As mudanças ocorridas no cotidiano das famílias, decorrentes do crescente investimento das mulheres ao trabalho, têm se caracterizado em condições mais igualitárias entre os homens e as mulheres. No entanto, para mulher/mãe trabalhar fora de casa exige alternativas em relação ao cuidado infantil. Essas variam de caso para caso e, inclusive, da condição econômica da família e da disponibilidade de substitutos para a mãe ou da rede de parentesco.
Por outro lado, as separações conjugais e os recasamentos fragmentam e fragilizam os laços familiares, o que traz como conseqüência a movimentação das crianças entre os vários lares compostos por pessoas com diferentes valores e atitudes. Somam – se a esses fatores a forte e constante influência dos eletrônicos, principalmente computadores e TV, que se constituem em entretenimento e substitutos da sociabilidade real entre pais e filhos, parentes amigos e vizinhança.
As escolas, por sua vez, deparam-se com uma diversificação muito grande de valores e padrões de comportamento que tornam cada vez mais difícil traçar um perfil da normalidade dos comportamentos infantis, bem como delimitar o seu papel.
Enfim, todos estes fatores contextualizam, num sentido genérico, a educação compreendida como resultado da intervenção da família e da escola.
Como então pensarmos nos filhos desrespeitosos e alunos indisciplinados?
Neste sentido, cabe ressaltar que a mídia, a família, a escola possuem objetos e objetivos diferenciados.
O trabalho familiar consiste em ordenar a conduta da criança, através da moralização de suas atitudes e hábitos.
O trabalho da escola é propiciar o conhecimento sistematizado e ordenar o pensamento do aluno através da repropriação do legado cultural. Enquanto, a mídia tem como função a difusão da informação.
Portanto, partindo-se do pressuposto da corresponsabilidade das situações, talvez possa se considerar o desrespeito e a indisciplina da criança ou adolescente como uma resposta ao que lhe é oferecido. Enfim, um sinal de alerta sobre as relações seja do professor com seu campo de trabalho e dos pais com seu campo familiar ( papel e funções). Por conseguinte, as posturas diante da vida constituem a principal fonte de transmissão de educação.
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