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Linhas cruzadas

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Gonçalves Emanuel Pinheiro Fidaldo. olhares.aeiou.pt/linhas_cruzadas_foto2613228.html

 

Depois de tudo, somos um, você e eu, juntos sofremos,  juntos existimos e para sempre recriamos um ao outro.”
 Teilhard de Chardin.

 
Na atualidade é comum que as relações não perdurem. Isto traz, como conseqüência, diversas modalidades de relacionamentos que favorecem um novo entrelaçamento entre as pessoas envolvidas. Sob esta perspectiva, considerando que cada um dos parceiros traz consigo uma bagagem pessoal (interna e externa), tecer os fios não é muito simples.

Normalmente, os novos casais que se formam, após separação ou morte do cônjuge, depararam –se com as diferenças oriundas das suas próprias famílias de origem (pais, avós, etc), com as experiências que tiveram com seus relacionamentos íntimos e com as conseqüências da forma como a separação ou luto ocorreu, ou seja: mais sóbrio ou mais dramático. Assim, o tempo pode ser uma rede de proteção para a nova união, pois pode favorecer a resolução dos conflitos anteriores, o melhor conhecimento do atual parceiro, das diferenças pessoais  e o maior equilíbrio emocional.

 È comum que as pessoas reajam aos novos relacionamentos com o referencial da relação anterior, o que leva às distorções na interpretação das atitudes do novo parceiro, dificultando a interação. Poder estar no aqui e agora requer um bom conhecimento de si próprio para poder agir ( racionalmente)  e não somente reagir  (envolver-se emocionalmente).

É notório que conviver é um dos maiores desafios do ser humano. As novas modalidades de relacionamento tornam ainda mais complexa a convivência, pois o cruzamento dos diversos personagens ( filhos, ex-sogros, enteados, meio-irmãos, etc)  leva à necessidade de uma maior flexibilização da forma de ser de cada um dos envolvidos.

Já encontramos casais que optam por casas separadas e sem o envolvimento das respectivas famílias, mantendo uma fronteira rígida. Contudo, isto não evita que as outras pessoas, que participam da vida de cada um, transcendam os espaços geográficos e influenciem ou acabem se transformando em fantasmas na relação a dois.

 Desta forma, é importante o reconhecimento de que cada experiência é única,  mas que o passado não pode ser apagado. Muitas personagens antigas fazem parte desta nova construção. Portanto, para lidar com tudo isto cada casal vai precisar criar sua própria regra de convivência, o que significa muitas vezes em ter que se resgatar as histórias anteriores e se construir pontes. É um trabalho diário de amor, paciência e tolerância .  
                       
Norma Emiliano

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Acorrentada

A preocupação com a doença é uma ameaça constante ao seu cotidiano. Busca a prevenção, os cuidados necessários, na tentativa de bloquear qualquer ataque. Porém, esqueceu-se do seu eu e acaba surpreendida com vários sintomas que a levam de tempo em tempo às intervenções cirúrgicas, à mutilação do corpo.

Manteve firme a postura impecável. Ninguém podia saber o que se passava. Solitariamente, foi buscando os tratamentos cabíveis. Não entendia por que seu corpo não lhe obedecia.

A todo custo, continuou sua tarefa, mas o pânico tomou-a. Perguntava – se: como agora esconder que não sou o que mostrava. Não conseguia sair mais de casa. Muito medo. A morte a assombrava.

Os fantasmas do passado a perseguiam. Não pôde deixar a menina brincar, a alegria crescer. Diante das contingências da vida, a responsabilidade lhe tocou muito cedo. Precisava ser forte. Não podia demonstrar sua tristeza, sua solidão, seu medo. Virou adulta e acorrentada aos seus fantasmas. Não pôde ser ela.

A profissão, fonte maior do seu prazer; a competência, seu maior escudo. Agora o que resta? Sente que a vitalidade se esvai. Pensa! Eu estou viva! Será que tenho tempo de reconstruir minha história, descobrir tesouros ocultos, fazer uma caminhada pontuada pela verdade, pela afetividade? Ser humana e apenas viver?

“Aceitar as estrelas que trazemos é o que faz a diferença entre o que queremos ser e o que verdadeiramente somos.” José Oliva

Norma Emiliano

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