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O encontro

casais

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A identidade pessoal e coletiva resultam da relação entre indivíduos”. Enriquez, 1994

O individualismo no mundo contemporâneo cresce e traz consequências importantes e complexas às relações.

Em alguns relacionamentos, observa-se o receio da perda da individualidade no espaço da construção do “nós” e em outros o inverso, ou seja, o medo de que o “nós” deixe de existir, na medida em que a individualidade cresce. Confunde-se individualidade com individualismo.

Cabe, assim, ressaltar que individualismo e individualidade têm significados distintos. De acordo com o dicionário Aurélio, o termo individualidade caracteriza o que constitui o indivíduo; o caráter especial ou particularidade que distingue uma pessoa ou coisa.  Já o individualismo trata do sentimento ou conduta egocêntrica.

No entanto, podemos vivenciar, na atualidade, o valor supremo dado ao indivíduo, relegando a segundo plano o social, gerando contradições em relação aos valores de liberdade e igualdade. Nesse sentido, Simmel nos fornece uma significativa contribuição ao relacionar o individualismo com o universo capitalista. Desta forma, assinala que o dinheiro torna-se para o homem moderno um meio de realização dos seus desejos, um meio de atingir à liberdade, à individualidade, enfim à felicidade. Como consequência, abre-se um espaço imenso para a individualidade e para o sentimento de independência que acaba repercutindo na construção e percepção da individualidade de tal forma que provoca a anonimidade e desinteresse pela individualidade do outro gerando o individualismo. (SIMMEL, 1998, p. 28).

Na clínica é frequente a motivação pela terapia de casal em função de questões que estão relacionadas à busca pela individualização e a dificuldade na construção do “nós”, bem como em função da manutenção dos relacionamentos. Forças conscientes e inconscientes que propiciam os encontros transformam-se, comumente em obstáculos que precisam de ajuda profissional para serem compreendidos e ultrapassados.

No processo terapêutico com casais, objetiva-se ampliar o conhecimento em relação a si mesmo e ao parceiro.  É importante destacar-se as singularidades de cada um deles para o reconhecimento e valorização dos aspectos individuais e assim poder se construir um relacionamento onde haja espaço para a troca, a parceria e aceitação mútua.

Norma

Fontes

ENRIQUEZ, E. et al. Psicossociologia – análise social e intervenção. Petrópolis: Vozes, 1994

SIMMEL, Georg. “O dinheiro na cultura moderna”. In: Jessé Souza e B. Oëlze, orgs. Simmel e a Modernidade. Brasília, Editora da UNB, 1998.

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Desamparo e amor

horizonte 2

Muito se comenta sobre o  excessivo individualismo reinante em nossos dias. Nas conversas informais confirmam-se as queixas sobre a maneira como as pessoas compartilham os espaços coletivos. Há um descaso pelo outro. É  freqüente  entre pedestres ou motoristas urbanos exemplos gritantes: pedestres andando em dupla ou em trio com carrinhos de crianças ou cachorros fazendo uma muralha nas calçadas, não se incomodando com quem vem a frente ou atrás. Os motoristas fecham cruzamentos, sem se importarem com aqueles que  precisam atravessá-los. Não há o mínimo interesse pelos outros e a solidariedade é substituída pelas competições cada vez mais estimuladas na sociedade.  Há a exigência social do indivíduo responsável (a conquista do emprego ou mesmo de um relacionamento pautada na ação individual), o que deixa as pessoas com seus próprios recursos. Assim, esse modo de “cada um por si” gera em contrapartida sentimento de desamparo.

Por outro lado, o modo individualista de existir sem amarras e à deriva (sem referências) acarreta insegurança ou instabilidade pessoal que somada às constantes frustrações geram dores psíquicas, entre elas o pânico e a depressão.
Na clínica, a angústia revela, algumas vezes, a situação de desamparo pela perda do amor e nesse está incluso o de si próprio e o do outro. Desta forma, abordar sobre o individualismo é caminhar por esferas de sentimentos que permeiam as relações desde a esfera privada à publica e que constroem mal-estar e consequentemente adoecimentos.

As influências são recíprocas (sociedade e indivíduos) e os sintomas nos alertam que o circulo vicioso necessita ser interrompido para darmos chance a novos ares. Nessa retomada urge um olhar cuidadoso sobre o si mesmo numa perspectiva mais humana e menos mercantilizada ( marca de roupa, carro x, etc.).  Assim sendo, quem sabe o amor (rearfirmado e cuidado)   possa ser a mola mestre que nos ajude a trilhar caminhos menos desumanos e que o outro possa ser reconhecido como o si próprio, pois como diz John Powell,  “Na verdade, as coisas que mais me diferenciam e me individualizam em relação aos outros, o que torna a comunicação de minha pessoa um conhecimento único, são meus sentimentos ou emoções».

Norma Emiliano

BAUMAN, Z. (1997). O mal-estar da pós-modernidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998.

JOHN POWELL, S. J. Por que Tenho Medo…  Editora Crescer, B. Horizonte, 1987. Tradução de Clara Feldman de Miranda

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