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Identidade feminina

 

Artemis[1]

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Há representações que historicamente constroem a opressão às mulheres

 

Ao nos determos no universo feminino (desejos, conflitos, conquistas e perdas) ao longo dos séculos, observa-se uma variedade de expressões deste lugar e das desigualdades de poder de gêneros que ainda impedem a busca pela felicidade, motor impulsionador da vida.

Algumas mulheres dedicam suas vidas a cuidarem dos pais e/ou filhos em tempo integral. Há aquelas que trabalham e dividem-se entre o lar e o   trabalho, carregando conflitos e culpas e, outras, que ficam imersas no trabalho relegando a terceiros a criação e educação dos filhos e distanciam-se do amor a si mesma. Na literatura, encontramos algumas importantes representações desta luta da mulher pelo encontro da sua identidade.

Nos anos 60, Clarice Lispector, em seu conto Amor, nos coloca diante da personagem Ana com sua realidade e seus conflitos internos.  Ana é dona de casa, casada, com dois filhos e satisfeita com a estabilidade de sua vida até o momento em que a visão de um homem cego lhe desperta a vontade de viver, passando, a partir deste momento, a ter conflito consigo mesma e tudo que representa para a sua família e a sociedade. Presa às convenções sociais, mesmo se percebendo de uma outra forma, não consegue se libertar e escolhe permanecer na estrutura anterior abandonando, assim, a chama da vida.

Em Memorial de Maria Moura, nos anos 90 , Rachel de Queiroz nos traz a representação da mulher do século XIX. A personagem Maria Moura contraria os costumes da época, na busca pelo domínio de suas terras e pela liberdade.

Mulher, que marcada por um trauma (psicológico) na infância, torna-se dura e forte a tal ponto que faz valer a sua vontade, apesar da sociedade machista em que vivia. Sai da casa que fora de sua família para seguir pelo sertão, espaço sem regras e destinado aos homens. Tenta se aproximar do modelo masculino, mas sua feminilidade no plano afetivo e sexual a deixa vulnerável, levando-a para a possível morte, prenunciada no final do romance.

A estas representações, podemos somar nossas experiências pessoais (anseios, realizações, conflitos e perdas) e refletir até que ponto os nossos comportamentos, as práticas sociais e nossos discursos ainda encontram-se submissos aos valores dominantes tradicionais. Como nos enxergamos?

 

Neste questionamento encontramos também no texto da Tatiana do blog perguntasempersposta   exemplos práticos da atualidade.

Norma Emiliano

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Identidade

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O nascimento de um ser não é o suficiente para que esse ocupe um lugar no mundo.

Muitas pessoas têm filhos sem planejamento ou mesmo sem motivos. É a partir  dessa premissa que ocorre o nascimento de Carlota, fruto de um caso efêmero. Filha de mãe solteira, que após um tempo de indecisão, opta pela gestação.

Ao longo dos seus primeiros sete anos vive ao lado da mãe e de um irmão, oriundo de outro relacionamento materno. Algumas vezes, Carlota ouvira a mãe dizer que não havia querido seu nascimento. Acostumou- se  a ganhar coisas usadas e a pouca organização. Aos quatro anos foi apresentada ao pai e passou a ter contatos esparsos com a família paterna (avó e tia); aos sete anos decidiram  que iria morar com o pai. Este era casado há cinco anos e tinha uma filha. Desse modo, foi inserida nesta família, e os sentimentos de rejeição, medo e exclusão irão permear seu cotidiano.

A construção da identidade ocorre através de influências de características adquiridas da personalidade,  da identificação com outras pessoas e de valores sociais. A identidade é uma concepção de si mesmo, composta de valores, crenças e metas com os quais o indivíduo está solidamente comprometido. Desta forma, os  hábitos, valores, limites, crenças vão sendo incorporadas no cotidiano infantil a partir de suas interações, principalmente com os pais e irmãos.

Entre expectativas e frustrações, entre amor e ódio, entre submissão e rebeldias os fios da mentira,  desconfiança e o medo foram sendo tecidos.

No decorrer de seis anos, retornou à casa materna por três vezes. Em todos os  retornos à casa do pai, as roupas esquecidas na casa da mãe eram motivos de conflitos com o pai. Todavia, não tinha nem um armário que fosse só seu. Dividia – o com a irmã. Seu material, roupas eram comprados sem sua opinião. O pai constantemente  lhe batia por pegá- la em mentiras.

As redes formadas pelos laços familiares constroem o pertencimento. Entretanto,  em meio a dois mundos conflituosos, que atitudes tomar? Como se comunicar? Como agradar?

Transitar entre duas residências não é questão. O que pode construir um problema é como cada um dos respectivos pais lidam com as suas diferenças e conflitos. Aquele que tenta afastar o filho do convívio de um dos genitores pode perder a confiança do filho.

Ajudar Carlota a construir sua identidade e auto-estima significa entender seus conflitos de lealdades, seus sentimentos de rejeição e exclusão. Significa ter regras claras de convivência; realizar mudanças concretas no atual espaço (moradia);  fazer sua inserção em projetos cotidianos da família; empatizar e apoiar seus conflito criando um clima de afeto e confiança para que ela possa transitar entre estes dois mundos e se enriquecer com as diferenças e não ser punida. 

 Ambientes e regras internas distintas constroem pessoas mais flexíveis; característica de grande valor nos dias atuais, tendo em vista que  o sujeito pós-moderno encontra- se  diante de uma  variedade de novidades.

Norma Emiliano

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A velhice e a perda da identidade

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Envelhecer bem é aceitar a velhice como um bem. Para atingir a sabedoria e a serenidade e para inventar uma nova maneira de viver, é preciso ter sido capaz de adaptar-se ao longo da vida. Na medida em que se soube viver, também se deve saber e ser capaz de envelhecer” Duarte, 2000.

Freqüentemente nos defrontamos com a necessidade de responder à pergunta “quem sou” que a identidade nos remete.

O tema identidade sempre foi explorado nas artes em geral (música, literatura, etc.) e diferentes campos do conhecimento (sociologia, filosofia, psicologia, etc.) tentam explicar como nos tornamos humanos a partir das compreensões diversas sobre a natureza humana. Contudo, é a vida social que nos proporciona as trocas afetivas que desde o começo da nossa vida, vão construindo nossa identidade através de estruturas culturais, como por exemplo, a família, e dos mecanismos que a sociedade cria para dar códigos que regulem a vida dos seus membros, como por exemplo, a linguagem.

Em todas as etapas da vida o ser humano incorpora aspectos externos e internos. Os externos compõem-se da participação na cultura: papéis familiares e sociais, emprego, a maneira de se apresentar ao mundo e a participação nele. Os internos referem-se aos significados que essa participação possui para cada um. Neste sentido, a forma como cada um vai vivenciar o envelhecimento está diretamente ligada à influência cultural e como ao longo da sua vida enfrentou os obstáculos.

Vivemos num momento histórico em que o envelhecimento populacional é a nossa realidade e paradoxalmente impera a cultura da juventude. Isto significa que a identidade do ser humano pode vir a tornar-se vulnerável à medida que avance cronologicamente no tempo. Entretanto, o homem é ator e autor da sua própria história.  A compreensão do envelhecimento “como um processo cujo início se dá no momento do nascimento” (Sathler/PY) favorece para que possamos estar interferindo através da conscientização de que os estereótipos em relação à velhice (apatia, tristeza, implicância, etc.) comprometem a qualidade de vida e que também os idosos compartilhem da responsabilidade de uma velhice aberta para usufruir a vida, uma vez que as alegrias da autodescoberta e a capacidade de amar são contínuas.

Segundo  Gail (in Passagens, 1990), “a principal tarefa da idade madura consiste em renunciar a todas as nossas proteções imaginárias e ficarmos de pé, nus no mundo, como o ensaio para assumirmos plena autoridade sobre nós próprios”.

Norma

Referência bibligráfica:

SATHLER, Julieta & PY, Ligia. Pensando perdas e aquisições no processo de envelhecer. In Caminhos do envelhecer. Rio de Janeiro, Ed. Revinter, 1994. pp.15-17

SHEEHY,Gail. Passagens. Ed.Francisco Alves, 1990.

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