Eu respondo
Este projeto inicia-se hoje e cabe esclarecer que cada pessoa é única em suas vivências, sentimentos e percepções. Assim sendo, as respostas fornecidas a cada questão são contextualizadas, não se aplicando necessariamente a todos os casos.
Os dados necessários para a compreensão do problema foram fornecidos pela pessoa responsável pela pergunta, portanto dirijo-me a ela, mas de forma a trazer reflexão para outras pessoas que se interessarem em ler.
Como agir quando um filho de 6 anos quer comandar a situação no grito, principalmente na frente dos outros? Fingindo não ouvir o que peço.
De acordo com os dados fornecidos identifiquei alguns fatores significativos da questão:
- o abandono do parceiro no nascimento da criança;
- o sentimento de abandono que persiste em você em relação à sua mãe e ao seu ex marido , até a presente data;
- o apoio e influência de sua mãe e tia nos primeiros anos de seu filho.
- seus conflitos com sua mãe;
- o sentimento do seu filho de ser “o rei” da casa decorrente das interações familiares;
- sua educação ter três pilares (avó, tia e mãe)
- seu modelo de autoridade na base paterna (em sua infância);
- desejo de compensar para o seu filho a ausência paterna com possíveis sentimento de culpa.
- falta de fronteira família/trabalho;
- seu novo relacionamento;
- sua forma de reagir ao seu filho quando a desobedeçe (grito).
Os primeiros anos de vida da criança exercem grande influência em seu comportamento futuro. No caso de seu filho, a figura de “rei” construída pelas interações iniciais e a sua dificuldade posterior de modificá-la, associada à entrada de um novo homem na vida de vocês agravam a questão da falta de limites externalizada através dos comportamentos (não aceitar ser frustrado nos seus desejos e gritar para chamar a atenção, principalmente quando estão com mais pessoas ao redor).
A criança é como esponja, capta tudo o que acontece e “usa tudo ao seu favor” instintivamente.
Dar limites é dar amor, é preparar para a vida social, pois quem não tem limites não sabe reconhecer o seu próprio limite e transforma-se em um adulto vulnerável a muitas situações de invasão.
A firmeza na fala e das ações é o ponto de partida para resgatar sua autoridade. Castigos precisam ser bem demarcados. Não adianta ser um dia inteiro ou uma semana, pois a criança acaba não absorvendo. Precisam ser de imediato e por cerca de alguns minutos ou poucas horas e explicado os motivos.
Considero necessárias algumas mudanças:
- Estabelecer as regras que considera importantes e pedir, principalmente, aos avós que respeitem a sua maneira de fazer as coisas;
- Ele (filho) dormir em seu próprio espaço, mesmo que isso exija de sua parte treino por alguns dias: permanecer junto a ele, no quarto dele , até adormecer.
- Ele comer sem ajuda, compartilhar da escolha do que vestir, ajudar a guardar brinquedos, entre outras tarefas. Enfim, assumir responsabilidades.
- Você estabelecer seu horário de trabalho e impedi-lo de atrapalhá-la; estabelecer horários para lazer conjunto; favorecer que ele compartilhe de brincadeiras com outras pessoas, além de você.
- É importante que seu parceiro atual some com você na visão de educação, mas que entenda que ele não é o pai e que a sua autoridade (mãe) com seu filho é fundamental. Nunca se desautorizem na frente dele.
- Você buscar resolver os conflitos com sua mãe para que possa exercer livremente sua maternidade e, isto significa, também, poder dar limites à intromissão dela em relação ao seu filho.
- A paternidade do seu filho não pode ser resolvida por você, ela compete a pai e filho.
- O casal fazer programação também sem o filho
“Mudanças em seu comportamento levam a mudanças recíprocas no comportamento do outro em relação a você”. Nichols
Esta é a dança relacional que sugiro.


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