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Em tempo de espera

 

A reação à notícia de uma doença grave ou fatal varia de uma pessoa para outras.  

Há vários filmes, entre eles, Antes de partir, no qual presenciamos os personagens lançarem-se a realizar tudo que queriam e ainda tinham feito, numa entrega total à sede de experienciar a vida. Como no filme, isto também acontece na realidade.

No entanto, há pessoas que tendem ao pessimismo, desespero e revolta. Há outras que fazem uma conexão profunda com sua vida interior e passam por transformações pessoais e relacionais, como observada no filme Quando você viu seu pai pela última vez? Neste, um filho passa a ter um novo olhar sobre seu pai doente, reconciliando-se com o passado em que  via o pai como uma pessoa superior e que o humilhava.

 Há, ainda, outras, em que o laço emocional entre os membros familiares é tão forte, que todos acabam se autodestruindo.  No filme Uma prova de amor, o desejo de salvar um membro da família apresenta a  vida de uma jovem numa total impossibilidade de viver a sua própria vida, por ter nascido para salvar a vida de sua irmã.

Muitos estudos já têm sido realizados no sentido de avaliar o quanto a  forma do paciente e da família (efeitos psicológicos) de lidarem com a doença influencia o tratamento e a qualidade de vida dos indivíduos.

É importante para os agentes de saúde compreenderem como a doença possui um sentido na história de um indivíduo e como a forma de adoecer sofre a influência das crenças e representações sobre saúde / doença.  

Em entrevistas realizadas por Marília Gabriela (2011), a Dra. Nise Yamagushi, médica oncologista, afirma que a “felicidade favorece a cura”, o seguir sua vida, buscar sua satisfação pessoal, a liberdade do poder ir promovem o bem estar (serotomina/imunidade). De outra forma, como sobrevivente do câncer, Hebe diz que “ainda rir de sua careca” quando teve que se submeter ao tratamento e Ana Maria Braga, também recuperada do câncer, revela que “sempre tive pensamento positivo e sou otimista por natureza:você acredita, vai, faz e realiza, é uma coisa meio viciosa”“.

Ghislaine Lanctot, ex-médica e autora de “A Máfia Médica”, entrevistada por Victor-M (La Vanguardia em 27/11/2002), afirma que “a doença é um presente que você faz para se encontrar consigo mesmo“. 

Não se adoece por compartimentos. Somos uma unidade corpo-mente. Corpo afeta a mente e vice-versa. Portanto, tudo indica que o tratamento faz parte de um processo pessoal com o cultivo de sentimentos de esperança, compaixão e de boas ações para si e para o próximo.

Norma Emiliano

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Dia Mundial do Diabetes

 

 

 

 

diabetes

 

Aderindo ao convite da Teresa Cristina do blog Acolher com Amor,  dedico este post ao   Dia Mundial do Diabetes que acontece todos os anos no dia 14/11.

Neste dia,   o mundo se une afim de divulgar informações, pesquisar entre as pessoas para saber se são ou não diabéticas  e fazer campanhas preventivas. Além disso, vários monumentos em diversas partes  do mundo são iluminados com a cor azul (simbolo).  Aqui, no Estado do Rio de Janeiro, o Pão de açucar aderiu a campanha….  saiba mais…
                                                                      

 

Diabetes e o  contexto familiar

 

A família é o grupo primário de relacionamento  no qual as ações, comportamentos e hábitos sofrem influências  cíclicas e de múltiplos fatores.  Assim sendo, cada membro tem deu estado de saúde influenciado por este contexto, bem como influencia o funcionamento da unidade familiar.

O diabetes é  uma doença  crônica, de etiologia incerta, com possíveis complicações futuras,  significando uma crise vital para as famílias.  Ao ser diagnosticada exige modos de enfrentamento, mudanças nas autodefinições do paciente e da  família e um período de adaptação.

A doença promove mudanças significativas na relação que o paciente diabético tem com seu próprio corpo e com o mundo. Há  contínuo conflito entre o desejo de se alimentar e a necessidade de contê-lo

É importante que se observe a interligação entre a doença e os ciclos de vida do indivíduo e da família, assim como compreender o processo de vida familiar ( valores, crenças, hábitos, estilo de vida, etc.). 

Em relação a criança, os sentimentos dos pais frente a doença desempenham importante papel nas reações da criança , ou seja , as atitudes familiares influenciam decisivamente na forma de aceitação, ou não do jovem diabético.

Algumas características familiares afetam a resposta à doença,  entre elas, encontram- se:  a rejeição a doença , gerando o descuido com a criança, dessinteresse pelo tratamento, provocando  na criança sentimento de rejeição e inferiorização;  a superproteção, que pode levar a menor autonomia pessoal  ao paciente. Por outro lado, atitudes de controle perfeccionista dos pais em relação ao diabetes podem acarretar na criança comportamento obessessivo-compulsico ou de rebeldia  aos planos terapêuticos para adequado tratamento.

É importante que as famílias não se definam pela doença quando as rotinas, planos, rituais e prioridades da família precisam ser colocados de lado. Neste sentido,  a Terapia familiar ajuda na resignificação de como preferem se definir após a doença . Por outro lado, é  necessário que não se confunda a existência da doença com a existência do paciente, ou seja,  que se esclareça que a identidade e objetivos da família incluem o paciente, mas que podem não incluir a doença. 

Em situações de agravamento da doença, dependência do paciente, o apoio mútuo entre os membros familiares, em relação às necessidades emocionais e físicas,  diminui a carga de exaustão,  podendo ser mais fácil definir novos sonhos  e novas ações.

Norma

 

 

 

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Duas histórias, uma mesma dor

Nas expressões o testemunho de cada forma de Ser.

Corpo curvado e olhar tristonho. Nas primeiras palavra as lágrimas afloram, demarcando a difícil convivência com a doença, que se debate ao tratamento. Na pele a marca do transtorno causado pela agressão medicamentosa. A vida lhe agrediu e não se dera conta do tanto que fora.  Os sintomas sinalizaram que a sua fortaleza se despia.

Tem dois filhos independentes, tem sua carreira; não seria um casamento falido que lhe abateria. Pensou ter dado “à volta por cima”. Enganou- se. Distante da família origem, conseguiu trabalhar, criar os filhos e ser esposa, mas a decepção conjugal criou mágoas profundas que ficaram escondidas no fundo da sua alma. Hoje, a doença chega e mostra- lhe que precisa de apoio, que sua luta não pode ser solitária. Atrás das lágrimas a garra pela vida e a dor pela ameaça da morte.

O corpo ereto, a vivacidade da voz e o brilho nos olhos. No contar sobre a  evolução da doença o receio de mencioná-  la, pois é forte a crença de que o seu nome é um ponto de atração. Os cabelos, substituídos pela peruca, denunciam a sua negação. É difícil conviver com a doença e o pior é não ter resposta ao tratamento. Mostrar-se normal é a sua prioridade. Endivida- se pela compra da peruca que se assemelha a sua anterior cabeleira.

Sofreu com o conflito conjugal, sofre com a doença, mas o que importa é como se apresenta. Seu desejo de vida se confunde ao medo de confrontar os seus medos. Nega. Ao negar sua dor para si e ocultá- la dos filhos e demais pessoas, fecha-se. Passou a vida adiando os confrontos e não se deu conta que foi além do que podia resistir. A doença eclode e ela não a dimensiona. Faz tudo disciplinadamente e deixa- se levar. Não percebe que por trás da negação tem o medo da morte e acaba enfraquecendo a sua luta.

Ao longo do seu desenvolvimento o indivíduo constrói seu próprio reduto. As defesas pessoais, na sua maioria inconsciente, criam armaduras que enrijecem a personalidade. Em ambas as histórias, o desconhecimento do padrão de funcionamento pessoal impede que cada uma possa enfrentar o momento com espontaneidade e flexibilidade.

Ambas são perseguidas por sombras do passado que constroem as defesas pessoais. Ambas desejam imensamente driblar a doença que as corrói, mas não deixam a vida fluir.

Conhece a verdade e ela te libertará“. Biblia

Norma Emiliano

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