
A Uma Passante
A rua, em torno, era ensurdecedora vaia.
Toda de luto, alta e sutil, dor majestosa,
Uma mulher passou, com sua mão vaidosa
Erguendo e balançando a barra alva da saia;
Pernas de estátua, era fidalga, ágil e fina.
Eu bebia, como um basbaque extravagante,
No tempestuoso céu do seu olhar distante,
A doçura que encanta e o prazer que assassina.
Brilho... e a noite depois! - Fugitiva beldade
De um olhar que me fez nascer segunda vez,
Não mais te hei de rever senão na eternidade?
Longe daqui! tarde demais! nunca talvez!
Pois não sabes de mim, não sei que fim levaste,
Tu que eu teria amado, ó tu que o adivinhaste!
Charles Baudelaire
Fonte
Bom final de semana
Norma
Tags: Poesia
Finalizo as homenagens dos poetas nascidos em setembro com Juvenal Galeno da Costa e Silva que nasceu em Fortaleza, CE, em 27 de setembro de 1836, e morreu na mesma cidade,aos 95 anos.

Seus versos reproduzem os costumes, as crendices, os folguedos, os sentimentos e a bravura do povo de sua terra.
Soneto
Quanta lucta, meu Deus, quanta aspereza
Nos caminhos da vida, em toda a parte!
Como a dor fatalmente se reparte
No reino, todos os tres, da natureza.
Do mais pequeno insecto, a mór grandeza;
Em tudo que, o viver térreo comparte;
Do mais ignorante ao de mais arte:
Dos humildes até á realeza.
É que tudo tem alma, evoluindo,
Que parte das maiores profundezas,
As montanhas mais altas attingindo.
E na longa ascensão, quantas surprezas;
Quantas vertigens; que mysterio infindo;
Que immenso labyrintho de incertezas.
Em: Fortaleza, 5, fev. 1907.
Fonte
Norma
Tags: Poesia
Gloria Leão, escritora, poetisa, publicitária, blogueira , nascida em 18 de setembro no Rio de Janeiro.

Amor Agarradinho
“Plantei no meu jardim
mudas de jasmim
mas quando dei por mim
nem tinha cheiro
o jasmineiro
Notei enfim
que o amor agarradinho
não agarra
nem um tiquinho
que a unha de gato
não arranha
não tem unha
e nem é de gato
só serve de morada
para o carrapato
Vi, sem graça
que a mangueira
dá umas mangas
cheias de fiapos
Que a roseira
as formigas comem
E a jabuticabeira
mal dá
meia dúzia
de flores sem pólen
e quando
dá
frutos mirrados
os pássaros roem.
Não há adubo
esterco
farinha de ossos
que faça nascer
ou brotar
beleza
onde
há tanta tristeza.
Meu jardim
anda assim
feinho e sombrio
a precisar de cuidados
pra que rebrote
com força
cheia de amor agarrados…”
Livro publicado

criia2@hotmail.com
FELIZ ANIVERSÁRIO
Norma
Tags: Poesia
Inicio, hoje, minhas homenagens a poetas que nasceram no mês de setembro.
Manuel Antônio Álvares de Azevedo nasceu na cidade de São Paulo em 12 de setembro de 1831.
