós.
Não vemos o que vemos, vemos o que somos…
‘Se podes olhar, vê.
Se podes ver, repara.’
Cultivar a quietude do espírito
como potência de transformação.
Ter um olhar capaz de discernir a beleza invisível.
A filosofia oriental nos ensina que
a mais bela imagem não tem forma.
Resgatar a beleza, a poesia e a espiritualidade
capazes de suavizar a nostalgia do Absoluto.

Cativar a via do Silêncio
dentro de nós.
Esta existência terrena é uma
oportunidade de despertarmos
da letargia e do sono.
Esta existência terrena
é a infância da Eternidade.
Uma oportunidade para nos
aproximarmos da Pura Luz
que habita nossa finitude”.

Desconheço a autoria, se souber,  por favor informar.

Norma

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Projeto Tartaruga Urbana

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Em viagem a João Pessoa  participei de uma palestra sobre o Projeto Tartarugas Urbanas  (PTU) através da Associação Guajiru. O objetivo desse projeto é a proteção de áreas de alimentação e reprodução de tartarugas marinhas (animais ameaçados de extinção) em praias urbanizadas de João Pessoa.

A Associação está situada em Cabedelo, no litoral norte, tem como objetivo a  pesquisa, preservação  e educação ambiental. Foi criada por Valdi Silva Moreira e pelo casal de biólogos Douglas Zeppelini Filho e Rita Mascarenhas. A ONG  se mantém  com o auxílio de voluntários e da comercialização de artesanato e camisetas.

Esta é mais uma forma de mobilização dos pessoenses em relação a ecológica.


Norma

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Fragmento de um encontro

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Aos 85 anos mantém-se ágil e lúcida. Os cabelos são brancos como algodões, a voz macia e os olhos espertos. Sua figura me chama atenção, desperta a admiração de uns e recordações de outros: – Ah! Deixe-me abraçá-la, você me fez lembrar minha querida avó, diz uma jovem.

Foi numa viagem de férias, num city tour, entre os diversos turistas, que a vi. Ora do lado do filho, ora do lado da neta e por vezes sozinha apreciando os detalhes de cada lugar.

Comunicativa, de imediato, acolhe a minha conversa e fala da sua disposição cotidiana nos seus afazeres domésticos.

Viúva há muitos anos, lamenta a falta do braço e mão do companheiro em suas andanças.  Ativa e participante vai a todos os passeios, pois se sente em porto seguro junto aos seus.

Não sei muito da sua história, mas o carinho, atenção, a interação entre ela e seus familiares e a forma como acolhem, transmite-me muito afeto e contentamento pelo compartilhar daqueles momentos.

Em nossa despedida ouça-a dizendo carinhosamente, quero encontrá – la, você é muito alegre, abraço-a e digo:

- Você já me encontrou…

Somos passageiros da vida, na imensidão do universo, cruzamos com muitos, convivemos com alguns e tocamos corações de outros, não importa a duração, mas a intensidade do toque.

Uma foto simbolizou este encontro, o toque permanece na alma e neste fragmento o registro da magia que nos é ofertada pelo existir.

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Esperança

Estamos num momento em que a esperança paira no ar com o advento do Natal. Motivada por este fato, reedito um conto que expressa significativamente o quanto este sentir tem magia e promove transformações.Este conto tem como título Renascimento, mas hoje vou preferir denominá-lo de Esperança.


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Corydalls triternat (flor da esperança)

Seu nascimento veio marcado por uma anomalia. Passou meses e meses com as pernas imobilizadas por gesso. Seu desenvolvimento truncado e cerceado por suas limitações físicas.  Passaram- se os anos e uma profunda tristeza foi tomando conta de seus dias. Não houve infância e a adolescência foi com poucos sonhos e amores.  Certo dia, quis ter algo só seu e foi em busca de um animalzinho de estimação. E  lá estava ele, olhando-a e remexendo o rabinho e ela exclamou: é este!

Por alguns anos seu fiel cãozinho lhe saudava ao amanhecer e se aconchegava aos seus pés ao dormir. Uma sensação de bem estar lhe acompanhava. Contudo, nada dura para sempre, ele se foi. Adoeceu e não resistiu. Ela se manteve em sua estrada, amargando a solidão, sem conseguir se afogar em prantos. Seu organismo sucumbiu e rapidamente aos 37 anos entrou num processo de envelhecimento precoce.

Em meio a tudo isto, a música, seu violoncelo, que não fora sua escolha, mas sim do pai, expressava-se lindamente, integrando-se aos demais instrumentos da orquestra da qual fazia parte, e transmitindo ao público a beleza do seu ser. Porém ela não se apercebia e só tristeza sentia.

Certo dia,  não pode mais tocar, pois seu ombro direito se enrijecera não dando mais comando ao braço. Neste momento, surge em meio a sua dor uma voz que lhe sussurra: desenterre seu tesouro. Cave, cave um pouquinho a cada dia. Traga o cuidado, o prazer por você mesma, pois eles estão aí esperando ansiosos o seu renascer. Surpresa gostou e aceitou o que ouviu. Quando a luz do sol irradiou, mostrando o seu apogeu, o seu sorriso brotou celebrando a vida.

A infância e adolescência se foram, não tinham volta, mas a vida se mantinha e com ela o surgir de cada dia trazendo-lhe esperanças renovadas.

Norma Emiliano

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Cada dia… Rosélia

Chegue !

Começamos hoje  lendo histórias que a vida nos conta através dos amigos que aceitaram meu convite para participar desta roda.  Sugeri a imagem abaixo como inspiração.

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Organizamos nossas vivências e memórias sob forma de narrativas, assim todos temos histórias a serem contadas. Elas constituem  representações de uma epoca e  nos dão oportunidade de rever e  refazer nossos próprios percursos.

Rosélia. do blog Espiritual Idade,  inicia esta série,   a cada dia uma história. Vamos ao que nos conta.

ANTÔNIA MARIA… a escuto e sinto a sua dor…

Bem, Antônia não poderia persistir numa existência na qual estava sendo levada a viver. Não queria ser peso à família. Alterou seu regime de vida para melhor.

Olhando nos olhos dos seus filhos e, especialmente, nos da sua filha, sentiu compreendê-la. Essa filha fora a subsistência dela durante dezoito anos. Sentiu bastante quando ela se casou. A falta dos seus cuidados, a filha sempre a colocava para cima, a chamava de MAMÃE QUERIDA. Mas, Antônia sabia bem que não podia ser dependente dos seus mimos porém  também necessitava de “descanso”. Em muitos pontos da sua vida difícil.

Os abraços que recebera na Rodoviária de onde saíra para não mais voltar (pensava ela) eram de embargar o coração de qualquer céptico.

Antônia percebeu como seria difícil “voltar a andar” sem os filhos que cresceram. Seus preciosos tesouros eram TUDO para ela.
Havia solidariedade e compreensão da parte deles naquela hora tão difícil! Ela reuniu todas as força para não se revoltar, sendo quase impossível que isso não acontecesse,  o   infortúnio a havia atingido. Lhe diziam uns que esse sofrimento era só dela como que zombando da sua dor da partida de um modo de vida ao outro por ela esperado também, mas que não fora o que ELE desejava à Antônia. Não naquela hora de dor (portanto ela não estava indiferente no coração: livre).

Amigos e parentes consolavam em vão aquela pobre mulher saudosa. E, desesperada de amor aos extremos, no coração e  na alma alma, parte…
Reconhecia a dedicação dos amigos e lhes era agradecida mas não podia expressar nada quase em meio a enorme dor de “luto”.
Ela compreendeu que na vida só há uma clareza: O DA COMPREENSÃO HUMANA.

Fez UMA LONGA VIAGEM COM MUITAS LÁGRIMAS A ROLAREM NA SUA FACE SOFRIDA… IMAGINAVA AS NOITES LONGAS E SOLITÁRIAS QUE IRIA VIVER.

A uma pessoa que se considera “normal” isso poderá parecer ridículo. Ela começou a registrar o que estava lhe ocorrendo como que para não esquecer.
Lançou-se a um novo aprendizado: trabalhava e aprendeu muitas coisas por lá, muito longe. O filho caçula foi logo se adiantando de que seu lugar de mãe estava garantido se não gostasse do novo espaço onde estava vivendo. A frase que ela ressalta é: SE NÃO ESTIVER FELIZ, VOLTE!!! Aquilo sossegou-a bastante mas precisava colocar em ordem seus assuntos e emoções.

Iniciou um treinamento mental, no sentido de bloquear qualquer sentimento de auto piedade. Teve muita angústia expressada até com dor física no peito. Em alternadas lutas interiores de sossego e tensão foi relaxando e tranquilizando seu espírito.
Se sentia vedada a tudo.

Procurou disfarçar o que lhe ia na alma: isolamento, lutas… Procurou dar distância à emancipação, à inatividade.  Isso a fazia sofrer muito. Sabia que tinha necessidade de alguém, de uma pessoa em concreto. Sua vida havia mudado violentamente mas achava que, quanto mais cedo se adaptasse à nova vida, seria bem melhor.

Dizia para si mesma: “JÁ CAÍ MUITAS VEZES. É SÓ MAIS UMA”. Sabia que estava com pena de si mesma e ficava transtornada e profundamente deprimida.

Já na despedida, a filha nem conseguiu olhar no seu rosto, de tanta dor para ambas. Teve no dia para ela mais fatal: EMANCIPAÇÃO DE APOIO. Estava realmente só e num país distante. Buscava a liberdade interior. Mas estava crendo condenada à gaiola da vida.

Eis uma história incompleta… certamente muito mudou na vida de Antônia desde a escrita desta parte real da sua vida… mas deixo espaço parra que os leitores da querida amiga Norma complemente de acordo com as suas perspectivas… (podendo ou não coincidir com o desfecho lindo que teve essa história… de  uma alma que ama amorosa e piedosamente)…

Deixo-vos, com muito carinho, um pensamento fraterno que descreve bem esse coração de Antônia:

“PIEDADE é a minha esperança e a integridade de vida é a minha segurança”…

Beijo de paz a todos os amigos queridos…
Rosélia


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Vulnerabilidade

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“A vida não acompanha nossos pactos conscientes”

Estar vulnerável. Você já pensou que esta é a condição humana  e o quanto é complexo lidar com situações e/ou eventos que nos colocam totalmente “sem chão”.

Neste final de semana,  participei de um evento e entrei em contato com a forma de pensar de um dos palestrantes, Nilton Bonder, Rabino da  Associação Religiosa Israelita do RJ, doutor em literatura Hebraica e que segundo dados retirados de uma de suas entrevista  para a Revista Época “ex-surfista, escritor de livros de sucesso nos quais aborda de maneira pouco convencional as tradições”.

A temática foi vulnerabilidade, sendo sua abordagem bastante interessante, pois parte de narrações de personagens bíblicos e os entrelaça a realidade cotidiana e a negação  do  ser humano de sua vulnerabilidade.

“A  vida é soberana”.  O ser humano por não aceitar sua fragilidade diante da vida reage às situações que estão fora do seu controle  fugindo ou não acolhendo.  “Acolher significa retornar a vulnerabilidade ao seu próprio lugar que é a possibilidade de reconstrução, pois propicia a descoberta de recursos internos”. Colocações que nos convida a refletir.

Um dos exemplos citados foi sobre uma mulher que vai em busca de ajuda:  viúva, desde jovem,  dedicara-se inteiramente a um único filho, que acabara de sofrer um trágico acidente, falecendo. Chegou perguntando: Por que  isto aconteceu? (consciente)  O que eu faço? (inconsciente).  Sua resposta (do rabino) foi: Você colocou seus ovos em um só cesto,  você tropeçou e os ovos se quebraram. A partir daí começaram a falar sobre ela, sua vida, escolhas pessoais. “Na vida pode – se tropeçar”.

Nossa vida é construída em nossas narrações, buscamos lugar de controle, mas devemos estar cientes “todos somos vulneráveis”.  “Orar, suplicar, não necessariamente a um ente divino que resolva para nós, porém no sentido de acolher o vulnerável (quem sabe?)”.

Norma

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