Sobre depressão

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O mundo contemporâneo prima pela busca da felicidade irrestrita e em contrapartida a depressão  torna-se um problema cada vez mais frequente. Partindo da perspectiva junguiana, de que o sintoma pode ser um chamado para o desenvolvimento e tendo como base o livro Os Pantanais da alma, de James Hollis, analisa-se a depressão  como uma manifestação do que está oculto, podendo vir a serviço do processo de individuação (a busca de um indivíduo para tornar-se “Si Mesmo”).

Em outros posts fiz algumas referências à depressão. Neste momento, a ideia é trazer alguns esclarecimentos, sobre as diferenças entre a tipologia: “reativa ou ambiental, “endógena” ou intrapsíquica, observada a  importância desta definição para o tratamento.

A “reativa” é uma reação normal a uma desilusão ou perda significativa e só é patológica se vir a perturbar o funcionamento normal da pessoa ou se prolonga além do período razoável.

A “endógena” é proveniente de uma base desconhecida, mas provavelmente biológica. Há transmissão genética e na história familiar encontram- se outros membros que tiveram o mesmo diagnóstico e vivem como se carregassem o peso enorme no corpo e na alma, sem motivo  para a tristeza. Mas a esta também pode ser acrescida as adversidades normais da existência, podendo ser confundida com a “reativa” num primeiro momento, sendo esclarecida no aprofundamento dos padrões de comportamento a partir da infância.

A intrapsíquica é aquela em que a energia vital e a intencionalidade da vida são negadas. Essa é gerada a partir de internalizações de circunstâncias da vida, principalmente aquelas relacionadas à família de  origem em um conjunto de tessituras de suposições a respeito de si mesmo, dos outros e dos relacionamentos.  De outra forma, há o que é denominado de “depressão caminhante”, ou seja,, funciona-se muito bem, mas com a alma pesada. Esta corrói a qualidade de vida da pessoa.

Em ambas as situações é fundamental a pergunta: Qual o significado da minha depressão? Assim sendo, é tornar-se suficientemente consciente para diferençar entre os acontecimentos do passado e o que se é no presente, podendo se reconhecer que a questão original não era inerente à criança, mas resultado de situações que iam além do seu controle. Desta forma, conectar-se com a energia vital que estava isolada, ou seja, tornar- se o que se deseja é  abandonar  “a legítima esperança da criança e aceitar-se a si mesmo com é. Correr o risco de enfrentar aquilo que mais tememos, aquilo que está bloqueando nosso crescimento natural“(p.97/98).

Os Pantanais da Alma, James Hollis, 1999.

Imagens Net.

Norma Emiliano

Comments

  • toninhobira
    Responder

    Bom dia Norma!
    Muito boa a postagem com as definições das variações deste monstro do século, que tem ceifados vidas pelo mundo outras tem feito estragos com reações inadmissíveis ao pensamento comum e puro como os casos de atentados que temos visto pelo mundo a fora. Eu conheci algumas pessoas que viveram este processo e que por talvez falta de um atendimento perfeito e ou correto acabaram por perder a vida, geralmente com suicídios. Eu até pergunto, se os casos de suicídios estão intimamente ligados à depressão? Poderia você aprofundar mais para nós pois esta coisa pode estar mais perto de nós, do que possamos imaginar..
    Pelos tipos parece-me que a endógena seja mais complexa, visto que o tempo que se leva para diagnosticar a causa pode ser longo. Outra cosia Norma os comportamentos dos depressivos normalmente são de calados, tristes ou podem se manifestar de forma violenta como me fiz entender acima ao citar os atentados?
    Parabéns pela pesquisa e partilha e acho, que deve trazer mais sobre este assunto pois é preocupante. Em leituras de algum tempo atrás vi um infográfico sobre localidades com índices altos de suicídios no Brasil e confesso assustei com os números e as análises feitas por lá, inclusive o desemprego de país de família aparecia com número elevado.
    Grato e compartilho.
    Beijos.

  • Élys
    Responder

    Suas publicações são verdadeiras aulas de conhecimento que nos proporcionam aprender um pouco mais sobre a vida.
    Um abraço. Élys.

  • Norma Emiliano
    Responder

    Toninho.
    Pesquisas têm demonstrado e também de acordo com a OMS 15 a cada 100 pessoas com a doença decidem acabar com a sua vida, mas também aponta-se que cerca de 60% a 80% dos casos podem ser tratados com medicação e psicoterapia. Algumas vezes, por ser silenciosa custa muito a ser tratada. Contudo,
    transtornos mentais, distúrbios psiquiátricos e dependência química também estão relacionados aos suicídios.
    Abraços.

  • Roselia Bezerra
    Responder

    Olá, querida amiga Norma!
    Os distúrbios neuro vegetativos acabam com muitos e os ansiolíticos e antidepressivos estão sempre em alta sem acabar com a raiz dos males…
    Cosultórios cheios e remédios de tarja preta no comércio sendo lucrativo a muitos poderosos que se enriqueem às custas da degraça alheia…
    Aprendi que há 3 perguntas a serem feitas: De onde vim? Onde estou? Para onde vou?
    Ajudaram-me muito no passado distante de 26 anos…
    Questionamentos são salutares para curar raízes…
    Seja feliz e abençoada!
    Bjm de paz e bem

  • Ailime
    Responder

    Boa tarde Norma,
    Um artigo muito bom sobre a depressão e suas causas cientificas.
    A depressão nunca pode ser negligenciada, pois pode conduzir a situações dramáticas.
    Um beijinho,
    Ailime

  • Majo Dutra
    Responder

    Tive uma das grandes, quando a minha mãe faleceu prematuramente após um acidente.
    Grata pelos excelentes momentos de leitura.
    Abraço, Norma.
    ~~~

  • taislc
    Responder

    Depressão, penso eu, que se resolve primeiramente com tratamento, numa dosagem adequada pelo psiquiatra, seguido por terapia junto. É a doença do século, é ansiedade junto com bipolaridade, não Norma? Uma tristeza profunda que nos leva a um isolamento, a não querer viver. Nada serve, nada é bom. Pessoas depressivas sofrem muito e penso eu que não adianta mimos familiares etc e tal. A coisa é química, se resolve com remédios, penso eu que outra forma não existe. Se eu estiver errada, Norma, me corrija. E os suicídios… é por aí!
    Beijo, amiga! Assunto ótimo.

  • Norma Emiliano
    Responder

    Oi Tais
    Nem sempre é química, como expliquei no texto; há a depressão reativa quando se tem uma perda ou desapontamento, que pode virar patologia quando o funcionamento normal é prejudicado ou quando se prolonga além do período necessário ao luto, sendo necessária a psicoterapia.

  • taislc
    Responder

    Oi, Norma, perfeito! Quando meu pai faleceu foi exatamente isso que o médico dela disse! O luto tinha um tempo, depois, seria já anormal, isso é, entrou em depressão.
    Obrigada, amiga!
    Beijo.

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