
Imagem google
A família chega ao consultório com a queixa da agressividade do filho e do mal estar que este sintoma vem criando no contexto familiar e afirma que se não fosse por este comportamento recente, tão estranho, todos seriam felizes.
Ao ampliarmos a visão sobre as queixas familiares, constatamos que o cotidiano, com suas rotinas, hábitos, padrões relacionais constantes, leva as pessoas a ficarem cegas aos seus sentimentos e a não perceberem o desconforto que, pouco a pouco, mina as atitudes e acaba explodindo numa reação mais extrema em um dos membros (“bode expiatório”). Com freqüência são os filhos, que, como esponja, acabam absorvendo e denunciando através de sintomas, o clima que circula na família e nos proporciona a porta de entrada para avaliarmos o ciclo repetitivo que está paralisando a família e a possibilidade do tratamento familiar.
Pode parecer absurdo àqueles que buscam ajuda para lidar com questões de seus filhos que o foco terapêutico se desloque para a relação do casal e/ou para os relacionamentos dos pais com seus próprios pais.
Se pensarmos que todo ser humano traz em sua história de vida as influências, não só do aqui e agora, mas também das gerações passadas, podemos analisar as questões individuais através das suas interações e das suas histórias. O que nos abre um leque recursos para tratarmos a queixa apresentada.
Cada família traz na sua história, uma realidade bem peculiar. Os mitos e lemas familiares, em determinados momentos, limitam o olhar sobre a realidade. Desta forma, a viagem que realizamos através das informações de cada membro vai enriquecendo o espaço terapêutico e ajudando a redistribuição da questão entre os diversos membros, fazendo rodar o “bode expiatório”, ou seja, cada um vê a sua parte, não ficando o problema em cima de um somente.
Assim, para um resultado satisfatório desta modalidade de atendimento, é vital que o paradigma seja compreendido e aceito pelos membros envolvidos. É necessário que o espaço terapêutico seja uma possibilidade da família vislumbrar formas mais saudáveis de interagir, esforçando- se para mudar o padrão disfuncional e atingir uma outra forma de se relacionar.
Norma Emiliano

Saiba mais