Os anos se sucedem numa tal velocidade que as datas comemorativas parecem nos atropelar.
Os primeiros sinais das festas de finais de ano, há algum tempo, me surpreendem. No corre – corre dos dias, vou cumprindo com meus deveres e, nos entretempos, procuro usufruir do valor maior que tenho na vida, estar próxima daqueles que amo.
Vivemos tempos de valores distorcidos, ou seja, há investimento maior na realização financeira e status social do que nas relações humanas.
A proximidade do Natal proporciona a possibilidade do despertar do amor, embora o marketing comercial seduza às compras, criando todo um frisson no ser humano. A preparação para o Natal leva as pessoas a querer embelezar sua residência, a comprar inúmeros presentes e alimentos cada vez mais sofisticados para esta data.
Nas minhas recordações “saudosistas”, revejo o pinheiro enfeitado com capricho pelo meu pai, as luzes do pisca-pisca, uma longa mesa posta com alimentos cuidadosamente preparada, principalmente por minha avó, e a família toda reunida em torno do presépio em oração.
São estas imagens que perduram nos meus sentimentos, apesar de uma grande parte das pessoas que fizeram parte da minha vida, nesta época, já não mais existirem.
Portanto, mesmo surpreendida com a rapidez da passagem do tempo, procuro repetir os rituais apreendidos, resignificando os inúmeros fatos cotidianos que nos agridem física e mentalmente, elevando em meus pensamentos valores e sentimentos esperançosos de que a luz prevalecerá e de que os fogos de artifício anunciem um Ano Novo com sementes plantadas em nome do AMOR.
“A vida viciou em mim”… frase de Mario Lago que completaria hoje cem anos (26/11/1911- 30/05/2002. Homem de muitos talentos, carioca, graduado em advocacia, foi ator, poeta, radialista e letrista. Quem não conhece “Ai que saudade da Amélia” que compôs em parceria com Ataulfo Alves.
É imprescindível que se mantenha viva sua história.
Quando eu fazia o mestrado, coube-me apresentar ao meu grupo um artigo, que consta da Revista Gênero-NUTEG, cujo título é Um Passageiro Inquieto no Tempo, A trajetória de Mario Lago, escrito por MonicaP. Velloso. Esta foi uma tarefa que muito me agradou, pois tive a oportunidade de conhecer com mais detalhes a história deste brasileiro talentoso. Esta narrativa apresenta sua trajetória multifacetada com diversas inserções sociais reunindo, o dramaturgo, o ator, o militante, o boêmio, o radialista e homem de tevê. A autora enfatiza sua atuação na “arte da malandragem” pela sua capacidade de diblar com o controle dos poderes, usando do humor e a ironia como forma de desarmar o adversário. V.3, n2,p,43-55, 2003.
No campo literário, o artista marcou presença com publicações como ‘Na Rolança do Tempo“, lançada em 1976 e ‘Meia Porção deSarapatel’, publicada em 1986.
A programação em sua homenagem é vasta, tendo começado no dia 23 com seminário sobre sua obra, no Museu da Imagem e do Som, além de lançamento de medalha e selo comemorativo, entre outras.
Para finalizar fica aqui registrado um dos seus poemas:
Devolve (Mário Lago)
Devolve toda a tranqüilidade
Toda a felicidade
Que eu te dei e que perdi
Devolve todos os sonhos loucos
Que eu construí aos poucos
E te ofereci
Devolve, eu peço, por favor
Aquele imenso amor
Que nos teus braços esqueci
Devolve, que eu te devolvo ainda
Esta saudade infinda
Que eu tenho de ti
Criança Cabecinha boa de menino triste,
de menino triste que sofre sozinho,
que sozinho sofre, — e resiste,
Cabecinha boa de menino ausente,
que de sofrer tanto se fez pensativo,
e não sabe mais o que sente…
Cabecinha boa de menino mudo
que não teve nada, que não pediu nada,
pelo medo de perder tudo.
Cabecinha boa de menino santo
que do alto se inclina sobre a água do mundo
para mirar seu desencanto.
Para ver passar numa onda lenta e fria
a estrela perdida da felicidade
que soube que não possuiria.
Cecília Meireles, in ‘Viagem’
Comemora-se, hoje, o Dia da Criança que foi instituído em 12/10/1924, através do Decreto nº4.867, de 5 de novembro de 1924. Data muito bem aproveitada pelo mercado para aumento de suas vendas. No entanto, além de destribuição de presentes e homenagens, desejo sugerir que este seja um dia para refletirmos sobre as reais consequências do Estatuto das crianças e dos adolescentes (ECA) na rotina diária das nossas crianças, sejam elas ricas ou pobres.
Ele insere a criança como sujeito de direitos.
“A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, estabelece em seu art. 227, os Direitos da Criança Brasil. O ECA regulamentou o art. 227 da Constituição, em grande parte inspirado nos Instrumentos Internacionais de Direitos Humanos da Criança, nos “Princípios das Nações Unidas para a prevenção da deliqüência juvenil”, nas “Regras Mínimas das Nações Unidas para a Administração da Justiça Juvenil”e “Regras das Nações Unidas para proteção de menores privados de liberdade.” Fonte
Portanto, deixo aqui espaço para esta reflexão: Quais os pontos positivos e negativos do ECA sobre a vida das nossas crianças?
Hoje para mim é dia de celebração. Em minha história de vida, o dia do nascimento sempre teve uma representação de festa, seja ela com muitos ou poucos, mas festa entre laços significantes que envolvem o presente de significados.
Sempre agradeço a vida por ser vivente e poder usufruir e fazer parte da construção da humanidade. Agradeço a vida pela família da qual sou parte e se reparte no processo da transgeracionalidade. Agradeço por ver, ouvir, falar, sentir. Agradeço aos amigos que se somam de ano a ano. Agradeço a cada um e a todos que têm compartilhado dos meus pensamentos, das minhas idéias, dos meus trabalhos , estimulando – me neste espaço que há dois anos tem composto meu repertório de paixões.
Que a luz divina se mantenha acessa, iluminando meu caminhar.
E é neste agradeçer que ofereço a VOCÊ, que veio compartilhar da minha alegria, a poesia de um grande escritor.
Soneto de aniversário
Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.
Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.
Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.
E eu te direi: amiga minha, esquece…
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.
Vinicius de Moraes
(Rio, 1942)
Este mimo recebi da querida Chica e compartilho com vocês.
Olá.
Sou Norma Emiliano,Terapeuta de Família. Faço atendimentos clínicos há 17 anos.Tenho paixão pelo que faço. Minhas experiências profissionais constituem a base das minhas reflexões sobre as mudanças ocorridas na sociedade e suas repercussões nos indivíduos, nas relações interpessoais e, principalmente, no interior das famílias.
Neste blog, convido o internauta a ler, refletir e a trocar idéias sobre vários assuntos apresentados em poesia, música, experiências e textos que dizem respeito à família.