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A diferenciação do “self” do terapeuta

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“Os acontecimentos transcorridos durante a terapia devem ser como “uma região intermediária” entre a doença e a vida real, um tipo de zona crepuscular da alma”
Mark Epstein

 
Dentre tantas históricas por que há momentos em que me sinto levada pelo clima desta ou daquela família? Por que este ou aquele membro da família irrita- me ou emociona- me; porque escolhi esta área profissional tão complexa?  Essas e muitas outras questões povoam a mente daqueles, que tem no seu cotidiano profissional, o encontro terapêutico. Esse se devidamente apreciado pode se constituir “num continuum” processo de individuação do terapeuta.

De acordo com Bowen, o desenvolvimento do ser humano é um processo de “diferenciação do self”. Esse consiste ao mesmo tempo, um conceito intrapsíquico e interpessoal.  A diferenciação intrapsíquica supõe a capacidade do sujeito de perceber sentimentos e pensamentos, diferenciando os próprios dos alheios. A diferenciação interpessoal implica no sujeito saber separar o eu do outro, podendo se ver em relação. Desta forma, ela define o termo de responsabilidade que deveríamos ter em relação ao nosso crescimento interno.

Clientes e terapeutas caminham juntos pela estrada do auto- conhecimento em busca de alternativas para saúde mental e qualidade de vida. Segundo Nietzsche “tomar posse de si mesmo é a proposta máxima do homem, que nem de longe o aproxima do inalcançável, o seu fascínio”.

Trabalhar com neutralidade é praticamente impossível.  Estamos sempre presentes com toda a nossa bagagem histórica em todas as áreas da vida.  Para poder ver, ouvir, empatizar, focar, intervir, etc., sem que as emoções pessoais se misturem com a do cliente torna-se necessário o cuidado freqüente do terapeuta com seus próprios sentimentos e ações na sessão.  Teoria e prática se fundem no encontro terapêutico em direção à individuação,

È raro recordarmos os acontecimentos traumáticos da infância. Por outro lado, somos seres de hábitos, e repetimos os comportamentos que, de alguma forma, são tentativas de passar a limpo, reparar ou negar o que nos aconteceu. O terapeuta precisa criar um ambiente no qual o paciente se sinta seguro para vivenciar os sentimentos do seu passado, possa confontá- los e redefini-los.

O processo de individuação leva- nos a libertarmos dos fantasmas e tornarmos mais flexíveis e intensos nos relacionamentos atuais, seja como terapeuta, seja como cliente.

 Norma

 

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Canção Silênciosa

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Imagem Google

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Existe uma canção a ser cantada em nossa cultura: a canção dos ritmos dos relacionamentos, das pessoas enriquecendo-se e expandindo-se mutuamente.

Nós nascemos com a capacidade para a colaboração, acomodação e mutualidade. Todos os recém – nascidos vêm equipados com uma receptividade bem sintonizada com o som e voz da mãe e o ritmo de seus movimentos. A mãe e a criança se definem mutuamente em milhões de pequenos atos com a precisão de uma reação química. Esta é a silenciosa canção da vida.

Mas este processo precisa ser destacado na nossa cultura, porque em geral o que percebemos são as discordâncias, as diferenças. Nós nos detemos nas desigualdades e não prestamos atenção aos padrões que tornam possível a vida familiar, às harmonias que não valorizamos.

A nossa sociedade é uma sociedade que celebra a singularidade do individual e a busca do self autônomo.

A marca registrada da terapia familiar é tratar ao mesmo tempo da individualidade e das conexões. Quando os membros da família param de dar ênfase ao comportamento frustrante dos outros e começam a ver a si mesmos como interligados, eles descobrem novas opções de relacionamento.

O terapeuta familiar pode navegar entre o reino da individualidade e das conexões, da unidade familiar. Os membros da família com sua longa história em comum, reconhecem que vivendo juntos eles ao mesmo tempo limitam e enriquecem um ao outro. A vida na família realmente limita nossa liberdade, mas também oferece um inesgotável potencial de felicidade e realização pessoal.

Isso implica em aceitar as possibilidades e limitações em si mesmo e nos outros. Tolerar incertezas e diferenças. Esperança de novas maneiras de viver junto. Esta é a canção que nossa sociedade precisa ouvir : a canção do eu-e-você, a canção da pessoa no contexto, responsável perante os outros e pelos outros.

Para ouvi-la precisamos ter a coragem de renunciar à ilusão do self (eu) autônomo e aceitar as limitações do pertencer.

MINUCHIN, Salvador, NICHOLS, Michael. A cura da família – história de esperança e renovação contada pela terapia familiar. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993. p.268.

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