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Cenas cotidianas me inquietam em relação ao futuro do nosso país. Se hoje estamos horrorizados com o mau comportamento, como será o porvir? As crianças e os jovens que constituirão as bases do futuro em diversos papéis serão exemplos de educação e ética.
As atitudes atuais que presenciamos mostram o desrespeito nos espaços coletivos. São muitas as situações principalmente nos cinemas em que sacos de pipocas e copos são deixados sobre os assentos; pessoas que chutam cadeiras e falam ao telefone atrapalhando a exibição do filme. Por outro lado, nos ônibus o empurra – empurra sem respeito, nem mesmo às pessoas idosas; nas ruas o trânsito e o pedestre se igualam em relação à pressa desrespeitando sinais; nas calçadas, lixos são lançados ao chão, pessoas com seus cachorros tomam todo o espaço como se a calçada lhes pertencesse. Querer levar vantagem é o lema que impregna os comportamentos. Exemplos políticos de corrupção não nos faltam. São tênues as fronteiras entre a civilização e a barbárie.
Quanto às crianças, elas são rapidamente colocadas por seus pais diante de uma série de responsabilidades em várias frentes de estudos, preparando-se para as futuras competições do mercado, sem pouco lazer e possibilidade de gastar suas energias. Assim, em sua maioria, mostram-se ansiosas, irritadas, atropelam as pessoas nas calçadas e nos corredores dos shoppings.
O desenvolvimento tecnológico e científico não é suficiente para melhorar a vida. Gestos e ações são as bases para uma convivência política harmônica e um viver com menos violência e sofrimento.
É significativo que na relação de autoridade os pais sejam reconhecidos como pessoas que detêm conhecimentos legítimos e necessários ao pleno desenvolvimento das novas gerações.
A educação passa pela transmissão do conhecimento, mas essencialmente, pelo exemplo ético e moral e urge que se enfatize convívio social.
Norma Emiliano




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