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Festas Juninas no Sudeste

 

Este texto foi organizado no ano de 2010, atendendo a solicitação da querida Ana Karla, do blog misturão.  Hoje revendo meus rascunhos, senti vontade de fazer esse post, tendo em vista que estamos em plena realização das festas juninas.

 

 

festa junina

Tela de Yole  Travassos (Festas)

 

As festas juninas são lembranças marcantes na minha trajetória de vida. Na infância e adolescência participei intensamente desses eventos, na rua do meu bairro. Os  trajes típicos (caipiras, confeccionadas pela minha avó), os ensaios e as danças de quadrilhas e a ornamentação (cortando e pregando bandeirinhas) são recordações de muita alegria.

 Na vida adulta participei da organização das festas em associação de bairro e incentivei as filhas nas festas escolares.

Enfim, falar destas festas na região sudeste do Brasil, especificamente, Rio de Janeiro e Niterói, na atualidade, reporta-me a lugares variados: Escolas, Instituições religiosas, clubes e ruas.   Em relação aos trajes, as mulheres se vestem de caipira, com saias volumosas e os homens se apresentam com chapéu de palha, calça remendada, lenço no pescoço, camisa xadrez e dente cariado, que segundo pesquisa é personagem nascido das comemorações pelo interior de São Paulo e de Minas Gerais.

 Os locais são decorados com bandeirinhas; montam-se barraquinhas com diferentes quitutes, normalmente comidas típicas, como amendoim torrado, canjica, pipoca, cocada, milho verde, pamonha, broa de fubá e batata doce. As bebidas são quentão e refrigerantes. Os pontos culminantes nas Festas Juninas são:  o casamento e a dança da quadrilha.

 As danças e alimentos típicos dessa época ainda estão por aqui, mas as fogueiras e festas de rua estão cada vez mais raras.

Norma Emiliano

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A suprema felicidade

 

Filme de Arnaldo Jabor.

O filme consiste nas memórias dos anos 40 e 50,  no  contexto do Rio de Janeiro.

A trama se desenrola através do personagem Paulo, sua trajetória dos 8 aos 18 anos; traz os seus conflitos familiares, sua aliança com avô e descoberta do mundo externo e interno.

É um filme de época, repleto de saudosismo boêmio. Contempla vários temas de uma forma superficial:  repressão da mulher, frustrações profissionais, adolescência, conflitos familiares, exploração de menores, prostiuição e  loucuras.

 Deixa a sequinte  questão:  O que é a felicidade:

Buscar o que não se tem, ou contentar-se com o que se pode ter?

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Cacá – A criança que eu fui

 

 Dando continuida a Série A criança  que eu fui, temos o relato do Caca, do blog  uaimundo, que conforme sua descrição é  ”Escrevedor nas horas vagas, cozinheiro de plantão. Ou o contrário”.  

Assim, convido-a (o)   a essa viagem.

 

Caca  aos 11   Aos 11 anos

 

Tive infância boa, cheia de tudo aquilo que é possível a uma criança chamada normal. Todas as brincadeiras, todos os trotes, tudo, tudo que uma infância do interior permitia à criatividade da petizada. Jogos de futebol, brigas, soltar papagaio e jereba,  tocar campainha nas casas do bairro à hora das novelas ou do jornal da TV, bola de gude, bater figurinhas, colecionar álbuns, ler gibis do Zorro, assistir ao Capitão América, as novelas que passavam em horário permitido para os pequenos; nadar no clube – isso após assistir à missa obrigatória e ter de contar à mãe a prédica do capelão – jogar garrafão, bandeirinha, queimada com bola de meia, fazer carrinhos com rodas de borracha e rolamentos velhos que o pai trazia da mineração onde trabalhava e andar com eles na estrada ladeirenta do hospital que a mineradora construía para seus operários e familiares, apostando corrida com a moçada, machucando a bunda quando a roda arrancava e subindo o trecho íngreme puxando pela corda os carrinhos tão pesados quanto a felicidade que a descida proporcionava. Ir nadar no pocinho e no poção, águas acumuladas de chuvas em um canto isolado do bairro que formavam verdadeiras lagoa pequena e lagoa grande, respectivamente, fazer simulação de briga com pau de bosta, criar cobras de meias enchidas com areia para assustar as beatas que voltavam da igreja, futebol de campinho de terra, futebol de rua, de quadra e onde mais houvesse espaço para o trato com a bola e por ai afora.

Isso foi num tempo em que a liberdade era o princípio e o fim de tudo que se puder relacionar à infância, mesmo com toda a repressão moral vigente ainda depois da segunda metade do século passado. O rigor no trato da prole não impedia que a rua fosse o espaço mais privilegiado para aventuras infantis. Tinha medo de fantasmas invisíveis e inexistentes mas não tinha que preocupar com fantasmas que se materializam hoje em carne osso, saindo do submundo de uma sociedade que tem a violência urbana como maior inimigo de uma infância já sem contato mais direto com o mundo natural , o mundo da rua, o mundo do tomar-se conta sozinho ou pelo vizinho e pelas pessoas das relações sociais de uma coletividade, seja cidade, bairro, vila , ou qualquer aglomeração onde vivam famílias em seus seios. A vida era mais fácil, do ponto de vista do ir e vir, tanto para adultos como (e principalmente) para crianças.

Estas lembranças tão vivas não costumam mais atrair os meninos e meninas de hoje para sequer tomar conhecimento, uma vez que distanciaram de tal forma presas em suas realidades de quarto, computador, tv e  Shopping, que contá-las soa como obra ficcional. Deixo-as para os adultos contemporâneos meus e deixo para futuros pais que podem, a tempo, repensar que condições humanas, geográficas e sociais querem deixar como legado para sua descendência.

Amigos tive muitos e tantos que até hoje conservo alguns, esses que não sumiram pelo mundo em busca de outros sonhos. Ou que sumiram transitoriamente e se estabeleceram ou estabilizaram em algum lugar de onde, sem importar distância e tempo, mantemos os laços. Pois eles foram fortes demais nos primeiros anos em que estávamos formando o caráter, a personalidade, absorvendo os ensinamentos dos pais e pessoas mais velhas. Desvios? Houve, haverá sempre. Muitos se foram, acometidos por um mal súbito, ou arregimentados subitamente por um mau para outros rumos.

Em breve estarei lançando um livro dessas memórias infantis. Já tem título provisório, será O CAMPINHO, o lugar no bairro onde passei a maior parte de minha infância, um espaço rústico, porém multiuso. Ali, adolescentes, crianças e até adultos se reuniam, seja para brincar, cada um com seu afazer lúdico, seja para encontrar, ser visto (uma vez que era bem central no bairro), ou simplesmente para levar o “fazer nada” para ser coletivizado. Coletivo, aliás, é um substantivo que eu gosto de adjetivá-lo bastante. É no que acredito como forma de fazer a humanidade andar junta, de mãos dadas cumprindo a sua sina de sociabilidade.

Luiz Claudio

 

Nossa memória é a deusa que reuniu nossos  apontamentos, a partir dos quais geram-se novas descobertas; a partir dos quais poemas,  grandes livros e pinturas eternas são inspiradas.”Rollo May

 Agradeço ao amigo Caca este compartilhar sobre parte importante de sua história e que também consiste na expressão das relações entre o individual e o coletivo de uma época.

 

Norma

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Demolições e histórias

 

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    Imagem Internet

 

 Quem não se recorda de sua primeira moradia? São lembranças preciosas de momentos de descobertas, de intensidade de emoções. Móveis, quadros, objetos e cômodos ficam tão registrados no inconsciente que ao se fecharem os olhos, ao se recordarem cenas familiares antigas, é possível sentir cheiros e ouvir ruídos. Enfim, são memórias de um tempo, marcas de uma história. Para Bachelard (1990. p.89) “é impossível escrever a história do inconsciente humano sem escrever uma história da casa”. A memória constitui-se através da relação significativa com parentes, vizinhos, pelos objetos pessoais, livros etc.. É um fenômeno construído socialmente.

Hoje, é impressionante o número de residências, casas antigas colocadas abaixo em nome da modernidade. As marretas e tratores ensurdecem os ouvidos e doem na alma. Os edifícios tomam seus espaços. A importância histórico-arquitetônica não é valorizada e as famílias, sem se darem conta, perdem parte das suas histórias. Por outro lado, não há interesse do poder público em relação à qualidade de vida da comunidade nem à memória histórica, bem como  não há um correlato planejamento urbano (esgoto, alargamento das ruas).
 
Que caminhos trilhados são esses?  A sociedade passivamente acompanha as derrubadas; algumas pessoas utilizam, hoje, para o comércio (do designer ao comércio de objetos e à realização de eventos) belas mansões que no passado pertenciam às famílias tradicionais. Essas moradias poderiam ser restauradas e funcionarem como espaço cultural. È lamentável constatar a perda da memória histórica, da inexistência de registros dos antigos imóveis.

A localização de uma lembrança “necessita o desenrolar fios de meadas diversas, pois ela é um ponto de encontro de vários caminhos, é um ponto complexo de convergência dos muitos planos do nosso passado” (Bosi, 1994, p. 413). Dessa forma, tudo isso me remete às dores observadas em algumas pessoas e famílias, quando por exemplo, após a morte de ancestrais, ocorre  venda da casa pelos filhos. Quanto sofrimento ao abandonar suas recordações! Na realidade as demolições nos reportam ao desgaste de um tempo, à morte daqueles que ardentemente desejamos manter na memória. Na “memória emocional vivemos como se todos que amamos devessem, no fastígio da nossa idade, viver juntos, morar juntos” (Bachelard, 1988, p. 116).

 

Referências

BACHELARD, Gaston. A Poética do devaneio. São Paulo: Martins Fontes, 1988.
___________________A Terra e os devaneios do repouso: ensaio sobre as imagens da intimidade. São Paulo: Martins Fontes, 1990.

BOSI, Ecléa. Memória e sociedade: lembranças de velhos. São Paulo: Cia. das Letras, 1994.

 Norma

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Primeiro beijo

 

beijo

O primeiro beijo é o começo daquela vibração mágica que tansporta os amantes do mundo das coisas e dos seres para o mundo dos sonhos e das revelações” Gibran Kahlil Gibran

 

Recebi de uma amiga virtual o endereço da sua  galeria de fotos e arte na NET , e essa que aqui se encontra me motivou a fazer um post interativo sobre o primeiro beijo.

Sou de uma época, não tão antiga (rs,rs),  que o toque era extremamente valorizado e  o primeiro beijo vinha antecedido de vibrante expectativa. Ah! adolescência, belos recortes de amor.

Em Gibran,  encontrei uma descrição poética deste momento de todos nós e  reproduzo abaixo.

“É o primeiro gole de néctar da Vida, numa taça ofertada pela divindade. É a linha divisória entre a dúvida que engana o espírito e entristece o coração, e a certeza que inunda de alegria nosso íntimo. É o começo da canção da Vida e o primeiro ato do drama do Homem Ideal. É o vínculo que une a obscuridade do passado com a luminosidade do futuro; é a ponte entre o silêncio dos sentimentos e a sua própria melodia. É uma palavra pronunciada por quatro lábios, proclamando o coração um trono, o Amor um rei e a fidelidade uma coroa. É o toque leviano dos dedos delicados da brisa nos lábios da rosa — pronunciando um longo suspiro de alívio e um suave gemido.

É o começo daquela vibração mágica que transporta os amantes do mundo das coisas e dos seres para o mundo dos sonhos e das revelações.

É a união de duas flores perfumadas; e a mistura de suas fragrâncias, para a criação de uma terceira alma.

Assim como o primeiro olhar é uma semente lançada pela divindade no campo do coração humano, assim o primeiro beijo é a primeira flor nascida na ponta dos ramos da Árvore da Vida.”  Do LivroFonte dos Mestres

 

Na unicidade do momento
No umbral da janela
Eu e Você

O quente roçar dos labios
O rubor das faces
No encanto do primeiro amor

Beijo inesquecível
Feito da magia
Da primeira carícia.

Caricia eternizada
Na memória de vida
Da vida encantada.

Norma


 E então, veio a  recordação? Compartilhe.

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