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Blogagem coletiva -Teia ambiental

 

 Esta é a minha participação na blogagem coletiva  organizada pela amiga Rute do blog publicarparacompartilhar.

 

Teia_Ambiental_-_selo

 

Somos instrumentos

 

Encontramo-nos  em um momento histórico do mundo que urge mudanças.

Criar um melhor equilíbrio entre a sociedade humana e o ambiente requer esforços individuais e coletivos. A generosidade pode ser uma força poderosa de motivação às mudanças. Ser generoso no sentido de desenvolver recursos internos próprios, desempenhando um modo positivo de SER.

Ao cumprirmos nossa responsabilidade também cumprimos com nossa responsabilidade com a sociedade.

Nesse compromisso a auto reflexão e autodesenvolvimento podem  nos fornecer os instrumentos de que precisamos para contribuir. A boa intenção traz sinceridade às nossas ações e sustenta os nossos esforços.  A força criada pelas ações desperta um modo de SER.
 
Podemos ser o exemplo vivo na responsabilidade em direção ao bem-estar.

Confiar que “uma andorinha pode fazer  verão” é pensar que somos seres interdependentes e que toda ação gera uma reação.  Ações em pról a  um contexto mais harmônico fluirá em um circuito gerando as transformações que atendam às questões sócio-ambientais, voltadas à sustentabilidade.

Agora , para complementar, leia a lenda abaixo que recebi de uma amiga.

Conta certa lenda que estavam duas crianças patinando num lago congelado. Era uma tarde nublada e fria, e as crianças brincavam despreocupadas. De repente, o gelo se quebrou e uma delas caiu, ficando presa na fenda que se formou. A outra, vendo seu amiguinho preso e se congelando, tirou um dos patins e começou a golpear o gelo com todas as suas forças, conseguindo por fim quebrá-lo e libertar o amigo. Quando os bombeiros chegaram e viram o que havia acontecido, perguntaram ao menino:

- Como você conseguiu fazer isso? É impossível que tenha conseguido quebrar o gelo, sendo tão pequeno e com mãos tão frágeis!

Nesse instante, um ancião que passava pelo local, comentou:

- Eu sei como ele conseguiu.

Todos perguntaram:

- Pode nos dizer como?
- É simples. – respondeu o velho – Não havia ninguém ao seu redor, para lhe dizer que não seria capaz.

“Deus nos fez perfeitos e não escolhe os capacitados, capacita os escolhidos. Fazer ou não fazer algo só depende de nossa vontade e perseverança.”  Albert Einstein

 

Norma Emiliano

 

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Eu sou o centro

 

 “Quando a nossa necessidade de manter as crianças felizes e amorosas é muito compulsiva, achamos impossível negar-lhes algo”. (Samalin; Jablow)

  

Há uma fase do desenvolvimento do indivíduo (antes de um ano) que ele percebe tudo ao redor como parte de si mesmo. Pouco a pouco, ele passa a reconhecer que os objetos são externos e, até a fase pré-escolar, percebe as demais pessoas como extensão de si próprio.

A consciência do “eu” é um processo de reflexão sobre si mesmo, surgindo a partir da distinção entre a própria perspectiva e a dos outros. Ao pensarmos sobre isto e caminharmos através da dança relacional, deparamo-nos com situações que podem nos surpreender.

Certos casais entram em conflito pelo fato de não conseguirem captar a diferença entre eles na forma de pensar. Ao considerar que o outro é a sua extensão criam atritos até quando o outro não sabe o que deseja mesmo quando não é explícito.

Por outro lado, nem sempre o dar e o receber atingem o patamar de igualdade entre os indivíduos. Isso é de certa forma compreensível, pois a subjetividade cria uma escala diferenciada entre as pessoas na percepção de valor, dificultando o reconhecimento da doação. No entanto, quando alguém só recebe e nunca se disponibiliza para os outros, essa atitude pode sinalizar o egocentrismo e o consequente egoísmo (amor próprio excessivo).

 O egocentrismo, natural nos primeiros anos, deve diminuir ao longo das diversas etapas do ciclo de vida do ser humano.

 O egoísta quer sempre se destacar, o que importa são seus desejos. Esta pessoa é extremamente vulnerável, pois não aprende com a dor e sofrimento, Sua escolhas são voltadas para seu próprio ego e não é capaz de desenvolver sentimentos como a solidariedade e humildade.

 São as interações familiares, que aos poucos, pode ir substituindo o egocentrismo pelo amor/compaixão. Nas palavras de Zagury “a criança que não aprende a ter limite cresce com uma deformação na percepção do outro. Para ela só importa o seu querer, o seu bem-estar, o seu prazer”.

 Desta forma, nem todos atingem a mesma maturidade emocional (expressão e autocontrole das emoções) e social (superação do egocentrismo infantil, na contribuição para o bem-estar social.

 O conhecimento é fator significativo para se viver como ser humano pleno. Isso consiste em conhecer a si próprio, estar aberto ao diálogo, à alteridade e às mudanças que se fizerem necessárias ao longo da vida.

 

 Referência bibliográfica 

SAMALIN, N. e JABLOW, M. M. Amar seu filho não basta: uma nova visão da disciplina infantil. 10ª ed. São Paulo: Saraiva, 2000.

 ZAGURY, T. Limites sem trauma. 57. ed. Rio de Janeiro: Record, 2003. (Construindo Cidadãos).

Norma Emiliano

 

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Autoconhecimento

 

 terapia

Imagem Internet

 

Não há como dispensar a companhia do si mesmo

 

O processo terapêutico tem inicio com a solicitação de atendimento realizado pelas pessoas (indivíduo, casal e/ou famílias). Esta solicitação é movida por vários motivos, sendo alguns conscientes, outros inconscientes e nem sempre as queixas são coincidentes com as reais necessidades. Mas um dos objetivos do processo terapêutico é possibilitar a ampliação do contato com o si mesmo.  Desta forma, envolve aprofundar conflitos internos e ou relacionais, trabalhar as defesas individuais e/ou compartilhadas.

As possibilidades para resistência à terapia são muitas, bem como a forma como se manifestam, tendo em vista que o ser humano tenta fugir da dor e nada é tão doloroso como ferir a própria auto-imagem. Assim, é comum negar a verdade e projetar o mal.

O mundo interno do indivíduo (subjetividade)  é singular e, portanto, precisa ser desvelado, o que favorece o enriquecimento conjunto entre pacientes e terapeutas. Parafraseando Mello (2007), através do processo terapêutico, o sujeito põe em marcha a historização,  que o leva à apropriação de si mesmo.

As conversas terapêuticas caminham entre o momento atual e a história passada em direção ao futuro.

Os hábitos cotidianos e valores e crenças dos indivíduos, ao se expressarem nas relações, constituem-se em tesouros ou obstáculos para o desenvolvimento pessoal e  relacional.
Num atendimento de casal, pequenos hábitos que fazem diferenças na vida a dois:

Ela – Preciso dormir oito horas diariamente, por isto deito-me cedo.
Ele – Não consigo dormir sem antes ler e tomar um copo de leite quente.
Ela – Eu tenho muitos amigos, eles são parte da minha vida.
Ele – Eu gosto de ficar em casa, minha família é o meu melhor lugar.
Estes são partes de relatos de atitudes cotidianas. Atitudes que não existem por acaso ; elas estão imbuídas de valores construídos ao longo da vida e que farão parte das expectativas nos relacionamentos íntimos. A aprendizagem através das interações está presente nas ações do sujeito.

No entender da teoria sistêmica, cada pessoa tem um limitado número de vivências, que são determinadas pelos seus vínculos familiares. O funcionamento familiar inconscientemente propõe expectativas e desafios, pois passado e presente caminham juntos.

Na escuta atenta, na junção de diversas falas internas e/ou externas (encontro das diversas vozes familiares) localizamos os papéis, lugares sociais e familiares, os limites e possibilidades para as mudanças que se fazem necessárias para desatarmos os nós que emperram o bem-estar e o desenvolvimento dos indivíduos, casais e/ou famílias.

Autoconhecimento incita a dor. No entanto, amplia as possibilidades do alcance de melhor qualidade de vida.

Norma

 

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A suprema felicidade

 

Filme de Arnaldo Jabor.

O filme consiste nas memórias dos anos 40 e 50,  no  contexto do Rio de Janeiro.

A trama se desenrola através do personagem Paulo, sua trajetória dos 8 aos 18 anos; traz os seus conflitos familiares, sua aliança com avô e descoberta do mundo externo e interno.

É um filme de época, repleto de saudosismo boêmio. Contempla vários temas de uma forma superficial:  repressão da mulher, frustrações profissionais, adolescência, conflitos familiares, exploração de menores, prostiuição e  loucuras.

 Deixa a sequinte  questão:  O que é a felicidade:

Buscar o que não se tem, ou contentar-se com o que se pode ter?

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Pausa poética

 

O Homem;  As  viagens

 

O homem, bicho da Terra tão pequeno
chateia-se na Terra
lugar de muita miséria e pouca diversão.
Faz um foguete, uma cápsula, um módulo
toca para o Lua
desce cauteloso na Lua
Pisa na Lua
planta bandeirola na Lua
experimenta a Lua
civiliza a Lua
humaniza a Lua.Lua humanizada: tão igual à Terra.
O homem chateia-se na Lua.
Vamos para Marte – ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em Marte
pisa em Marte
experimenta
coloniza
civiliza
humaniza Marte com engenho e arte.

Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro – diz o engenho
sofisticado e dócil.
Vamos a Vênus.
O homem põe o pé em Vênus
vê o visto – é isto?
idem
idem
O homem funde a cuca se não for a Júpiter
proclamar justiça junto com infustiça
repetir a fossa
repetir o inquieto
repetitório.
Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira Terra-a-terra.
O homem chega ao Sol ou dá uma volta
só pra tever?
Não vê que ele inventa
roupa insiderável de viver no Sol.
Põe o pé e
mas que chato é o Sol, falso touro
espanhol domado.Restam outros sistemas fora
do solar a colonizar.
Ao acabarem todos
só resta ao homem
( estará equipado?)
a difícil dangerosíssima viagem
de si a si mesmo:
pôr o pé no chão
do seu coração
experimentar
colonizar
humanizar
o homem
descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
a perene, insuspeitada alegria
de conviver.

Carlos Drummond de Anfrafe

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Palavra

 

No livro  Comer, Rezar e Amar há uma referência ao fato de que “toda cidade tem uma única palavra que a define, que identifica a maioria das pessoas que mora ali. Se você pudesse ler o pensamento das pessoas que passam por você nas ruas, descobriria que a maioria delas está tendo o mesmo pensamento – essa é a palavra da cidade.”  Nos exemplo citados, para  Roma  a palavra correspondente  é sexo; Nápoles,  é o verbo brigar; Nova York,  é conquistar.

Desta mesma forma, cada pessoa tem sua própria palavra, que pode se alterar pelas diversas etapas da vida. Pensando nessa teoria,  concluo que hoje  a minha palavra é  o verbo buscar.

Diante disto,  como você identifica a palavra da sua cidade e a sua própria palavra?

E você se sente em casa nesta cidade?

 

Norma

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Angústia

“Um rapaz fez-me essa pergunta difícil de ser respondida. Pois depende do angustiado. Para alguns incautos, inclusive, é palavra que se orgulham de pronunciar como se com ela subissem de categoria – o que também é uma forma de angústia. Angústia pode ser não ter esperança na esperança. Ou conformar-se sem se resignar. Ou não se confessar nem a si próprio. Ou não ser o que realmente se é, e nunca se é. Angústia pode ser o desamparo de estar vivo. Pode ser também não ter coragem de ter angústia – e a fuga é outra angústia. Mas angústia faz parte: o que é vivo, por ser vivo, se contrai. Esse mesmo rapaz perguntou-me: você não acha que há um vazio sinistro em tudo? Há sim. Enquanto se espera que o coração entenda.”

Clarice Lispector

 

O bom humor consiste num olhar otimista e esperançoso. Somos impelidos a acreditar que precisamos estar em constante  estado de felicidade e, em alguns dias, o coração se sente apertado sinalizando o rever de pensamentos e atitudes, que podem estar nos paralisando. 

Estamos em constante busca e o  desconhecido assusta. Pode ser paradoxal, mas a a angústia assinala a possibilidade do enfrentamento da vida, como uma força interior.

Kierkegaard, filósofo e teólogo dinamarquês (1844)  já afirmava que angústia, disposição afetiva,  impulsiona o sujeito nos seus próprios movimentos.

Como tudo tem os dois lados, a angústia contém aspectos tanto destrutivos como construtivos, dependendo de como é utilizada.

A vida é feita de escolhas e elas determinam nosso destino. Nem sempre se escolhe o que é melhor, mas o que é mais comodo e nestes atalhos “que moram os perigos”. É fundamental entrar em contato consigo mesmo.

No trabalho terapéutico,  direcionamos a atenção para os acontecimentos  da  vida que persistem e se fazem presentes através de uma dor, um incömodo e/ou  uma angústia que são considerados sinais de alerta  para  o repensar sobre o si mesmo.

Norma

 

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O poder do silêncio

 

Nós, seres humanos, estamos, cada vez mais,  sintonizados em muitas coisas diferentes ao mesmo tempo. Neste sentido, acabamos não nos dando conta  desta sintonização excessiva  até que a manifestação negativa ocorra em algum acontecimento ou doença. 

O uso desmedido da mente acaba nos levando a diminuição da percepção. Um pensamento nos leva a outro, nos tornando agitados.  Assim, de toda a realidade que nos cerca, conseguimos perceber uma faixa restrita; os pensamentos acabam nos levando  aos mesmo resultados e voltamos ao ponto de partida.

Constantemente, o ser humano está interagindo mediante ressonância com tudo que existe e o silêncio pessoal  inquieta. No entanto, a comprensão, muitas vezes exige o silêncio.

Encontrei em Susana Tamaro  uma descrição que considerei muito própria ao que estou me referindo.  Ela menciona que “a compreensão exige silêncio (….) a mente é prisioneira das palavras” , (…) os barulhos são como uma droga: depois que você se acostuma, já não pode viver sem eles”.  Assim,   traz a metáfora da limpeza  do chão com a vassoura ou com um pano molhado: “se usarmos a vassoura, quase toda a poeira fica no ar e se deposita nos objetos vizinhos; se ao contrário, usarmos um pano molhado, o chão fica liso e reluzente. O silêncio é como pano úmido, afasta de vez a opacidade do pó”.

É inegavel a importância da  autopercepção, ou seja,   do  reconhecimento dos sinais do nosso  corpo, dos  sentimentos e das atitudes.  Na medida em que vamos  ampliando o autoconhecimento,  temos melhores condições de nos relacionarmos conosco e com as outras pessoas. Além disso,  a auto percepção ajuda o desenvolvimento  da capacidade de atenção.

Enfim,  praticando o silêncio  temos possibilidades de desenvolver atitudes pacíficas tão necessárias a este nosso mundo inundado pela velocidade e tão pouco humanizado.

Referência

Vá  aonde seu coração mandar- Susana  Tamaro- Ed. Rocco

Norma

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