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“O indivíduo tem que se autodeterminar para não ser engolido pela massa indiferenciada do ego familiar”. Bowen
A novela Viver a vida apresentou com os personagens gêmeos, Jorge e Miguel, uma interessante forma para podermos visualizar e refletir sobre o processo de individuação (consciência de si mesmo).
Desde o início, cada um dos personagens foi demarcando suas características peculiares e forma de interagir entre si e com os pais. Jorge introspectivo, responsável, amoroso, cuidador e rígido em “suas verdades”. Miguel, extrovertido, brincalhão, amoroso, flexível e tolerante.
Ambos recebem afetos e cuidados de uma mãe superprotetora, personagem dominante no contexto do núcleo familiar. Por outro lado, o pai, como contraponto, é flexível e compreensivo em relação às atitudes dos filhos. Na trama familiar os confrontos entre os irmãos e entre cada um dos filhos e mãe, e do casal trazem à tona o jogo de poder interacional.
O interesse dos irmãos pela mesma mulher anuncia a crise familiar e a necessidade de uma reorganização, uma vez que há dificuldades para a ultrapassagem das etapas do ciclo familiar com filhos na idade adulta. Surgem vários sintomas, entre eles a depressão de Jorge e o descontrole emocional da mãe.
A forma firme e decisiva de Miguel diante dos seus desejos e a insegurança de Jorge e vitimização diante da mãe, como se ela fosse à única responsável pela perda da namorada e a decisão de sair de casa, expressam os traçados individuais de desenvolvimento pessoal em direção ao processo de individuação.
No final da novela, a definição do pai diante da situação conflituosa em relação às escolhas amorosas dos filhos, aliando-se a eles, acirrou a crise do casal, possibilitou a reorganização da família e a continuidade dos projetos pessoais de cada um
Um dos conflitos mais comuns dentro da família é o conflito de pertencer à família e tornar-se pessoa (deixar de ser massa).
Enfim, a saída da casa dos pais para fugir dos conflitos reafirma a dificuldade de olhar para si próprio, para seus sentimentos, angústias e medos.
Norma Emiliano


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