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Pai solteiro

pai bebe preto e branco

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Normalmente, os pais e mães proporcionam aos filhos experiências diferenciadas na infância e seus papéis não são idênticos. Inclusive, não encontramos sociedade que substitua a mãe no papel da primeira pessoa a tomar conta da criança.

No filme A menina dos olhos, o diretor apresenta uma fatalidade e desenvolve a trama baseado na relação pai/filha. Um bem sucedido publicitário se torna abruptamente um pai solteiro após a morte da companheira no parto.

O desenrolar das cenas mostra, inicialmente, as dificuldades deste homem para assumir a total responsabilidade pelos cuidados com a filha e a mudança radical de sua vida pessoal e profissional. Ele vai para o interior morar com o pai, inicia atividade braçal e se dedica inteiramente à filha.

O enredo enfatiza seu sucesso na educação e relação com a filha e sua frustração na parte profissional.

No entanto, quando consegue uma vaga que lhe traria o antigo status percebe que nada lhe traria maior felicidade do que a simplicidade da vida em família. Enfim, a mensagem final: “ ser pai é a coisa que mais vale a pena no mundo”.
 
Na atualidade, encontramos alguns casos de homens que assumem suas crias e se transformam, tanto quanto as mulheres (mães) emocionalmente importantes para os filhos.  Criam uma intimidade e afetividade que vão  contra o que o culturalmente fora construído.

Na blogosfera temos um bom exemplo de que o homem pode assumir importante papel junto aos seus filhos com atitudes e sentimentos bem semelhantes às mães quando se propõe a assumir integralmente seus filhos:
 
Aggeo, blogueiro, traz vários depoimentos da sua relação com a filha, exemplificando: “Estou tentando me policiar. Mesmo minha filha acha ruim quando insisto para que tome banho, escove os dentes, coma bem, durma na hora certa. Eu mesmo odeio quando meus pais me dão conselhos. Mas há alguns momentos em que não consigo ficar de boca fechada. Daí a culpa é da minha chatice inata mesmo.” Aggeo Simões.

Enfim, podemos supor que novas formas de relacionamento entre pais e filhos suscitam boas experiências no âmbito dos gêneros.

Norma Emiliano

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Você Pergunta 11

 

Eu respondo

Este post faz parte de um projeto, assim sendo dirijo-me a pessoa responsável pela pergunta,  mas de forma a trazer reflexão para outras pessoas que poderão se interessar e ler .

 Tenho 20 anos,  sou solteira e vivo com minha família. Sofro chantagens emocionais da minha mãe,  luto para me libertar pois sempre fiz o que ela queria. Passo noites em desespero constante …eu quero minha independência .  Sou insegura e com baixa autoestima,  como posso me tornar independente emocionalmente?

 

Cada pessoa é única em suas vivências, sentimentos e percepções. Assim sendo, as respostas fornecidas a cada questão são contextualizadas, não se aplicando necessariamente a todos a todos os casos.

 

  De acordo com os dados fornecidos identifiquei alguns fatores significativos da questão:

 

- Pais separados
- matriarcado
- Sobrecarga materna nos cuidados e educação com os filhos
- super proteção materna
- fusionamento mãe e filha
- transferência de sentimentos paternos para o irmão
- idealização do irmão como pai herói
- lealdades familiares
- dificuldades para individuação.

 

Ser dependente é se considerar incapaz   de cuidar de si mesmo, há necessidade  constante da  presença, da atenção, da validação e do afeto do outro.  A sensação de segurança ou equilíbrio para suportar  tensões e dificuldades é encontrada a partir da outra pessoa.

Você é jovem, não terminou seus estudos, reside com sua família e, provavelmente, o que ganha não deve ser o suficiente para viver por conta própria. (independência financeira).
 
Os pais tentam fazer o melhor que podem pelos filhos, mas fazem conforme aprenderam com os seus pais. Sua mãe, pelo que tudo indica, criou os filhos sozinha. Essa tarefa é dificil, mas parece- me que todos se uniram para manter os gastos, o que é muito positivo.

Enquanto os filhos moram na casa dos pais, deve-lhe obdiência, ou seja cumprir algumas regras que eles exigem- avisar onde vai, a que horas volta, com quem vai, entre outras.

Você mantém na sua casa uma atitude compatível com seu desejo, ficar independente ( custea suas despesas pessoais,  cuida do que é seu, não entra em conversas contra outros, está tentando não aceitar chantagens emocionais, bem como se posicionar), mas a casa é de sua família.

Pense, como vai sua segurança pessoal sobre o que deseja?  O que deseja-, quais são seus planos pessoais?
 
Sua ligação com seu irmão indica que tem um caráter transferencial,  ele ficou no lugar do pai e por isto está tendo problemas, pois a relação de irmãos é de igual para igual,  na de pai e filha há uma hierarquia. Por outro lado,  como transferência, você criou a imagem de pai que toda criança tem (pai-herói), mas hoje o vê (irmão) com o olhar adulto e se decepciona, mas ele é humano, tem qualidades e defeitos.  Estando mais tempo em casa, seu irmão criou uma aliança com sua mãe e a trata com hierarquia de pai. Seria interessante que pudesse se aproximar dele como irmã.
 
Pense nos planos futuros, invista neles,  tenha redes de amizades, cuide de si própria e não se envolva nas questões de sua mãe.  Não tome  parte do que não lhe compete.

A forma que se tem de se individualizar, ou seja,  ficar independente emocionalmente,  é ser mais racional que emocional: pensar antes de agir; enfrentar as questões, dialogar. saber se impor no que achar  melhor para você.
 
Ser independente consiste em  arcar com todas as responsabilidades e consequências dos seus próprios atos. Pense nisto?
Quando se muda de etapa é necessário uma mudança na forma de  relacionamento dos pais com filhos e dos filhos com os pais.
Se sentir muita dificuldade para entender tudo o que lhe coloco, indico que faça terapia para poder se reposicionar.

Norma

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Você Pergunta – 10

 

Eu respondo

Este post faz parte de um projeto, assim sendo dirijo-me a pessoa responsável pela pergunta,  mas de forma a trazer reflexão para outras pessoas que poderão se interessar e ler .

 

Meus pais se separaram quanto eu tinha 13 anos e tive que cuidar de dois irmãos pequenos e assumir a casa. Hoje, aos 19 anos, sinto-me mal comigo mesmo (sinto-me feia, má, sem amigos e preciso sempre ter um rapaz comigo). Estou com uma enorme depressão, sem vontade de viver e sem gostar de mim. Nunca me dei muita importância, nem nunca tive uma figura feminina para me apoiar. O que faço da minha vida se não sei viver nem gosto de nada?

 

Cada pessoa é única em suas vivências, sentimentos e percepções. Assim sendo, as respostas fornecidas a cada questão são contextualizadas, não se aplicando necessariamente a todos a todos os casos.

 

 De acordo com os dados fornecidos identifiquei alguns fatores significativos da questão:

 - Desestruturação familiar- brigas constantes dos pais, infidelidade, desatenção com os filhos;

 - Separação dos pais;

 - Ausência do modelo feminino;

 - Inversão de papéis  - de filha à cuidadora;

 - Fragilidade emocional para atender as demandas das funções (ser mãe dos irmãos e cuidar da casa na pré- adolescência);

 - Baixa auto-imagem

 - Sentimentos contraditórios em relação à família – amor e ódio;

 - Vitimação

 - Sentimentos de impotência diante da vida (depressão).

 

Você tem uma história familiar complexa e hoje está sofrendo as consequências desta sua trajetória. Os modelos paternos (pai e mãe) são fundamentais na formação da nossa personalidade. As interações primárias nos dão visão de mundo e de nós mesmo (auto-estima).

Você assumiu papéis que não foram compatíveis com o momento do seu ciclo vital (pré-adolescente), não tinha estrutura emocional para tal. Não teve o cuidado, atenção que se sentia merecedora. Porém, cada um dá o que recebeu,  e as atitudes de seus pais estão relacionadas, provavelmente,  a essa premissa

 Nós somos frutos de uma história que se inicia antes mesmo do nosso nascimento. Todas as experiências pessoais de seus pais constituíram o que eles são. Portanto, a forma como foram criados e as percepções que tiveram do que viveram,  influenciaram a forma de vida que você começou a participar quando nasceu. Não somos como” bolhas de sabão suspensas no ar”.

 Seus sentimentos contraditórios em relação a sua mãe e pai – amor e ódio- , provavelmente, lhe dão sentimento de culpa.

O comportamento libertino da sua mãe está interferindo em seu comportamento e você  se vê um pouco como ela, tendo vários casos. Assim sendo, sua auto-imagem é fruto do mal estar interno que está vivendo.  

 Podemos ter escolhas diferentes dos nossos  pais.  O trechinho abaixo é de Charles Chaplin (Seguir em frente) traz uma excelente mensagem. Fonte

 

 ”Não faças do amanhã
o sinônimo de nunca,
nem o ontem te seja o mesmo
que nunca mais.
Teus passos ficaram.
Olhes para trás…
mas vá em frente
pois há muitos que precisam
que chegues para poderem seguir-te
.”

 

Ou seja, você pode procurar entender as histórias dos seus pais, perdoá-los e seguir uma vida própria. Cuidar-se, amar-se, fazer boas escolhas relacionais e construir um núcleo familiar seu ( ser boa mãe e esposa).  A este processo chamamos de individuação  (Bowen, 1978).   Mas,  a terapia é fundamental para poder realizá- lo.  Oriento a  procurar primeiro um médico para avaliar e tratar sua depressão.

Você se coloca como vítima (o que fizeram de mim e para mim). Contudo pode ser dona da sua própria história.

Você é jovem, com uma vida pela frente, e cheia de possibilidades.

 

 Norma Emiliano

 

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Você pergunta – 9

 

Eu respondo

Este post faz parte de um projeto, assim sendo dirijo-me a pessoa responsável pela pergunta, mas de forma a trazer reflexão para outras pessoas que se interessarem em ler.

 

Tenho 23 anos e tenho 3 irmãos de mais de 30 anos.  Tenho brigas diarias com meus pais devido a falta de interrese e desapego pelos filhos!  Sinto falta do carinho e da preocupaçao que vejo as mães das minhas amigas tem! Isso está acabando comigo e com minha auto estima! queria ententer porque eles agem dessa forma?

 

De acordo com os dados fornecidos identifiquei alguns fatores significativos da questão:

- Filhos em fase adulta residindo com pais;

- mãe dedicada exclusivamente aos  cuidados  da família;

- valores paternos na independência finançeira dos filhos;

- dificuldade de assumir a vida adulta;

- dependência emocional ;

- percepção negativa da conduta dos pais.

Nornalmente ocorre que os pais lidam com os filhos conforme foram criados pelos próprios pais ou fazem o extremo oposto. Há muitas formas de se demonstrar amor e interesse.  O  afago, os cuidados com a criança ( da higiene à alimentação), os  limites são algumas dessas formas.

É comum se ter a impressão que a família dos outros são melhores que a nossa. Pode ser apenas ilusão. Todas as famílias tem algum problema. Não há perfeição. É importante que se sintir amada, se amar  para poder dar amor…

Os pais precisam dar raizes e asas para os filhos. Os animais nos ensinam isto de forma linda.

A familia passa por etapas e quando chega a vida aulta,  os filhos precisam ter vida propria, independência financeira e emocional. Há momentos, inclusive, que as posições invertem: os filhos cuidam dos pais….

Os pais serão sempre pais,  mas precisam de ter suas vidas ( isto não é ser egoista).
Todos temos de desempenhar vários papéis e não se fixar apenas em um, pois se assim for há sobrecarga.  Minha hipótese é que sua mãe cuidou de vocês em tempo integral e por ter tido vida dificil na família de origem,  valoriza a independência financeira dos filhos.

Saber sobre as histórias familiares nos ajudam a resignificar pensamentos que se possa ter em relação aos nossos pais. No seu caso, pode ajudá- la a entender  a atitudes dos seus pais e  o seu sentimento de falta amor maternal.  

 

Norma

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Como será o amanhã?

 

 

mal_educado

 

Imagem WEB

 

Cenas cotidianas me inquietam em relação ao futuro do nosso país. Se hoje estamos horrorizados com o mau comportamento, como será o porvir?  As crianças e os jovens que constituirão as bases do futuro em diversos papéis serão exemplos de educação e ética.

As atitudes atuais que presenciamos mostram o desrespeito nos espaços coletivos. São muitas as situações principalmente nos cinemas em que sacos de pipocas e copos são deixados sobre os assentos; pessoas que chutam cadeiras e falam ao telefone atrapalhando a exibição do filme. Por outro lado, nos ônibus o empurra – empurra sem respeito, nem mesmo às pessoas idosas; nas ruas o trânsito e o pedestre se igualam em relação à pressa desrespeitando sinais; nas calçadas, lixos são lançados ao chão, pessoas com seus cachorros tomam todo o espaço como se a calçada lhes pertencesse. Querer levar vantagem é o lema que impregna os comportamentos. Exemplos políticos de corrupção não nos faltam.  São tênues as fronteiras entre a civilização e a barbárie.

Quanto às crianças, elas são rapidamente colocadas por seus pais diante de uma série de responsabilidades em várias frentes de estudos, preparando-se para as futuras competições do mercado, sem pouco lazer e possibilidade de gastar suas energias. Assim, em sua maioria, mostram-se ansiosas, irritadas, atropelam as pessoas nas calçadas e nos corredores dos shoppings.

 O desenvolvimento tecnológico e científico não é suficiente para melhorar a vida.  Gestos e ações são as bases para uma convivência política harmônica e um viver com menos violência e sofrimento.

É significativo que na relação de autoridade os pais sejam reconhecidos como pessoas que detêm conhecimentos legítimos e necessários ao pleno desenvolvimento das novas gerações. 

 A educação passa pela transmissão do conhecimento, mas essencialmente, pelo exemplo ético e moral e urge que se enfatize convívio social.

Norma Emiliano

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Sexo e família

 

 

“… vosso corpo é a harpa de vossa alma e a vós pertence extrair dela doce música ou sons confusos.” Kalil Gibran

 

Os tempos mudaram, a liberdade sexual cresce, mas o assunto sexo ainda é tabu para muitas famílias. Por quê?

O assunto sexo não é isento de valores e uma grande parte dos pais encontra-se com muitas dúvidas de como agir em relação à sexualidade dos filhos, pois vem de uma geração muito repressiva.  Antes os valores eram absolutos. Não havia muita dificuldade sobre o certo e o errado, o que devia ser permitido ou negado. As rápidas mudanças nos valores sexuais trazem medo, inseguranças e angustia aos pais.

Freqüentemente, os pais sentem-se desconfortáveis e encabulados com as demandas de seus filhos nesta área, mas a educação sexual faz parte da educação pura e simples e, deste modo, tem a finalidade de permitir ao indivíduo seu pleno desenvolvimento na promoção dos valores. Os pais são modelos dos filhos. Eles ensinam muito mais através de suas ações do que pela linguagem verbal. Assim, o lidar com seus próprios questionamentos em relação à sexualidade, o expressar através de gestos, de afeto e da aceitação mútua, o criar um ambiente de confiança, respeito e abertura formam campo fértil para os pais lidarem com a sexualidade de seus filhos.

 A experiência com a liberdade começa quando os pais encaminham os filhos à auto-responsabilidade, e isto se faz cedo, o que significa a criança aprender a comportar-se por si e a fazer o certo por si.

É comum o questionamento dos pais sobre a prática do sexo entre os adolescentes no espaço familiar. Alguns, na indecisão, passam por cima de seus valores pessoais favorecendo aos filhos. Entretanto, considerar isso faz parte da aprendizagem do respeito a si próprio e do respeito pelo outro, o que perpassa todo comportamento humano e, portanto, também em relação à prática sexual.

Por outro lado, o assunto também exige comunicação entre os pais e os filhos. As conversas precisam acontecer. Os filhos precisam de uma opinião clara dos pais no sentido de guiá-los em seu processo interno para decidirem. É importante os pais expressarem seus limites, valores e as preocupações, pois mesmo que não aprovem as relações sexuais de seus jovens filhos, estarão demonstrando que se preocupam com o seu bem-estar.

Na atualidade, o sexo adolescente é problemático, tendo em vista que seu  corpo está capaz, os apelos sexuais são muitos bem como as facilidades. Entretanto, poucos estão preparados para as conseqüências dos seus atos. Além disto, temos um agravante que são os meios de comunicação, que banalizam situações, passando uma simplificação que não corresponde à complexidade do ser humano. 

Hoje, há um grande incentivo à educação sexual nas escolas, seja pública ou privada, tendo em vista a Aids. Todavia, os pais têm papéis preponderantes com suas atitudes. Só as informações sobre os aspectos da anatomia e fisiológica da sexualidade e reprodução não é o suficiente, É necessário também conversas sobre os mecanismos emocionais que envolvem a pratica sexual.  Portanto, para se devolver nos filhos uma atitude positiva sobre o sexo, esse deve ser tratado na família de forma digna e sem preconceitos. Enfim, de forma sadia.

Norma Emiliano

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Você pergunta – 7

Eu respondo

Este post faz parte de um projeto, assim sendo os  dados necessários para  a compreensão do problema me foram fornecidos  pela pessoa responsável pela pergunta, portanto dirijo-me a esta pessoa, mas de forma a trazer reflexão para outras pessoas que se interessarem em ler.

Cada pessoa é única em suas vivências, sentimentos e percepções. Assim sendo, as respostas fornecidas a cada questão são contextualizadas, não se aplicando  necessariamente a todos a todos os casos.

 

 O que podemos fazer se quase fomos proibidos de ver nossa neta?

 

De acordo com os dados fornecidos identifiquei alguns fatores significativos da questão.

 

- dificuldades na transição de etapas do ciclo de vida familiar ( Filhos adultos).
- falta de fronteiras familiares  (limites entre familia nuclear e de origem).
- disputa de famílias.
- mágoas e conflitos entre genro e sogros.
- netos como sentido de vida.

Essas dificuldades são resultados da forma como ocorrem as interações familiares (como os pais lidam com filhos e como filhos lidam com os pais),  como cada um lida consigo mesmo (individuação) e como o casal de meia idade lida com sua relação. Essas influenciam as relações familiares após os casamentos dos filhos e principalmente após o nascimento da quarta geração.

Essas dificuldades para serem transpostas requerem a compreensão dos envolvidos e mudanças nas atitudes. Assim sendo, faço algumas explicações sobre os fatores citados.
 

As relações de avós e netos têm em sua base a transformação do casal em família nuclear com o nascimento do primeiro filho.

Quando duas pessoas se unem, por casamento ou não, há a ilusão de que ocorrerá a união de duas famílias. No entanto, as famílias não se fundem, pois cada uma tem sua própria árvore genealógico, ou seja, cada uma tem seus valores, regras, expectativas, comportamentos,  legados, entre outros. Portanto,  no casal cada parceiro é representante de sua família e vai precisar encontrar formas de criar suas próprias regras e ideais. Isso significa estabelecer fronteiras com as respectivas famílias de origem (pais, irmãos,tios).

O nascimento da criança denuncia as dificuldades  que o casal possa ter em estabelcer seu próprio núcleo. A independência financeira e emocional são fatotres cruciais nessa construção.

A inauguração da família nuclear traz mudanças nos papéis e na emoção de todos os membros familiares.

A adaptação às exigências da nova situação depende, sobretudo, da complementaridade de papéis entre os genitores, no nível das interações e nas relações familiares mais amplas, incluindo a divisão de tarefas domésticas. O envolvimento paterno é fundamental

Avós desempenham papel extremanente significativo no ciclo de vida familiar, mas exige limites  para que não ocorra disputas,  conflitos e mágoas .Os avós na família brasileira  são considerados fontes importantes de apoio. No entanto, os netos não podem significar o sentido de vida dos avós.

Avós não têm o dever de educar apenas usufruir do convívio dos netos. Os filhos precisam entender a diferença entre a relação de pais e filhos e avós e netos para não exigirem mais do que eles podem  fazer. É importante que não lhes sejam delegadas as funções de pais.

É essencial que cada um saiba seu lugar: pais são os principais responsáveis pela educação; os avós são colaboradores, distribuidores de afeto e compreensão.  A autoridade dos pais não  podem der subestimadas.

O jogo de poder entre pais e avós é nocivo a todos. É útil que não aja invasão das famílias de origem,   bem como  entendam  que a família fundada pelos filhos,  genros e noras é diferente da que elas fundaram.  Desta forma, torna-se possível  o convívio  amoroso  e solidário  entre as famílias.

O nascimento da quarta geração conduz a um novo estado no relacionar-se” .  MacGoldrick

Norma Emiliano

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“Os filhos são do mundo”

 

Comumente, quando as pessoas se tornam pais/mães sentem uma imensa alegria e responsabilidade. Pôr filhos no mundo é uma dádiva que faz com que eternamente tenhamos preocupações. É um amor incondicional que precisa cuidado para não se transformar em prisão deles e de nós mesmos.

Atravessamos várias etapas do ciclo de vida familiar e em cada uma delas são necessárias mudanças na nossa forma de lidar com os nossos filhos.

Quando eles nascem precisam de todos os cuidados para sobreviverem, mas precisam assumir pouco a pouco seus próprios cuidados e responsabilidades.

Se conseguirmos estabelecer o limite entre eu e você, estaremos ajudando-os a construir sua própria identidade e a reconhecer os   limites e ter respeito por si e pelo outro.  Podemos ser solo para crescerem  e ter orgulho quando criam suas asas e voam para formar seu próprio ninho.

Em Saramago encontrei  uma crônica  que descreve muito bem todo este processo e o sentimento que ele nos provoca.

 

“Devemos criar os filhos para o mundo. Torná-los autônomos, libertos, até  de nossas ordens. A partir de certa idade, só valem conselhos.

Especialistas ensinaram-nos a acreditar que só esta postura torna adulto aquele bebê que um dia levamos na barriga. E a maioria de nós pais acredita e tenta fazer isso. O que não nos impede de sofrer quando fazem escolhas diferentes daquelas que gostaríamos ou quando eles próprios sofrem pelas escolhas que recomendamos.

Então, filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem.

Isto mesmo! Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado.

Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo! Então, de quem são nossos filhos? Eu acredito que são de Deus, mas com respeito aos ateus digamos que são deles próprios, donos de suas vidas, porém, um tempo precisaram ser dependentes dos pais para crescerem, biológica, sociológica, psicológica e emocionalmente.

E o meu sentimento, a minha dedicação, o meu investimento? Não deveriam retornar em sorrisos, orgulho, netos e amparo na velhice? Pensar assim é entender os filhos como nossos e eles, não se esqueçam, são do mundo!

Volto para casa ao fim do plantão, início de férias, mais tempo para os fllhos, olho meus pequenos pimpolhos e penso como seria bom se não fossem apenas empréstimo! Mas é. Eles são do mundo. O problema é que meu coração já é deles.

Santo anjo do Senhor…

É a mais concreta realidade. Só resta a nós, mães e pais, rezar e aproveitar todos os momentos possíveis ao lado das nossas ‘crias’, que mesmo sendo ‘emprestadas’ são a maior parte de nós !!! “

José Saramago

Há um comentário que nega a autoria deste texto, fica assim aqui o registro.

Norma

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