Posts Tagged saude/doença

Dia mundial do Idoso

 

 melhor_idade

Imagem NET

 

Minhas homenagens

 

Um ocidental em visita à China ficou surpreso de ver a quantidade de velhos saudáveis e, curioso a respeito da milenar medicina chinesa,  indagou de um experiente médico qual o segredo para se viver mais e  melhor.

 Ouviu do mesmo a sábia resposta:

 - É muito simples. É só:
 Comer a metade.
 Andar o dobro.
 E rir o triplo.”

 

“No Brasil, considera-se idosas as pessoas com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos. É o que estabelece o primeiro artigo do Estatuto do Idoso, disposto pela Lei Nº. 10.741, de 1º de outubro de 2003.” Fonte

A crescente qualidade de vida de algumas pessoas tem dificultado a caracterização  do  idoso somente pela idade cronológica. Assim sendo,  esta, hoje,  envolve um conjunto de características específicas de acuidade, mobilidade e independência

Envelhece – se como se vive. Portanto, um estilo de vida ativo  e o cultivo da  alegria de viver devem ser enfatizados desde a infância.

 Não se pode negar que problemas existem, mas há recursos preventivos. A velhice é uma etapa do ciclo vital e como as demais precisa de reorganização  (adequações).

Temos, na atualidade,  o computador como meio de informação, distração, relacionamento e atualização. Por outro lado, é  importante o sentimento de pertencimento e desenvolvimento da capacidade criativa. A família e amizades constituem pontos decisivos  na manutenção da autoestima.

Enfim, aquele que não encontrar tempo para cuidar de si (corpo e mente) acabará por encontrar tempo para doença.

 

Que este seja um dia de muitas reflexões sobre a velhice.

Norma

Tags: , ,

Blogagem Coletiva- sentimentos

 

perdao

Imagem da Internet

 

Este texto é a minha participação na Blogagem Coletiva  Emoções e Sentimentos com o tema  Perdão  sob a organização de Glorinha do blog Café com bolo.  

Aproveito, para  agradeçer a  Glorinha por nos dar essa oportunidade de  conhecermos tantas pessoas e  melhor conhecermos uns aos outros.

 

O seu perdão não tem o poder de liberar a dívida do outro, mas tem o poder de liberar você”. R.A.

 

Nos relacionamentos lidamos com as diferenças pessoais e há situações cotidianas que nos causam sofrimentos.  Todos desenvolvemos mecanismos de defesa, armas que usamos para nos defender ou atacar. No entanto,  alguns ingrediente são indispensáveis na construção da saúde mental,  entre eles a capacidade de perdoar.

Por outro lado, os fatos passados são inapagáveis, mas o sentido do que nos aconteceu, quer tenhamos sido nós a fazê-lo, quer tenhamos sido nós a sofrê-lo, não é definitivo. Os acontecimentos do passado permanecem abertos a novas interpretações. Podemos mudar a carga moral, o seu peso de dívida. É necessário atualizar as dívidas que se acumulam ao longo da vida

A partir da década de 80, encontramos  um crescente interesse a respeito da psicologia do perdão, Atualmente, estudos já mostram que o perdão faz bem para a saúde. Leia aqui

O que significa  perdoar?  É uma palavra grega e significa a liberação ou cancelamento de uma obrigação. Segundo a enciclopedia wikipédia “o perdão é um processo mental ou espiritual de cessar o sentimento de ressentimento ou raiva contra outra pessoa, decorrente de uma ofensa percebida, diferença ou erro, ou cessar a exigência de castigo ou restituição”. Assim sendo, ao perdoar, abro mão de ser juiz; reconheço que o outro errou, reconheço a dívida que o outro tem comigo, mas me dou conta que não sou eu que devo cobrar o que ele me deve.  Portanto, o perdão é o contrário do esquecimento de fuga; não se pode perdoar o que foi esquecido. O que deve ser destruído é a dívida, não a lembrança.

Não  devemos confundir o perdão com “o passar a mão na cabeça”, não por limites, pois o perdão não libera o outro da sua responsabilidade em relação aos seus atos.

No processo de cura interior  no curso do perdão, os sentimentos profundos (ira, amargura, mágoas, entre outros) precisam ser confrontados e esgotados. A cicatrização varia de indivíduo para indivíduo.  Ao perserverarmos em nossa decisão de perdoar, os mecanismos de defesas também se alteram, tornam- se mais aperfeiçoados e amadurecemos como pessoa.

O perdão hoje não é apenas mais um dogma religioso, mas uma importante orientação terapêutica.

“O que mais importa não é o que fizeram conosco, mas, sim o que nos fazemos com aquilo que conosco fizeram” Jean Paul Sartre.

 

Fonte:

Psicologia do perdão. Fábio Damasceno, IFC Editora, 1998

Perdão, uma questão de inteligência. James Well

Norma

Tags: , ,

O que alimenta?

 

 transt

Imagem Internet

 

As doenças encontram na cultura a forma de se expressar

 

 Na mesa farta, a família encontra-se reunida. A freqüência diária desta reunião ocorre à noite e é constante a ansiedade gerada por Paula, que mexe e remexe o prato enquanto todos já terminaram. Nas consultas ao clínico, os pais são orientados em relação ao estado de desnutrição da adolescente. A partir daí, várias análises foram realizadas por profissionais de diversas áreas (psiquiatria, nutrição, endocrinologia e terapia familiar).

È freqüente a associação dos transtornos alimentares à modernidade, tendo em vista à moda, realçada principalmente pela mídia, que traz a magreza como padrão de beleza. Contudo, doenças do comportamento alimentar refletem a confluência entre os fatores psicológicos, biológicos e sócio-culturais e seu tratamento integra vários níveis de análises (padrões alimentares, problemas interpessoais, familiares e psicopatologia). Faz- se necessária, portanto, uma abordagem global e integradora.

Na história de família de cada um dos membros que constitui o casal há fios que pouco a pouco foram tecidos e trazem o alimento como fonte de amor e as refeições como representação da união familiar.  Paula, a primeira filha, já em bebê, apresentou rejeição à lactose acarretando ansiedade aos pais por não conseguirem alimentá-la normalmente.

O funcionamento psicológico de uma pessoa está ligado à estrutura à qual pertence. As interações e trocas inconscientes entre os membros podem determinar perturbação psíquica em um dos membros, assim como a forma que essa tomará e como ela se desenvolverá. Nesse sentido, o terreno da patologia, como diz Minuchin (1982), é a família.

Alimentá – la passou a ser um objetivo a ser perseguido. Os outros filhos, cada um com suas características, passaram a competir com a atenção dos pais, dificultando assim a comunicação entre a irmandade. Nos momentos de maior estresse, Paula recusava-se a se alimentar e todas as atenções se voltavam para ela.

O funcionamento familiar é um elemento central na determinação, manutenção e/ou desenvolvimento dos Transtornos Alimentares. Eventos ocorridos na família (briga do casal, morte ou nascimento, etc.) podem anteceder aos Transtornos Alimentares.

Paula aliançava-se com a mãe em detrimento do pai, que era considerado pela esposa excessivamente autoritário e controlador. Ele vigiava cada alimento que Paula comia e pai e filha constantemente se atritavam.

 A história familiar da infância e da puberdade precisa ser levantada com o doente e seus familiares, permitindo a reconstrução de memória dos familiares que comporta preocupações, atitudes face ao padrão alimentar, mitos, lealdades e a auto-imagem corporal ao longo do desenvolvimento.

No decorrer da Terapia Familiar, os conflitos do casal e suas diferenças vieram à tona e o casal pôde fazer acordos e negociações que privilegiaram a relação conjugal totalmente esquecida. Uniram-se para realizar mudanças de atitudes em relação ao padrão familiar (família bem alimentada e unida), conseguindo sair da “massa indiferenciada” e ver a individualidade de cada filho.  Paula pode seguir enfrente, cuidando de si própria, ampliando a rede de amizade e terminando seu curso.

Na abordagem familiar procura-se a reconstrução de memórias, a contenção da crise familiar, clarificação e reorganização das fronteiras dos diversos subsistemas (paterno, conjugal, irmandade), definição dos papéis de cada um dos membros preparando os membros para mudanças.

Os sintomas das doenças vistos como metáforas abrem portas para o autoconhecimento e proporciona oportunidades para o crescimento individual e familiar.

 

Bibliografia

 - Organização Mundial de Saúde. Classificação de transtornos mentais e de comportamento da Cid-10. Descrições clínicas e diretrizes diagnósticas. Porto Alegre: Artes Médicas; 1993. p. 351.  

 - MINUCHIN, S. Famílias: Funcionamento e Tratamento. Trad. J.A. Cunha. Porto Alegre, Ed. Artes Médicas, 1982.

Norma Emiliano

Tags: , , , ,

Múltiplas Faces

 

sofrimento                                                                                 

Google Imagem

 

“Arranco meus olhos só pra não enxergar.
Todas as torturas que estão pra começar”  
                  Ratos do Porão

 

A vida apresenta-se de tantas formas e traz, por vezes, um sentido tão cruel e tamanha dor que acarreta para alguns incompreensão e descrença de um SER maior que protege e acolhe. Por mais que se empatize com o outro, a própria dor é sempre a maior e ela traduz a expressão da subjetividade (mundo interno). Diante do sofrimento sucumbimos ou o superamos.

No rosto, no olhar, na postura o sofrimento se revela. As palavras são uma mera confirmação da dor na alma. Sucessivas situações provocaram lhe sentimento de impotência diante da contingência da vida. A mãe e pai tornaram – se portadores de câncer, ela própria recuperando – se, também, desse mal.  No decorrer de um ano, o pai veio a falecer e a mãe sofre uma recaída.

Nela as seqüelas das perdas, o desgaste das doenças e o imperioso dever de ter de cuidar da mãe e proteger o cotidiano dos seus próprios filhos.

Não tem uma rede de apoio familiar ou de amizades que possa aliviá – la do desgaste físico e emocional. Sua atual muleta é literalmente a muleta que carrega para não cair devido às crises de dores da coluna que afetam a sua perna direita. Não compreende tanto sofrimento! Sente-se descrente.

É  difícil aceitar a dor e o sofrimento inerente à vida. Todos almejam a felicidade. No entanto, há quem diga que a dor é extremamente benéfica quando encarada como um todo, pois a vida sem incômodos, paixões e sofrimentos levaria ao estado de imobilidade.  Para o psiquiatra Alexandre Lowen, “podemos aceitar a dor desde que não estejamos presos a ela. Podemos aceitar a perda, se soubermos que não estamos condenados a um luto contínuo. Podemos aceitar a noite porque sabemos que o dia nascerá…” Neste sentido, Naomi Remen, em seu livro As bênçãos de meu avô, refere-se à dor partindo da seguinte premissa: “a dor que não é sofrida transforma-se numa barreira entre nós e a vida. Quando não sofremos a dor, uma parte nossa fica presa ao passado”.

Esses autores trazem a aceitação da dor como uma possibilidade de evolução, de transformação. Portanto, “integrar o sofrimento à vida pode ajudar a se ter mais força para o combate”, já afirmava a filósofa francesa Chantal Thomas. No entanto, para tal, o amor próprio precisa romper esferas da intimidade (culpa, rejeição, vergonha, etc.) que muitas vezes são desconhecidas; vencer as armadilhas da vida com paciência e persistência; sempre recomeçar.

Bibliografia
Lowen Alexander. A Alegria a entrega ao corpo e à vida. Ed. Summus, 1997
Remen. N. Rachel. As Benções do meu avô. Ed Sextante. 2001

Tags: , ,

Prevenção

090401_vidasaudavel

 

Prevenção, pensando em família

A vida humana é um tecido sem emendas, feito de fios biológicos, psicológicos, sociais e culturais, não existem problemas biológicos sem implicações psicossociais, e não existem problemas psicossociais sem implicações biológicas, psicológico, individual, familiar e comunitário” ( DANIEL 1994, p.1-2).

A forma como cada família cuida de seus membros e como cada membro cuida de si é singular e tem a ver com os relacionamentos interpessoais e intergeracionais de seus membros.  Isto significa que crenças, mitos, valores influenciam a forma de se lidar com a saúde e a doença e determinam ações que  constituem o estilo de vida. Ex de crenças: lavar cabeça depois das refeições; não tomar leite com abacate, etc.

Estilo de vida é um conceito amplo que inclui a pessoa como um todo. “É agregado de decisões individuais que afetam a vida do indivíduo”.( Lalonde ,1974 p.32)  É”um aglomerado de padrões comportamentais, intimamente relacionados, que dependem das condições económicas e sociais, da educação, da idade e de muitos outros fatores” (WHO,1988, p.114).

Os aspectos do estilo de vida se combinam para influenciar a saúde individual em todas as áreas: Física, Mental, Espiritual e Social. O estilo de vida interfere no corpo e na mente. Ele pode ajudar ou não o indivíduo a se proteger de doenças e a impedir ou não que as doenças crônicas piorem.

Saúde e doença não são estados ou condições estáveis, mas sim conceitos vitais, sujeitos a constante avaliação e mudança. A Organização Mundial de Saúde (OMS), desde 1946, define saúde não apenas como a ausência de doença, mas como a situação de perfeito bem-estar físico, mental e social. A doença não é uma coisa em si própria, sem relação com a personalidade, a constituição física ou o modo de vida do paciente .

Portanto, partindo de uma concepção ampla do processo saúde-doença e de seus determinantes podemos observar que as doenças podem ser encaradas como sinais das dificuldades pessoais de lidar com os diversos obstáculos que a vida nos apresenta. Assim, a doença, momento de parada obrigatória, pode também possibilitar: o repensar sobre os aspectos psicosociais que podem ter provocado uma baixa imunológica permitindo que a doença surgisse, bem como o redescobrir  recursos pessoais (familiares) que podem ser  reutilizados para ajudar na melhora.  E aqui estou me referindo aos padrões de comportamento que se tornam tão automáticos que por vezes não nos damos conta que precisam ser alterados. Ex: Sair pela manhã sem se alimentar pode ter dado certo até certo momento em outro pode estar ocasionando mal-estar.

Alguns autores afirmam que os procedimentos para a promoção da saúde incluem: um bom padrão de nutrição, ajustado às várias fases do desenvolvimento humano; o atendimento das necessidades para o desenvolvimento ótimo da personalidade, incluindo o aconselhamento e educação adequados dos pais, em atividades individuais ou de grupos; educação sexual e aconselhamento pré-nupcial; moradia adequada; recreação e condições agradáveis no lar e no trabalho. Trata-se, portanto, de um enfoque da promoção da saúde centrado no indivíduo, com uma projeção para a família. Assim sendo, família tem papel primordial na vida saudável dos seus membros, pois a família constrói saúde e cada um  de nós, como representantes de uma família,  pode ser elemento de mudança e multiplicador de uma cultura de prevenção através do exemplo, informação e diálogo.

 

Referências bibliográficas:

Lalond, M. (1974). A new perspective on the health of Canadians. Ottawa; Minister of National Health and Welfare.

MCDANIEL,Susan & Cols. Terapia Familiar Médica, um enfoque Biopsicossocial  às Famílias com Problemas de Saúde., Tradução Dayse Batista,  Porto Alegre: Ed Artes médicas, 1994.

Who (1988). Priority research for health for all. Copenhagen: World Health Organization

 

Norma

Tags: , , , ,

Construção do afeto

 family

 

A união bem sucedida exige o sacrifício e a substituição de nossos antigos vínculos com os pais”.  Bert Heelinger 

     

O medo invade o clima familiar. O filho mais velho não consegue dormir sem um dos pais. Divide o quarto com a irmã, mas isto não lhe dá segurança. É visível o sofrimento de todos.

Na perspectiva sistêmica, consideramos o sintoma em um dos membros a forma de expressão da dificuldade da família em evoluir, para atingir novos estágios do ciclo familiar.

A construção do cotidiano do casal e da família está inserida numa cadeia histórica, que envolve muitos personagens incluindo três ou mais gerações.

No contar das histórias, alinhavamos os fatos e encontramos pontos comuns do medo que veio permeando as diversas gerações de ambas as famílias de origem. De um lado, um avô austero e dominador, a quem todos temiam. Do outro, uma avó louca, que a todos atormentava em suas crises.  “As relações com o passado exercem poderosa e duradoura influências  em nossas vidas.” Michael P. Nichols

Hoje, a instabilidade do casal vem à tona através do medo do filho. Durante os primeiros anos eles compartilharam do mesmo do teto dos pais dele (cônjuge masculino). Estes, pais, mantinham uma relação de fachada e acabam separando- se. Em meio a tudo isto, a família (nuclear) passou a se constituir de três membros e aguardava o nascimento do segundo filho.

Foi difícil para todos recomeçar. O filho mais velho muito apegado aos avós sentiu- se abandonado. Por outro lado, com o nascimento da menina, a avó materna precisou se aproximar para ajudar.  Com a ajuda, vieram as interferências sem os devidos limites, e o casal começa a se desestabilizar.

Após alguns anos, de acirrado conflito entre genro e sogra, ela sofre um ataque cardíaco e morre. Neste momento, começam a surgir as discussões entre o casal, as insônias e queixas de medo do filho.

A dificuldade do casal de assumir o novo “status”, de ser menos dependente dos pais diluiu a energia amorosa da família nuclear. Diante da dependência dos pais, o casal não estabeleceu suas fronteiras, e a emoção familiar foi impregnada pelas mágoas, inseguranças e desamor.  Quando se casam, os cônjuges precisam mudar a natureza de seus relacionamentos com os pais e demais parentes como, também, os critérios de lealdade.

A construção de um ambiente saudável e afetivo exige a coragem de encarar o medo de perder os vínculos, o sentimento de culpa, de aceitar o que acontece, e cada um tomar para si a co- responsabilidade das questões. Quando elaboramos nossos medos descobrimos forças internas que nos fortalecem para superação dos obstáculos que a vida nos impõe.

Norma Emiliano

Tags: , , , ,

Rítmo da vida moderna

 TEMPO_~1

 A sensação que se tem é de que falta tempo!!!

 

Desde a segunda metade do século do séc XVII,  a mudança do controle do tempo social  ( do natural para mecânico)  começou a acarretar alterações significativas na sociedade da época, sendo que a principal delas foi à mudança da disciplina do trabalho.  Com a industrialização, as máquinas passaram a determinar o ritmo de vida da humanidade.

O mundo atual  favorece, mais e mais,  condições e  estímulos às pessoas  para   ficarem sempre muito  ativadas,  aumenta  a tendência da diminuição do tempo do repouso, do tempo das interações familiares  e quase que invibializa a atitude de introspecção,  pois  as pessoas estão sempre com pressa .  Inclusive,  já se menciona “a doença da pressa”.

Neste sentido, numa parada para reflexão, sugiro a leitura do poema de Pablo Neruda.

 

“Se não estivéssemos tão empenhados
Em manter nossa vida em movimento,
E pelo menos uma vez pudéssemos não fazer nada
Talvez um enorme silêncio
Pudesse interromper a tristeza
De nunca entender a nós mesmos
E de nos ameaçarmos com a morte”

“Ficando em Silêncio”, Pablo Neruda

 

Tags: , , ,

Sobre cura

 ventos

 

Hoje, ao nos determos no processo saude/doença consideramos os fatores biológicos, econômicos,  psicológicos , culturais e sociais. Baseada no estudo de alguns autores, introduzindo o conto abaixo, enfatizo  algumas premissas sobre o processo que envolve adoecimento e cura:

- a maneira como lidamos com a vida se repercute em nossa saúde, ou seja, não se está com saúde ou doença por acaso.
- os sintomas nos alertam que um dano foi causado ao individuo.
- o ser humano necessita ser amado, sentir-se pertencente.
- os sentimentos negativos de vingança, ressentimento e raiva intoxicam o indivíduo e o adoece.

Nas palavras de Dimas Calegari (2001), a evolução do indivíduo ocorre da sequinte forma: ” da luta com a doença sobrevém a saúde, do embate com o ódio sobrevém o amor, da ignorância a consciência, da dor o prazer da auto-realização, da contração a expansão!”.

 O conto a seguir faz uma junção entre os sentimentos, emoção e o câncer convergindo com os autores que exaltam o amor e a compaixão como o melhor antidoto de proteção à vida.

 

“O vento que sopra pelas flores “. Uma história ( sobre CURA)

Há vários anos atrás, em Seattle, Washington, vivia um refugiado tibetano de 52 anos de idade. “Tenzin”, é como vou chama-lo, foi diagnosticado como portador de uma forma de linfoma das mais fáceis de curar. Ele foi internado em um hospital e recebeu a primeira dose de quimioterapia.
Mas durante o tratamento, este homem normalmente gentil tornou-se agressivo e irritado; arrancou a agulha intravenosa de seu braço e negou-se a cooperar.

Ele então gritou com as enfermeiras e discutiu com todos ao seu redor. Os médicos e enfermeiros ficaram desconcertados.
Depois, a esposa de Tenzin falou com o pessoal do hospital. Ela contou que Tenzin foi um prisioneiro político dos chineses por 17 anos. Eles mataram sua primeira esposa e ele foi repetidamente torturado e brutalizado durante todo o tempo em que esteve preso.

As normas e regulamentos do hospital, juntamente com a quimioterapia, fizeram Tenzin  recordar todo o sofrimento que passou nas mãos dos chineses.
“Eu sei que vocês querem ajuda-lo,” ela disse, “mas ele se sente torturado pelo tratamento. Eles fazem com que ele sinta ódio
internamente ” da mesma maneira que os chineses fizeram ele se sentir. Ele prefere morrer do que viver com o ódio que ele está sentindo agora. E, segundo nossas crenças, é mito ruim ter tamanho ódio no coração na hora da morte. Ele precisa estar apto para rezar e limpar seu coração.”

Assim, o médico dispensou Tenzin e recomendou uma equipe da clínica de repouso para visita-lo em casa. Eu era a enfermeira encarregada de cuidar dele. Eu entrei em contato com um representante da “Anistia Internacional” para pedir-lhe conselhos. Ele me disse que a única forma de sanar o trauma da tortura era “falar a respeito”. “Essa pessoa perdeu sua confiança na humanidade e sente que a esperança é impossível.” Mas quando eu encoragei Tenzin a falar sobre suas experiências, ele ergueu suas mãos e me fez parar. Ele disse, “Eu preciso aprender a amar de novo se eu quiser curar minha alma. Sua tarefa não é fazer perguntas. Sua tarefa é me ensinar a amar novamente.”

Respirei profundamente e perguntei, “E como eu posso faze-lo amar de novo?” Tenzin respondeu prontamente, “Sente-se, tome meu chá e coma meus biscoitos.” O chá tibetano é um chá preto forte, coberto com manteiga de iaque e sal. Não é fácil de bebê-lo! Mas, foi o que eu fiz. Por várias semanas, Tenzin, sua mulher e eu nos sentamos juntos e tomamos chá. Nós também conversamos com os médicos para achar formas de tratar suas dores físicas. Mas era sua dor espiritual que deveria ser diminuída. Cada vez que eu chegava, via Tenzin sentado de pernas cruzadas em sua cama, recitando preces de seus livros. Com o passar do tempo, sua mulher foi pendurando mais e mais “thankas” – badeirolas budistas coloridas – nas paredes. Em pouco tempo, o quarto parecia um colorido templo religioso. Na chegada da primavera, eu perguntei o que os tibetanos faziam na primavera, quando estavam doentes. Ele abriu um grande sorriso e disse,”Nós nos sentamos e aspiramos o vento que sopra pelas flores.”
Eu pensei que ele estava falando poéticamente, mas suas suas palavras eram literais. Ele explicou que os tibetanos fazem isso para serem pulverizados com o pólen das novas floradas, carregadas pela brisa. Eles acreditam que esse pólen é um potente   medicamento. No primeiro momento, achar muitas floradas parecia um pouco difícil. Mas, um amigo sugeriu que Tenzin visitasse algumas floriculturas locais. Eu liguei para o gerente de uma floricultura e expliquei-lhe a situação. Sua reação inicial foi “Você quer o que?” Mas quando eu expliquei melhor o meu pedido, ele concordou. Então, no final-de-semana seguinte, eu busquei Tenzin, sua esposa e suas provisões para a tarde: chá preto, manteiga, sal, chícaras, biscoitos, almofadas e livros de preces. Eu os deixei na floricultura e combinei de pega-los às 17 horas. No outro final-de-semana, visitamos uma outra floricultura. E mais outra no terceiro fim-de-semana. Na quarta semana, eu comecei a receber convites das floriculturas para Tenzin e sua mulher para voltarem novamente. Um dos gerentes disse,”Nós temos uma nova remessa de nicotianas e lindas fuchsias” ah, sim!
E temos belas dafnias. Eu sei que eles vão adorar o perfume das dafnias! E eu quase me esqueci! Temos uns novos bancos de jardim que Tenzin e sua esposa vão adorar!”

No mesmo dia, outra floricultura ligou dizendo que eles tinham recebido birutas coloridas para Tenzin saber de que direção o vento estava soprando. Logo, as   floriculturas estavam competindo pelas visitas de Tenzin. As pessoas começaram a se importar com o casal tibetano. Os empregados arrumavam os móveis de frente para o vento.
Outros traziam água quente para o chá. Alguns fregueses regulares deixavam seus carrinhos de compras próximos do casal. E no final do verão, Tenzin voltou ao seu médico para novos exames e determinar o  desenvolvimento da doença. Maso doutor não achou nenhuma evidência de câncer.

 Ele estava abobalhado; disse a Tenzin que ele simplesmente não sabia explicar aquilo.  Tenzin levantou seu dedo e disse:
“Eu sei porque o câncer se foi. Ele não podia mais viver num corpo tão cheio de amor. Quando eu comecei a sentir a compaixão das pessoas da clínica, dos empregados das floriculturas, e todas essas pessoas que queriam saber de mim, eu comecei a mudar por dentro. Agora, eu me sinto afortunado por ter a oportunidade de ser curado dessa forma. Doutor, por favor, não acredite que a sua medicina é a única cura. Às vezes, a compaixão pode também curar um câncer.”

De Lee Paton

Tags: , , , , ,

Get Adobe Flash playerPlugin by wpburn.com wordpress themes