
Renoir
Cada pessoa é a soma de pequenos detalhes por isto não pode ser substituída.
Era uma vez, um rapaz que olhava para uma bela jovem, com nítida dificuldade de manter os olhos afastados dela; parecia estar em transe. Por sua vez, uma jovem se perguntava o que fazer para encorajar um homem por quem ela se interessava?
Don Juan DeMarco é um personagem que representa o poder da sedução, de exercer fascínio sobre as mulheres. Seria uma habilidade pessoal ou todos os seres humanos têm intrínseco este poder?
Segundo o Dicionário Aurélio, seduzir vem de seducere, quer dizer, levar para o lado, desencaminhar e também atrair, encantar, fascinar, deslumbrar. Assim, como tudo na vida tem os dois lados, tem um lado positivo e outro negativo, pois a manipulação e o poder também estão presentes.
Na dança relacional, qualquer situação é levada a efeito se os envolvidos estiverem num encaixe, mesmo que inconscientemente, ou seja, ninguém seduz se o outro não se deixar seduzir. Baudrillard (2002, p. 88) diz que : “Cada um é, sem dúvida, presente com sua vontade e seu desejo, mas no íntimo, as decisões e os pensamentos lhe advêm de outra parte”.
Todos, em maior ou menor escala, somos sedutores e seduzidos. As nossas atitudes e realizações são modelos para outros, influenciam, e muitas vezes sem termos a menor consciência do fato e vice-versa.
Na atualidade, o consumismo advindo do capitalismo tem como base a sedução de consumidores. Entretanto, nas relações humanas a fragilidade dos vínculos relacionada a
à fluidez dos relacionamentos traz como consequência um processo de desgaste da sedução. A desesperança e violência a vem substituindo pela fria racionalidade sem a intenção de desenvolver a afetividade. ( Baudrillard, 2002)
Neste sentido, o consumismo, na cultura atual, prevalece em relação à sedução, bem como a satisfação imediata do desejo, através do sexo, acabou com o romantismo e colocou a sedução em segundo plano.
Paradoxalmente, há um grande desejo dos indivíduos por estabelecerem relacionamento e um intenso receio de perder-se neste amor. Para Baudrillard “o ser humano está sempre jogando com a sedução, fugindo constantemente através do outro na sua tentativa incessante e interminável de encontrar a si mesmo.”
Norma Emiliano
Referência bibliográfica
BAUDRILLARD, Jean. A troca impossível. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2002.






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