Nós, seres humanos, estamos, cada vez mais, sintonizados em muitas coisas diferentes ao mesmo tempo. Neste sentido, acabamos não nos dando conta desta sintonização excessiva até que a manifestação negativa ocorra em algum acontecimento ou doença.
O uso desmedido da mente acaba nos levando a diminuição da percepção. Um pensamento nos leva a outro, nos tornando agitados. Assim, de toda a realidade que nos cerca, conseguimos perceber uma faixa restrita; os pensamentos acabam nos levando aos mesmo resultados e voltamos ao ponto de partida.
Constantemente, o ser humano está interagindo mediante ressonância com tudo que existe e o silêncio pessoal inquieta. No entanto, a comprensão, muitas vezes exige o silêncio.
Encontrei em Susana Tamaro uma descrição que considerei muito própria ao que estou me referindo. Ela menciona que “a compreensão exige silêncio (….) a mente é prisioneira das palavras” , (…) os barulhos são como uma droga: depois que você se acostuma, já não pode viver sem eles”. Assim, traz a metáfora da limpeza do chão com a vassoura ou com um pano molhado: “se usarmos a vassoura, quase toda a poeira fica no ar e se deposita nos objetos vizinhos; se ao contrário, usarmos um pano molhado, o chão fica liso e reluzente. O silêncio é como pano úmido, afasta de vez a opacidade do pó”.
É inegavel a importância da autopercepção, ou seja, do reconhecimento dos sinais do nosso corpo, dos sentimentos e das atitudes. Na medida em que vamos ampliando o autoconhecimento, temos melhores condições de nos relacionarmos conosco e com as outras pessoas. Além disso, a auto percepção ajuda o desenvolvimento da capacidade de atenção.
Enfim, praticando o silêncio temos possibilidades de desenvolver atitudes pacíficas tão necessárias a este nosso mundo inundado pela velocidade e tão pouco humanizado.
Referência
Vá aonde seu coração mandar- Susana Tamaro- Ed. Rocco
Norma

Saiba mais