Nesta participação na Blogagem coletiva Vida Simples com o subtema Lugar, escolhi me reportar há um tempo passado, a um importante lugar da minha trajetória de vida.
VIDA NO INTERIOR

Numa etapa da minha vida, vivi no interior por 13 anos. Moça urbana, cansada da vida dos grandes centros, tomei a decisão de sair do colo da família de origem e ousar novos voos em direção à construção do meu próprio núcleo familiar.
Cidadezinha do interior, cortada pelo rio Paraíba, circundada de fazendas e morros e com belas praças .


Foram tempos nos quais usufrui da simplicidade que a vida nos oferece.
Manhãs desperta pelo canto do galo, dos pássaros e sino da Igreja. Manhãs de bolo de milho, de leite vindo do curral , de queijos e manteigas com o gostinho do quero mais.

Ah! as crianças. Carinhas amassadas, lentidão no despertar preguiçoso. Merendas postas na mochilas, uniformes impecáveis, os beijos e o até logo mais…..
Entre filhos, marido, amigos, trabalho, livros e música, a vida transcorria lentamente. Algumas vezes acrescida de uma festa na vizinhança ou bailes na comunidade. Tempo para amar, trabalhar e brincar.

O rio corria manso, os anzóis fisgavam peixes, alegrando a criançada e os adultos. Domingo de festa na fazenda.. Homens falando de jogo e contando piadas; as mulheres “tagarelando” e arrumando a mesa com os quitutes e as crianças correndo de um lado para o outro até cansar. Vida simples, tranqüila, de um dia após o outro sem a espera do final de semana para reunir a família.

Lembranças vivas dos jardins floridos, da sombra das mangueiras, das frutas retiradas das árvores, da brisa fresca, do sol se pondo, da alegria do abraço e dos beijos, das estrelas brilhantes, da rede que nos embalava no descanso enquanto a noite dava boas vindas ao sono reparador.

Tantos afetos e muita natureza no simples fato do VIVER.
Para fechar com chave de ouro, reproduzo o poema de Cecília Meirelles.
O meu pomar
Se eu tivesse um pomar, um pequeno pomar que fosse, não lhe poria grades à roda,
como os outros proprietários. Não poria, a guardá-lo, um desses cães enormes,
rancorosos, que andam sempre rondando os pomares …
O meu pomar seria assim: toda aberto, para todos. E, quando o outono chegasse e
as árvores ficassem cheias de frutos amarelos e vermelhos, nenhum pobrezinho teria
fome, nenhuma criança choraria de sede, passando pelo meu pomar …
E, no inverno, ainda haveria lá onde alguém se abrigasse, quando chovesse muito ou
fizesse muito frio …
Se eu tivesse um pomar, ele estaria sempre em festa, cheio de borboletas e de
pássaros …
Como eu seria feliz, se tivesse um pomar !
.
Cecília Meireles
Do livro: CRIANÇA MEU AMOR
Este post é para a Blogagem Coletiva Vida Simples, promovida pelo blog Mila’s Ville.
Tags: amor, Blogagem coletiva, familias, natureza, tranquilidade