Posts Tagged pais/filhos

Hanami, cerejeira em flor

 

Assisti e recomento o filme Hanami, Cerejeira em flor, dirigido pela alemã  Doris Dörrie. 

O filme é  alemão,  tem como pano de fundo a cultura japonesa (terra do sol nascente). A trama se desenvolve com  Rudi Angermeier (Elmar Wepper) e Trudi Angermeier (Hanellore Elsner), casal de terceira idade com uma vida rotineira e tranquila.

 A esposa recebe a notícia que seu marido Rudi está sofrendo de uma doença terminal. Ela decide seguir  a sugestão médica de aproveitar este  últimos momentos  para viajar ou realizar alguns de seus sonhos. Seu desejo é conhecer o Japão, porém decide primeiro visitar os filhos e netos em Berlim. Nesta primeira viagem, a relação de pais e filhos denunciam as questões da etapa de vida do ciclo familiar em que os filhos, com suas próprias vidas,  não têm tempo para seus pais.  

Na  segunda viagem,  ela morre repentinamente. Rudi fica  sem chão, sem saber o que fazer. Através do contato com a amiga de sua filha, ele compreende que o amor da esposa por ele havia feito com que ela abandonasse seus sonhos e   começa a vê-la com outros olhos. Assim,  vai procurar  compensar sua vida perdida embarcando em uma última jornada, para o Japão, na época do festival das cerejeiras, uma celebração da beleza,  da impermanência e de um novo começo.

A partir daí,  são apresentadas cenas belíssimas de sua  jornada em busca da essência de uma das formas de expressão que sua mulher mais admirava: o butô, uma dança típica oriental.

A trama  traz  uma bela mensagem de amor e  da imprevisibilidade da vida e morte.

Norma

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Conflitos familiares

 

Os conflitos são inerentes ao processo de evolução dos seres humanos.

A relação em família é complexa, pois cada ser humano é singular em relação a sua história, temperamento, idade, composição genética, etc..  No jogo relacional há alianças e luta pelo poder.

Nos diversos relacionamentos, as diferenças individuais quanto às percepções e necessidades emergem, pois cada pessoa forma a sua própria percepção e tem necessidades num determinado momento. Essas diferenças nas relações inter-pessoais tornam-se as bases dos conflitos.

As diferenças, comumente, não são percebidas como oportunidades de enriquecimento e acabam sendo usadas de modo destrutivo. Assim, a diferença que leva a um conflito de interesse (discordância) é percebida como insulto e/ou

O casal ao interagir com os filhos influencia na construção de suas identidades, bem como transmite-lhes modelos de relacionamento que serão levados para todas as áreas de suas vidas: amizade, profissional, amor, etc.

É vital ao bom ambiente familiar que o casal possua uma forte aliança, saiba lidar com seus conflitos, colabore entre si e satisfaça necessidades mútuas.  Por outro lado, é importante também que em suas funções de pais, exista apoio à autoridade de cada um dos cônjuges com relação aos filhos.

Pode-se encontrar em qualquer relacionamento permanente, seja ele conjugal, entre pais e filhos, a família como um todo, ou relacionamento da família com outros sistemas sociais, formas de conflitos submersos, não resolvidos. Esse tipo de conflito pode acarretar distância emocional, disfunção física ou psicológica, ou envolvimento em uma aventura amorosa.

Quando há questões mal resolvidas entre o casal, uma ou mais crianças se envolvem no conflito marital, com a função de distrair os pais do conflito. Essa criança fica muito próxima de um ou ambos os pais, e as fronteiras entre as gerações são rompidas. Há uma excessiva dependência mútua e a autonomia da criança e dos pais torna-se limitada.

A falta de comunicação, somada à dificuldade para resolver problemas em conjunto são fatores negativos na criação dos filhos. As divergências dos pais, veladas ou abertas, em relação à educação dos filhos, os deixam confusos e, com freqüência, as crianças usam de manipulações, jogando os pais um contra o outro.

Os conflitos tornam–se mais fáceis de serem enfrentados quando ambos os parceiros compreendem as questões e suas origens. Para tal é necessário cada um entender e aceitar os seus próprios medos, valores, expectativas e proteções e também as do parceiro.  Torna-se necessário ter clareza da ligação entre o presente e o passado. A percepção desta conexão possibilita que não se fique apenas repetindo padrões relacionais antigos, ou seja, dando respostas antigas a situações novas, levando para o casamento e para a nova família uma repetição do relacionamento anterior com os seus próprios pais.

Os relacionamentos adultos transferem, quase sem alterações, as características de disputas de poder entre pais e filhos, que cada um dos parceiros anteriormente tivera. Por exemplo, na luta pelo poder, pode-se observar que a mãe, normalmente é a detentora do controle no dia-a-dia; assim, tanto as meninas quanto os meninos podem resistir a isso. Quando adultas, as mulheres podem assumir esse mesmo papel, enquanto os homens transferem resistência às suas mulheres. Nesta luta pelo poder geram-se conflitos. Uma crise séria pode ser o ponto de partida para interromper esse círculo vicioso. Mas uma estratégia duradoura é poder enfrentar os fantasmas do passado.

Norma

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Sair do ninho

 

 casa

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“O indivíduo tem que se autodeterminar para não ser engolido pela massa indiferenciada do ego familiar”.  Bowen 

A novela Viver a vida apresentou com os personagens gêmeos, Jorge e Miguel, uma interessante forma para podermos visualizar e refletir sobre o processo de individuação (consciência de si mesmo).

 Desde o início, cada um dos personagens foi demarcando suas características peculiares e forma de interagir entre si e com os pais. Jorge introspectivo, responsável, amoroso, cuidador e rígido em “suas verdades”. Miguel, extrovertido, brincalhão, amoroso, flexível e tolerante. 

Ambos recebem afetos e cuidados de uma mãe superprotetora, personagem dominante no contexto do núcleo familiar. Por outro lado, o pai, como contraponto, é flexível e compreensivo em relação às atitudes dos filhos. Na trama familiar os confrontos entre os irmãos e entre cada um dos filhos e mãe, e do casal trazem à tona o jogo de poder interacional.

O interesse dos irmãos pela mesma mulher anuncia a crise familiar e a necessidade de uma reorganização, uma vez que há dificuldades para a ultrapassagem das etapas do ciclo familiar com filhos na idade adulta. Surgem vários sintomas, entre eles a depressão de Jorge e o descontrole emocional da mãe.

A forma firme e decisiva de Miguel diante dos seus desejos e a insegurança de Jorge e vitimização diante da mãe, como se ela fosse à única responsável pela perda da namorada e a decisão de sair de casa, expressam os traçados individuais de desenvolvimento pessoal em direção ao processo de individuação. 

No final da novela, a definição do pai diante da situação conflituosa em relação às escolhas amorosas dos filhos, aliando-se a eles, acirrou a crise do casal,  possibilitou a reorganização da família e a continuidade dos projetos pessoais de cada um

Um dos conflitos mais comuns dentro da família é o conflito de pertencer à família e tornar-se pessoa (deixar de ser massa).

Enfim, a saída da casa dos pais para fugir dos conflitos reafirma a dificuldade de olhar para si próprio, para seus sentimentos, angústias e medos.   

 

Norma Emiliano

 

 

 

 

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Vínculos

 

ARVORE DE GIBRAN

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Sonhos Originais

 

Houve uma época
Em que éramos apenas sonhos.
Enquanto sonhos,
Habitávamos o corpo e a mente de nossos pais,
Vagos, imprecisos em nossas formas,
Em nosso vi-a-ser.

Dentre tantos sonhos  que se foram,
Este sonho foi pinçado pela destino,
Em um momento mágico,
No qual o que estava preso desprendeu-se
Deslocou-se,
Encontrou-se,
Fundiu-se,
Modificou-se,
Aninhou-se,
Desenvolveu-se,
Até o ponto em que novamente lhe foi possível.
Desprender-se,
Deslocar-se,
Encontrar-se,
Fundir-se,
Modificar-se,
Aninhar-se,
Desprender-se…

   Em um ciclo que se repete
Enquanto a vida durar,
Para que a vida permaneça viva  e livre.

Assim somos nós,
Que tivemos a aventura de nascer
E de aqui estar:
Para podermos alçar vôo
Necessitamos estar ligados.
E, para seguirmos confortavelmente ligados,
precisamos ser capazes de estarmos sós,
Cientes e confiantes em nossa unidade
-unidade em comunhão-

 

Iara C. Anton in  Homem e Mulher. Seus Vínculos  Secretos

 

Em sua experiência pessoal , como são os seus vínculos familiares; há espaço para estar junto e estar separado?

Norma

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Encontro de gerações

 

 maoavo

   Imagem Internet

 

A afeição dos avós pelos netos é a ultima etapa das paixões puras do homem. É a maior delícia de viver a velhice”. Bittencourt.

 

Ontem, assisti um programa jornalístico que mostrava o interesse de um grupo de profissionais e voluntários de possibilitarem que crianças doentes e idosos asilados pudessem ser fonte de apoio mútuo.
 
Em minha experiência pessoal era frequente o encontro  da família em torno dos avós e dos bisavós.  A autoridade dos pais era preservada e os avós usufriam do afeto.

Historicamente, a idade foi um critério de status social, os idosos eram valorizados. Hoje, são os jóvens que possuem status elevados. Os conhecimentos mais recentes não são possuídos pelos mais velhos, mas pelos jovens, valorizando-se os avanços tecnológicos para a formação deles, esquecendo-se dos valores humanísticos e sociais.

Vivemos um momento decorrente de mudanças das e nas  famílias, no qual a convivência e trocas entre as gerações precisam ser resgatadas. A longevidade se faz presente e  a experiência  perde seu valor . Todavia, a experiência associada ao poder tem gerado conflitos entre pais e filhos; há a  falta  de contato e de diálogo entre as gerações

A  importância intergeracional ” está na troca que se estabelece entre as gerações, na difusão de saberes, na transição da memória sócio-histórica e/ou tradições e passagens de rituais sociais, na perspectiva do fortalecimento dos grupos ou da sociedade”. ( GOLDMAN & PAZ, 2002 apud SANTOS SOUZA, 2004).

Tenho observado, navegando pelos blogs, que a blogosfera é fértil nas trocas entre as gerações, pois as experiências e  reminiscências são contempladas, despertando grande interesse entre as diversas idades.

Conte-nos a sua experiência.

 

Referência

Souza, Bianca Viana S. Uma proposta Intergeracional. Anais do VIII EnFEFE – Cultura e Educação Física Escolar. Niterói, 2004.

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Cantigas de ninar

 pai-bebe

 

Por um lado, a infância é um outro mundo, do qual nos produzimos uma imagem mítica. Por outro, não há outro mundo. A interação é o terreno em que a criança se desenvolve.” Kuhlmann Jr. (1998)

 

“Carneirinho, carneirão-neirão-neirão,
Olhai pro céu, olhai pro chão, pro chão:
Manda o Rei, Nosso Senhor, Senhor, Senhor
Para todos se ajoelhar.”

 

 Quem não se recorda de um trecho das músicas infantis que os pais cantavam para embalar os sonhos das crianças?

Em minhas recordações, a figura do meu pai se faz presente. Era ele, e não minha mãe, que cuidava carinhosamente de me acalmar para dormir.

A cadeira de palha trançada e a sonoridade de sua voz compõem o traçado da minha meninice.

Essas canções foram e são muito significativas para mim. Associar a figura paterna a esta doce lembrança constrói minha identidade e afasta o determinismo biológico na constituição de sujeitos femininos e masculinos.   Encontrei na figura masculina paterna o cuidado e carinho, na época mais esperado pelo lado feminino. A idéia da falta de paciência dos homens para mim converteu-se em mito.

Os costumes mudaram e, hoje, não existe tanta rigidez nos papéis e funções entre homens e mulheres e ambos, em muitas situações, dividem-se nas tarefas familiares, contribuindo com o desenvolvimento sadio e pleno das crianças.

Enfim, as cantigas de ninar, são gestos de cuidado e afeto, são elementos de integração e socialização (cultura).

Pense nisto!

 

  Kuhlmann M. Jr. – Infância e educação infantil, uma abordagem histórica, Porto Alegre, 1988.

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Famílias

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PARA REFLEXÃO

 

A família é a  principal responsável pelo desenvolvimento humano.

Como vai a sua família?

Qual o tipo de convivência familiar estamos oferecendo aos nossos filhos?

Em nosso cotidiano,  estamos propiciando vínculos permeados de afetividade, tolerância, diálogo, acordo, reciprocidade e acolhimento?

Cada pessoa traz em si a marca da sua família. A convivência familiar  na qual façam parte a tolerância, o  afeto, a compreensão, o aconchego e o amor proporciona condições para a formação de pessoas capazes de lidar com os desafios da vida e a ter relacionamentos saudáveis.

Pensemos sobre………

Dia 15/05- Dia Internacional da Família

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Vivências pós- divórcio

 divorcio

 

A taxa de separação conjugal tem crescido e precisamos de pesquisas que nos revelem as suas conseqüências sobre as famílias.

Leila Maria Torraca de Brito, professora-adjunta do Instituto de Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro; mestre e Doutora em Psicologia pela PUC/RJ, realizou uma pesquisa qualitativa sobre Família pós-divórcio: visão dos filhos, na qual podemos encontrar análises que nos demonstram o quanto é delicado para os filhos, principalmente os menores, ultrapassarem esta etapa do ciclo de vida familiar.

Esta pesquisa foi realizada com 30 sujeitos (S) – 14 homens e 16 mulheres – de classe média, na faixa etária de 21 a 29 anos, que residiam no Rio de Janeiro e se declaravam filhos de pais separados. Assim sendo, coloquei entre aspas os trechos extraídos de alguns dos resultados e  análises realizadas pela pesquisadora.

“(…) no momento da separação, foi observado que grande parte dos entrevistados não recebeu esclarecimentos sobre o ocorrido (…) que muitos levaram um ‘choque’ porque não presenciavam relações conflituosas entre os pais – que justificassem o rompimento _ se surpreenderam (…) muitos percebiam que não havia disponibilidade dos pais para abordar o assunto, mesmo anos após a separação”. Por outro lado, “foi observado que o rompimento da relação conjugal acarreta, comumente, um complexo processo de mudanças para os diversos componentes do núcleo familiar.”

Constatou-se que “o mal-estar dos filhos no contexto pós-separação também foi exposto por aqueles entrevistados que se sentiram como joguetes entre os pais, tendo em vistas a manutenção das brigas. (…) no item em pauta, desfaz-se a idéia de que o rompimento conjugal irá, necessariamente, extinguir brigas e desentendimentos entre ex-cônjuges, contribuindo para que os filhos não fiquem expostos a tais desavenças ”.

Portanto, nas palavras da autora,” inicialmente, apesar de os entrevistados discorrerem sobre o divórcio como um tema natural, comum a muitas famílias atualmente, quando abordavam a separação conjugal dos pais e começavam a falar de suas recordações e vivências, esta se tornava um assunto delicado”.  Por outro lado, a convivência familiar sofre vários ajustes que variam de acordo como a guarda é estabelecida.” (…) Alterações no relacionamento e nos períodos de convivência com aquele genitor que permaneceu com a guarda – geralmente as mães – também foram relatadas. Com dificuldades para manter os filhos, o guardião, por vezes, se afastava do lar por longos períodos durante o dia devido ao aumento da carga horária de trabalho. (…) Os entrevistados que apresentaram menos queixas quanto à separação conjugal dos pais e a posterior convivência com estes foram aqueles que se sentiram verdadeiramente acolhidos nas duas casas após separação, com livre acesso a ambos os pais”.

Na alianças com o guardião a pesquisadora aponta que “separação conjugal com litígio, os filhos podem estabelecer alianças com um dos genitores, desenvolvendo uma forte vinculação preferencialmente com o guardião, a quem percebem de maneira mais positiva.”  Ressalta que “estas alianças devem ser percebidas por profissionais  que atuam junto aos casos como, por exemplo, nas Varas de Família. Nessas circunstâncias, destaca-se o equívoco que pode existir quando se resolve averiguar com qual dos genitores a criança deseja residir.  Aprisionado em um forte vínculo com o guardião, o filho não possui escolha, espelhando a única resposta que lhe é possível, dada a intensidade da situação a que está exposto.”

 Desta forma, podemos reafirmar que as vivências no contexto familiar pós- divórcio são extremamente importantes para o bem estar dos filhos, principalmente para os menores  e também ressaltar que os pais precisam estar atentos na percepção de que a adequação dos filhos é diretamente proporcional a adequação dos pais.

Entender o pós-divórcio sob o ponto de vista dos filhos, abre uma nova perspectiva de  entendimento sobre a convivência entre os diversos membros familiares.

Fonte da pesquisa
BRITO, Leila Maria Torraca de. Família pós-divórcio: a visão dos filhos. Psicol. cienc. prof. [online]. mar. 2007, vol.27, no.1

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A separação e os filhos

 divorcio

Imagem google

 

Ao se constituir a parceria conjugal, cada um traz seu modo de ser e ver o mundo, que se traduz nas atitudes e decisões cotidianas. O nascimento dos filhos inaugura a família nuclear.  Os filhos sofrem as influências dos valores dos pais tendo como norteador os seus comportamentos. Quando há muitas diferenças e poucas negociações, instala-se uma guerra de poder, na qual os filhos se confundem.

No momento em que surge a necessidade de separação do casal, a família se transforma em duas, as quais se denominam de uniparentais ou monoparentais, ou seja: mãe e filhos e, pai e filhos.

Normalmente, encontramos jovens que têm dificuldade de afirmarem sua identidade, sofrendo por não poderem atender às expectativas paternas e não ter clareza dos seus desejos. Os filhos gostam dos seus pais e por mais aliança que tenham com um deles sentem-se presos ao sentimento de lealdade que se estabelece ao longo do desenvolvimento do ciclo familiar. Isto pode se agravar quando após a separação os pais mantêm rivalidades.

Na separação, a reorganização das relações é fator decisivo para o equilíbrio emocional de todos os membros, principalmente dos filhos. O estabelecimento das fronteiras, estar separado como homem e mulher e estar cooperando como pais, é crucial para que os filhos possam seguir em frente sem ter que estar entre os pais. É necessário abandonar a antiga estrutura e estabelecer outra mais funcional. Isto implica em superar os ressentimentos e, muitas vezes, abandonar a esperança de reunificar.

Ter duas casas pode ser uma coisa positiva para os filhos, na medida em que o pai e a mãe possam desenvolver relacionamentos independentes e definir regras e papéis claros e nítidos, sem disputas e atritos. Desta forma, facilitando aos filhos poderem ir e vir sem grandes problemas.

Os filhos anseiam por uma relação natural com o pai e a mãe e nada é mais pernicioso do que as críticas da outra parte. O filho em contato com cada um, sem a intervenção do outro, conseguirá construir a sua relação com cada um dos pais de forma saudável e ter equilíbrio para escolhas e decisões de caminhos.

Enfim, pesquisas demonstram que  os  efeitos do divórcio sobre os filhos variam  de acordo com a faixa etária dos filhos na época da separação e tempo de casamento, no entanto o ajustamento dos filhos após a separação está relacionado ao ajustamento dos pais, ou seja, se os pais enfrentarem bem a situação o mesmo se dará com os filhos.

Norma Emiliano

Fonte:

Lita L. Schwartz e Florence W. Kaslow. As dinâmicas do divórcio, Uma perspectiva de ciclo vital, 1995.

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