Posts Tagged envelhecer

Ah! o tempo

 

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Há tempos em nossa vida que se contam de forma diferente.
Há semanas que duraram anos, como há anos que não contaram um dia.
O relógio do coração – hoje eu descubro – bate noutra freqüência daquele que carrego no pulso.
Marca um tempo diferente, de emoções que perduram e que mostram o verdadeiro tempo da gente.
Por este relógio, velhice é coisa de quem não conseguiu esticar o tempo que temos no mundo.
É olhar as rugas e não perceber a maturidade.
É pensar antes naquilo que não foi feito, ao invés de se alegrar e sorrir com as lembranças da vida
.”
 autor desconhecido

Pense nisso

  

 

O coração é o relógio da vida. Quem não o consulta, anda naturalmente fora do tempo.”  [Machado de Assis]

Norma

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Gerontoterapia

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Envelhecer bem é aceitar a velhice como um bem. Para atingir a sabedoria e a serenidade e para inventar uma nova maneira de viver, é preciso ter sido capaz de adaptar-se ao longo da vida. Na medida em que se soube viver, também se deve saber e ser capaz de envelhecer” (apud Duarte, 2000)

 De acordo com levantamentos estatísticos, o envelhecimento populacional é uma realidade. Contudo no decorrer dos séculos a sociedade não tem dado a devida atenção a esta questão. 

Em nossa sociedade, temos uma visão distorcida e preconceituosa em relação à velhice, sendo valorizado o que é novo e bonito. Assim sendo, a importância da memória histórica e da cultura se perde fazendo com que os mais velhos se sintam alienados e discriminados, à exceção daqueles mais célebres. Dentro deste contexto, encontramos grande dificuldade, entre a maioria das pessoas, de aceitarem o seu envelhecimento ou mesmo de se submeterem a um processo de descoberta pessoal.

Ao considerarmos o envelhecimento um processo que se inicia a partir do nascimento e evolui até a morte sem interrupções, constatamos que ele apresenta constantes  transformações.

A forma de envelhecer é peculiar a cada indivíduo. Mas algumas situações e problemas surgem nessa etapa da vida, como por exemplo: síndrome do “ninho vazio” (momento que os filhos saem de casa), a morte de pessoas queridas, aposentadoria, doença, etc. que vão exigir uma reorganização.

Ao longo do ciclo evolutivo, o ser humano desempenha diversos papéis, tais como: filho, aluno, marido, pai, professor, amigo, avô, vítima, dependente, etc, que se formam em função da posição que se adota. Eles são determinados pelo contexto e compreendem uma interação entre as pessoas. Entretanto, a reformulação ou criação de novos papéis, no decorrer das mudanças durante a vida das pessoas, está ligada à possibilidade do abandono, ou seja, que o espaço ocupado por aquilo que se perdeu seja abandonado. Por exemplo:a mulher dependente do marido que fica viúva, precisa abandonar o papel de dependente para assumir seu novo papel de administradora das finanças.

A reação diante do novo varia de pessoa para pessoa, cada um tem seu próprio ritmo, entretanto a dificuldade de assumir um novo papel pode se expressar através de sintomas e pode levar a uma vida empobrecida.

Normalmente, considera-se que o envelhecer seja ficar estagnado aos papéis conhecidos e não ousar em coisas novas que possam levar a outros papéis. Nesta perspectiva, a terapia do idoso visa desencadear uma mudança, favorecendo o entendimento de características da sua personalidade, das razões que o fazem agir e/ou reagir diante de determinados estímulos, bem como levá-lo a resolver seus temores e a abrir- se para a conquista de novos papéis.         

 Cabe observar que  podem se utilizadas quatro modalidades: terapia individual com idosos, a terapia de casal na terceira idade, o atendimento familiar com membros idosos e o idoso percebido como recurso à terapia familiar.    

Norma Emiliano

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“Velhice, por que não?”

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 Lya Luft, brasileira, gaúcha,  iniciou sua vida literária em 1980, aos 41 anos . É conhecida  por sua luta contra os estereótipos sociais. É romancista, poetisa e tradutora . 

Nasceu no dia 15 de setembro de 1938, em Santa Cruz do Sul. Formou-se em letras anglo-germânicas e tem mestrado  em  Literatura brasileira e Linquística Aplicada. Trabalha desde os 20 anos como tradutora de alemão e inglês.

Publicou livros de poemas, romances e novelas, tendo textos seus adaptados para o teatro. Atualmente, dedica-se apenas à Literatura e à tradução de literaturas inglesa e alemã.

 Ficou viúva duas vezes, tem  três filhos e  vários netos.  “Mulher madura, experimentou perdas e ganhos, mas mantém o otimismo, ama a vida”. (Perdas & Danos)

Em entrevista a revista a revista Contigo/05/ 2009, revela que “a literatura jamais seria a minha maior  felicidade. Minha felicidade está na  família, no marido, nas amizades, em coisas reais e vitais (…) Sou uma mulher em busca de simplicidade, que curte a vida com tranquilidade  e certa beleza”.

Obras

Romances

As Parceiras (1980, hoje na 18ª edição).
Reunião de Família (1982).
O Quarto Fechado (1984).
Exílio (1987).
A Sentinela (1994).
O Rio do Meio (1996).
O Ponto Cego (1999)

Poesia

Mulher no Palco (1984).
O Lado Fatal (1988).
Secreta Mirada (1997)

Obras traduzidas no exterior

Alemanha: ‘As Parceiras’ e ‘Reunião de Família’ (ambas pela Editora Klett-Cota-Verlag)
Inglaterra: ‘Exílio’ (Ed. Carcanet)
Itália: ‘A Asa Esquerda do Anjo’
Estados Unidos: ‘O Quarto Fechado’

 

Velhice, por que não?

 “Para a vovó a beleza foi um tormento, porque o tempo não se detinha e desde moça seu maior pavor era perder aquele bem supremo. Olhava-se nos espelhos procurando uma primeira ruga, uma primeira dobra. Uma primeira manchinha.
Quando chegou aos 60 anos quase morreu de dor, andava pela casa gritando:
- Eu odeio fazer 60 anos! Eu não aguento fazer 60 anos!
Não adiantava as pessoas dizerem que parecia nem ter 40 tão conservada. Argumentavam com ela:
- Tente imaginar que você está conquistando a maturidade em vez de perder a juventude; e que um dia vai ganhar a velhice em vez de perder a maturidade. Não é muito mais natural pensar assim?

 Mas Vovó não aceitava, para ela o natural não era natural:
- Eu odeio pensar que estou ficando velha. Não aceito, não aceito, pronto.
 As primeiras cirurgias leves tinham-lhe feito bem: removeram um traço amargo, um sinal de cansaço prematuro. Depois seu médico lhe disse:
         – Vamos deixar a natureza agir um pouco e o corpo descansar. Não abuse.
 Ela então foi procurar outros médicos, que faziam suas vontades. Desconfiando o indesafiável e excedendo seus limites, foi entrando no irreal.
 Mas as ilusões não continham mais tempo, e o costurado voltava a descoser. Minha Avó foi-se isolando. Apartou-se das amizades, deixou as festas, não gostava mais de ninguém. Começou a delirar reclamando que todo mundo a apontava nas ruas, nas lojas, nos restaurantes: Lá vai aquela velha.
 Cada vez mais difícil de lidar e conviver, exigia o que ninguém podia lhe dar: o tempo congelado. Aos poucos foi sendo devorada por dentro também.
 O rosto da minha Avó, de tanto ser remendado, foi-se tornando outro. Mudou o olho, mudou o nariz, mudou o queixo, mudou até a orelha. No fim nada mais dela era dela”.
        (O ponto cego, 1999)

Lya Luft

 
Fontes:
 
Luft L. Perdas e Ganhos. Ed. Record, 2004.

http://www.releituras.com/lyaluft_bio.asp

http://pt.shvoong.com/books/biography/1659990-lya-luft-vida-obra/

 http://educarparacrescer.abril.com.br/leitura/lya-luft-468503.shtml

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Um olhar sobre o rejuvenescimento

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 Não se pode voltar atrás, ao começo, mas é sempre tempo para recomeçar e mudar.

 
O processo de envelhecer é uma característica dos seres vivos e o envelhecimento populacional é hoje uma realidade. Mas, paradoxalmente, vivenciamos o culto da juventude.  As propagandas veiculadas pela mídia dão uma visão de que a ciência proporcionará em breve a fonte da juventude e que para se ser feliz, é necessário ser belo, jovem e ter um corpo perfeito. Entretanto, os avanços das ciências ainda não são suficientes para conter a degeneração da vida celular. Assim, confunde-se longevidade com rejuvenescimento. Pode-se alcançar a longevidade pelos atuais recursos médicos, sem se assegurar o bem estar físico, mental e social.

Para muitos rejuvenescer é fazer plástica, fazer preenchimentos das rugas, pintar cabelo, colocar reimplante dentário, ou malhar numa academia. Na sociedade atual, capitalista, o consumidor cada vez mais quer comprar saúde, memória e sensações, com o sonho de dominar o tempo. Seu desejo é rejuvenescer. Neste sentido, as mulheres, ainda, são os maiores alvos do novo paradigma que promove a manutenção de uma aparência física jovem cada vez mais prolongada.

Entretanto, parece haver um consenso entre os estudiosos do assunto em relação aos métodos preventivos que devem ser utilizados. Entre eles, o exercício físico ocupa lugar de destaque.  Alguns estudos científicos constatam que podem existir benefícios psicológicos com o uso dos métodos de rejuvenescimento, a saber: melhora na autoconfiança, vida profissional e afetiva, e uma melhora na autopercepção com as mudanças do aspecto externo.

No mito antigo da águia, extraímos como metáfora que o rejuvenescer significa entregar à morte tudo o que de velho existe dentro de si para que o novo possa irromper e se integrar. Ou seja, desprender-se das coisas que um dia foram boas; de idéias que foram fundamentais, mas que se tornaram ultrapassadas no transcorrer do tempo.  Neste sentido, é fundamental aceitar o processo natural da passagem do tempo, desprender-se da imagem da juventude, buscando novas formas de interagir consigo mesmo, com o mundo e com as pessoas.

Enfim, rejuvenescer é corrigir os maus tratos dados ao organismo, recuperando a saúde perdida ao longo dos anos; é enfrentar o recomeçar; é dar valor a vida; é viver o aqui e agora, despertando das entranhas a paixão. Em todas as fases da vida surgem desafios; as escolhas determinam o caminho para enfrentá- los. A flexibilidade na trilogia, escutar, aprender e revisar faz-se necessária.

Norma Emiliano

O video abaixo é o exemplo  vivo da fonte da juventude.

“Rejuvenescer pela poesia” – Selda Roldan

museudapessoa
9 de outubro de 2009

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