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Terapia de Casal- quando o amor maltrata

 

Retrospectiva-  IV Encontro Fluminense de Terapia Familiar-  Ecos do  IX Congresso

Terapia de Casal- quando o amor maltrata.
Norma Emiliano/Vera Risi

Na sociedade atual em que a violência toma conta da humanidade, faz – se necessária a atenção cuidadosa às relações de casais, principalmente nas relações em que o sofrimento predomina e a dinâmica do casal é marcada pela violência psicológica.

È freqüente os casais buscarem terapia por não mais conseguirem lidar com suas relações tão conflitantes e intermináveis.
 
Partimos da premissa que independente da questão trazida pelos casais, a atração que os leva a construir a parceria acessa conteúdos inconscientes de cada um, ocasionando uma emoção que os aprisiona mais pelo lado negativo do que pelo positivo e neste sentido apesar de ao longo do relacionamento chegarem ao limite da agressividade e das mágoas não conseguem se separar, ativando cada vez mais o amalgamo perverso.

Segundo Carl Whitaker “a combinação estabelecida é composta por vários componentes, estando entre eles a transferência”. Há uma transposição dos elementos importantes do passado. Desta forma, todo este mecanismo leva a incapacidade de encontrar satisfações reais entre as pessoas reais. Acrescentamos, também, através de Camarata (2002) que projetar, para se aliviar, é uma das razões, ou dos objetivos secretos, pelas quais algumas pessoas tornam-se exímias na arte de selecionar os melhores parceiros para, ao longo de toda uma história, estabelecerem as piores relações possíveis.

 Portanto, “contratos secretos” são estabelecidos, reforçando a fidelidade aos papéis e funções estabelecidas.

Por outro lado, também consideramos que os terapeutas sistêmicos estão permanentemente sendo desafiados em suas próprias questões pessoais por cada cliente que os procura, pois as reatividades que possam existir nos relacionamentos também aparecem nos atendimentos entre terapeutas e clientes.

Fonte: Livro de resumo do IX Congresso de Terapia Familiar/2010

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Dia Mundial do Diabetes

 

 

 

 

diabetes

 

Aderindo ao convite da Teresa Cristina do blog Acolher com Amor,  dedico este post ao   Dia Mundial do Diabetes que acontece todos os anos no dia 14/11.

Neste dia,   o mundo se une afim de divulgar informações, pesquisar entre as pessoas para saber se são ou não diabéticas  e fazer campanhas preventivas. Além disso, vários monumentos em diversas partes  do mundo são iluminados com a cor azul (simbolo).  Aqui, no Estado do Rio de Janeiro, o Pão de açucar aderiu a campanha….  saiba mais…
                                                                      

 

Diabetes e o  contexto familiar

 

A família é o grupo primário de relacionamento  no qual as ações, comportamentos e hábitos sofrem influências  cíclicas e de múltiplos fatores.  Assim sendo, cada membro tem deu estado de saúde influenciado por este contexto, bem como influencia o funcionamento da unidade familiar.

O diabetes é  uma doença  crônica, de etiologia incerta, com possíveis complicações futuras,  significando uma crise vital para as famílias.  Ao ser diagnosticada exige modos de enfrentamento, mudanças nas autodefinições do paciente e da  família e um período de adaptação.

A doença promove mudanças significativas na relação que o paciente diabético tem com seu próprio corpo e com o mundo. Há  contínuo conflito entre o desejo de se alimentar e a necessidade de contê-lo

É importante que se observe a interligação entre a doença e os ciclos de vida do indivíduo e da família, assim como compreender o processo de vida familiar ( valores, crenças, hábitos, estilo de vida, etc.). 

Em relação a criança, os sentimentos dos pais frente a doença desempenham importante papel nas reações da criança , ou seja , as atitudes familiares influenciam decisivamente na forma de aceitação, ou não do jovem diabético.

Algumas características familiares afetam a resposta à doença,  entre elas, encontram- se:  a rejeição a doença , gerando o descuido com a criança, dessinteresse pelo tratamento, provocando  na criança sentimento de rejeição e inferiorização;  a superproteção, que pode levar a menor autonomia pessoal  ao paciente. Por outro lado, atitudes de controle perfeccionista dos pais em relação ao diabetes podem acarretar na criança comportamento obessessivo-compulsico ou de rebeldia  aos planos terapêuticos para adequado tratamento.

É importante que as famílias não se definam pela doença quando as rotinas, planos, rituais e prioridades da família precisam ser colocados de lado. Neste sentido,  a Terapia familiar ajuda na resignificação de como preferem se definir após a doença . Por outro lado, é  necessário que não se confunda a existência da doença com a existência do paciente, ou seja,  que se esclareça que a identidade e objetivos da família incluem o paciente, mas que podem não incluir a doença. 

Em situações de agravamento da doença, dependência do paciente, o apoio mútuo entre os membros familiares, em relação às necessidades emocionais e físicas,  diminui a carga de exaustão,  podendo ser mais fácil definir novos sonhos  e novas ações.

Norma

 

 

 

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Terapia: perguntas e respostas

 

Hoje resolvi dedicar este post às questões que me foram solicitadas.

Algumas pessoas perguntam qual a diferença do modelo da terapia de família para as demais práticas de psicoterapia?   Quando ela se faz mais necessária? Quais são os fatores que indicam as relações adoecidas?  Quem faz terapia de casal se separa ou fica junto?   O que é necessário para se tornar um Terapeuta de família?

 

A terapia de família enfatiza a importância do contexto para a compreensão dos problemas do ser humano e entende que os indivíduos organizam seus comportamentos dentro de uma trama de relações.

O modelo tradicional de práticas psicoterapeuticas centra – se na idéia de que a doença mental  se manifesta pela força dos conflitos internos ou intra-psiquícos, tendo sua origem no próprio indivíduo.

Na visão da Terapia Familiar  o “doente” ou a pessoa que apresenta problemas, é apenas um representante circunstancial de alguma disfunção no sistema familiar, ou seja,  é a expressão de padrões inadequados de interações familiares. Assim sendo,  a   família  é definida pelos seus padrões de interação, em detrimento de se apontar somente os dificuldades de ordem intra-psíquica individuais.

A Terapia de família possibilita que todos os membros da família sejam participantes de uma  (re)construção  dos significados que envolvem o problema.
 
A terapia de família e/ou casal  tem indicação precisa para:

·        problemas com várias pessoas da mesma família

.        problemas evidentes de relacionamento entre  o casal

·        problemas evidentes de relacionamentos entre pais

·        violência,
         
 .        luto patológico
 
 .        alcoolismo,
           
 .        distúrbio psíquico,
 
 .        drogadição, entre outros

Em toda família há tendências para saúde e para doença, o que faz a diferença  é como a família enfrenta as situações de crise, de como se dá a afetividade e a comunicação entre seus componentes.

A terapia de casal não une nem separa, ela favorece  que o casal identifique os problemas, compreenda o que os motivou, averigue a forma como reagem as dificuldades. Propicia que os membros do casal vejam a si mesmos, ao outro e a relação de forma mais aprofundada e  os auxilia numa tomada de decisão que favoreça um melhor bem estar para ambos.

Enfim, para ser especialista em Terapia de familia é necessário ter uma graduação, gostar de lidar com o ser humano e sua complexidade, fazer uma pós graduação em Terapia de Família ( 2 anos),  fazer  vários cursos adicionais, buscar contínuo autoconhecimento,   ler clássicos como Murray Bowen, Minuchin entre outros e obter experiência supervisionada.

 

Se houver mais dúvidas, traga a sua questão…..

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Angústia

“Um rapaz fez-me essa pergunta difícil de ser respondida. Pois depende do angustiado. Para alguns incautos, inclusive, é palavra que se orgulham de pronunciar como se com ela subissem de categoria – o que também é uma forma de angústia. Angústia pode ser não ter esperança na esperança. Ou conformar-se sem se resignar. Ou não se confessar nem a si próprio. Ou não ser o que realmente se é, e nunca se é. Angústia pode ser o desamparo de estar vivo. Pode ser também não ter coragem de ter angústia – e a fuga é outra angústia. Mas angústia faz parte: o que é vivo, por ser vivo, se contrai. Esse mesmo rapaz perguntou-me: você não acha que há um vazio sinistro em tudo? Há sim. Enquanto se espera que o coração entenda.”

Clarice Lispector

 

O bom humor consiste num olhar otimista e esperançoso. Somos impelidos a acreditar que precisamos estar em constante  estado de felicidade e, em alguns dias, o coração se sente apertado sinalizando o rever de pensamentos e atitudes, que podem estar nos paralisando. 

Estamos em constante busca e o  desconhecido assusta. Pode ser paradoxal, mas a a angústia assinala a possibilidade do enfrentamento da vida, como uma força interior.

Kierkegaard, filósofo e teólogo dinamarquês (1844)  já afirmava que angústia, disposição afetiva,  impulsiona o sujeito nos seus próprios movimentos.

Como tudo tem os dois lados, a angústia contém aspectos tanto destrutivos como construtivos, dependendo de como é utilizada.

A vida é feita de escolhas e elas determinam nosso destino. Nem sempre se escolhe o que é melhor, mas o que é mais comodo e nestes atalhos “que moram os perigos”. É fundamental entrar em contato consigo mesmo.

No trabalho terapéutico,  direcionamos a atenção para os acontecimentos  da  vida que persistem e se fazem presentes através de uma dor, um incömodo e/ou  uma angústia que são considerados sinais de alerta  para  o repensar sobre o si mesmo.

Norma

 

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Ligados pelo mal

 

  “Os homens se crêem livres, pelo único motivo de que são conscientes das ações, e inconscientes das causas que as determinam.” Spinoza

 

Por que não consigo me afastar dele (a)?” “Brigamos constantemente. É tão desgastante”. “Sinto-me péssima (o), não aquento mais”. Estas questões estão presentes em muito mais pessoas do que se possa imaginar.

È freqüente indivíduos e casais buscarem terapia por não mais conseguirem lidar com suas relações tão conflitantes e intermináveis. Os parceiros não conseguem se afastar e “entre tapas e beijos”, caminham atormentados por suas infelicidades. O direcionamento pessoal é fruto de uma construção que tem a ver com as histórias familiares, assim as escolhas não são frutos do acaso e a atração entre os parceiros tem motivações conscientes e inconscientes (mecanismos de defesa, fantasias, impulsos, etc.). Daí dizer-se que é sempre certa a escolha do parceiro, mesmo que não seja a melhor, no sentido de possibilitar a felicidade. Segundo Carl Whitaker “a combinação estabelecida é composta por vários componentes, estando entre eles a transferência como por ex: a pessoa que atrai tem características que a excitavam em seu pai ou avô”, características que podem evocar a proteção ou abandono, a vida ou morte. É reconhecer inconscientemente no outro condições de resolver seus complexos e necessidades contraditórias. Há uma transposição dos elementos importantes do passado. Desta forma, todo este mecanismo leva a incapacidade de encontrar satisfações reais entre as pessoas reais. 

No cotidiano, os papéis, que cada um dos parceiros desempenha, contribuem para a manutenção de um estado de equilíbrio patológico. Ilustrando, vemos mulher infantilizada (cuidada como filha) queixando-se do abandono sexual do marido, porém quanto mais ele a mima, mais ele a infantiliza e a impede de crescer como mulher. Portanto, a atitude da mulher infantilizada impede-a de ser desejada e ele se distancia como homem. Ambos estão na realidade compartilhando ilusões e não percebem que a relação de causa e efeito é para os dois.

Na terapia busca-se o reconhecimento das motivações pessoais e alternativas que capacitem as pessoas envolvidas a romperem com o círculo vicioso e a fazerem e desenvolverem escolhas mais saudáveis.  “Existe muita dor na vida, e talvez a única que se possa evitar seja a dor que vem do se tentar evitar a dor”.  R.D.Laing

Norma

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O que alimenta?

 

 transt

Imagem Internet

 

As doenças encontram na cultura a forma de se expressar

 

 Na mesa farta, a família encontra-se reunida. A freqüência diária desta reunião ocorre à noite e é constante a ansiedade gerada por Paula, que mexe e remexe o prato enquanto todos já terminaram. Nas consultas ao clínico, os pais são orientados em relação ao estado de desnutrição da adolescente. A partir daí, várias análises foram realizadas por profissionais de diversas áreas (psiquiatria, nutrição, endocrinologia e terapia familiar).

È freqüente a associação dos transtornos alimentares à modernidade, tendo em vista à moda, realçada principalmente pela mídia, que traz a magreza como padrão de beleza. Contudo, doenças do comportamento alimentar refletem a confluência entre os fatores psicológicos, biológicos e sócio-culturais e seu tratamento integra vários níveis de análises (padrões alimentares, problemas interpessoais, familiares e psicopatologia). Faz- se necessária, portanto, uma abordagem global e integradora.

Na história de família de cada um dos membros que constitui o casal há fios que pouco a pouco foram tecidos e trazem o alimento como fonte de amor e as refeições como representação da união familiar.  Paula, a primeira filha, já em bebê, apresentou rejeição à lactose acarretando ansiedade aos pais por não conseguirem alimentá-la normalmente.

O funcionamento psicológico de uma pessoa está ligado à estrutura à qual pertence. As interações e trocas inconscientes entre os membros podem determinar perturbação psíquica em um dos membros, assim como a forma que essa tomará e como ela se desenvolverá. Nesse sentido, o terreno da patologia, como diz Minuchin (1982), é a família.

Alimentá – la passou a ser um objetivo a ser perseguido. Os outros filhos, cada um com suas características, passaram a competir com a atenção dos pais, dificultando assim a comunicação entre a irmandade. Nos momentos de maior estresse, Paula recusava-se a se alimentar e todas as atenções se voltavam para ela.

O funcionamento familiar é um elemento central na determinação, manutenção e/ou desenvolvimento dos Transtornos Alimentares. Eventos ocorridos na família (briga do casal, morte ou nascimento, etc.) podem anteceder aos Transtornos Alimentares.

Paula aliançava-se com a mãe em detrimento do pai, que era considerado pela esposa excessivamente autoritário e controlador. Ele vigiava cada alimento que Paula comia e pai e filha constantemente se atritavam.

 A história familiar da infância e da puberdade precisa ser levantada com o doente e seus familiares, permitindo a reconstrução de memória dos familiares que comporta preocupações, atitudes face ao padrão alimentar, mitos, lealdades e a auto-imagem corporal ao longo do desenvolvimento.

No decorrer da Terapia Familiar, os conflitos do casal e suas diferenças vieram à tona e o casal pôde fazer acordos e negociações que privilegiaram a relação conjugal totalmente esquecida. Uniram-se para realizar mudanças de atitudes em relação ao padrão familiar (família bem alimentada e unida), conseguindo sair da “massa indiferenciada” e ver a individualidade de cada filho.  Paula pode seguir enfrente, cuidando de si própria, ampliando a rede de amizade e terminando seu curso.

Na abordagem familiar procura-se a reconstrução de memórias, a contenção da crise familiar, clarificação e reorganização das fronteiras dos diversos subsistemas (paterno, conjugal, irmandade), definição dos papéis de cada um dos membros preparando os membros para mudanças.

Os sintomas das doenças vistos como metáforas abrem portas para o autoconhecimento e proporciona oportunidades para o crescimento individual e familiar.

 

Bibliografia

 - Organização Mundial de Saúde. Classificação de transtornos mentais e de comportamento da Cid-10. Descrições clínicas e diretrizes diagnósticas. Porto Alegre: Artes Médicas; 1993. p. 351.  

 - MINUCHIN, S. Famílias: Funcionamento e Tratamento. Trad. J.A. Cunha. Porto Alegre, Ed. Artes Médicas, 1982.

Norma Emiliano

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Retendo Peso

 

obesidade_balanca

 

“Tolo é a pessoa que continua fazendo a mesma coisa e espera resultados diferentes”. (Albert Einstein) 

 

Após a separação dos pais, o filho mais velho de 14 anos teve um rápido aumento de peso. A família paterna sempre apresentou problemas desta natureza. Assim, a família considerou que o pai seria a melhor pessoa para lidar com o comportamento compulsivo do filho. Desta forma, o pai, que já se ausentara de casa, passou a freqüentar a casa da ex-esposa e a manter contatos freqüentes.

Uma mulher separou-se para ficar com o amante.  Sua família não aceitava este tipo de comportamento e a excluiu. Passado um ano ela estava arrependida, começou a se lamentar e já tinha adquirido vinte quilos.

Muitas são as histórias e fatores que favorecem a obesidade, que é definida como uma doença crônica. Ela representa, atualmente, um dos principais problemas médicos e vem sendo considerada como grande problema de saúde publica. Ela não é apenas uma questão individual, pois está ligada às forças sociais e culturais. Vivemos num mundo de contradições entre a exortação a comer e consumir de forma abundante e o culto à magreza.

De acordo com  pesquisas realizadas por vários autores, as causas da obesidade incluem fatores genéticos e fatores do ambiente familiar, com um pequeno número de indivíduos sendo influenciados por transtornos metabólicos e endócrinos. Todavia, hoje, são abordadas as questões relacionadas à obesidade e ao sistema familiar, ou seja: ela tendo uma função no sistema familiar.

Em algumas famílias, a obesidade é um tema que percorre várias gerações e que oferece o senso de identificação e demonstração de lealdade à família. Em outros casos, pode retardar a entrada da criança no mundo adulto.  Os estigmas das crianças obesas nos grupos sociais favorecem que ela permaneça mais unida à família por necessidade do apoio emocional.  Na realidade, ficando fora dos encontros amorosos, o filho obeso não saí de casa.  Por outro lado, a obesidade pode funcionar como poder.  O campo de batalha tem como pano de fundo o alimento, com a vitória das pirraças da criança.

Neste sentido, torna-se importante compreender a função que o peso exerce nos padrões de conexão e vinculação com a família. Portanto, ao sairmos do foco individual para o relacional, temos uma visão ampla e complexa dos comportamentos ligados à doença e aos objetivos do tratamento.

Associado a isto é importante, também, que pessoas com excesso de peso crônico, que enfrentam as questões emocionais e familiares sobre o comer e o peso, participem de programas específicos, tendo em vista que esses ajudam a diminuir o isolamento social.

Norma

 

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A diferenciação do “self” do terapeuta

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“Os acontecimentos transcorridos durante a terapia devem ser como “uma região intermediária” entre a doença e a vida real, um tipo de zona crepuscular da alma”
Mark Epstein

 
Dentre tantas históricas por que há momentos em que me sinto levada pelo clima desta ou daquela família? Por que este ou aquele membro da família irrita- me ou emociona- me; porque escolhi esta área profissional tão complexa?  Essas e muitas outras questões povoam a mente daqueles, que tem no seu cotidiano profissional, o encontro terapêutico. Esse se devidamente apreciado pode se constituir “num continuum” processo de individuação do terapeuta.

De acordo com Bowen, o desenvolvimento do ser humano é um processo de “diferenciação do self”. Esse consiste ao mesmo tempo, um conceito intrapsíquico e interpessoal.  A diferenciação intrapsíquica supõe a capacidade do sujeito de perceber sentimentos e pensamentos, diferenciando os próprios dos alheios. A diferenciação interpessoal implica no sujeito saber separar o eu do outro, podendo se ver em relação. Desta forma, ela define o termo de responsabilidade que deveríamos ter em relação ao nosso crescimento interno.

Clientes e terapeutas caminham juntos pela estrada do auto- conhecimento em busca de alternativas para saúde mental e qualidade de vida. Segundo Nietzsche “tomar posse de si mesmo é a proposta máxima do homem, que nem de longe o aproxima do inalcançável, o seu fascínio”.

Trabalhar com neutralidade é praticamente impossível.  Estamos sempre presentes com toda a nossa bagagem histórica em todas as áreas da vida.  Para poder ver, ouvir, empatizar, focar, intervir, etc., sem que as emoções pessoais se misturem com a do cliente torna-se necessário o cuidado freqüente do terapeuta com seus próprios sentimentos e ações na sessão.  Teoria e prática se fundem no encontro terapêutico em direção à individuação,

È raro recordarmos os acontecimentos traumáticos da infância. Por outro lado, somos seres de hábitos, e repetimos os comportamentos que, de alguma forma, são tentativas de passar a limpo, reparar ou negar o que nos aconteceu. O terapeuta precisa criar um ambiente no qual o paciente se sinta seguro para vivenciar os sentimentos do seu passado, possa confontá- los e redefini-los.

O processo de individuação leva- nos a libertarmos dos fantasmas e tornarmos mais flexíveis e intensos nos relacionamentos atuais, seja como terapeuta, seja como cliente.

 Norma

 

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