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Debate- A outra

A  outra, amante do homem casado  ou com outro compromisso, é um personagem muito presente no cotidiano de muitas famílias e,  constantemente, explorado nos roteiros de filmes, livros e telenovelas.

Como você, a partir do texto Mundo à parte e da música apresentada no video abaixo, entende a questão?

brunolimabh
3 de janeiro de 2007

Eu sou a outra

Ele é casado e eu sou a outra,
Na vida dele,
Que vive qual uma brasa,
Por lhe faltar
Tudo em casa.

Ele é casado e eu sou a outra,
Que o mundo difama,
Que a vida, ingrata, maltrata,
E, sem dó, cobre de lama.

Quem me condena,como se condena
Uma mulher perdida,
Só me vêem na vida dele,
Mas não o vêem, na minha vida.

Não tenho lar, trago o coração ferido,
Mas tenho muito mais classe,
Do que quem não soube prender o marido.

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Carnaval- Um recorte de alegria

Aproximamo- nos de uma data em que a folia embala o cotidiano de um  significativo número de brasileiros. Nesse sentido, considerei propício trazer um texto que aborda essa data  através do tempo e de algumas expressões do núcleo familiar.

carnaval

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Um recorte de alegria

“Quanto riso, oh quanta alegria, mais de mil palhaços no salão….” essa e muitas outras canções remetem- me aos anos idos. Anos de magia, de muitos confetes e serpentinas. Anualmente, a chegada do carnaval trazia  aos lares, às  ruas  um novo colorido. Ensaios dos blocos, escolha das fantasias, enfeites nos postes antecediam a grande festa. Época de simplicidade, de calor humano entre vizinhos e ida aos clubes em família. Essas são lembranças minhas.

No meio da multidão, as máscaras; personagens ediondos, assustadores corriam de lá para cá, detinham- se juntos as crianças. Isso era amendrontador. Mas passageiro. Muitos faziam questão de mostrar o rosto após o primeiro impacto. Nos blocos, faziam- se alas de moças, de rapazes e crianças. Em sequida, vinham os pais, os responsáveis, que zelavam por sua família e se divertiam. Festa do povo. Muita animação. Três dias de folia.

Os bondes cheios traziam na parte traseira um grupo de instrumentistas.  Com ou sem fantasias as pessoas cantavam e dançavam animadamente ao som de sambas e marchinhas. A festa acontecia  em vários lugares de dia e de noite. Pela noite, os jovens voltavam, muitas vezes, a pé, dos grandes bailes carnavalescos. Muita paquera, lança perfume e alegria.

Um mundo mágico, três dias em que novos personagens tomavam conta do cotidiano: pierrô, arlequim, colombinas, príncipes, morcegos, diabos, bailarinas, homens vestidos de mulheres, mulheres vestidas de homens.

Nas tardes, os desfiles das fantasias infantis. Nas noites, os desfiles dos blocos. Feliz, empertigada na minha colombina, via – me no espelho. Lábios rubros, olhos pintados de azul. Tudo era novidade; meninas até seus quinzes anos não se pintavam. Os cabelos eram carinhosamente enrolados em papelotes por minha avó e ao se soltarem mostravam seus belos cachos. Minhas irmãs  ( mais velhas do que eu)  e suas amigas na sala  contavam as emoções da noite anterior. Meu pai tentava descansar para que à noite pudesse acompanhar “o seu rebanho”. Mas minha mãe ali estava dando conta de aprontar sua menina para o desfile.

Lembranças minhas que trazem uma época de vida em família, do compartilhar da magia do carnaval em que o maior sentido era a diversão. Lembranças das músicas que diariamente enchiam os lares.  Compositores  e artistas detinham- se  na nas belas e frenéticas composições carnavalescas.

Na retomada do tempo, pode-se traçar uma linha e pontuar as transformações. No sentido do carnaval, na entrega à folia, na união dos grupos, na participação comunitária, nos valores da família, no sentido da vida.  “Cidade maravilhosa cheia de encantos mis, cidade maravilhosa coração do meu Brasil”.
 
Norma Emiliano

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A Influência do Serviço Social na Terapia Familiar

Serv. SocialA profissão do assistente social desenvolveu-se no final do século XIX, a  partir  dos  movimentos  de caridade na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos. Naquela época, como agora, os assistentes sociais dedicavam-se a melhorar a condição dos pobres e desprivilegiados da sociedade. Além de atender as necessidades básicas de alimentos, vestuário e  habitação,  os assistentes  sociais também  tentavam aliviar a angústia  emocional  nas  famílias   de seus clientes  e  encaminhá-los  às  entidades  sociais responsáveis pelos extremos de pobreza e privilégios. O visitador solidário era um assistente social que visitava os clientes em suas casas para avaliar suas necessidades e oferecer ajuda. Tirando os profissionais de seus escritórios e os levando até as casas das pessoas carentes, essas visitas serviram para derrubar a artificialidade do modelo médico-paciente que prevaleceu durante tanto tempo.

Os visitadores solidários estavam diretamente envolvidos no tratamento de problemas de casamentos conturbados e dificuldades na educação dos filhos. Os profissionais das casas de assistência social ofereciam serviços sociais, não apenas aos indivíduos, mas também aos grupos familiares. A assistência social familiar foi provavelmente o foco mais importante do treinamento inicial em serviço Social. Na verdade, o primeiro curso ministrado pela primeira escola de Serviço Social dos Estados Unidos intitulava-se “O Tratamento das Famílias Carentes em Suas Próprias Casas” (Siporin, 1980). Os profissionais aprendiam a importância de entrevistar pai e mãe ao mesmo tempo para obter um quadro completo e preciso dos problemas de uma família, isto em uma época em que as mães eram consideradas responsáveis pela vida familiar, e muito antes dos profissionais tradicionais de saúde mental terem começado a experimentar a realização de sessões familiares conjuntas. Estes estudiosos da assistência social familiar da virada do século estavam bastante conscientes de algo que a psiquiatria demorou mais 50 anos para descobrir que as famílias devem ser consideradas como unidades. Assim, por exemplo, Mary Reymond (1917), em seu texto clássico Social Diagnoses, prescreveu o tratamento de “toda a família” e advertiu contra o isolamento dos membros da família de seu contexto natural.

O conceito de Richmond de coesão familiar tinha um toque incrivelmente moderno, antecipando, como realmente o fez, os trabalhos posteriores das teorias do papel, a  pesquisa de  dinâmica de grupo e, é claro, a  terapia  da  família estrutural. Segundo Richmond, o grau de vínculo  emocional  entre os  membros da família  era  um  determinante fundamental da sua capacidade de sobreviver e florescer. Richmond também previu desenvolvimentos com os quais a terapia familiar passou a se preocupar na década de 1980, encarando as famílias como sistemas dentro de sistemas. Como observaram Bardhill e Sauders (1989 no livro Marital conflict and psychoanytic ): Ela (Richmond)  reconheceu que as famílias não são conjuntos isolados (sistemas fechados), mas existem em um contexto social particular, que influencia interativamente e é influenciado por seu funcionamento (isto é, são abertos). Descreveu graficamente esta situação, usando um conjunto de círculos concêntricos para representar vários níveis sistêmicos, desde o individual até o cultural. Sua abordagem à prática foi considerar o efeito potencial de todas as intervenções em todo o nível sistêmico, e compreender e usar  a  interação  recíproca  da hierarquia sistêmica  para  propósitos terapêuticos.  Ela realmente assumiu uma visão sistêmica da angustia humana. (p. 319). Ironicamente, os primeiros assistentes sociais a encararem  a  família  como a  unidade  de  intervenção, recuaram  para  uma visão  mais tradicional  da abordagem indivíduo-como-paciente quando ficaram sob a influência da psiquiatria na década de 1920.

Os assistentes sociais do ramo da saúde mental foram fortemente influenciados pelo modelo psicanalítico prevalecente, que enfatizava os indivíduos, não as famílias. Quando o movimento da terapia familiar foi iniciado, os assistentes sociais estavam entre seus mais numerosos e mais importantes colaboradores. Entre os líderes da terapia familiar que são assistentes sociais estavam: Virginia Satir, Ray Bardhill, Peggy Papp, Lynn Hoffman, Froma Walsh, Insoo  Berg, Jay  Lappin, Richard  Stuart, Harry  Aponte,  Michael White, Doug  Breunlin, Olga  Silverstein, Lois Braverman, Steve de Shazer, Peggy Penn, Betty Carter, Braulio Montalvo e Monica McGoldrick. A propósito, mesmo começar uma lista dessas é difícil, porque, a menos que escrevêssemos páginas e páginas de nomes, seria inevitável a omissão de muitos nomes importantes.

Texto  extraído do Livro: TERAPIA FAMILIAR Conceitos e Métodos – Nichols, M. P. & Schwartz, R. C.  – Artmed – 1998 ( p. 34-35)

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Famílias e Políticas Públicas

“A família é um princípio de construção ao mesmo tempo imanente aos indivíduos e transcendente em relação a eles”. Bourdieu, 1996

A família é reconhecida como um dos mais antigos provedores de cuidados (bem-estar) e, assim, tem sido valorizada mundialmente no âmbito da sua importância no contexto da vida social.

Desde o início dos anos 90, surgem pressões dos órgãos internacionais para a “recuperação da família como lugar de   busca   de condições  materiais de vida, de pertencimento  na sociedade e  de  construção  de  identidade, principalmente nas experiências de insegurança, de perda de lugar na sociedade e de ameaça de pauperização trazidas  pelo  desemprego”.  (Wanderley, 1997 apud MIOTO, 2006,).   Por sua vez,   o  Brasil, inseriu-se economicamente numa ordem globalizada.

Nesta perspectiva, o Estado vai combinar os mais diversos fatores, como novas tecnologias, desregulamentação, liberalização dos mercados, privatização de empresas estatais, integração das esferas nacionais, supressão de direitos trabalhistas e previdenciários.  (SOUZA, 1997).  Com o avanço tecnológico houve automatização dos trabalhos  menos  qualificados, a  maioria dos  empregos  da  manufatura passou para o  setor  de serviços  e conseqüentemente o nível e a ocupação de empregos passaram a ser mais vinculado as atividades terciárias.  Disto resultaram  um  crescente  desemprego  e precariedade das relações e condições de trabalho. (Antunes, 1999).  Soma-se a este  quadro a  questão do processo de concentração de renda,  sentido na diminuição do  poder de compra dos trabalhadores pobres em relação  aos que tiveram aumento expressivo de renda real. Tal fato resultou no crescimento da desigualdade de renda.  O quadro é de empobrecimento, cada vez maior, dos trabalhadores e de suas famílias (ALENCAR, 2006). Num sentido paradoxal, as responsabilidades que deveriam ser do Estado passam a ser assumidas pela comunidade e famílias. Assim sendo,  a família tem sido chamada a enfrentar responsabilidades para as quais não tem tido suportes para enfrentá-las.

Os efeitos da  crise  econômica  e das políticas de ajustes econômicos iniciados na década de 90, no Brasil,  não tornaram,  na prática,  possíveis  as reformas  institucionais  mais  amplas  nos  sistemas  de  proteção social. Entretanto, conforme assinala  Alencar, 2006, ocorre a convivência de modalidades de proteção social que combinam  velhos  padrões  e  novos elementos de  gestão pública de programas sociais, sendo priorizados  os programas  focalizados, os  fundos sociais de emergência  e  os  programas  compensatórios  direcionados ao atendimento  dos  grupos  pobres e vulneráveis.

O processo de modernização e os novos padrões familiares trazem novos desafios. O modelo de família assumido como universal (um casal heterossexual, legalmente  casado,  com dois  filhos e vivendo  num mesmo espaço)  orientou  e em  alguns casos ainda orienta  as políticas sociais. Entretanto, a vida familiar  se modificou para todos os segmentos da população brasileira. As  famílias tornam- se  mais heterogêneas  e as  novas formas  levaram a mudanças conceituais e jurídica. Portanto, é imprescindível que ao se considerar a centralidade das famílias como fator de proteção social atente-se para seu caráter participante nos processos das mudanças, bem como às suas transformações internas.

O ano de 1994 foi definido pela ONU como o “Ano Internacional da Família”. Constituiu-se também um marco brasileiro de oficialização da família, como foco do cuidado profissional de Saúde em atenção básica, através do Programa Estratégia de Saúde da Família (PSF). (SERAPIONI, 2007). Entretanto, as diversas análises apontam inúmeras contradições.

No cotidiano profissional, no Serviço Social e prática clínica,  podemos nos deparar com situações que nos levam a refletir sobre as peculiaridades da configuração familiar atual e sobre os recursos fornecidos pelas políticas sociais em prol da proteção social da família. Assim,  através de um estudo de caso, de uma mulher afastada do trabalho por problemas de saúde (sindrome do pânico), observamos que  esta pessoa, aos  63 anos, separada, com renda de CR$ 960,00, é a única fonte de renda estável  em sua família composta de seis membros. Vivem sob o mesmo teto: a pessoa entrevistada, uma filha solteira de 30 anos com sequelas de parto (excepcional);  uma filha casada de 29 anos e o marido,  ambos com nível de escolaridade segundo grau incompleto;  um filho solteiro de 35 anos, nível de escolaridade primário, com um  filho de 4 anos.
O filho encontra- se desempregado; o genro, com serviços de biscates; uma das  filha (excepional) não trabalha e a outra trabalha sem vínculo empregatício.  Residem numa  habitação em precárias condições numa localidade sem saneamento básico e de alta periculosidade.

Podemos observar a partir deste caso vários aspectos: agrupamento de vários nucleos familiares num só, em condições mínimas de sobrevivência; velhice sobregarregada de encargos familiares;  doença crônica sem um suporte  institucional; insegurança  pública; desemprego; precariedade  de  trabalho; quase  total  ausência de benefício previdenciário.

Assim,  podemos ilustrar   e  acrescentar de acordo com Gomes e Pereira (2005)  como  a   crise do   Estado se expressa na vida de grande parte da população que tem sido atingida diretamente pela ineficácia e inexistência de políticas públicas: famílias desassistidas, morando em favelas sem mínimo de condições de vida digna; hospitais sem condições de atendimento, escolas públicas funcionando em condições precárias, crianças e adolescentes nas ruas, velhice desassistidas etc.

A família como um dos atores da proteção social vive, hoje, um grande paradoxo, pois encontra-se num contexto sócio-econômico que  lhe traz  vulnerabilidade  e  ao mesmo tempo lhe transfere encargos.  Parafraseando Vasconcelos, 2000, é necessário retomar a família e a comunidade como ponto de partida de praticas sociais alterativas e não simplesmente alternativas.

ALENCAR. M.T. Transformações econômicas e sociais no Brasil dos anos 1990 e seu impacto no âmbito da família.  In LEAL, Mione (org) Política Social, Família e Juventude- Uma questão de direitos. Cortez Ed. São Paulo, 2006.

GOMES M.A; PEREIRA, M.L. D. Família em situação de vulnerabilidade social: uma questão de políticas públicas. Ciência. saúde coletiva,  Rio de Janeiro,  v. 10, n. 2,  2005.

MIOTO.R. Novas propostas e velhos princípios: a assistência às famílias no ontexto de programas de orientação e apoio sociofamiliar.In LEAL, Mione (org) Política Social, Família e Juventude- Uma questão d direitos Cotez Ed. São Paulo, 2006.

SERAPIONI. M. O papel da família e das redes primárias na reestruturação das políticas sociais Ciência. saúde coletiva. 2007.

SOUZA, Maria Adélia de. Território, globalização e fragmentação. São Paulo: Hucitec, 1997.

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O que é Terapia de Família?

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No Brasil, ainda há um número significativo de pessoas  que desconhecem esta opção  terapêutica, apesar de já existir desde  os anos  50 nos  Estados Unidos.  Contudo,  tem havido,   nos últimos tempos, um  aumento considerável de divulgações sobre a Terapia de Família, principalmente em função dos problemas atuais que a família vem enfrentando (drogas, separações, violências, etc).  Assim sendo, como  profissional   da área  cabe, neste  espaço  que  enfatizo a família, trazer esclarecimentos.

A terapia de família é uma forma de compreender e tratar dos problemas humanos; é  um  método  de tratamento, do indivíduo, das relações familiares, do grupo familiar como um todo e do vínculo entre seus membros. É uma procura de novas  alternativas colocando  em evidência a  competência da própria família, ativando a  participação dos membros na resolução dos seus problemas.

O que ocorre num indivíduo que  vive numa família não  decorre apenas de suas condições internas, mas também das interações com  o contexto mais amplo no qual está inserido. Ele  recebe o impacto desse ambiente  e  atua sobre ele, influenciando-o. Nesse sentido, o terreno da patologia, como assinala Minuchin(1982), é a família.

O processo terapêutico ocorre num trabalho conjunto (cliente e terapeuta). Tem como foco o processo de autonomia, que  engloba  o  pertencer/separar-se,  o   desenvolvimento  da  consciência  do  padrão  de  funcionamento, de   suas dificuldades, das escolhas e responsabilidade; a mudança das pautas disfuncionais, favorecendo uma variedade maior de estratégias de funcionamento.

Tem como modalidade os atendimentos: Individual; Casal e a Família

Podemos dizer que seus principais benefícios são:

- Enfatizar a importância de se entender o comportamento das pessoas no contexto;
-Possibilitar maior clareza das relações intrafamiliares, favorecendo o auto conhecimento e respeito pelo o outro.
- Possibilitar a percepção de que a maioria das situações é determinada por padrões;
- Permitir aos membros familiares e/ou indivíduos perceberem e entenderem as situações com maior clareza.
- Possibilitar  aperfeiçoar a comunicação e as relações interpessoais;
- Aumentar a capacidade de tomada de decisões;
- Estimular a responsabilidade pessoal.
- Favorecer uma mudança construtiva desenvolvendo uma nova perspectiva e, consequentemente, novas atitudes e melhor  quanlidade  de  vida tendo em   vista que a saúde  engloba também os aspectos sociais,  dentre os quais as relações familiares.

Caso você queira maiores esclarecimento entre em contato.

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Em que posso ajudar?

A realidade é feita de tudo que se acredita e/ou se imagina.

A família, o casal ou o indivíduo chega ao consultório trazendo em suas expressões faciais e corporais, suas dores. Suas queixas trazem os obstáculos que a vida lhe produz e a forma como são percebidos e enfrentados.

O foco da visão clínica do profissional que se baseia nos fundamentos da Terapia Familiar Sistêmica é o inter-relacional. Assim sendo, de acordo com esta perspectiva, a terapia não é uma intervenção centrada em um indivíduo “doente”, mas um ato de participação e crescimento num grupo com uma história. (Andolfi, 1989). Desta forma, o individuo é visto como produto de suas relações e a família é considerada uma unidade, em que todas as partes estão ligadas, interagindo- se. Portanto, para compreender o indivíduo e os seus problemas realiza-se uma apreciação do seu contexto familiar.

De acordo com Groisman (1991)“observando-se o funcionamento da família, percebe-se que, ao invés de um dos membros representá-la, cada um deles começa a falar de si mesmo entrelaçando o outro na comunicação. É o encontro do comigo com o consigo”.

O processo terapêutico ocorre em um trabalho conjunto (entre o cliente e o terapeuta), tendo como foco a autonomia, que engloba o pertencer (fazer parte) e separar-se (individuação); o desenvolvimento da consciência do padrão de funcionamento, de suas dificuldades, das escolhas e responsabilidade  e a mudança do que ocasiona as questões (pautas disfuncionais). Assim, favorece-se uma variedade maior de estratégias de funcionamento.

No tratamento ganham destaque as relações do indivíduo consigo mesmo e entre os indivíduos. Cada cliente é um universo único. Sua visão de mundo, de si próprio e de suas relações precisa ser compreendida sem contaminação das experiências do terapeuta.  Cada ser humano enfrenta as diversas situações da vida de forma peculiar, tendo em vista que as interpretações e reações baseiam-se na história de vida, nas crenças e nos valores.

As intervenções do terapeuta ocorrem através da comunicação verbal, de exercícios reflexivos, da prescrição de tarefas e da relação terapêutica. Nas sessões a relação terapêutica é relevante como modelo de mudanças.

A diferença deste enfoque é que o sintoma é visto como ponto de partida, tendo como foco as relações que o produzem e o mantêm.

O encontro e o diálogo possibilitam a apreensão da atitude do homem como ser relacional. O processo terapêutico favorece ao cliente (família, casal, indivíduo) ter uma visão global da situação e uma preparação para elaborar um caminho próprio com base na sua liberdade de escolha.  .
Não se podem transportar as experiências pessoais, percebê-las como comum a todos.  Elas são tão singulares que o máximo que se pode fazer é senti-las em sua plenitude e transformá-las em fonte de aprendizado para o crescimento pessoal e relacional.
Norma Emiliano

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