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A incerteza do amanhã

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A sua queixa é a freqüente insatisfação, o sintoma é a depressão. Não consegue entender seus sentimentos; sente-se paralisado. Muitos são os motivos que impulsionam as atitudes humanas e muitas delas são conscientemente desconhecidas.

O conjunto de comportamentos que vincula as pessoas umas as outras formam importante ligação entre elas e gera o que podemos denominar de apego. Assim, as experiências relacionais infantis vão determinar as futuras representações de si mesmo e dos outros. A visão do homem é restrita, parcial e limitada criando o apego às coisas próximas conhecidas. Contudo, a vida nos é ofertada e nos confrontamos com a sua impermanência.

O apego humano, apesar de ser indispensável ao desenvolvimento da criança, condiciona e limita a vida das pessoas por elas desejarem a constância e permanência de coisas e pessoas. Desta forma, muitas causas de infelicidade, conflitos e tensão estão vinculados ao apego. Os desejos do homem são incessantes e daí surgem as frustrações por não se obtê-los, por não se conseguir o suficiente, por possuir algo que não se quer mais ou por se conseguir e perdê-los.

Em sua história familiar a luta pela sobrevivência foi grande. Eram cinco pessoas, pai, mãe e três filhos. O pai muito acomodado restringia-se a um emprego seguro no qual ganhava pouco. A mãe, muito ativa, de tudo fazia para dar o que comer aos filhos. O pai era muito honesto, responsável, mas muito distante afetivamente. A mãe era o porto seguro. 

Após o casamento dos irmãos, suprimiu etapas de um recente namoro. Em menos de um ano nasceu o primeiro filho.  A partir de então assumiu o compromisso de não deixar faltar nada à família. Isto, ao longo do tempo virou uma obsessão e só pensava no dia de amanhã. Nada o satisfazia, nada valorizava.  Procurava garantir o sustento da família e ser carinhoso com os filhos por não querer repetir com eles a distância que existia entre ele e o pai. Por outro lado, continuava ter a mãe como o porto seguro. Em suas incertezas, a ela sempre recorria.  Passou o tempo.  Não conseguindo viver o aqui e agora e ficou depressivo. A preocupação intensa com o amanhã impede a criatividade cotidiana.

Para que uma corda vibre em nós, é necessário não só que ela seja nossa, mas também que um contexto adequado a faça vibrar”. Elkaim. Ele atribui a sua depressão à insatisfação constante. Todavia, a junção da sua história e a da parceira faz o encaixe para a manutenção do padrão de comportamento que o afasta da sua intimidade pessoal. Não sabe quem é e o que deseja.

A esposa é proveniente de uma família pobre, na qual a mãe é do lar e submissa; o pai é o provedor, extremamente autoritário e agressivo. Ela tem três irmãs, sendo ela a filha do meio. Cedo quis trabalhar e se tornar independente. No casamento, não quis ter a posição submissa da mãe. Na falta de um modelo de parceria, assumiu a família e o controle do lar. Queixa-se da falta do companheiro, mas não percebe que não abriu espaço para que o companheirismo pudesse emergir.

Ambos estão perdidos em cobranças pessoais e inter-relacionais, mantêm-se prisioneiros do passado e não conseguem viver o presente. O medo da repetição da figuras paternas traz como pano de fundo a incerteza do amanhã.

Norma Emiliano

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Minhas Palavras

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Aquilo que guia e arrasta o mundo não são as máquinas, mas as idéias”. Vitor Hugo

Um fato é eu sair de mim para você; outro é eu chegar até você com minhas palavras. As palavras! As palavras, os ventos levam e trazem. Elas fluem pelo universo. Representam o meu desejo de expressão.

A voz interior expressa- se através das palavras faladas ou escritas que irão pousar de acordo com as diversas identificações pessoais. Identificações que passam pelas recordações, dores, alegrias e questionamentos. Não importam quais sejam. Posso trazer lembranças, informações, conforto, afeto e questionamentos. Respostas? Não. As respostas estão onde você se encontra.

Pessoas, cotidiano, eventos, relações despertam-me as palavras. No intuito das mensagens, as letras vão se juntando, formando palavras, frases, na direção do conteúdo. Exteriorizar o pensamento, as idéias, os sentimentos faz parte deste momento. A mente povoada de imagens  que vão se  configurando e  entrelaçando. Vidas  que são contadas, homenagens que são realizadas, informações que são repassadas. No entorno o meu afeto. No vai e vem dos pensamentos e palavras, converso comigo e vou até você com minha mensagem. Não ouço o que me diz, sua conversa é silenciosa. Entretanto, as palavras chegam a você e se transformam a partir de você. Assim, a comunicação se faz presente  e a experiência é valiosa.

A primavera finda. Está quente! O tempo faz com que me recorde de momentos passados e pessoas queridas. Viajo! Assim é a nossa memória. Tudo permanece dentro de nós. Imbuída dos sentimentos dessa viagem, surgem-me algumas palavras: amor, união, intimidade, intensidade. Ligadas a elas, duas cenas surgem e remetem-me aos sentimentos. Uma traz a alegria e a outra, a tristeza. Assim é a vida. Mas, nos pensamentos posso optar e escolho as cenas de alegria. E com elas, neste nosso encontro, quero irradiar energias positivas para você. É meu desejo que o espírito de amor e fraternidade, presentes aqui e agora, retidos nos meus pensamentos, impregnem o seu cotidiano e que ao lê-las, você possa carregar em seus pensamentos emoções positivas, de esperança e de fé num mundo onde o império seja do Amor.

Norma Emiliano

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Encontro Terapêutico

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“… Solta minhas mãos e segue. ( )… Por longe que te vás, sempre estarás comigo”. 
Cora Torres Maia

Eu e você, o nós; o nosso encontro. Momento impar de disponibilidade; de sair de mim e estar com você. Na sua fala, na minha escuta, na empatia, no nosso diálogo estão os nossos caminhos. Entre suas e minhas histórias enveredamos por estradas. Encontramos lugares desconfortáveis, tristes e solitários. Lugares que trazem muitas recordações e saudades; lugares marcados por lágrimas e mágoas. Lugares que são seus que, às vezes, confundem-se com os meus. Nos fios traçados, os diversos personagens entram e saem de cena, mas você e eu estamos aqui. Com você vem toda a bagagem genética e emocional construída ao longo das diversas gerações que lhe  antecederam; o seu Ser, a sua dor, a sua história. Comigo, o meu ser (pessoal e profissional), a minha história; a paixão por estar aqui. No passo a passo, no seu passo, vamos entrelaçando os fatos, os sentimentos, os comportamentos e montamos o quebra cabeça. No traçado da linha da vida, dados significativos que estruturam a sua identidade e direcionam seu destino. No passo a passo, no seu passo, vamos entrelaçando e separando os personagens, os sentimentos, os comportamentos e os acontecimentos. Entre suas idas e vindas, progressos e retrocessos vão se intercalando.

Neste percurso quantas descobertas! Novos olhares; novos sentimentos.  Separamos e juntamos, juntamos e separamos muitas dores. Abrimos feridas, mas no passo a passo, muitas curamos. Algumas, mesmo tratadas, deixam marcas profundas. Essas servirão de sinais de alerta no seu ponto de equilíbrio.

Ao termino desse caminho que construímos, desse nosso encontro, fica a riqueza de cada Ser, a nossa troca, o nosso crescimento, a reconstrução da sua vida e o reflorescer da minha prática.
Seguiremos vivos em nossas memórias.

Norma Emiliano

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Terapia Individual Sistêmica

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O indivíduo sente que está mal e não consegue entender nem superar o estado de paralisação em que se encontra. Percebe que precisa de ajuda, há o desejo de conhecer mais profundamente seus conflitos e caminhar em direção à “felicidade”.

Cada pessoa é única no que diz respeito ao seu temperamento, composição genética, percepções e necessidades. Contudo, a formação da identidade se processa através das interações familiares contínuas. Assim, o sentido que cada pessoa  atribui  à  vida, à  família, aos  relacionamentos, às  suas  expectativas, bem  como  à  sua auto-estima  estão relacionados à sua família.  O ser humano nem sempre tem consciência disto.

A Terapia Sistêmica em sua origem dirigia-se exclusivamente ao atendimento de famílias. Ao longo do tempo, com desenvolvimento teórico, técnico e clínico, a abordagem sistêmica foi se reestruturando para atender clinicamente o sistema individual.

No atendimento individual, as  histórias  familiares  fornecem o nexo dos  fenômenos e constituem  os  recursos terapêuticos. “O espelho familiar vai circulando através das diferentes gerações de uma família, constituindo-se em elo entre passado e futuro.” (Gomel).  Desta forma, parte-se de algo que é “interno” para o indivíduo e o relaciona com algo que acontece entre as pessoas. “Forças  transgeracionais  exercem uma influência crítica  sobre  as  relações intimas atuais.” (Framo).  Consideram-se todas as informações levando-se em conta três gerações da família.

O foco da terapia é favorecer o auto conhecimento e possibilitar a descoberta de saídas para o impasse em que o indivíduo se encontra (processo de autonomia e mudanças de pautas disfuncionais).

A reconstrução das histórias, a analise e definição dos padrões relacionais repetitivos, possibilitam uma visão mais ampla  do  problema  podendo  trazer à consciência fatores  que  permitam  a  elaboração  de  conflitos, perdão, resignificação de atitudes, etc.

São fundamentais o desejo de mudança e a disponibilidade  do  indivíduo, assim como, que  o  vínculo  terapêutico favoreça o processo de mudança e ajude-o a se “diferenciar”, ou seja: ter capacidade de manter separados os sistemas emocionais dos intelectuais, usar mais a razão do que os sentimentos.

As intervenções consideram as  relações  entre o indivíduo  e  os outros  e  dele consigo mesmo.  Trabalha-se com a identidade pessoal e a identidade familiar nas vertentes do pertencer e do diferenciar-se, ajudando o indivíduo a sair da massa indiferenciada da família e a poder construir seu caminho, reconhecendo outras possibilidades.

A separação  da  família  de origem  é  um  processo  gradativo  e  que  não  se  esgota.  A Terapia individual sistêmica, agregando ou não, os diversos membros familiares, é indicada quando é o indivíduo busca a terapia com objetivo de desenvolver consciência do seu padrão de funcionamento e deseja adquirir  aprendizagens  que  são necessárias no momento, ou de realizar as mudanças que se fizerem necessárias.

Referência bibliográfica

Framo J.L.(2002). Uma abordagem transgeracional à terapia de casal, à terapia de família famíliar e a terapia individidual. In M. Andolfi (org.)

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Como se fossem brisas

Num trajeto normal do meu cotidiano, sem qualquer intenção, compartilhei recortes de vida.
Sentada ao meu lado, observei que havia uma senhora, de sessenta e seis anos, que me olhava de soslaio. Num certo momento, começa a me contar sobre a perda e clausura de uma amiga pela morte do marido. Fala do sofrimento e recuperação da amiga, após uma sessão espírita, na qual o marido lhe deixara uma mensagem: estava bem e desejava que ela jogasse ao mar suas cinzas, desfizesse-se de seus pertences e seguisse a sua vida. Num impulso, desejo perguntar – lhe por que me conta essas histórias. Mas, calo-me.

Percebo seu contentamento ao relatar que a encontrara ótima. Mudou de residência, afastou – se da dependência dos filhos. Hoje, tem amigas, faz ginástica e sai para dançar. Entrelaçando – se ao relato, observa que vai fazer o mesmo em relação a sua mãe. Vai dar os seus pertences, guardar os seus retratos. Levanta – se para saltar, ainda, referindo – se a certos compromissos que tinha que resolver para o pai.

Na sua saída, um senhor, de mais de setenta anos, pede licença para sentar – se. Desculpa – se por me incomodar, mas diz que vale a pena pelo prazer de sentar-se ao lado de tão simpática companhia. Olho – o e vejo seu largo sorriso. Mal agradeço a sua gentileza, começa a falar do seu atribulado dia. Tinha ido ao Rio resolver alguns problemas e nada conseguira, mas que não ia deixar de sorrir por esse fato. Percebo seu desejo de entabular uma conversa, respondo rapidamente sua pergunta sobre meu local de residência, mas despeço – me por ter chegado ao meu rumo.

Acabara a viagem e ficaram – me as imagens dessas pessoas. Dois idosos: uma mulher e um homem que tiraram – me da rotina do percurso. Trouxeram – me para suas vidas e arejaram com suas histórias o meu enredo matutino.

Norma Emiliano

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