Posts Tagged autoconhecimento

O poder do silêncio

 

Nós, seres humanos, estamos, cada vez mais,  sintonizados em muitas coisas diferentes ao mesmo tempo. Neste sentido, acabamos não nos dando conta  desta sintonização excessiva  até que a manifestação negativa ocorra em algum acontecimento ou doença. 

O uso desmedido da mente acaba nos levando a diminuição da percepção. Um pensamento nos leva a outro, nos tornando agitados.  Assim, de toda a realidade que nos cerca, conseguimos perceber uma faixa restrita; os pensamentos acabam nos levando  aos mesmo resultados e voltamos ao ponto de partida.

Constantemente, o ser humano está interagindo mediante ressonância com tudo que existe e o silêncio pessoal  inquieta. No entanto, a comprensão, muitas vezes exige o silêncio.

Encontrei em Susana Tamaro  uma descrição que considerei muito própria ao que estou me referindo.  Ela menciona que “a compreensão exige silêncio (….) a mente é prisioneira das palavras” , (…) os barulhos são como uma droga: depois que você se acostuma, já não pode viver sem eles”.  Assim,   traz a metáfora da limpeza  do chão com a vassoura ou com um pano molhado: “se usarmos a vassoura, quase toda a poeira fica no ar e se deposita nos objetos vizinhos; se ao contrário, usarmos um pano molhado, o chão fica liso e reluzente. O silêncio é como pano úmido, afasta de vez a opacidade do pó”.

É inegavel a importância da  autopercepção, ou seja,   do  reconhecimento dos sinais do nosso  corpo, dos  sentimentos e das atitudes.  Na medida em que vamos  ampliando o autoconhecimento,  temos melhores condições de nos relacionarmos conosco e com as outras pessoas. Além disso,  a auto percepção ajuda o desenvolvimento  da capacidade de atenção.

Enfim,  praticando o silêncio  temos possibilidades de desenvolver atitudes pacíficas tão necessárias a este nosso mundo inundado pela velocidade e tão pouco humanizado.

Referência

Vá  aonde seu coração mandar- Susana  Tamaro- Ed. Rocco

Norma

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Não renuncie

 

Não renuncie a si mesmo em seus relacionamentos

Em seu credo Becoming Partners, Carl Roger,  nos fala da construção de parcerias cujo relacionamento possa ser ao mesmo tempo desafiador, amável e alegre. Consiste no encorajamento mútuo para a expressão e  compreensão do si mesmo.  Esse processo leva à liberdade e integralidade com a crescente intimidade.

 

“Talvez eu possa descobrir e aproximar-me daquilo que realmente sou bem lá no fundo – sentindo- me, às vezes, bravo ou aterrorizado, às vezes amável e atencioso, ocasionalmente belo e forte e selvagem e terrível – sem esconder esses sentimentos de mim mesmo. Talvez eu possa vir a me apreciar como a pessoa ricamente variada que sou. Talvez eu possa, abertamente, ser mais dessa pessoa…Então eu possa me deixar ser, com meu parceiro, toda essa complexidade de sentimentos e significados e valores – ser livre o suficiente para dar o amor, a raiva e a ternura que existem em mim. Possivelmente, então, eu poderei ser um membro real de uma parceria, porque estou no caminho de me tornar uma pessoa real. E tenho a esperança de que posso encorajar meu parceiro a seguir seu próprio caminho para uma personalidade única, a qual eu amaria compartilhar”. Carl Roger

 

Como você se percebe em suas parcerias?

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Blogagem Coletiva – Sentimentos e Emoções

 

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MEDO

Hoje tem início  a  Blogagem Coletiva sobre sentimentos e emoções organizada por Glorinha do blog Café com bolo  e esta  é a minha participação.

 

Recuperar nosso passado é iluminar o caminho do encontro do si mesmo.

Medo é uma  pergunta. Do que você tem medo e por quê. Nossos medos se os analisarmos são casas de tesouros cheias de sabedoria”   Marilyn Ferguson

Procuramos, ao longo da nossa trajetória, evitar o que nos ameaça, na ilusão de que aquilo que não sabemos não possa nos magoar.

Os medos cotidianos são facilmente identificados ( de insetos, assaltos, de voar, tempestade entre outros). Mas existem aqueles que negamos, não reconhecidos, inconscientes, que como fantasmas nos perseguem e nos paralisam. Entre estes podemos citar: fracasso,  rejeição, amar intensamente,  perder a identidade, estar errado.

Muitos pensam que ter medo é sinal de fraqueza e que se o demonstrar  podem ser rejeitados e, assim, o nega. No entanto, para poder superá-lo é necessário confrontá-lo e compreendê-lo.  O confronto provoca dor emocional que se expressa fisicamente em diferentes formas, de pessoa para  pessoa: peso no peito, nó na garganta, dor no estômago, entre outras.

É desagradável sentir dor.  Contudo, ela pode ser uma fonte de sabedoria.  De acordo com Frederick Perls “a dor é a forma como a natureza chama a tenção para aquilo que precisa de atenção”. Desta forma, podemos entender a dor física não como um sinal de problema,  mas como a uma experiência de aprendizado (dor emocional) .  É  o preço para adquirirmos o autoconhecimento.

É na infância que se inica a dificuldade em lidar de forma construtiva com a dor. Os pais superprotegem seus filhos de realidades ruins, como por  exemplo, a morte de pessoa da família,  e não possibilitam o aprendizado de lidar com  a dor e limita a consciência ( a percepção dos fatos). Vamos,  assim, empregando imensos esforços para não sentir ou ter  a percepção dos nossos sentimentos, atrofiando nossas sensibilidades. Calamos nossa reações interiores para não sentirmos dor e buscamos intelectualmente o que sentimos, em vez de sentir o que sentimos.

“Sim, assombrosa é a sagacidade do homem:
Por ela, atinge cumes
Por ela, também caí.
Na confiança de seu poder, tropeça;
Na obstinação de sua vontade, é derrotado.
Sófocles, Antígona

Superar o medo é um longo processo,   pois envolve estar consciente do medo, disposto a encará-lo, confrontá- lo (falar sobre e compreenê-lo) e testá – lo.  Se não desaparecer totalmente, tê-lo enfrentado aumenta a autoconfiança e dá coragem para enfrentar novos medos.

 

“Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou,
já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns,
outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade…
Já tive medo do escuro, hoje no escuro “me acho, me agacho, fico ali”.
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de “amigo” e descobri que não eram…
Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas,

das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
- E daí?  EU ADORO VOAR!”.

Clarice Lispector

Bibliografia            
Alexander Lowen – Medo da Vida
Jordan& Margaret Paul- Terapia do Amor

 

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Reponsabilize – se

 

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“Segue o teu destino
Rega as tuas plantas
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias”.

Fernando Pessoa

 

A cada dia, mesmo, quando não percebemos, há avanço e mudanças, e  as experiências se acumulam, sofremos, mas nos refazemos.  Quando nos tormanos conscientes do que sentimos, pensamos e precisamos assumimos reponsabilidades pelas nossas ações. Ou seja, tomamos posse de nossa própria vida.

Norma

Bom final de semana

 

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Amar

 

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 Sobre o amor

“Quanto mais nos conhecemos, mais temos a oferecer a  outra pessoa”.   Dimas Calegari 

 

Quem sou? Para que estou? São indagações que acompanham o indivíduo no desenrolar do seu ciclo de vida. Muitas são as teorias que fundamentam essas buscas.  Na perspectiva sistêmica cada pessoa forma sua bagagem pessoal através de suas experiências ao longo do seu desenvolvimento e da transmissão familiar. As interações familiares constroem a identidade do indivíduo bem como influenciam o encontro do significado para sua existência.

 O amor nos revela; é a expressão da nossa forma de ser e estar no mundo.

 “A infância é o chão sobre o qual encaminharemos o resto de nossos dias”. Lya Luft. O recém nascido é dependente. Seu referencial será aqueles que lhe cuidarem. Nesta perspectiva, através da interação com os diversos membros familiares que o indivíduo forma sua auto-estima, aprende a se relacionar e amar.

 “O amor é uma emoção, mas é também uma resposta a uma emoção. É uma expressão ativa do que se sente”. DC. Assim, a forma como cada pessoa aprende e expressa o amor está diretamente ligado aqueles que no seu ambiente lhe ensinaram. Recebemos um modelo de amor. É na infância que ficam registrados os elementos positivos, ou seja, aqueles que são aceitos pelos sentimentos e crenças familiares e são recompensados. Estes serão agregados ao comportamento da criança.

 Cada homem aprendeu e continua amando de uma forma particular. Desta forma, precisamos levar em consideração que ninguém pode dar aquilo que não possui; ninguém pode apreciar aquilo que não aceita. Pode-se dizer “Te amo” de muitas maneiras: com gestos, presentes, etc., mas nem sempre o outro reconhece a mensagem pelas diferenças no modelo de amor e dificuldade de se sentir amado.

A maior parte das questões amorosas está ligada à frustração do desejo de ser amado.  A maioria das pessoas acredita não ter recebido amor suficiente na infância e por mais que busque ou receba não se sentirá satisfeita. Portanto, o reconhecimento do amor recebido é que permite que o amor próprio floresça e haja a possibilidade do dar e receber. O amor próprio gera o sentimento de pertinência a vida, o desejo de troca criando o solo fértil para o amor íntimo e para o amor familiar.

 O amor próprio adulto respeita e ama o seu próprio Eu e o do outro. Respeita o que pode ser recebido e ser oferecido, uma vez que no amor o equilíbrio entre o dar e o receber é vital.

 Neste sentido, o amor não acontece. É uma interação que envolve responsabilidade. Responsabilidade implica num compromisso com seu próprio crescimento e com o do outro. Conhecer a si mesmo, desenvolver sua individualidade e compartilhá-la.

De acordo com Antoine de Saint Exupéry “Amar é o processo de eu levá-lo de volta a você mesmo”.

Norma

 

          Borboletas Mario Quintana

 

CleicyPedrita — 28 de abril de 2008

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União

 união

Arte Africana- Google Imagem

 

Desejo que todos estejam presentes, pois assim nos manteremos unidos. Nesta afirmativa o desejo de união está presente.

Nos dicionários encontramos os diversos sentidos das palavras. No processo civilizatório, os vocábulos fazem parte da história e sofrem transformações. Em se tratando da comunicação, do cotidiano relacional, as palavras vêm carregadas de sentidos que são frutos das histórias, das experiências de cada pessoa e da cultura em que está inserida. Há inúmeros conteúdos que fazem parte da comunicação não falada e que se constituem em fortes cargas emocionais  que interferem nas interpretações dos ouvintes.

No seu sentido primordial, nos dicionários a palavra união do latin unione  significa: ato ou efeito de unir; junção, união de duas ou mais coisas ou pessoas; adesão;contacto; acordo; pacto; aliança; casamento; concórdia; confederação. Contudo, não há muita clareza do indivíduo quando atribui à palavra união o seu desejo de estreitar os vínculos. Estarem todos num mesmo contexto não resulta necessariamente em se estar unido, pois os problemas inter e intrapessoais vão estar presentes e serão expressos nas atitudes pessoais e relacionais e podem gerar desavenças ao invés de fortificar os vínculos.

Ao longo dos tempos, a família vem sofrendo modificações em sua estrutura e funções. Hoje, sua principal função é a afetividade. Portanto, é na convivência familiar que as pessoas são impulsionadas a desenvolver a afetividade e a solidariedade, o desejo de ajudar pessoas.  No entanto, em alguns eventos ou situações o desejo da união frustra- se pois surgem as rivalidades, as diferenças, competições etc.

O universo pessoal é singular e a comunicação expressa a complexidade do ser humano, e, consequentemente, muitos conflitos relacionais têm na comunicação seu principal ponto de entrave.

 Normalmente, não se atribui a devida importância ao sentido das palavras (conotações singulares) e podem surgir mágoas, afastando as pessoas No contexto terapêutico a palavra união, dentre muitas outras, ao ser entendida a partir de cada indivíduo, possibilita ampliar a visão sobre questões cronificadas nas relações interpessoais. Tentar compreender o outro, saber como ele pensa, sente e percebe as situações; estar revendo e ampliando a percepção que se tem de si próprio propicia   a autodescoberta.

A compreensão de si mesmo e do outro é o primeiro passo para abertura do canal de comunicação e de se traçar um projeto pessoal e/ou relacional de mudanças necessárias para o alcance de uma melhor saúde mental, relacional e de qualidade de vida.

Norma

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Terapia de intimidade

satir

Google Imagem

 

As palavras não têm energia alguma, a não ser que criem ou façam surgir uma imagem. A palavra em si mesma nada possui. Uma das coisas das quais sempre me lembro é: “Quais as palavras que fazem surgir imagens nas pessoas”‘? Então, as pessoas seguem o sentimento criado pela imagem. (Virginia Satir )
Virginia Satir (1916- 1989),  nasceu em Virginia Mildred Pagenkopf,  em 26 de junho.

Uma das figuras mais importantes dos métodos modernos da ‘terapia’ sistêmica familiar. Assistente Social, terapeuta, escritora, palestrante e professora. Começou suas atividades trabalhando com famílias no Dallas Child Guidance Center. Teve sua primeira experiência no ensino de técnicas terapêuticas em 1955. Foi convidada em 1959  para juntar-se a Don Jackson, Jules Raskin e Gregory Bateson para começar o  Mental Research Institute em Palo Alto, na Califórnia. Com este grupo participou da criação do primeiro programa nacional em Terapia Familiar. Teve sua primeira experiência no ensino de técnicas terapêuticas em 1955.

Satir desenvolveu uma técnica original, tomando como ponto de partida as teorias da comunicação, articulando-as à categoria da auto-estima. Nesse sentido, a noção de doença mental é descontruida, dando lugar a um enfoque dos problemas e transtornos familiares como expressão de estilos comunicacionais distorcidos e ineficazes.

Sua mais importante obra – Terapia do Grupo familiar- tornou seu nome conhecido em vários paises. A marca registrada do trabalho de Satir era treinar as pessoas para contactar e interagir com as partes internas delas mesmas, especialmente as partes modeladas dos membros familiares. Assim, desenvolveu a técnica de realizar uma “festa das partes” na qual uma pessoa poderia designar outras pessoas para ‘tomar o lugar’ das várias partes dele ou dela mesma. Tinha um estilo afetuoso e seu objetivo na terapia era o crescimento, ajudar a capacitar as pessoas  para atingir  seu pleno potencial.

Escreveu o livro “Encontre o milagre em você”, livro concebido em dois atos, como uma peça teatral.  Fala do interior de nós todos. No primeiro ato, mostra como abrir as cortinas, fazer um intervalo e como romper a prisão emocional. O segundo ato, mais extenso, introduz quem está no comando das ações, a roda dos recursos,  e  afirma a unicidade de cada indivíduo.

Acreditava ser essencial para os terapeutas ter conhecimento de si   elaborando os conflitos não resolvidos em suas próprias relações familiares. Neste sentido, treinava os estagiários em grupo  traçando um determinado período de sua vida e contexto familiar. Desta forma, levava-os a encenar os diferentes papéis da família objetivando que cada um individualmente pudesse reexperimentar  seu papel familiar um novo crescimento (família simulada). Teve essa experiência com diferentes e diversos  grupos de profissionais tais como médicos, assistentes sociais, professores e enfermeiros.

Nos anos 70, Satir viajava e ensinava as pessoas ao redor do mundo através dos seus livros, workshops e seminários de treinamento. Contribuiu com a criação da Programação Neurolinguistica e, hoje, muitas das técnicas que desenvolveu, como por exemplo uso da árvore familiar e escultura familiar,  são intensamente utilizadas.

 
Eu sou eu
Em todo o mundo,
Não há ninguém igual a mim.
Há pessoas,
Que têm alguns talentos iguais aos meus,
Mas a natureza de ninguém se compara a minha.
Por essa razão, tudo
Que sai de mim é meu de verdade
Porque eu sozinha fiz a escolha.
Sou dona de tudo o que diz respeito a mim.
Meu corpo, inclusive
Tudo o que ele faz;
Minha mente e inclusive todos os seus pensamentos e idéias;
Meus olhos, inclusive as imagens de tudo o que contemplam;
Meus sentimentos, seja quais forem
Raiva, alegria, frustração, amor, desengano, excitação;
Minha boca e todas as palavras que dela provêm;
Gentis, doces ou ásperas,
Próprias ou impróprias;
Minha voz, ruidosa ou suave;
E todas as minhas atitudes,
Com os outros ou comigo mesma.
Sou dona de minhas fantasias, meus sonhos, minhas esperanças,
Meus temores.
Sou dona de todos os meus triunfos e sucessos, de todos
Os meus fracassos e erros.
Porque sou dona de mim, sei o que se passa em meu íntimo.
Então, gosto de mim e sou afetuosa comigo em tudo que me diz respeito.
Desse modo, possibilito a mim trabalhar como um todo para o meu bem.
Sei que há em mim alguns aspectos que não conheço.
Mas enquanto eu for terna e
Afetuosa comigo mesma,
Poderei com coragem e esperança,
Procurar soluções para os enigmas e meios de descobrir mais sobre mim.
Seja como for que eu pareça e me comporte,
O que quer que diga e faça, pense e sinta em dado momento, tudo isso sou eu.
É autêntico e representa onde estou neste exato momento.
Quando mais tarde recordo como pareci e me comportei, o que disse e fiz e pensei e senti,
Talvez algumas partes revelem-se inadequadas…
Jogo fora o que não me serve, guardo o que foi aprovado e invento algo novo para substituir o que descartei.
Vejo, ouço, sinto, penso, falo e faço.
Tenho as ferramentas para sobreviver, para ficar perto dos outros, para ser criativa e compreender o mundo das pessoas e as coisas fora de mim. Sou dona de mim!!!”

Virgínia Satir
 

Fontes

Virginia Satir – Terapia do Grupo Familiar – Editora Francisco Alves – Conjoint family therapy

Salvador Minuchin- Dominando a Terapia -artmed, 2008.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Virginia_Satir

Norma Emiliano

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Por onde anda o meu amor?

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Google Imagem

 

No desenrolar do tempo, a imagem perfeita sofre mudanças. De quilo em quilo o conflito com a imagem do espelho. Dietas mis começam a ser percorridas. Remédios milagrosos administrados.  E entre idas e vindas a gordura incomoda e a arrasta. Muita dor! Perde-se através do espelho.

Na história humana, as influências sócio culturais permeiam o conceito de beleza. O filósofo grego Platão dizia que o belo residia no tamanho apropriado das partes, que se ajustavam de forma harmoniosa no todo, criando assim o equilíbrio, ideal personificado na rainha egípcia Helena. No século XVIII, nasce a disciplina filosófica denominada de estética e que se ocupa do belo e da arte Na segunda metade do século XIX, as explicações sobre a natureza da beleza tomaram outro rumo. Charles Darwin a definiu como um fator biológico necessário à reprodução dos animais e garantia de filhos saudáveis. Atualmente, a aparência física é ressaltada não apenas no terreno do amor e do sexo, mas em todos os relacionamentos pessoais.

 As mudanças de época trazem diferenças e, hoje, a massificação pela mídia distorce valores. Presenciamos o império da vaidade. Busca-se a excelência das formas. O corpo é massacrado pela indústria e pelo comércio.  A auto estima fica à mercê do outro. Como conseqüência o indivíduo distancia-se de si mesmo, do amor próprio.

O cuidado pessoal é fator relevante para uma vida com qualidade, mas esse precisa ter como referencial a auto-estima, o amor-próprio.  O conhecimento do verdadeiro valor, do seu próprio potencial, o autoconhecimento levam à adequada valorização das características pessoais, trazendo ao espelho o reflexo de harmonia pessoal que “(…) dá a satisfação em enxergar a beleza sobremaneira transcendente e digna de exaltação”. Junior A.

Norma Emiliano

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Trágico cômico

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A vida é a arte do encontro,  embora haja tantos desencontros pela  vida”.  Vinicius de Moraes

 

 

É comum em conversas informais, principalmente entre as mulheres, falar-se sobre situações afetas ao cotidiano de casal. Nessas conversas, as diferenças de pensamentos e atitudes trazem à tona um tema que vem sendo estudado, escrito, mostrado, por várias áreas da ciência e da arte: as diferenças de gênero.

O ser humano é dependente, não sobrevive ao isolamento.  No entanto conviver é o seu maior desafio.

Paradoxalmente, nos relacionamentos íntimos, principalmente de casal, alcançamos o céu e o inferno. Isso não diz respeito apenas às diferenças entre os sexos, mas, também, ao fato de que as parcerias favorecem que os conflitos emocionais não resolvidos com nossas relações primárias ressurjam com toda a intensidade. 

“Dormimos com o nosso maior inimigo”,  já assinalava Whitaker, pois o inconsciente nos aproxima, nos motiva nas escolhas.

Muitas peças teatrais, muitos filmes, algumas charges são produzidas sobre o enfoque trágico cômico que reproduzem algumas das incoerências humanas e freqüentemente da relação de casal. A estrutura biológica demarca as diferenças dos sexos, mas ao longo da história da humanidade, a cultura colaborou para que a visão de mundo entre mulheres e homens se distanciasse, criando mesmo, em certos momentos, rivalidades.

De acordo com John Gray, autor de Homens são de Marte, Mulheres são de Vênus , ambos desejam ser amados, mas o homem necessita ser aceito, ser apreciado e gozar de confiança; a mulher: ser cuidada, ser compreendida e ser respeitada.

Por outro lado, a comunicação, principal meio para nos sintonizarmos com o outro, é atravessada pela forma do pensar, sentir e expressar tão diferentes entre homens e mulheres, transformando-os em ilhas cujas pontes para se firmarem necessitam de “muita engenharia”.

Apesar do sentido da vida ser subjetivo, o encontro está inserido no cerne da humanidade.  É a partir da união (macho/fêmea) que se dá a sobrevivência da espécie.  Na atualidade, o encontro torna-se, cada vez mais, descartável, e o índice de pessoas, que vivem só, aumenta. Mas, ainda observamos, que as mulheres anseiam pela relação estável e constituição de uma família. Contudo, a intolerância, o individualismo vêm crescendo.

No cenário da vida, temos muitos encontros e desencontros. Representamos vários papéis, mas somos os autores da nossa própria história.  Podemos ter relações construtivas buscando o autoconhecimento e desenvolvendo as habilidades interpessoais.

Norma Emiliano

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