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A despedida necessária

Paper heart ripped in half

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Os relacionamentos, normalmente, têm início na  primeira atração, na chama que envolve o corpo e  os pensamentos , transbordando em gestos que buscam a aproximação cada vez mais frequente entre os parceiros.

No entanto, a manutenção dos afetos dependem de muitos fatores, entre eles o investimento do casal, a reciprocidade de tolerância mútua das diferenças pessoais e as negociações.

Alguns ou muitos não conseguem encontrar a felicidade e chegam a despedida necessária após tantos desenganos.

A música “Depois” ilustra bem está temática,  no sentido de que não vale a pena insistir e que cada um pode  encontrar a sua própria felicidade na separação.

 

 

Depois

Depois de sonhar tantos anos
De fazer tantos planos
De um futuro pra nós
Depois de tantos desenganos
Nós nos abandonamos como tantos casais
Quero que você seja feliz
Hei de ser feliz também

Depois de varar madrugada
Esperando por nada
De arrastar-me no chão
Em vão
Tu viraste-me as costas
Não me deu as respostas
Que eu preciso escutar
Quero que você seja melhor
Hei de ser melhor também

Nós dois
Já tivemos momentos
Mas passou nosso tempo
Não podemos negar
Foi bom
Nós fizemos histórias
Pra ficar na memória
E nos acompanhar
Quero que você viva sem mim
Eu vou conseguir também

Depois de aceitarmos os fatos
Vou trocar seus retratos pelos de um outro alguém
Meu bem
Vamos ter liberdade
Para amar à vontade
Sem trair mais ninguém
Quero que você seja feliz
Hei de ser feliz também
Depois

 

Norma Emiliano

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Enfrentando a Separação

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É mais fácil ao psiquismo humano inventar foguetões com destino à lua do que aceitar uma separação”. Berger

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Como é difícil a separação, seja para o casal, seja  para os filhos e para todos aqueles que os rodeiam.  O tempo da união e os filhos  tornam o processo  mais complexo. Contudo, o sofrimento sempre é imenso.

É um momento que traça uma linha divisória, nem sempre apreendida por ambos  os parceiros e pelas  famílias de origens. È um momento de crise e  podendo provocar  o  luto, a nostalgias e/ou a  depressão.

Hábitos e atitudes precisarão de  alterações e  limites  devem ser estabelecidos para que a saúde mental, principalmente dos filhos, não fique abalada.

É de vital importância que as mágoas  não sejam despejadas nos filhos e que esses  não sejam usados como escudos para as divergências ou para disputas.  A lealdade dos filhos aos pais necessita ser observada para que eles não tenham que  fazer escolhas entre seus pais.

A famílias de origem de cada um dos membros do casal não deve se aliar contra o outro, não fomentar uma guerra de famílias.

A reorganização das famílias uni parentais exige que se privilegie o bem estar de todos e em particular dos filhos. Se o casal não deu certo enquanto marido e mulher que possam trabalhar em conjunto para serem pais amorosos dando exemplos de convivência pacífica e respeitosa.

Algumas famílias necessitam de ajuda profissional  e  a  terapia do divorcio  tem como objetivo  possibilitar a redução da dor e a desordem, bem como maximizar a capacidade de cada um dos envolvidos para uma vida com qualidade (reestabilização  e crescimento).

Norma Emiliano

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Vivências pós- divórcio

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A taxa de separação conjugal tem crescido e precisamos de pesquisas que nos revelem as suas conseqüências sobre as famílias.

Leila Maria Torraca de Brito, professora-adjunta do Instituto de Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro; mestre e Doutora em Psicologia pela PUC/RJ, realizou uma pesquisa qualitativa sobre Família pós-divórcio: visão dos filhos, na qual podemos encontrar análises que nos demonstram o quanto é delicado para os filhos, principalmente os menores, ultrapassarem esta etapa do ciclo de vida familiar.

Esta pesquisa foi realizada com 30 sujeitos (S) – 14 homens e 16 mulheres – de classe média, na faixa etária de 21 a 29 anos, que residiam no Rio de Janeiro e se declaravam filhos de pais separados. Assim sendo, coloquei entre aspas os trechos extraídos de alguns dos resultados e  análises realizadas pela pesquisadora.

“(…) no momento da separação, foi observado que grande parte dos entrevistados não recebeu esclarecimentos sobre o ocorrido (…) que muitos levaram um ‘choque’ porque não presenciavam relações conflituosas entre os pais – que justificassem o rompimento _ se surpreenderam (…) muitos percebiam que não havia disponibilidade dos pais para abordar o assunto, mesmo anos após a separação”. Por outro lado, “foi observado que o rompimento da relação conjugal acarreta, comumente, um complexo processo de mudanças para os diversos componentes do núcleo familiar.”

Constatou-se que “o mal-estar dos filhos no contexto pós-separação também foi exposto por aqueles entrevistados que se sentiram como joguetes entre os pais, tendo em vistas a manutenção das brigas. (…) no item em pauta, desfaz-se a idéia de que o rompimento conjugal irá, necessariamente, extinguir brigas e desentendimentos entre ex-cônjuges, contribuindo para que os filhos não fiquem expostos a tais desavenças ”.

Portanto, nas palavras da autora,” inicialmente, apesar de os entrevistados discorrerem sobre o divórcio como um tema natural, comum a muitas famílias atualmente, quando abordavam a separação conjugal dos pais e começavam a falar de suas recordações e vivências, esta se tornava um assunto delicado”.  Por outro lado, a convivência familiar sofre vários ajustes que variam de acordo como a guarda é estabelecida.” (…) Alterações no relacionamento e nos períodos de convivência com aquele genitor que permaneceu com a guarda – geralmente as mães – também foram relatadas. Com dificuldades para manter os filhos, o guardião, por vezes, se afastava do lar por longos períodos durante o dia devido ao aumento da carga horária de trabalho. (…) Os entrevistados que apresentaram menos queixas quanto à separação conjugal dos pais e a posterior convivência com estes foram aqueles que se sentiram verdadeiramente acolhidos nas duas casas após separação, com livre acesso a ambos os pais”.

Na alianças com o guardião a pesquisadora aponta que “separação conjugal com litígio, os filhos podem estabelecer alianças com um dos genitores, desenvolvendo uma forte vinculação preferencialmente com o guardião, a quem percebem de maneira mais positiva.”  Ressalta que “estas alianças devem ser percebidas por profissionais  que atuam junto aos casos como, por exemplo, nas Varas de Família. Nessas circunstâncias, destaca-se o equívoco que pode existir quando se resolve averiguar com qual dos genitores a criança deseja residir.  Aprisionado em um forte vínculo com o guardião, o filho não possui escolha, espelhando a única resposta que lhe é possível, dada a intensidade da situação a que está exposto.”

 Desta forma, podemos reafirmar que as vivências no contexto familiar pós- divórcio são extremamente importantes para o bem estar dos filhos, principalmente para os menores  e também ressaltar que os pais precisam estar atentos na percepção de que a adequação dos filhos é diretamente proporcional a adequação dos pais.

Entender o pós-divórcio sob o ponto de vista dos filhos, abre uma nova perspectiva de  entendimento sobre a convivência entre os diversos membros familiares.

Fonte da pesquisa
BRITO, Leila Maria Torraca de. Família pós-divórcio: a visão dos filhos. Psicol. cienc. prof. [online]. mar. 2007, vol.27, no.1

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A separação e os filhos

 divorcio

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Ao se constituir a parceria conjugal, cada um traz seu modo de ser e ver o mundo, que se traduz nas atitudes e decisões cotidianas. O nascimento dos filhos inaugura a família nuclear.  Os filhos sofrem as influências dos valores dos pais tendo como norteador os seus comportamentos. Quando há muitas diferenças e poucas negociações, instala-se uma guerra de poder, na qual os filhos se confundem.

No momento em que surge a necessidade de separação do casal, a família se transforma em duas, as quais se denominam de uniparentais ou monoparentais, ou seja: mãe e filhos e, pai e filhos.

Normalmente, encontramos jovens que têm dificuldade de afirmarem sua identidade, sofrendo por não poderem atender às expectativas paternas e não ter clareza dos seus desejos. Os filhos gostam dos seus pais e por mais aliança que tenham com um deles sentem-se presos ao sentimento de lealdade que se estabelece ao longo do desenvolvimento do ciclo familiar. Isto pode se agravar quando após a separação os pais mantêm rivalidades.

Na separação, a reorganização das relações é fator decisivo para o equilíbrio emocional de todos os membros, principalmente dos filhos. O estabelecimento das fronteiras, estar separado como homem e mulher e estar cooperando como pais, é crucial para que os filhos possam seguir em frente sem ter que estar entre os pais. É necessário abandonar a antiga estrutura e estabelecer outra mais funcional. Isto implica em superar os ressentimentos e, muitas vezes, abandonar a esperança de reunificar.

Ter duas casas pode ser uma coisa positiva para os filhos, na medida em que o pai e a mãe possam desenvolver relacionamentos independentes e definir regras e papéis claros e nítidos, sem disputas e atritos. Desta forma, facilitando aos filhos poderem ir e vir sem grandes problemas.

Os filhos anseiam por uma relação natural com o pai e a mãe e nada é mais pernicioso do que as críticas da outra parte. O filho em contato com cada um, sem a intervenção do outro, conseguirá construir a sua relação com cada um dos pais de forma saudável e ter equilíbrio para escolhas e decisões de caminhos.

Enfim, pesquisas demonstram que  os  efeitos do divórcio sobre os filhos variam  de acordo com a faixa etária dos filhos na época da separação e tempo de casamento, no entanto o ajustamento dos filhos após a separação está relacionado ao ajustamento dos pais, ou seja, se os pais enfrentarem bem a situação o mesmo se dará com os filhos.

Norma Emiliano

Fonte:

Lita L. Schwartz e Florence W. Kaslow. As dinâmicas do divórcio, Uma perspectiva de ciclo vital, 1995.

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Separação

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Os efeitos das separações/divórcios não são os mesmos para todas as pessoas, no entanto esse é um processo doloroso  que envolve ambiquidade de sentimentos. Nas palavras de  Berger, 2003 “é  mais fácil ao psiquismo humano inventar foguetões com destino à lua do que aceitar uma separação”.
Nos desfechos amorosos pela separação há a perda dos sonhos, das expetativas e  de uma história compartilhada. Assim sendo muitos casais relutam em não ter esperanças de que algo vai melhorar. É um momento de crise levando a  uma reação de luto ( incertezas, nostalgias, depressão, inadequação).

Na crônica e soneto de Vinicius de Moraes sobre separação, encontramos um enfoque poético que nos permite caminhar nos tortuosos sentimentos que essa dinâmica provoca.

 

Separação (crônica)

Voltou-se e mirou-a como se fosse pela última vez, como quem repete um gesto imemorialmente irremediável. No íntimo, preferia não tê-lo feito; mas ao chegar à porta sentiu que nada poderia evitar a reincidência daquela cena tantas vezes contada na história do amor, que é história do mundo. Ela o olhava com um olhar intenso, onde existia uma incompreensão e um anelo, como a pedir-lhe, ao mesmo tempo, que não fosse e que não deixasse de ir, por isso que era tudo impossível entre eles.

Viu-a assim por um lapso, em sua beleza morena, real mas já se distanciando na penumbra ambiente que era para ele como a luz da memória. Quis emprestar tom natural ao olhar que lhe dava, mas em vão, pois sentia todo o seu ser evaporar-se em direção a ela. Mais tarde lembrar-se-ia não recordar nenhuma cor naquele instante de separação, apesar da lâmpada rosa que sabia estar acesa. Lembrar-se-ia haver-se dito que a ausência de cores é completa em todos os instantes de separação.

Seus olhares fulguraram por um instante um contra o outro, depois se acariciaram ternamente e, finalmente, se disseram que não havia nada a fazer. Disse-lhe adeus com doçura, virou-se e cerrou, de golpe, a porta sobre si mesmo numa tentativa de secionar aqueles dois mundos que eram ele e ela. Mas o brusco movimento de fechar prendera-lhe entre as folhas de madeira o espesso tecido da vida, e ele ficou retido, sem se poder mover do lugar, sentindo o pranto formar-se muito longe em seu íntimo e subir em busca de espaço, como um rio que nasce.

Fechou os olhos, tentando adiantar-se à agonia do momento, mas o fato de sabê-la ali ao lado, e dele separada por imperativos categóricos de suas vidas, não lhe dava forças para desprender-se dela. Sabia que era aquela a sua amada, por quem esperara desde sempre e que por muitos anos buscara em cada mulher, na mais terrível e dolorosa busca. Sabia, também, que o primeiro passo que desse colocaria em movimento sua máquina de viver e ele teria, mesmo como um autômato, de sair, andar, fazer coisas, distanciar-se dela cada vez mais, cada vez mais. E no entanto ali estava, a poucos passos, sua forma feminina que não era nenhuma outra forma feminina, mas a dela, a mulher amada, aquela que ele abençoara com os seus beijos e agasalhara nos instantes do amor de seus corpos. Tentou imaginá-la em sua dolorosa mudez, já envolta em seu espaço próprio, perdida em suas cogitações próprias – um ser desligado dele pelo limite existente entre todas as coisas criadas.

De súbito, sentindo que ia explodir em lágrimas, correu para a rua e pôs-se a andar sem saber para onde…

 (Vinicius de Moraes –  Para Viver um Grande Amor)

 

Soneto da Separação

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9 de novembro de 2007
 
A terapia do divorcio objetiva a ajudar a redução da dor e a desordem, bem como maximizar a capacidade de cada um dos envolvidos para uma vida com qualidade (reestabilização e crescimento).
A decisão  é dos pacientes, mas o terapeuta pode ajudar o casal  a explorar as consequências e a  perceber que cada um dos parceiros  faz parte do processo decisório.
Norma Emiliano

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Identidade

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O nascimento de um ser não é o suficiente para que esse ocupe um lugar no mundo.

Muitas pessoas têm filhos sem planejamento ou mesmo sem motivos. É a partir  dessa premissa que ocorre o nascimento de Carlota, fruto de um caso efêmero. Filha de mãe solteira, que após um tempo de indecisão, opta pela gestação.

Ao longo dos seus primeiros sete anos vive ao lado da mãe e de um irmão, oriundo de outro relacionamento materno. Algumas vezes, Carlota ouvira a mãe dizer que não havia querido seu nascimento. Acostumou- se  a ganhar coisas usadas e a pouca organização. Aos quatro anos foi apresentada ao pai e passou a ter contatos esparsos com a família paterna (avó e tia); aos sete anos decidiram  que iria morar com o pai. Este era casado há cinco anos e tinha uma filha. Desse modo, foi inserida nesta família, e os sentimentos de rejeição, medo e exclusão irão permear seu cotidiano.

A construção da identidade ocorre através de influências de características adquiridas da personalidade,  da identificação com outras pessoas e de valores sociais. A identidade é uma concepção de si mesmo, composta de valores, crenças e metas com os quais o indivíduo está solidamente comprometido. Desta forma, os  hábitos, valores, limites, crenças vão sendo incorporadas no cotidiano infantil a partir de suas interações, principalmente com os pais e irmãos.

Entre expectativas e frustrações, entre amor e ódio, entre submissão e rebeldias os fios da mentira,  desconfiança e o medo foram sendo tecidos.

No decorrer de seis anos, retornou à casa materna por três vezes. Em todos os  retornos à casa do pai, as roupas esquecidas na casa da mãe eram motivos de conflitos com o pai. Todavia, não tinha nem um armário que fosse só seu. Dividia – o com a irmã. Seu material, roupas eram comprados sem sua opinião. O pai constantemente  lhe batia por pegá- la em mentiras.

As redes formadas pelos laços familiares constroem o pertencimento. Entretanto,  em meio a dois mundos conflituosos, que atitudes tomar? Como se comunicar? Como agradar?

Transitar entre duas residências não é questão. O que pode construir um problema é como cada um dos respectivos pais lidam com as suas diferenças e conflitos. Aquele que tenta afastar o filho do convívio de um dos genitores pode perder a confiança do filho.

Ajudar Carlota a construir sua identidade e auto-estima significa entender seus conflitos de lealdades, seus sentimentos de rejeição e exclusão. Significa ter regras claras de convivência; realizar mudanças concretas no atual espaço (moradia);  fazer sua inserção em projetos cotidianos da família; empatizar e apoiar seus conflito criando um clima de afeto e confiança para que ela possa transitar entre estes dois mundos e se enriquecer com as diferenças e não ser punida. 

 Ambientes e regras internas distintas constroem pessoas mais flexíveis; característica de grande valor nos dias atuais, tendo em vista que  o sujeito pós-moderno encontra- se  diante de uma  variedade de novidades.

Norma Emiliano

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