Cada ser encontra a sua própria felicidade superando os obstáculos da vida, apreciando suas belezas e seguindo em frente.
lannewss
11 de março de 2008
Cada ser encontra a sua própria felicidade superando os obstáculos da vida, apreciando suas belezas e seguindo em frente.
lannewss
11 de março de 2008
Tags: amor, aprendizagem, felicidade, história, vida
Google Imagem
Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as “Odes Elementales”, de Pablo Neruda. Procurei a “Ode à Cebola” e lhe disse: “Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: ‘Rosa de água com escamas de cristal’. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta… Os poetas ensinam a ver”.
Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.
William Blake sabia disso e afirmou: “A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê”. Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.
Adélia Prado disse: “Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra”. Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.
Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem. “Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios”, escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. O zen-budismo concorda, e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada “satori”, a abertura do “terceiro olho”. Não sei se Cummings se inspirava no zen-budismo, mas o fato é que escreveu: “Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram”.
Há um poema no Novo Testamento que relata a caminhada de dois discípulos na companhia de Jesus ressuscitado. Mas eles não o reconheciam. Reconheceram-no subitamente: ao partir do pão, “seus olhos se abriram”. Vinicius de Moraes adota o mesmo mote em “Operário em Construção”: “De forma que, certo dia, à mesa ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção, ao constatar assombrado que tudo naquela mesa – garrafa, prato, facão – era ele quem fazia. Ele, um humilde operário, um operário em construção”.
A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas – e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam… Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo.
Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras. Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: “A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar para elas”.
Por isso – porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver – eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana. Como o Jesus menino do poema de Caeiro. Sua missão seria partejar “olhos vagabundos”…
http://www.rubemalves.com.br/aartedever.htm
Tags: aprendizagem, arte, cegueira, visão
A realidade é feita de tudo que se acredita e/ou se imagina.
A família, o casal ou o indivíduo chega ao consultório trazendo em suas expressões faciais e corporais, suas dores. Suas queixas trazem os obstáculos que a vida lhe produz e a forma como são percebidos e enfrentados.
O foco da visão clínica do profissional que se baseia nos fundamentos da Terapia Familiar Sistêmica é o inter-relacional. Assim sendo, de acordo com esta perspectiva, a terapia não é uma intervenção centrada em um indivíduo “doente”, mas um ato de participação e crescimento num grupo com uma história. (Andolfi, 1989). Desta forma, o individuo é visto como produto de suas relações e a família é considerada uma unidade, em que todas as partes estão ligadas, interagindo- se. Portanto, para compreender o indivíduo e os seus problemas realiza-se uma apreciação do seu contexto familiar.
De acordo com Groisman (1991)“observando-se o funcionamento da família, percebe-se que, ao invés de um dos membros representá-la, cada um deles começa a falar de si mesmo entrelaçando o outro na comunicação. É o encontro do comigo com o consigo”.
O processo terapêutico ocorre em um trabalho conjunto (entre o cliente e o terapeuta), tendo como foco a autonomia, que engloba o pertencer (fazer parte) e separar-se (individuação); o desenvolvimento da consciência do padrão de funcionamento, de suas dificuldades, das escolhas e responsabilidade e a mudança do que ocasiona as questões (pautas disfuncionais). Assim, favorece-se uma variedade maior de estratégias de funcionamento.
No tratamento ganham destaque as relações do indivíduo consigo mesmo e entre os indivíduos. Cada cliente é um universo único. Sua visão de mundo, de si próprio e de suas relações precisa ser compreendida sem contaminação das experiências do terapeuta. Cada ser humano enfrenta as diversas situações da vida de forma peculiar, tendo em vista que as interpretações e reações baseiam-se na história de vida, nas crenças e nos valores.
As intervenções do terapeuta ocorrem através da comunicação verbal, de exercícios reflexivos, da prescrição de tarefas e da relação terapêutica. Nas sessões a relação terapêutica é relevante como modelo de mudanças.
A diferença deste enfoque é que o sintoma é visto como ponto de partida, tendo como foco as relações que o produzem e o mantêm.
O encontro e o diálogo possibilitam a apreensão da atitude do homem como ser relacional. O processo terapêutico favorece ao cliente (família, casal, indivíduo) ter uma visão global da situação e uma preparação para elaborar um caminho próprio com base na sua liberdade de escolha. .
Não se podem transportar as experiências pessoais, percebê-las como comum a todos. Elas são tão singulares que o máximo que se pode fazer é senti-las em sua plenitude e transformá-las em fonte de aprendizado para o crescimento pessoal e relacional.
Norma Emiliano
Tags: aprendizagem, familias, indivíduo, inter-relação, terapia
Olá.
Sou Norma Emiliano,Terapeuta de Família. Faço atendimentos clínicos há 16 anos.Tenho paixão pelo que faço. Minhas experiências profissionais constituem a base das minhas reflexões sobre as mudanças ocorridas na sociedade e suas repercussões nos indivíduos, nas relações interpessoais e, principalmente, no interior das famílias.
Neste blog, convido o internauta a ler, refletir e a trocar idéias sobre assuntos que dizem respeito à família.

Arclite theme by digitalnature | powered by WordPress