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Morrer é Preciso

 

A partir das  palavras de Fernando Pessoa no texto Morrer é preciso,   compartilhe quando para você  a morte foi extremamente necessária para que alcançasse uma mudança fundamental em sua vida?

 

“Nós estamos acostumados a ligar a palavra morte apenas à ausência de vida e isso é um erro. Existem outros tipos de morte. E precisamos morrer todos os dias. A morte nada mais é do que uma passagem, uma transformação.

Não existe planta sem a morte da semente, não existe embrião sem a morte do óvulo e do esperma, não existe borboleta sem a morte da lagarta, isso é óbvio, a morte nada mais é que o ponto de partida para o início de algo novo, a fronteira entre o passado e o futuro.

Se você quer ser um bom universitário, mate dentro de você o secundarista aéreo que acha que ainda tem muito tempo pela frente. Quer ser um bom profissional? Então mate dentro de você o universitário descomprometido que acha que a vida se resume a estudar só o suficiente para fazer as provas. Quer ter um bom relacionamento? Então mate dentro de você o jovem inseguro, ciumento, crítico, exigente, imaturo, egoísta ou o solteiro solto que pensa que pode fazer planos sozinho, sem ter que dividir espaços, projetos e tempo com mais ninguém. Quer ter boas amizades? Então mate dentro de si a pessoa insatisfeita e descompromissada, que só pensa em si mesmo. Mate a vontade de tentar manipular as pessoas de acordo com a sua conveniência. Respeite seus amigos, colegas de trabalho e vizinhos, enfim todo processo de evolução exige que matemos o nosso “eu” passado, inferior.

E qual o risco de não agirmos assim? O risco está em tentarmos ser duas pessoas ao mesmo tempo, perdendo o nosso foco, comprometendo nossa produtividade, e, por fim prejudicando nosso sucesso. Muitas pessoas não evoluem porque ficam se agarrando ao que eram, não se projetam para o que serão ou desejam ser. Elas querem a nova etapa, sem abrir mão da forma como pensavam ou como agiam.

Acabam se transformando em projetos inacabados, híbridos, adultos infantilizados. Podemos até agir, às vezes, como meninos, de tal forma que mantemos as virtudes de criança, que também são necessárias a nós adultos, como: brincadeiras, sorriso fácil, vitalidade, criatividade, tolerância, etc.

Mas, se quisermos ser adultos, devemos necessariamente matar atitudes infantis, para passarmos a agir como adultos.

Quer ser alguém (líder, profissional, pai ou mãe, cidadão ou cidadã, amigo ou amiga) melhor e evoluído? Então, o que você precisa matar em si, ainda hoje, é o “egoísmo” é o “egocentrismo”, para que nasça o sr que você tanto deseja ser. Pense nisso e morra. Mas, não esqueça de nascer melhor ainda. O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem, por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis”

Fernando Pessoa.

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A incerteza do amanhã

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A sua queixa é a freqüente insatisfação, o sintoma é a depressão. Não consegue entender seus sentimentos; sente-se paralisado. Muitos são os motivos que impulsionam as atitudes humanas e muitas delas são conscientemente desconhecidas.

O conjunto de comportamentos que vincula as pessoas umas as outras formam importante ligação entre elas e gera o que podemos denominar de apego. Assim, as experiências relacionais infantis vão determinar as futuras representações de si mesmo e dos outros. A visão do homem é restrita, parcial e limitada criando o apego às coisas próximas conhecidas. Contudo, a vida nos é ofertada e nos confrontamos com a sua impermanência.

O apego humano, apesar de ser indispensável ao desenvolvimento da criança, condiciona e limita a vida das pessoas por elas desejarem a constância e permanência de coisas e pessoas. Desta forma, muitas causas de infelicidade, conflitos e tensão estão vinculados ao apego. Os desejos do homem são incessantes e daí surgem as frustrações por não se obtê-los, por não se conseguir o suficiente, por possuir algo que não se quer mais ou por se conseguir e perdê-los.

Em sua história familiar a luta pela sobrevivência foi grande. Eram cinco pessoas, pai, mãe e três filhos. O pai muito acomodado restringia-se a um emprego seguro no qual ganhava pouco. A mãe, muito ativa, de tudo fazia para dar o que comer aos filhos. O pai era muito honesto, responsável, mas muito distante afetivamente. A mãe era o porto seguro. 

Após o casamento dos irmãos, suprimiu etapas de um recente namoro. Em menos de um ano nasceu o primeiro filho.  A partir de então assumiu o compromisso de não deixar faltar nada à família. Isto, ao longo do tempo virou uma obsessão e só pensava no dia de amanhã. Nada o satisfazia, nada valorizava.  Procurava garantir o sustento da família e ser carinhoso com os filhos por não querer repetir com eles a distância que existia entre ele e o pai. Por outro lado, continuava ter a mãe como o porto seguro. Em suas incertezas, a ela sempre recorria.  Passou o tempo.  Não conseguindo viver o aqui e agora e ficou depressivo. A preocupação intensa com o amanhã impede a criatividade cotidiana.

Para que uma corda vibre em nós, é necessário não só que ela seja nossa, mas também que um contexto adequado a faça vibrar”. Elkaim. Ele atribui a sua depressão à insatisfação constante. Todavia, a junção da sua história e a da parceira faz o encaixe para a manutenção do padrão de comportamento que o afasta da sua intimidade pessoal. Não sabe quem é e o que deseja.

A esposa é proveniente de uma família pobre, na qual a mãe é do lar e submissa; o pai é o provedor, extremamente autoritário e agressivo. Ela tem três irmãs, sendo ela a filha do meio. Cedo quis trabalhar e se tornar independente. No casamento, não quis ter a posição submissa da mãe. Na falta de um modelo de parceria, assumiu a família e o controle do lar. Queixa-se da falta do companheiro, mas não percebe que não abriu espaço para que o companheirismo pudesse emergir.

Ambos estão perdidos em cobranças pessoais e inter-relacionais, mantêm-se prisioneiros do passado e não conseguem viver o presente. O medo da repetição da figuras paternas traz como pano de fundo a incerteza do amanhã.

Norma Emiliano

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