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De olhos vendados

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Aprender a viver com o que dói, deixar-se ir e desprender-se é um trabalho pessoal.

Nasceu com uma inteligência privilegiada. Construiu sua estrada baseando-se na capacidade de racionalizar tudo a sua volta.  Nas explicações lógicas do viver, criou sua defesa pessoal às dores de feridas que permanecem guardadas.

De tempo em tempo, uma profunda angústia tira-lhe o sossego. Por mais que pense, não consegue conectar um real motivo para tal. Na morte da sua mãe, sua primeira grande angústia, soube reconhecer as causas, bem como, na dissolução do casamento. Fatos bem palpáveis. Mas, no seu cotidiano, não consegue perceber que passa os dias, muito mais reagindo que agindo. Suas feridas são constantemente “cutucadas” e passa a ter posturas e respostas agressivas que não lhe são visíveis.

“Cercas de arames farpados” constroem-se.  O contato íntimo com a dor não se faz possível. Quem desafia a sua dor é rispidamente afastado. Nesse círculo vicioso,  perde o contato consigo  e fica vulnerável.

Os momentos da infância, as interações construídas nessa etapa, a posição que a família nos impõe e a forma como a aceitamos, fazem parte da trama que direciona grande parte da nossa história.

Ser forte, ser modelo, não poder expressar a dor, quando o indivíduo está em formação, constantemente, criam uma couraça que transmite ao corpo uma postura rígida e deixa o emocional frágil e vulnerável. Cada pessoa cria a sua própria defesa, que acaba se constituindo em vendas para os olhos da alma e forma, o que podemos denominar, o “emburrecimento emocional”.

 Todo ser humano tem necessidade de amor e segurança. Aquilo que ele vivenciar em suas primeiras interações familiares, seja qual for à realidade (violência, conflito, alegria), na  sua visão infantil, é a única descrição de amor e segurança que terá ao longo da sua vida.

Quando o indivíduo apenas reage às situações que surgem, fica sem escolhas, não é verdadeiro consigo próprio e sua busca pela felicidade limitada. É importante que possamos conhecer e reconhecer o que nos condiciona, o que  nos leva a executar ordens enquanto racionalizamos sobre por que as estamos fazendo.

“Quando mergulhamos fundo nos nossos sentimentos, obtemos informações novas que nos levam a um passo adiante de nos livrarmos de nossos demônios pessoais”. Jordan.

Norma Emiliano

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A ternura

 TERNURA

                                                           

O mundo com tanta violência, corrupção e competição, dificulta que o sentimento e gesto de ternura se expandam nas famílias. No entanto, na pureza do olhar da criança, na beleza das flores, na suavidade do canto dos pássaros podemos encontrar  motivação para  introduzir em nossos cotidianos a ternura.  

Qualquer tempo é tempo para transformação.  A vida humana urge  expressar doçura e carícias e com as palavras de  Vinícius de Moraes enfatizo: ”deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar  extático da aurora”.

Continue por   aqui e mergulhe no texto do  escritor Rubem Alves .

 

A Ternura

 Sentir ternura é não sentir as dores do amor nem a ardência sexual da paixão. Ela flerta entre um e outro, mas possui uma pureza singular.

Soeren Kierkegaard definiu a pureza de coração como “desejar uma só coisa”. Puro é aquilo em que não há misturas; é uma coisa só, um único desejo. Assim é a paixão: pura. Porque ela se alimenta de uma coisa só: a imagem da pessoa amada.

Não se trata de uma imagem mais bonita que as outras. É uma única imagem que apaga todas as outras. O apaixonado só pensa na pessoa amada. Em todos os momentos, sempre. Os assuntos que fazem as conversas do cotidiano não o interessam.

Camões, no episódio de Inês de Castro, escreveu que ela caminhava “dizendo aos campos e às ervinhas o nome que no peito escrito tinhas…”. Se não havia ouvidos humanos a quem pudesse dizer o nome que tinha gravado no peito, que as árvores, a relva e as pedras fossem depositários do seu segredo.

A raposa pediu que o Pequeno Príncipe a cativasse.

“– O que é cativar?’, perguntou o Pequeno Príncipe.

“– Cativar é assim”, explicou a raposa. “Eu me assento lá longe e você se assenta aqui. Eu olho para você e você olha para mim. No dia seguinte nos assentamos mais perto. Eu olho para você e você olha para mim. Até que nos assentamos juntos. Se você me cativar eu pensarei em você, conhecerei o ruído dos seus passos e sairei da minha toca quando você chegar…” Aconteceu então que o Pequeno Príncipe cativou a raposa. O tempo passou e chegou um dia em que ele disse à raposa:

“– Preciso ir…”

A raposa disse: “– Vou chorar…”

“Não é culpa minha. Eu não queria cativar você. E agora você vai chorar… O que é que você ganhou com isso?”

“– Ganhei os campos de trigo”, disse a raposa.

“– Como assim?”, perguntou o Pequeno Príncipe sem entender.

“Eu sou uma raposa. Eu como galinhas, não como trigo. Os campos de trigo não me comovem. Mas porque você me cativou eu amarei os campos de trigo. O seu cabelo é louro. Os campos de trigo são dourados. Assim, quando o vento bater nos campos de trigo eu me lembrarei de você e sorrirei…”. O rosto do Pequeno Príncipe estava gravado no trigal. Mas isso só o apaixonado vê.

O amor começa quando colocamos uma metáfora poética no rosto da mulher amada. A paixão é uma experiência estética. Está ligada à contemplação da beleza. A mulher pela qual se está apaixonado é bela. É o olhar apaixonado que a torna bela. Porque não vemos o que vemos; vemos o que somos. Uma mulher é bela quando nos vemos belos ao olhar nos seus olhos. Quem, ao olhar para uma mulher, pensa em sexo não é um apaixonado.

O apaixonado sorri ao contemplar sua amada dormindo, sem tocá-la. É um momento de ternura. Há um desejo de acariciá-la, mas a mão se contém. Nenhum movimento seu deverá interromper a beleza da cena. Nessa cena os impulsos sexuais estão proibidos.

 O sexo dos adolescentes e jovens se parece com um furúnculo inchado; túrgido, vermelho, dolorido que busca livrar-se do incômodo. Ele nem precisa de um objeto que o excite. Ele se excita por si mesmo. O que se busca não é a experiência amorosa; é rasgar o furúnculo para que o pus saia trazendo alívio. E quando o orgasmo acontece numa mistura de dor e prazer, o furúnculo se esvazia e o corpo fifica em paz. Pode até ser que nesse momento o parceiro se esqueça da mulher ao seu lado, vire para o outro lado e durma.

Era o sexo que Tomas, personagem de A insustentável leveza do ser (Milan Kundera), fazia com suas namoradas. Tomas não sentia ternura por suas amantes. Ele as usava. Não as amava. Mas uma delas protestava: “Não procuro o prazer, procuro a alegria…” Mas onde mora a alegria? Mora no rosto da mulher amada, nos seus olhos que dizem: “Como é bom que você existe…”

 Rubem Alves

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Convite à reflexão e à ação

 amor sem escala 

Filme -  AMOR SEM ESCALA

Se quiser se dar bem na vida, tem de deixar a mala leve, ou seja, sem moradia fixa, sem amigos, sem família, pois afinal tudo isso nos prende em compromissos e obrigações, e é o movimento leve que nos dá liberdade”.

 

A temática  do filme  Up in the air  parte da premissa que os relacionamentos são pesos que precisam ser abandonados para se ter agilidade na vida. Assim, traz uma análise dos medos sobre como é se sentir conectado a alguém.

A personagem principal, sem laços familiares,  faz o tipo solteirão convicto, passa boa parte de seu tempo em aviões, aeroportos e hotéis. Seu maior objetivo na vida é conseguir 10 milhões de milhas e ser a sétima pessoa no mundo a obter um cartão ultra vip.

O desenrolar do filme retrata a contemporaneidade. A velocidade é considerada o valor soberano e as conexões humanas efêmeras. Na Solidão e nas relações humanas criam- se as possibilidades de reflexões sobre valores que permeiam o cotidiano atual. Na trama a presença de duas mulheres favorece um novo rumo da história.  

 

A análise do individualismo e do isolamento do sujeito no âmbito das relações sociais, os valores atuais predominantes despertam que sentimento em você?

 

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Carnaval- Um recorte de alegria

Aproximamo- nos de uma data em que a folia embala o cotidiano de um  significativo número de brasileiros. Nesse sentido, considerei propício trazer um texto que aborda essa data  através do tempo e de algumas expressões do núcleo familiar.

carnaval

Google Imagem

 

Um recorte de alegria

“Quanto riso, oh quanta alegria, mais de mil palhaços no salão….” essa e muitas outras canções remetem- me aos anos idos. Anos de magia, de muitos confetes e serpentinas. Anualmente, a chegada do carnaval trazia  aos lares, às  ruas  um novo colorido. Ensaios dos blocos, escolha das fantasias, enfeites nos postes antecediam a grande festa. Época de simplicidade, de calor humano entre vizinhos e ida aos clubes em família. Essas são lembranças minhas.

No meio da multidão, as máscaras; personagens ediondos, assustadores corriam de lá para cá, detinham- se juntos as crianças. Isso era amendrontador. Mas passageiro. Muitos faziam questão de mostrar o rosto após o primeiro impacto. Nos blocos, faziam- se alas de moças, de rapazes e crianças. Em sequida, vinham os pais, os responsáveis, que zelavam por sua família e se divertiam. Festa do povo. Muita animação. Três dias de folia.

Os bondes cheios traziam na parte traseira um grupo de instrumentistas.  Com ou sem fantasias as pessoas cantavam e dançavam animadamente ao som de sambas e marchinhas. A festa acontecia  em vários lugares de dia e de noite. Pela noite, os jovens voltavam, muitas vezes, a pé, dos grandes bailes carnavalescos. Muita paquera, lança perfume e alegria.

Um mundo mágico, três dias em que novos personagens tomavam conta do cotidiano: pierrô, arlequim, colombinas, príncipes, morcegos, diabos, bailarinas, homens vestidos de mulheres, mulheres vestidas de homens.

Nas tardes, os desfiles das fantasias infantis. Nas noites, os desfiles dos blocos. Feliz, empertigada na minha colombina, via – me no espelho. Lábios rubros, olhos pintados de azul. Tudo era novidade; meninas até seus quinzes anos não se pintavam. Os cabelos eram carinhosamente enrolados em papelotes por minha avó e ao se soltarem mostravam seus belos cachos. Minhas irmãs  ( mais velhas do que eu)  e suas amigas na sala  contavam as emoções da noite anterior. Meu pai tentava descansar para que à noite pudesse acompanhar “o seu rebanho”. Mas minha mãe ali estava dando conta de aprontar sua menina para o desfile.

Lembranças minhas que trazem uma época de vida em família, do compartilhar da magia do carnaval em que o maior sentido era a diversão. Lembranças das músicas que diariamente enchiam os lares.  Compositores  e artistas detinham- se  na nas belas e frenéticas composições carnavalescas.

Na retomada do tempo, pode-se traçar uma linha e pontuar as transformações. No sentido do carnaval, na entrega à folia, na união dos grupos, na participação comunitária, nos valores da família, no sentido da vida.  “Cidade maravilhosa cheia de encantos mis, cidade maravilhosa coração do meu Brasil”.
 
Norma Emiliano

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Sobre carnaval

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Segundo conta a história, em Roma, em louvor ao deus Saturno, comemoravam-se as Saturnais. A importância desses festejos eram de tal porte que tribunais e escolas fechavam as portas durante o evento, escravos eram alforriados, as pessoas saíam às ruas para dançar.

Na abertura dessas festas, carros em forma de navios saíam na “avenida”, com homens e mulheres nus. Estes eram chamados os carrum navalis. Dizem  que daí saiu a expressão carnevale.
 
O costume de se brincar no período do carnaval foi introduzido no Brasil pelos portugueses, provavelmente no século XVI, com o nome de Entrudo.  Essa palavra  vem do latim introitus  que designa as solenidades litúrgicas da Quaresma.

As pessoas jogavam uma nas outras, água, ovos, farinha, fuligem, cal, pó-de-sapato, alvaiade e vermelhão, que empapavam o transeunte . Esse acontecia num período anterior a quaresma e portanto tinha um significado ligado à liberdade.

No Brasil, o entrudo chegou por volta do século XVII sob a influencia das festas carnavalescas que aconteciam na Europa. Em países como Itália e França, o carnaval ocorria em formas de desfiles urbanos, onde os carnavalescos usavam máscaras e fantasias. Personagens como a colombina, o pierrô e o Rei Momo, de origem européia, também foram incorporados ao carnaval brasileiro.

No Brasil, no final do século XIX, surgem os primeiros blocos carnavalescos, cordões e os famosos “corsos”.  As pessoas se fantasiavam, decoravam seus carros e, em grupos, desfilavam pelas ruas das cidades. Está ai a origem dos carros alegóricos, típicos das escolas de samba atuais.

No século XX, o carnaval cresce e torna-se cada vez mais uma festa popular. Esse crescimento ocorreu devido às marchinhas carnavalescas.

A primeira escola de samba surgiu no Rio de Janeiro e chamava-se Deixa Falar que anos mais tarde transformou-se na escola de samba Estácio de Sá.  A partir dai o carnaval de rua começa a ganhar um novo formato. Começam a surgir novas escolas de samba no Rio de Janeiro e em São Paulo. Organizadas em Ligas de Escolas de Samba, começam os primeiros campeonatosde beleza e animação.

De acordo com, Cavalcanti (1983) no Brasil no carnaval, as posições sociais são invertidas dando a essa festa nacional uma grande importância por sua popularidade unindo uma grande parcela da nação em uma mesma “corrente” de confraternização.

 

Fontes

http://artes.com/carnaval/historia.html
http://www.karnaval.com.br/c_origem_e_historia/index.html
Cavalcanti.L.M D. O carnaval na poética de Manuel Bandeira. Darandina Revista Eletrônica.Programa de Pós-Graduação em Letras / UFJF – volume 2 – número 1. 1983

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Valores nas relações

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Google Imagem: www.abril.com.br/…/2009/11/tempos-modernos.jpg

Dificuldades fazem parte da vida do ser humano e as relações intra e interpessoais, ao longo do tempo, constituem- se num grande desafio para a humanidade. Contudo, vivemos um momento em que urge indagar sobre as finalidades do agir humano e sobre o próprio sentido da existência individual e coletiva diante de tanta violência, miséria e impunidades.

Constata-se, no cotidiano, que os espaços de sociabilidades anteriores (ruas, praças etc.) são representações de perigo. As habitações se transformaram em apartamentos ou residências fechadas. Pouco se vê ou se fala com vizinhos; utiliza-se cada vez mais o carro, que acaba dissolvendo ou reduzindo uma rede de conhecimentos de portão, de rua, de vizinhança. A  TV ocupa as pessoas em casa, diminui as conversas, inibe as reuniões e outras formas de lazer. O computador aproxima virtualmente as pessoas. Os membros familiares pouco se vêem ou se falam. Assim sendo, surgem novas formas de sociabilidades (surfistas, torcidas de jogos, comunidades virtuais, etc.) fundadas em afinidades ou interesses momentâneos em comum. Hoje as interações ocorrem nos shopping centers, barzinhos da moda e no cyberespaço.  Dificilmente as pessoas se visitam. Para as crianças, no grande centro, a escola ou playground se constituem nas possibilidades de interação.

Nesse contexto, há um cultivo à individualidade; há o excesso de permissividade; há a precariedade nos relacionamentos, baseados em contratos temporários em definição e intenção. Não se prioriza a construção; o ter agrega o valor do ser.  O homem se encontra cada vez mais isolado, pois vem perdendo modos de pertencimento e de sentido de vida. Na busca de conforto e segurança, no desejo de extrair para si o maior prazer de uma vida boa, vive sem construir um projeto de vida. Enclausura-se nos desejos e esquece-se dos sentidos coletivamente construídos, de sentidos mais generosos para si e para os outros.  Neste caminho, o Ser se perde, não encontra caminhos de realização, pois não reconhece os seus próprios desejos.
 
Nesse sentido, como repensar a Ética em sua função de resguardar a vida, em função de ter uma morada, possuir um valor de lugar e um valor de posição? Como conciliar os direitos individuais e as obrigações coletivas? Quem sabe, retomando os filósofos, a ética socrático-platônica que postula a anterioridade do conhecimento das formas – justiça, virtude, coragem, responsabilidade etc. – como a condição de estabelecimento do Bem e, então, definir a forma de atingi-lo.

Norma Emiliano

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Ambição e Ética- Stephen Kanitz

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As pessoas costumam ter como ambição ganhar muito dinheiro, casar com uma moça ou um moço bonito ou viajar pelo mundo afora.

A mais pobre das ambições é querer ganhar muito dinheiro, porque dinheiro por si só não é objetivo: é um meio para alcançar sua verdadeira ambição, como, por exemplo, viajar pelo mundo.

Já a ética são os limites que você se impõe na busca de sua ambição.

É tudo que você não quer fazer na luta para conseguir realizar seus objetivos. Como não roubar, não mentir ou pisar nos outros para atingir sua ambição, ou seja, é o conjunto de princípios morais que se devem observar no exercício de uma profissão.

A maioria dos pais se preocupa bastante quando os filhos não mostram ambição, mas nem todos se preocupam quando os filhos quebram a ética.

Se o filho colou na prova, não importa, desde que tenha passado de ano, o objetivo maior.

Algumas escolas estão ensinando a nossos filhos que ética é ajudar os outros. Isso, porém, não é ética, é ambição.

Ajudar os outros deveria ser um objetivo de vida, a ambição de todos, ou pelo menos da maioria. Aprendemos a não falar em sala de aula, a não perturbar a classe, mas pouco sobre ética.

O problema do mundo é que normalmente decidimos nossa ambição antes de nossa ética, quando o certo seria o contrário.

E por quê? Por que dependendo da ambição, torna-se difícil impor uma ética que frustrará nossos objetivos.

Quando percebemos que não conseguiremos alcançar nossos objetivos, a tendência é reduzir o rigor ético, e não reduzir a ambição.

O mundo conheceu a história de uma estagiária na casa branca, que colocou a ambição na frente da ética e tirou o partido democrata do poder, numa eleição praticamente ganha, devido ao enorme sucesso da economia na sua gestão.

Não há nada de errado em ser ambicioso, desde que se defina cedo o comportamento ético.

Quando a ambição passa por cima da ética como um rolo compressor, o resultado é o que podemos acompanhar nos noticiários que ocupam as manchetes em nosso país.

Assim, para mudar definitivamente essa situação, é preciso estabelecer um limite para nossa ambição não nos permitindo, em hipótese alguma, violar a ética para satisfação pessoal, em detrimento do coletivo.

Conforme ensinou Jesus, “seja o seu falar: sim, sim, não, não”. Seja em que situação for.

E se estiver difícil definir se estamos agindo com ética ou não, basta imaginar como julgaríamos esse ato, se praticado por outra pessoa.

Se o condenamos é porque não é ético. Se o aprovamos e julgamos justo, então podemos seguir em frente.

Defina sua ética quanto antes possível. A ambição não pode antecedê-la, é ela que tem de preceder à sua ambição.
Stephen Kanitz é administrador

Fonte www.kanitz.com.br- Publicado na Revista Veja, edição 1684, ano 34  nº 3, de 24 de janeiro de 2001

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Relacionamento Duradouro

 Rela duradouro

Imagem Google

Ao completar trinta e um anos de vida conjugal diz não sentir a passagem desse tempo, que lhe foi sempre satisfatório. Qual será a “poção mágica” para essa sensação de que o tempo parou?

Na atualidade, há muitas queixas entre os homens e as mulheres sobre a inconstância dos relacionamentos, mas qual será o foco das atenções das pessoas no cotidiano? Vivenciamos as transformações da sociedade de consumo e da indústria cultural, bem como suas repercussões no comportamento humano. Investe-se muito tempo no sucesso da vida profissional; investe-se muito tempo para se ter cada vez mais recursos materiais. Corre-se de um lado para o outro, e os vínculos pessoais como ficam?

Quando nos sentimos amados, valorizados e compreendidos, temos forças para enfrentarmos os obstáculos que a vida nos apresenta. Desta forma, a qualidade do relacionamento íntimo se repercute na saúde mental, física e profissional, pois nos proporciona o sentimento de mais valia e segurança.

É certo que a satisfação conjugal não é simples de se alcançar. Ela envolve muitos fatores: valores, atitudes, expectativas, nível cultural, nível socioeconômico, etapa do ciclo de vida, experiência sexual, etc. Por outro lado, estar junto por muito tempo, necessariamente, não significa que há um bom relacionamento.

Ao longo da história humana, fatores (sócio, econômico, político e cultural) contribuíram para que, em muitas sociedades, predominassem nos relacionamentos de casal a monogamia. De outra forma, os preconceitos traziam sérios contratempos à separação do casal, principalmente para mulheres.

Hoje, a mulher submissa ao homem está em processo de extinção. A teoria que apoiava a infidelidade masculina como uma necessidade deixa de existir. As mulheres se dão o mesmo direito que os homens quanto ao exercício das relações sexuais, inclusive as extraconjugais.

Em alguns estudos sobre uniões de mais de vinte anos, encontram-se características, tais como: compromisso com a relação; respeito pelo outro; abertura mútua; valores morais fortes e compartilhados; lealdade e expectativa de reciprocidade; compromisso com a fidelidade sexual.

Muitos casamentos não sobrevivem ao momento do “ninho vazio”, o da saída e/ ou independência dos filhos, e o divórcio acontece após vinte e cinco anos ou mais de casados. São casais que ficaram muito  “pais” e esqueceram  de ser homem e mulher na relação.

As relações duradouras e estáveis favorecem aos cônjuges um refúgio em relação ao mundo de estresse e de violência em que vivemos, bem como proporcionam o equilíbrio para lidarmos com os outros sistemas sociais. Contudo, o perigo é que ocorra a acomodação e não enfrentem as mudanças necessárias. 
A construção da vida a dois é um processo. È necessário ter criatividade para cada dia adicionar um ingrediente novo, dando um gostinho de quero mais. É necessário nutrir a relação, para que ela seja proveitosa para os dois, buscando encontrar equilíbrio do nós e do eu, compartilhando interesses e relacionamento afetivo-sexual. Assim sendo, nessa construção, é fundamental alimentar sempre a chama da  relação homem mulher.
Enfim, respeito, dedicação e afeto, trilogia que pode formar a “poção mágica” do relacionamento duradouro, criativo e satisfatório.
Norma Emiliano

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Amor maduro – Artur da Távola

TheMataatlantica

12 de agosto de 2009

Artur da Távola, pseudônimo de Paulo Alberto Monteiro de Barros, político, escritor, poeta e jornalista brasileiro..

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Indignações poéticas

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“Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim. E não dizemos nada. Na segunda noite, já não se escondem: pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada. Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E já não podemos dizer nada”

Trecho do poema de Eduardo Alves da Costa

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“Nós vos pedimos com insistência:
Nunca digam – Isso é natural!
Diante dos acontecimentos de cada dia
Numa época em que reina a confusão,
Em que corre o sangue,
Em que o arbitrário tem força de lei,
Em que a humanidade se desumaniza…
Não digam nunca: isso é natural!
A fim de que nada passe por ser imutável
.”

Bertold Brecht

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