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O sabor do afeto

Numa das blogagens coletivas- Vida Simples – eu fiz um post que  me reportou à culinária associando – a  ao afeto e que hoje reedito com o título que dei ao texto, mas com uma proposta de compartilharmos resiliências.

SABOR DO AFETO


Quando eu era menina e estava com alguma alteração no meu estado de saúde, minha mãe ia para a cozinha.  Logo depois, de onde eu estivese sentia o aroma do fuba invadir o espaço. Passado alguns minutos, lá vinha ela com um pratinho me oferecendo mingau.

Este gesto, o cheiro e o gosto do mingau constituiram em minha mente um ato de AMOR da minha querida mãe.

Simples e divino!  Todas as vezes que me  percebo carente, mesmo após dezenas de anos, vou à cozinha e preparo o mingau de fuba.

Cada colherada tem um significado especial, pois é  tocar a  minha alma com o carinho e dedicação recebidos na infância. Assim sinto- me reconfortada e vitalizada.

O afeto transformado e doado em forma de alimento.

Partindo desta minha experiência,  pergunto a você:  Qual a a comida que lhe faz recordar de alguém significativo? Ela está ligada a que fato e sentimento?

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Divulgação: Série-A criança que fui

 

A nossa criança  interior guarda as experiências afetivas vividas no passado.” R S.

 

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O nascimento da criança é um desdobramento da VIDA e da FAMÍLIA, e o lugar que cada criança ocupa neste contexto ( primogênito, do meio, caçula) traz marcas efetivas relacionais e à sua personalidade. (Tomam, 1978).

 Os primeiros cinco anos de vida constituem- se na fase mais marcante do ser humano. É o momento em que os neurónios se organizam intensamente, e em que o cérebro fisicamente se desenvolve  interligado com o afeto, o ambiente, as regras e o contexto familiar e social. Nesta fase aprendemos a amar e ser amado, a interagir, a estabelecer nossos princípios e valores, sendo os pais e/ou responsáveis as principais fonte do desenvolvimento.

 Com a Série A criança que fui, o objetivo é enfatizar a importância das experiências infantis para o desenvolvimento psicossocial do indivíduo, enfim na formação da personalidade.

 

 Em 08/10/2010,  iniciou se a Série: A Criança que fui,  tendo a querida Beth do blog Mãe Gaia, compartilhando o relato da sua infância e o reflexo na sua vida atual.

Em  18/10/2010, houve o relato do Caca do blog uaimundo; em 25/10 da chica  blog lugarescoloridos.

 A cada segunda feira teremos  um novo relato

 Se desejar divulgar copie o selo.

 Venha participar. Envie o seu relato para o e-mail: asterfam@ajato.com.br.

O relato da proxima segunda,  01/11 é do nossa querida amiga  amiga Tati  do blog perguntasemrespostas

Norma

 

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“Velhice, por que não?”

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Google Imagem

 

 Lya Luft, brasileira, gaúcha,  iniciou sua vida literária em 1980, aos 41 anos . É conhecida  por sua luta contra os estereótipos sociais. É romancista, poetisa e tradutora . 

Nasceu no dia 15 de setembro de 1938, em Santa Cruz do Sul. Formou-se em letras anglo-germânicas e tem mestrado  em  Literatura brasileira e Linquística Aplicada. Trabalha desde os 20 anos como tradutora de alemão e inglês.

Publicou livros de poemas, romances e novelas, tendo textos seus adaptados para o teatro. Atualmente, dedica-se apenas à Literatura e à tradução de literaturas inglesa e alemã.

 Ficou viúva duas vezes, tem  três filhos e  vários netos.  “Mulher madura, experimentou perdas e ganhos, mas mantém o otimismo, ama a vida”. (Perdas & Danos)

Em entrevista a revista a revista Contigo/05/ 2009, revela que “a literatura jamais seria a minha maior  felicidade. Minha felicidade está na  família, no marido, nas amizades, em coisas reais e vitais (…) Sou uma mulher em busca de simplicidade, que curte a vida com tranquilidade  e certa beleza”.

Obras

Romances

As Parceiras (1980, hoje na 18ª edição).
Reunião de Família (1982).
O Quarto Fechado (1984).
Exílio (1987).
A Sentinela (1994).
O Rio do Meio (1996).
O Ponto Cego (1999)

Poesia

Mulher no Palco (1984).
O Lado Fatal (1988).
Secreta Mirada (1997)

Obras traduzidas no exterior

Alemanha: ‘As Parceiras’ e ‘Reunião de Família’ (ambas pela Editora Klett-Cota-Verlag)
Inglaterra: ‘Exílio’ (Ed. Carcanet)
Itália: ‘A Asa Esquerda do Anjo’
Estados Unidos: ‘O Quarto Fechado’

 

Velhice, por que não?

 “Para a vovó a beleza foi um tormento, porque o tempo não se detinha e desde moça seu maior pavor era perder aquele bem supremo. Olhava-se nos espelhos procurando uma primeira ruga, uma primeira dobra. Uma primeira manchinha.
Quando chegou aos 60 anos quase morreu de dor, andava pela casa gritando:
- Eu odeio fazer 60 anos! Eu não aguento fazer 60 anos!
Não adiantava as pessoas dizerem que parecia nem ter 40 tão conservada. Argumentavam com ela:
- Tente imaginar que você está conquistando a maturidade em vez de perder a juventude; e que um dia vai ganhar a velhice em vez de perder a maturidade. Não é muito mais natural pensar assim?

 Mas Vovó não aceitava, para ela o natural não era natural:
- Eu odeio pensar que estou ficando velha. Não aceito, não aceito, pronto.
 As primeiras cirurgias leves tinham-lhe feito bem: removeram um traço amargo, um sinal de cansaço prematuro. Depois seu médico lhe disse:
         – Vamos deixar a natureza agir um pouco e o corpo descansar. Não abuse.
 Ela então foi procurar outros médicos, que faziam suas vontades. Desconfiando o indesafiável e excedendo seus limites, foi entrando no irreal.
 Mas as ilusões não continham mais tempo, e o costurado voltava a descoser. Minha Avó foi-se isolando. Apartou-se das amizades, deixou as festas, não gostava mais de ninguém. Começou a delirar reclamando que todo mundo a apontava nas ruas, nas lojas, nos restaurantes: Lá vai aquela velha.
 Cada vez mais difícil de lidar e conviver, exigia o que ninguém podia lhe dar: o tempo congelado. Aos poucos foi sendo devorada por dentro também.
 O rosto da minha Avó, de tanto ser remendado, foi-se tornando outro. Mudou o olho, mudou o nariz, mudou o queixo, mudou até a orelha. No fim nada mais dela era dela”.
        (O ponto cego, 1999)

Lya Luft

 
Fontes:
 
Luft L. Perdas e Ganhos. Ed. Record, 2004.

http://www.releituras.com/lyaluft_bio.asp

http://pt.shvoong.com/books/biography/1659990-lya-luft-vida-obra/

 http://educarparacrescer.abril.com.br/leitura/lya-luft-468503.shtml

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