
Olhando para a imagem de um casal abraçado (um dos pares da cor preta e outro, branca), admirando a lua, reporto-me à idéia que fazemos de um “par perfeito” e por outro lado, às inevitáveis diferenças entre os seres humanos.
Estar juntinhos, contemplar a lua, dar valor aos pequenos gestos são inerentes à primeira fase dos relacionamentos, mas pouco mantidos.
Os filmes e telenovelas nos mostram atitudes de casais nem sempre compatíveis com a realidade. O amor cantado em prosa e verso enfatiza a saudade da presença amada. “Fecho os olhos pra não ver passar o tempo, sinto falta de você. Anjo bom, amor perfeito no meu peito, sem você não sei viver”’, palavras cantadas por Roberto Carlos.
O clima de romance dificilmente é conservado entre os pares e, normalmente, a mulher frustra-se e se considera infeliz por não amar e ser amada conforme o modelo.
Mas o que é viver o amor duradouro? Como é sentir-se feliz na parceira? Será que a vida descrita nos romances pode ser o referencial de amor e de felicidade?
Sabemos que a parceria conjugal estabelecida com base no amor data do início do século XX, pois as escolhas, anteriormente, eram decididas pelos pais. O amor não era o principal valor, mas a reprodução da espécie.
Na atualidade prioriza-se o sentimento. Contudo, o AMOR, amar e ser amado, envolve idealizações que podem pôr em risco o verdadeiro afeto, que é uma construção vincular.
No decorrer do tempo, o contexto relacional, muitas vezes, torna-se nebuloso e os pares já não conseguem a intimidade para a percepção dos sentimentos um do outro, quanto mais troca de carícias.
Amar envolve a valorização de qualidade da outra pessoa; seria ideal que as pessoas pudessem utilizar os atributos complementares que as fizessem crescer no afeto. Mas as mágoas geradas pelas frustrações e conflitos pelas diferenças podem desgastar o relacionamento.
É no dar e receber nos níveis social, sexual e afetivo que a relação se fortalece para enfrentar os obstáculos inerentes ao viver. Neste sentido, podemos enfatizar também a importância de manter a chama, apimentar a relação para que não se perca o gostinho do quero mais.
“Não tinham razões para ser felizes. Mas, a despeito de tudo, tinham momentos de felicidade. Era quando começavam a falar sobre os seus sonhos. (…) Por vezes a felicidade se faz com sonhos impossíveis.” Rubem Alves in “O Amor que acende a lua.
Norma Emiliano



Saiba mais