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Mundo à parte

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Na penumbra da sala, uma mesa bem posta. No ar o perfume das flores. Ao fundo, um casal envolvido ao som de “Em algum lugar do passado”. Esse é um cenário perfeito ao romance.

O desejo de amar e de ser amado faz parte da condição humana. Todavia, em nome desse amor, a vida traz para muitos, principalmente, para as mulheres, uma condição de se manterem em um segundo plano. Mas, nem sempre é esse (amor) o considerado como o vilão da história. Ser a outra traz alguns estigmas e configura para a relação um mundo à parte.

Alguns autores, entre eles Elza Berguó, já mencionam a hipótese de que há no Brasil uma poligamia disfarçada. Apontar-se para o maior número de homens em comparação ao de mulheres é limitar a compreensão dessa questão.

No jogo da sedução, no lugar de amante, as fantasias dominam.  Na relação distante a idealização predomina. Não se conhece a pessoa como ela é realmente. Promessas são feitas. Feitas em palavras que quase nunca se transformam em atos.

A aproximação das pessoas se dá por vários fatores. Há mulheres que por serem comprometidas e se sentirem entediadas da rotina consideram mais confiável se relacionarem com homens também comprometidos. Há outras que namoram homens comprometidos por desejarem a liberdade; outras dedicam sua vida, com uma eterna lealdade, ao homem que se divide entre a família e a amante. Essas se sentem “importantes”, pois são “o refúgio” de homens “infelizes” no casamento. Sejam quais forem as motivações, normalmente, surge a esperança de que em algum dia ele a escolherá definitivamente (quando perceber que não pode viver sem ela, quando os filhos crescerem, quando a mulher melhorar de saúde, quando…etc.).

Estar em cena, só quando é possível e/ou entre quatro paredes, distante dos olhares de conhecidos, pode trazer sentimentos contraditórios (insegurança, ciúme, culpa) que acabam intoxicando a alma e o corpo. Segundo Beauvoir, “esperar pode ser uma alegria.(…) mas passada a embriaguez confiante do amor(…) misturam-se ao vazio da ausência os tormentos da inquietação”.

Além disso, há também a possibilidade de a mulher sofrer violências, desde físicas até a violação da intimidade do lar, no momento em que a esposa entra em cena, tentando afastar a “intrusa” do seu marido. Mas, nem sempre esses fatores são considerados relevantes.

Nas histórias cinematográficas pode-se observar que existem a artista principal e a amiga. Na sua história de vida você pode escolher qual será o seu papel. Neste sentido, algumas perguntas podem ser norteadoras dessa escolha, ou seja: O que deseja da relação, quais seus projetos, que tipo de homem quer ao seu lado? Enfim, nada deve se sobrepor ao seu compromisso com você mesma. O encontro com o parceiro, mesmo que perdure, é contingente.  O nós não deve ocupar todo o espaço, pois é no Eu e Tu, individualizados, que se confirma a mútua escolha de uma parceria.

Norma Emiliano

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Encontro Terapêutico

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“… Solta minhas mãos e segue. ( )… Por longe que te vás, sempre estarás comigo”. 
Cora Torres Maia

Eu e você, o nós; o nosso encontro. Momento impar de disponibilidade; de sair de mim e estar com você. Na sua fala, na minha escuta, na empatia, no nosso diálogo estão os nossos caminhos. Entre suas e minhas histórias enveredamos por estradas. Encontramos lugares desconfortáveis, tristes e solitários. Lugares que trazem muitas recordações e saudades; lugares marcados por lágrimas e mágoas. Lugares que são seus que, às vezes, confundem-se com os meus. Nos fios traçados, os diversos personagens entram e saem de cena, mas você e eu estamos aqui. Com você vem toda a bagagem genética e emocional construída ao longo das diversas gerações que lhe  antecederam; o seu Ser, a sua dor, a sua história. Comigo, o meu ser (pessoal e profissional), a minha história; a paixão por estar aqui. No passo a passo, no seu passo, vamos entrelaçando os fatos, os sentimentos, os comportamentos e montamos o quebra cabeça. No traçado da linha da vida, dados significativos que estruturam a sua identidade e direcionam seu destino. No passo a passo, no seu passo, vamos entrelaçando e separando os personagens, os sentimentos, os comportamentos e os acontecimentos. Entre suas idas e vindas, progressos e retrocessos vão se intercalando.

Neste percurso quantas descobertas! Novos olhares; novos sentimentos.  Separamos e juntamos, juntamos e separamos muitas dores. Abrimos feridas, mas no passo a passo, muitas curamos. Algumas, mesmo tratadas, deixam marcas profundas. Essas servirão de sinais de alerta no seu ponto de equilíbrio.

Ao termino desse caminho que construímos, desse nosso encontro, fica a riqueza de cada Ser, a nossa troca, o nosso crescimento, a reconstrução da sua vida e o reflorescer da minha prática.
Seguiremos vivos em nossas memórias.

Norma Emiliano

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Meu Ser

Ser

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Surgem imagens
Pequena menina enroscada nos braços fortes
Raios de sol em meio a escuridão.
A escuridão do desconhecido.

Muitos rostos, muitas imagens.
Agonia centrada na incerteza do  Ser.
Trilhas incertas na busca do encontro
Do encontro do Ser.

Ser amante e vagante.
Muitos são os encontros
Ser de muitos seres
Encontro das várias formas do Ser.

Ser menina, alegre/triste.
Ser mulher amante/ vagante
Ser da vida, do encontro
Do encontro dos muitos seres.
Do encontro do meu Ser.

Norma

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Nas ondas do mar

Encontros…
O ponto de  encontro..
Vindas e idas.
Desencontros…

Azul espumante e celeste.
As ondas vêm e vão
Perdem- se na imensidão.

Encontros e desencontros
As ondas  vêm e vão
Perdem- se na imensidão

Mar, encontro encantado, vivido
Perdido, sentido na  solidão.

Norma

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