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Tourada

 

Iniciando a semana ,  compartilho a analogia das tourada  com  as relações humanas  feita pela escritora Clara Feldeman, em seu livro Encontro. Ela assinala  que na tourada entre as pessoa , uma delas tem o estranho prazer de cravar bandarilhas no peito da outra. Suas hastes pontiagudas aparecem na forma (sutil ou escancarada) de críticas, ofensas agressões verbais (às vezes físicas), sarcasmo, ironias; desrespeitos, competições, deslealdades. (…) mensagens  verbais e não verbais)  que perfuram, abrem feridas(…) entre uma estocada e outra, uma carícia (…) como barata que morde e sopra. (…) há também a inversão dos papéis: em que o toureiro se transforma em touro e vice-versa, numa alternância doentia sem fim.

A responsabilidade de escolha é de cada um dos envolvidos.  ”Não estamos na arena, famintos e ofuscados pela luz do sol (…) Não existe, para nós, a inevitabilidade da morte o touro, (…)  temos a força e a sabedoria para escolhermos o melhor: arrancar as bandarilhas, para , enfim viver.

Pense nisto…

 

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Discutindo a relação

 

As diferenças psicológicas entre os gêneros (homens racionais e práticos; mulheres emocionais e detalhistas) já foram objeto de estudo de vários autores e com diferentes objetivos e, no dia a dia da relação de casais, elas ficam visíveis e de forma negativa quando passam a significar disputas pessoais.

Cada ser humano é singular em suas vivências e percepções. Suas referências pessoais constituem-se em bagagem e direcionam suas escolhas, sentimentos e decisões.

Na vida em comum, o cotidiano é permeado pelas prioridades de cada um dos parceiros que, muitas vezes, não se dá conta de que pode estar ferindo a concretização dos projetos conjuntos.
As expectativas sobre a vida a dois podem gerar mágoas, principalmente, quando elas são implícitas, ou seja, não são verbalizadas, dando origem as idealizações.

A praticidade do homem e o detalhismo da mulher podem contribuir para dificultar a comunicação, mas não são a causa dos problemas.
Por outro lado, a culpabilização (culpar o outro) não facilita visualizar as corresponsabilidades nas situações ou problemas.

Por onde então começar? Será que se consegue aceitar a alteridade? Como chegar a um consenso sobre os problemas?

A falta de respeito mútuo invibializa os relacionamentos. O respeito pela forma de ser do outro pode ser o ponto de partida. Pode não ser simples. Mas um passo é perceber que a sua forma não é a melhor, ela pode ser a melhor para você.  O respeito possibilita a abertura às respectivas opiniões.

Empatizar (colocar-se no lugar do outro), tentar corrigir as suas próprias dificuldades, fazer negociações e tolerâncias são outros passos a serem realizados.

Não há união perfeita, nem receitas prontas.  A construção da parceria saudável encontra-se na capacidade de se  ultrapassar as dificuldades, identificando os pontos fracos e  fortes do relacionamento, dando atenção àqueles que precisam ser reforçados.

Pesquisas têm demonstrado que um relacionamento infeliz pode aumentar as chances do adoecimento e encurtar a vida. Por outro lado, parcerias felizes mantêm as pessoas mais saudáveis, pois beneficia seu sistema imunológico, promovendo a longevidade.

 Norma Emiliano

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Ligados pelo mal

 

  “Os homens se crêem livres, pelo único motivo de que são conscientes das ações, e inconscientes das causas que as determinam.” Spinoza

 

Por que não consigo me afastar dele (a)?” “Brigamos constantemente. É tão desgastante”. “Sinto-me péssima (o), não aquento mais”. Estas questões estão presentes em muito mais pessoas do que se possa imaginar.

È freqüente indivíduos e casais buscarem terapia por não mais conseguirem lidar com suas relações tão conflitantes e intermináveis. Os parceiros não conseguem se afastar e “entre tapas e beijos”, caminham atormentados por suas infelicidades. O direcionamento pessoal é fruto de uma construção que tem a ver com as histórias familiares, assim as escolhas não são frutos do acaso e a atração entre os parceiros tem motivações conscientes e inconscientes (mecanismos de defesa, fantasias, impulsos, etc.). Daí dizer-se que é sempre certa a escolha do parceiro, mesmo que não seja a melhor, no sentido de possibilitar a felicidade. Segundo Carl Whitaker “a combinação estabelecida é composta por vários componentes, estando entre eles a transferência como por ex: a pessoa que atrai tem características que a excitavam em seu pai ou avô”, características que podem evocar a proteção ou abandono, a vida ou morte. É reconhecer inconscientemente no outro condições de resolver seus complexos e necessidades contraditórias. Há uma transposição dos elementos importantes do passado. Desta forma, todo este mecanismo leva a incapacidade de encontrar satisfações reais entre as pessoas reais. 

No cotidiano, os papéis, que cada um dos parceiros desempenha, contribuem para a manutenção de um estado de equilíbrio patológico. Ilustrando, vemos mulher infantilizada (cuidada como filha) queixando-se do abandono sexual do marido, porém quanto mais ele a mima, mais ele a infantiliza e a impede de crescer como mulher. Portanto, a atitude da mulher infantilizada impede-a de ser desejada e ele se distancia como homem. Ambos estão na realidade compartilhando ilusões e não percebem que a relação de causa e efeito é para os dois.

Na terapia busca-se o reconhecimento das motivações pessoais e alternativas que capacitem as pessoas envolvidas a romperem com o círculo vicioso e a fazerem e desenvolverem escolhas mais saudáveis.  “Existe muita dor na vida, e talvez a única que se possa evitar seja a dor que vem do se tentar evitar a dor”.  R.D.Laing

Norma

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Não renuncie

 

Não renuncie a si mesmo em seus relacionamentos

Em seu credo Becoming Partners, Carl Roger,  nos fala da construção de parcerias cujo relacionamento possa ser ao mesmo tempo desafiador, amável e alegre. Consiste no encorajamento mútuo para a expressão e  compreensão do si mesmo.  Esse processo leva à liberdade e integralidade com a crescente intimidade.

 

“Talvez eu possa descobrir e aproximar-me daquilo que realmente sou bem lá no fundo – sentindo- me, às vezes, bravo ou aterrorizado, às vezes amável e atencioso, ocasionalmente belo e forte e selvagem e terrível – sem esconder esses sentimentos de mim mesmo. Talvez eu possa vir a me apreciar como a pessoa ricamente variada que sou. Talvez eu possa, abertamente, ser mais dessa pessoa…Então eu possa me deixar ser, com meu parceiro, toda essa complexidade de sentimentos e significados e valores – ser livre o suficiente para dar o amor, a raiva e a ternura que existem em mim. Possivelmente, então, eu poderei ser um membro real de uma parceria, porque estou no caminho de me tornar uma pessoa real. E tenho a esperança de que posso encorajar meu parceiro a seguir seu próprio caminho para uma personalidade única, a qual eu amaria compartilhar”. Carl Roger

 

Como você se percebe em suas parcerias?

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Conflitos familiares

 

Os conflitos são inerentes ao processo de evolução dos seres humanos.

A relação em família é complexa, pois cada ser humano é singular em relação a sua história, temperamento, idade, composição genética, etc..  No jogo relacional há alianças e luta pelo poder.

Nos diversos relacionamentos, as diferenças individuais quanto às percepções e necessidades emergem, pois cada pessoa forma a sua própria percepção e tem necessidades num determinado momento. Essas diferenças nas relações inter-pessoais tornam-se as bases dos conflitos.

As diferenças, comumente, não são percebidas como oportunidades de enriquecimento e acabam sendo usadas de modo destrutivo. Assim, a diferença que leva a um conflito de interesse (discordância) é percebida como insulto e/ou

O casal ao interagir com os filhos influencia na construção de suas identidades, bem como transmite-lhes modelos de relacionamento que serão levados para todas as áreas de suas vidas: amizade, profissional, amor, etc.

É vital ao bom ambiente familiar que o casal possua uma forte aliança, saiba lidar com seus conflitos, colabore entre si e satisfaça necessidades mútuas.  Por outro lado, é importante também que em suas funções de pais, exista apoio à autoridade de cada um dos cônjuges com relação aos filhos.

Pode-se encontrar em qualquer relacionamento permanente, seja ele conjugal, entre pais e filhos, a família como um todo, ou relacionamento da família com outros sistemas sociais, formas de conflitos submersos, não resolvidos. Esse tipo de conflito pode acarretar distância emocional, disfunção física ou psicológica, ou envolvimento em uma aventura amorosa.

Quando há questões mal resolvidas entre o casal, uma ou mais crianças se envolvem no conflito marital, com a função de distrair os pais do conflito. Essa criança fica muito próxima de um ou ambos os pais, e as fronteiras entre as gerações são rompidas. Há uma excessiva dependência mútua e a autonomia da criança e dos pais torna-se limitada.

A falta de comunicação, somada à dificuldade para resolver problemas em conjunto são fatores negativos na criação dos filhos. As divergências dos pais, veladas ou abertas, em relação à educação dos filhos, os deixam confusos e, com freqüência, as crianças usam de manipulações, jogando os pais um contra o outro.

Os conflitos tornam–se mais fáceis de serem enfrentados quando ambos os parceiros compreendem as questões e suas origens. Para tal é necessário cada um entender e aceitar os seus próprios medos, valores, expectativas e proteções e também as do parceiro.  Torna-se necessário ter clareza da ligação entre o presente e o passado. A percepção desta conexão possibilita que não se fique apenas repetindo padrões relacionais antigos, ou seja, dando respostas antigas a situações novas, levando para o casamento e para a nova família uma repetição do relacionamento anterior com os seus próprios pais.

Os relacionamentos adultos transferem, quase sem alterações, as características de disputas de poder entre pais e filhos, que cada um dos parceiros anteriormente tivera. Por exemplo, na luta pelo poder, pode-se observar que a mãe, normalmente é a detentora do controle no dia-a-dia; assim, tanto as meninas quanto os meninos podem resistir a isso. Quando adultas, as mulheres podem assumir esse mesmo papel, enquanto os homens transferem resistência às suas mulheres. Nesta luta pelo poder geram-se conflitos. Uma crise séria pode ser o ponto de partida para interromper esse círculo vicioso. Mas uma estratégia duradoura é poder enfrentar os fantasmas do passado.

Norma

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Um segredo em família

 

segredo 

Google Imagem

 

O segredo familiar aprisiona os indivíduos nas historias por não se poder falar sobre elas.  Paralisa o tempo familiar.

 O segredo nas palavras de Bernstein (apud Fernández, 1990, p. 101), “trata-se de informações vinculadas com a história do grupo familiar ou aspectos particulares de um de seus membros que, em geral, são ocultados parcialmente, com a certeza de que não são desconhecidos por outros integrantes”. “Complementando, IMBER-BLACK (1994) afirma que” é um fenômeno sistêmico. Ele está ligado ao relacionamento, molda as díades, forma triângulos, aliança encoberta, divisões, rompimentos, define limites de quem está ‘dentro’ e de quem está ‘fora’. 

 O desconhecimento das origens é considerado por muitos autores como um dos mais maléficos, pois desorientam, principalmente quando o indivíduo está em formação,  uma vez que se insere numa complexidade que envolve o intrapsíquico, o psicossocial e o transgeracional, bem como o passado, o presente e o futuro.

 Sua construção ocorre a partir de situações relacionadas à vergonha e  ao  sofrimento que geram pacto de silêncio.

 No filme Um segredo em família, o diretor Claude Miller recria o drama e os sentimentos de uma família no decorrer da II Guerra Mundial, num recorte trigeracional. A separação dos membros das famílias pela perseguição aos judeus é o pano de fundo para o desenrolar do roteiro.

 O menino, filho do casal desportista, nasce franzino e cresce sem se identificar com o mundo atlético de seus pais. A forma como encontrou de não se sentir como um peixe fora do ninho foi criar para si um irmão imaginário capaz de tudo. Na adolescência, ele percebe que há profundos e tristes motivos que o influenciaram a se sentir tão alijado do padrão dos seus pais. Os motivos que remontam a uma geração de sua origem antes do mundo conhecer os horrores do Nazismo.

 Imber-Black (1994), ressalta que “embora o próprio evento possa ser mantido em segredo, a intensidade dos sentimentos em relação a ele dificilmente se disfarça. (p. 76). Uma das conseqüências é o distanciamento emocional entre os membros pelo receio de não se trair. A percepção de que algo se oculta  transcende a fala e a força que impele à revelação transforma-se em fantasma trazendo, de alguma forma à tona, sintomas metafóricos.

 A revelação do segredo expande as possibilidades de evolução da família levando às mudanças na forma de pensar e agir e interagir.

Norma Emiliano

 

 Referências

 FERNÁNDEZ, A. A inteligência aprisionada. Porto Alegre: Artes Médicas, 1990.

 IMBER-BLACK et al. Os Segredos na família e na terapia familiar. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.

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Blogagem Coletiva- Intimidade

 

INTIMIDADE ROMÂNTICA

 

Casal-dancando- 

 

Intimidade, a dança do eu e você

 

 ”Sê sincero para o teu próprio Eu.” William Shakespeare

 

 Falar de intimidade é complexo, tendo em vista que este tema faz parte de discussões que dizem respeito à sexualidade, ao gênero e/ou as transformações entre as esferas pública e privada. Contudo, neste momento, o interesse é entender sua função em nossa vida.

Nos relacionamentos amorosos é muito comum, principalmente, por parte das mulheres, queixarem-se da dificuldade de ter intimidade com o seu parceiro.  A indagação que fica é: Como pensar na intimidade no sentido de melhorar a nossa vivência e a convivência?

Podemos partir de algumas indagações: O que é ser íntimo? Da minha intimidade comigo mesmo depende a minha intimidade com o outro? Como construir a intimidade?

Etimologicamente, a palavra intimidade caracteriza-se por ser uma qualidade do íntimo, que do latim “intimu”, refere-se ao que está dentro, que atua no interior, no sentir. Para o sociólogo inglês Anthony Giddens, “a intimidade é acima de tudo uma questão de comunicação emocional, com os outros e consigo mesmo, em um contexto de igualdade interpessoal”. 

Li um livro, O Espírito da Intimidade (Some, 2008), que reflete a sabedoria de muitas gerações do povo da África Ocidental, e que consiste num desafio de sermos nós mesmos. O autor refere- se à intimidade como “uma canção do espírito”, considerando o espírito como força vital que há em tudo, energia que nos ajuda a ver além dos parâmetros racialmente limitados. Esta é uma visão muito diferente de nós ocidentais.

Por outro lado, a visão africana não se distancia da realidade dos relacionamentos por nós construídos, no sentido que quando temos duas pessoas desconectadas, tanto do nível pessoal como no nível espiritual,  estes relacionamentos não têm qualquer tipo de força que lhes fundamente ou lhes dê solidez.

Poder fluir de si para o outro está relacionado à intimidade consigo mesmo, ter conexão com seus sentimentos, pensamentos, desejos e aceitar-se. Quem não tem prazer com sua própria companhia não tem disponibilidade para estar com o outro. A auto-avaliação é que nos possibilita estar próximo ou distante de nós mesmos e do outro.

Alguns estudiosos sobre relacionamento dispuseram -se a realizar pesquisas, entre eles Amy Brunell, da Universidade do Estado de Ohio, nos Estados Unidos. De acordo com seus resultados, ela explica que “Se você é verdadeiro consigo mesmo, ou seja, se age de conforme o que verbaliza constantemente, seu nível de intimidade em um relacionamento é maior, e isso faz que os parceiros se sintam mais realizados e retribuam, na maioria das vezes as suas reações (…)” e isto vai fazer seu relacionamento mais gratificante”.

Portanto, esta é uma dança em que é o eu e o você são delimitados e nas trocas mútuas o amor se expande.

Esta é a minha participação na Blogagem Coletiva  Intimidade, do Blog  de Crica Viegas Um Pouco de Tudo.

 Referências

- RA Notícias (online)- Estudo revela segredo para relacionamento dar certo, 2008.

- Sobonfú Some. O Espírito da intimidade, Ed. Odysseus, 2008

       Norma

 

 

 

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Distâncias

 amor- Kahlil

Imagem Internet

 

 

Quando iniciamos nosso relacionamento, fazíamos tudo juntos. Eu, mesmo sem gostar de academia, comecei a fazer musculação e a ir ao futebol para acompanhá-lo. Eu sentia-me feliz só por estar com ele. Hoje, não sei o que está acontecendo, ele sai com os amigos e eu fico em casa só esperando por ele. Será que ele não me ama mais?

 

As relações interpessoais decorrem das interações e os sentimentos interferem nesse processo.

Pensando em diversos relacionamentos numa dimensão temporal, podemos perceber que a distância que se estabelece nessa dança entre os parceiros sofre alterações no decorrer do tempo, tendo em vista as características pessoais de cada um, suas motivações pessoais, dinâmica pessoal e dinâmica da parceria. Mas distância e limites são continuamente elementos imprescindíveis nos relacionamentos íntimos, destacando que tanto o isolamento (distância excessiva) como a fusão (excesso de proximidade)  são permissíveis.

É necessário que se compreenda o estágio inicial, de paixão e de conquista, como ilusório. Esse período traz consigo uma grande carga de projeção, ou seja, se vê o outro através de si próprio, dos sonhos, desejos e expectativas e, por outro lado, também só se mostra o melhor de si mesmo no desejo de agradar.

Na construção da parceria, a percepção de si próprio e do outro é vital para o bem-estar do “eu” e para a harmonia do “nós”. Assim sendo, é significativo ter interesses pessoais e aceitar as diferenças.  No entanto, é fundamental também saber negociar, pois há momentos que o “nós” implica na conciliação de interesses. O amor expresso como sentimento de escravidão ou posse suscita mágoas que geram distância emocional e até mesmo a raiva.

Cabe ressaltar que nos diversos estágios do ciclo vital dos indivíduos, a saída e entrada de novos membros e/ou fatos alteram a dança relacional necessitando que haja uma re- organização. Por exemplo: um novo emprego pode exigir mais horas de dedicação, bem como o nascimento de um filho.  Portanto, o estar junto ou separado precisa ser pensando sobre vários ângulos, inclusive porque estar perto fisicamente não significa estar próximo emocionalmente (intimidade).

Ao se analisar o ciclo de vida do casal pode-se constatar que existem períodos alternados dos movimentos de união e de afastamento. É importante que nesse interjogo o casal possa administrá-los de forma a manter o desejo mútuo de conservar a parceria.

Mudanças são necessárias. As interações rígidas carregam tensões criadas em determinada etapa, gerando sofrimentos e, mesmo assim, as pessoas podem permanecer juntas distantes ao longo de toda vida.

Norma Emiliano

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Correndo atrás de um sonho

 

casamento

 

Durante muitas décadas, para a mulher ficar solteira significava insegurança.  O casamento conferia-lhe um lugar estável e socialmente aceito. Após os anos 60 a busca pelo reconhecimento pessoal e social não mais se restringiu ao âmbito familiar.

No mundo contemporâneo, a corrida desenfreada ao consumo trouxe mudanças de valores que vieram impregnando os sonhos e a busca da felicidade, e influenciando as decisões da mulher. Entretanto, ainda hoje, o casamento continua sendo seu  “sonho dourado”.

Apesar do desejo de casar, encontrar um parceiro que deseje compromisso está difícil, o que leva muitas mulheres a manterem o foco no desejo de casar. Aí “mora o perigo”. Perseguir o intuito de não ficar solteira pode impedir a mulher de não utilizar seu potencial atual, de fixar-se no futuro e de não aproveitar melhor o tempo presente.  

Além disto, casar é conjugar, significa unir dois indivíduos, dois desejos, duas visões de mundo, duas histórias, dois projetos de vida e duas identidades pessoais em uma história de vida. Assim é necessário que o potencial para “dar” esteja em sintonia com o “receber”. É necessário saber entender as necessidades da outra pessoa e compartilhar. Portanto, há um tempo interno de evolução para casar.

Por outro lado, por não existirem mais etapas definidas como anteriormente, (namoro, noivado, casamento) ocorre um atropelo na construção da estrada para vida a dois. A tradição deixa marcas profundas e o casamento com todo seu ritual (a cerimônia, vestimentas e festas) continua em pauta.

 Entretanto, a parte financeira pesa, pois a maioria das famílias do casal não pode assumir a maior parte das despesas como nas gerações passadas. Hoje, frequüentemente, o casal arca sozinho com os custos.

 Apesar da existência de todo um arsenal montado (assessorias, sites especializados, etc.) para a realização do grande sonho, não é fácil a tarefa de organizar um casamento.  Alia-se à questão financeira a falta de tempo dos parceiros.

 Além da festa, lua-de-mel, novo lar, o casamento implica muitas obrigações. Os cônjuges vão precisar assumir responsabilidades entre si.  Na organização do evento vem à tona o padrão relacional estabelecido pelo casal. Assim sendo, vale a pena os noivos ficarem atentos, pois este já é um dos muitos projetos que terão em comum.

Enfim, o casamento não deve ser o objetivo, mas a conseqüência de uma relação baseada no amor, cumplicidade e respeito.

 

Norma  Emiliano

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Dia dos namorados

 

 

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 Momento de Reflexão

 

…”Deixarei de correr por vales e gargantas,
Se, na tranqüilidade de minhas águas,
Houver o espelho nítido e profundo
Onde se reflita o gesto de tuas mãos
E a graça do teu rosto.
Então adormecerei no fundo de mim mesmo
E sobre meus olhos abertos para a eternidade”… Paulo Bonfim

 

Eu e você, assim que tudo se inicia. Inspiração a tocar os  corações. Do encontro, o partilhar das emoções, das alegrias, das angústias, do cotidiano,  da vida. Em datas especiais o desejo de presentear, de homenagear.

Pela tradição brasileira, a data comemorativa dos namorados dá – se na véspera do dia de Santo Antonio, “o santo casamenteiro”. Entretanto,  em grande parte do mundo a data escolhida é quatorze de fevereiro, dia de São Valentino, um santo devotado à idéia do amor.  Assim, o dia dos namorados representa a exaltação ao vínculo e ao amor.

È comum querer encontrar o seu par. Mas o que significa, hoje, estar em um relacionamento estável?  O que é importante no encontro com o outro? 

Ficar, namorar, amar. Nas mudanças do tempo, alteraram – se os valores e as tradicionais etapas – namoro – noivado – casamento. Hoje, num entrelaço de emoções e ações, os parceiros fazem o percurso concomitante do conhecimento pessoal e íntimo. A intimidade sexual, antes do casamento, faz com que as fronteiras entre o namoro e o casamento fiquem nebulosas. A queima de etapas favorece o envolvimento sem a intimidade emocional necessária para a construção dos vínculos.
 
Quem sou eu, quem é você? Destas definições e aceitação surge o respeito tão necessário para uma relação saudável. Mudaram – se os tempos, todavia, paradoxalmente, permanece a forma rudimentar de amar.  O sentido da posse, o controle sobre o outro, ainda, predomina. O bem – querer, o respeito à individualidade, às diferenças pessoais são os ingredientes, que deveriam fazer parte do cardápio principal, para a grande ceia comemorativa do dia dos namorados. Data que remete ao desejo da magia  e ao romance. Portanto, faça deste Dia uma redescoberta do amor.

Norma Emiliano

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